Um Romance Para Aiden
Capitulo 3
Pietro voltou para a festa logo depois do rápido e estranho momento com Olívia e o que encontrou foi um Aiden em uma sala que parecia ser de reuniões, havia uma grande mesa no centro, com várias cadeiras dispostas, além de sofás espalhados em um dos cantos do local e era em um desses sofás que Aiden estava sentado.
A situação de Aiden não era das melhores, mas não estava tão tensa assim. Os olhos dele estavam vermelhos e havia um pequeno corte acima da sobrancelha do cantor.
— Que merda aconteceu? — Pietro perguntou visivelmente perdido. — Eu saí por literalmente cinco minutos e quando volto você já se meteu em confusão.
— Eu não me meti em nada — Aiden que ainda sentia os olhos arderem um pouco, respondeu ainda irritado com toda a situação. — Eu fui perguntar onde era o banheiro e uma garçonete, conseguiu estourar uma garrafa de champanhe bem na hora, e a rolha voou na minha cara e como se não fosse suficiente, o champanhe veio nos meus olhos.
— Você é um grande filho da mãe sem sorte! — Pietro disse antes de dar uma boa gargalhada. — Ela era bonita? — Pietro perguntou, se lembrando de Olívia e não pôde deixar de se perguntar se tinha sido ela.
— Se eu tivesse conseguido enxerga-la direito. Só lembro dos lábios dela, eram muito carnudos. Angelina Jolie teria inveja dela — Aiden descreveu e um segurança entrou no local.
— Tem uma senhorita Camila ali fora pedindo para entrar. — O segurança explicou e Pietro assentiu.
— Ela tem passe livre sempre, ouviu bem? — Pietro explicou e o segurança assentiu com a cabeça antes de sair e liberar a entrada da mulher. Depois que Camila fora chamar Pietro no estacionamento, ela disse que ia falar com uma amiga e depois voltaria a falar com Pietro e Aiden.
Ela cumprimentou Pietro pela segunda vez naquela noite e olhou para Aiden.
— Consegue enxergar? — Camila perguntou e Aiden assentiu com a cabeça.
— Lavei meu rosto e falei com meu oftalmologista ao telefone. Ele me disse o que fazer e inclusive já pedi que comprassem um colírio para mim — Aiden explicou e Pietro colocou a mão no queixo, pensativo. — Não posso voltar para a festa com esses olhos vermelhos e esse corte na testa porque vão inventar novas histórias.
— Olha só se não é vestígios do antigo Aiden aqui! — Pietro falou. — Muito bem. Você está realmente certo sobre isso. Mas tem outra saída no local e podemos passar por lá se preferir.
— Pode ser, mas sei que vocês precisam conversar e eu não sei se me sinto bem-disposto para isso nesse momento — Aiden explicou, deitando-se no sofá que tinha no local.
— Certo — Pietro olhou para Camila que o encarou de volta. — Tem um tempo para conversarmos?
— Eu ainda estou aqui por isso. Aiden me fez prometer que eu te ouviria — Camila explicou.
— Não há nada que o Aiden não consiga, não é? — Parecia uma pergunta, mas era uma grande afirmação. — Vamos voltar para a festa, Aiden. Daqui a pouco eu volto aqui para que possamos ir embora.
Aiden apenas fez um sinal de que concordava com a cabeça. Pietro abriu espaço para a Camila Moreno, que não tinha moreno só no nome. Ela tinha os cabelos castanhos claros e a pele era dourada, qualquer homem se jogaria aos pés dela.
Ambos seguiram em silêncio até a mesa que havia sido reservada para Aiden e enquanto estava sentado com Camila Moreno, a produtora de televisão que precisava aprovar a ideia do reality show, se esqueceu um pouco da situação que tivera com Olívia. Se esquecera do que acontecera com Aiden e incorporou o personagem que deveria: O empresário sério que Aiden precisava para dar a volta por cima.
— Conversei com Aiden sobre sua ideia — Camila iniciou a conversa.
— Aiden não é a melhor pessoa para explicar essas coisas. Ele é tomado um por um nervosismo sem tamanho e se embola quando precisa explicar algo sério e importante.
— Ainda assim, Pietro. Não sei se esse tipo de programa seria bom — Camila comentou, enquanto estava com um olhar sério de quem analisava toda a ideia. — Mulheres expostas em uma casa para que Aiden escolha quem ele acha melhor.
— Não seria Aiden que escolheria. Seria o público e de maneira semanal — Pietro explicou-se. — Longe de nós querer transparecer isso. Muitas mulheres vão entrar no programa com intuito de se auto promover e ganhar um espaço na mídia, o romance mesmo acaba ficando de canto. Os dois lados ganham, entende?
— Seria mais um programa para iludir o público. Acha mesmo que eles acreditariam? — Camila indagou olhando diretamente para Pietro. Ela parecia estar alfinetando-o e tentando colocá-lo em uma situação que ele não conseguisse escapar, mas Pietro era bom quando se tratava de argumentos.
— É claro que muitos acharão que foi tudo comprado e armado, mas ainda vai ter gente assistindo e torcendo por alguma das mulheres e isso seria muito bom, tanto para Aiden, as participantes, e claro, para a emissora, afinal vai lucrar bastante com os patrocinadores — Pietro explicou e Camila assentiu.
— Ele precisa concordar em se comportar, Pietro. Senão não haverá patrocinadores — Camila disse e seu tom de voz parecia cauteloso. — A imagem dele não está muito boa com meu chefe.
O Chefe de Camila era Augusto Ferrara, dono da Emissora Super TV, e milionário com várias empresas de entretenimento espalhadas não somente pelo Brasil, mas pelo mundo inteiro.
— Eu sei e ele também sabe disso. Posso te garantir que o Aiden que vai aparecer na televisão será outro.
— Então, digamos que eu filtre essa sua ideia e leve até o Augusto ainda hoje — Camila começou a explicar. — Eu acho que oito mulheres, é demais. Precisaríamos de 2 meses para chegarmos a um resultado do reality e o Augusto acharia um grande desperdício de tempo para esse tipo de programa. Acho que se ele der o espaço na programação vai ser por um mês no máximo. Me desculpe, mas como disse antes, o Aiden não está muito cotado em lugar algum.
— Eu entendo completamente, mas e se escolhêssemos oito mulheres, mas eliminássemos duas por semana? Não acha que daria certo?
— Me parece razoável. Se eliminamos duas por semana, o programa dura quatro semanas e fica mais fácil de ser aprovado pelo Augusto.
— E o local? Já decidiu onde seria? Esse é um outro assunto importante porque Augusto não vai aceitar que seja um local muito caro. Não sabemos ainda se o programa vai mesmo ter ibope e trazer lucro.
— Culpa do Aiden, é claro — Pietro concluiu e Camila assentiu se sentindo culpada, mesmo que não tivesse culpa em nada daquilo. O problema era todo de Aiden. — Mas isso é tranquilo. Se o Augusto aceitar, poderíamos fazer na casa de praia que o Aiden possui na praia da pipa.
— Fica no Rio Grande do Norte, não é?
— Sim, em uma cidade que se chama Tibau do Sul. A casa dele é afastada e fica beira-mar, quando você sai da casa, já pisa nas areias da praia.
— Temos uma afiliada da emissora no Rio Grande do Norte — Camila explicou, e uniu os lábios em uma linha fina e com a expressão pensativa. — Acho que seria um ótimo local.
— E então? — Pietro perguntou, visivelmente ansioso.
— O Augusto não veio para a festa porque teve uma premiação em São Paulo que ele teve que ir, mas eu vou ligar para ele agora mesmo quando estiver a caminho de casa.
— Vou ficar te devendo se conseguir isso para mim, Camila — Pietro falou e deu uma risada curta.
— Você já me deve muitas coisas, Pietro. Melhor não dever mais nada. Considere isso como um presente de uma amiga — Camila piscou para Pietro que ergueu as sobrancelhas e sorriu completamente sem-graça pela resposta.
Ele sabia que Camila não era a pessoa que mais gostava dele, não depois de Pietro ter terminado o relacionamento dos dois sem qualquer explicação. Camila não poderia saber as motivações dele, era nisso que Pietro acreditava.
— Eu não sei o que dizer.
— Não diga nada. É melhor assim, porque dessa maneira, ninguém sai machucado — Camila respondeu e se levantou, Pietro fez o mesmo. — Eu te ligo e dou a resposta assim que conseguir uma posição de Augusto.
— Obrigado — Pietro agradeceu e Camila assentiu com a cabeça antes de ir embora.
Pietro se sentou novamente e virou o champagne de sua taça de uma vez só, percebendo que precisaria de algo mais forte do que aquilo para se livrar da tensão que passara nas últimas horas.
Em certos momentos, ele se sentia um completo idiota por ter terminado com Camila da maneira como tinha feito, mas quando lembrava sua motivação, achava que tinha feito pouco.
Pietro se levantou e foi até a sala em que Aiden estava descansando, e ao entrar no local encontrou um Aiden bem melhor. Ele lia algo em seu celular e ria, sem preocupação alguma em seu rosto.
Aparentemente, o trabalho de se preocupar era completamente de Pietro também.
— Voltei. — Pietro anunciou.
— E aí? Vocês brigaram muito? — Aiden disse, ao perceber a presença de Pietro.
— Não. O que te leva a pensar isso?
— Ah, só o fato de você ter terminado com ela por mensagem de texto e nunca mais ter falado com ela. Quer dizer, só quando era algo profissional — Aiden largou o celular de lado e deu ombros. — Não é nada demais.
— Você sabe que não deu certo. Eu e ela sempre tivemos agendas incompatíveis, além de que ela cobrava demais por eu não estar sempre perto — Pietro tentou se explicar.
— Você podia ter dito isso a ela. Acrescentando o fato de que nunca se apaixonou por ela de verdade — Aiden acrescentou e riu. — Vê o motivo de eu não arrumar uma namorada? Não quero enganar ninguém.
— É, mas agora vai ter que enganar o país inteiro.
— E oito mulheres.
— Elas vão saber no que estão se metendo quando lerem o contrato do programa com a cláusula que deixa bem claro que quem ganhar o programa não se tornará exatamente sua namorada. É tudo comercial mesmo.
— Mas e se eu me apaixonar? — Aiden indagou e foi a vez de Pietro rir do amigo.
— Mais fácil eu me apaixonar do que você, Aiden! Larga de ser tão otário — Pietro rebateu Aiden.
— Nós dois somos dois grandes idiotas quando se trata de relacionamentos amorosos, não é? — Aiden falou e Pietro assentiu.
— Agora, acho melhor irmos embora. Amanhã podemos receber a notícia da Camila e eu quero estar preparado caso precise resolver algo referente ao reality — Pietro se levantou da mesa e Aiden fez o mesmo. — Me segue que te mostro uma saída alternativa. Já mandei nosso motorista ficar de prontidão.
— Você acha que vamos conseguir produzir o reality? — Aiden indagou e Pietro deu de ombros, começando a caminhar em direção da saída do local.
— Quer a resposta verdadeira? — Pietro indagou.
— Óbvio.
— Se dependesse da sua reputação, não conseguiríamos. Mas estou tentando ser otimista de que "Um romance para Aiden" vai rolar e será um sucesso.
— E lá vamos nós de novo com seus sermões — Aiden reclamou, dando uma leve coçada na cabeça por saber que ouviria Pietro falando sobre como ele deveria ter se comportado melhor e várias outras coisas que ele já sabia muito bem o que era.
Mas no fim das contas, Aiden sabia que se não fosse Pietro, ele estaria completamente perdido.
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— Você fez o quê? — Valentina perguntou em completo desespero para Olívia no café da manhã do dia seguinte da festa. — Você jogou champanhe na cara do homem mais gostoso do país?
— Não foi por querer, eu juro — Olívia começou a explicar enquanto passava manteiga no pão. Aliás, era mais como o contrário, ela passava o pão no recipiente de manteiga. — Um homem me pediu para abrir a maldita garrafa de champanhe e servir. Eu não sei muito bem abrir garrafas de champanhe como sei abrir as de vinho.
— Somos pobres. Eu entendo você — Valentina riu.
— Quando eu dei por mim, a rolha voou no rostinho bonito dele, e como se não bastasse a bebida foi junto, bem nos olhos dele. Eu acho que ele não conseguiu me ver, mas se ele conseguiu não fará diferença alguma, porque acho muito difícil encontrá-lo de novo.
— A Fernanda ficou muito irritada com você e lógico que brigou comigo. Eu só fingi que não estava me sentindo muito bem e disse que precisava desligar ou então ela ficaria falando a mesma coisa por horas — Valentina explicou de maneira simples, como se aquilo não fosse nada, mas no fundo era bem óbvio que ela estava preocupada, afinal era um emprego que ajudava a pagar suas contas. Mas Valentina sempre fora uma pessoa que tentava não sofrer por antecipação, ao contrário de Olívia que já achava que a amiga tinha perdido o emprego por culpa dela e de toda a confusão que causara na noite anterior.
— Me desculpe. Fui tentar te ajudar e agora você vai perder seu emprego por minha culpa.
— Não se sinta assim. Acho difícil ela me demitir por isso, só vou ouvir ela reclamar mais. E isso é algo muito normal, ela faz isso praticamente todos os dias com ou sem rolha de champanhe voando na cara de cantor famoso.
— Mas sabe, a noite não foi de todo mal. Consegui entregar um cartão meu para um empresário — Olívia confidenciou para a amiga.
— Ele trabalha na Super TV?
— Eu não sei bem onde ele trabalha, só sei que ele tinha todo um jeito de empresário importante e eu ouvi ele falando ao celular sem querer sobre conseguir algo para a televisão. Eu não perdi a chance e corri até ele, e fui uma tonta, porque fiquei desabafando com ele como se estivesse na frente de um psicólogo. Ele deve me achar uma coitada, no mínimo.
— Eu ainda estou tentando entender como você pode ter coragem de aparecer na frente de alguém que nem mesmo sabe quem é e entregar um cartão seu, implorando por uma chance. E se ele não for uma pessoa importante?
— Ele é sim. Não sei te explicar o fato de eu ter tanta certeza, mas sei que ele tem um pé no mundo dos famosos, e o rosto dele é familiar para mim — Olívia explicou, se lembrando da noite anterior e do rosto do homem. — Tenho certeza que já vi ele em algum lugar e só pode ser na televisão ou nessas revistas aí com famosos.
— Tomara que dê certo — Valentina disse cruzando os dedos. — Mas agora me fala, como que o Aiden estava? De terno?
— Me poupe. É só olhar na internet, já deve ter um milhão de fotos dele — Olívia se esparramou ainda mais no sofá e Valentina continuou encarando Olívia que revirou os olhos e deu um suspiro profundo. — Você realmente gosta daquele babaca, não é?
— Aham.
— E só vai me deixar em paz quando eu te der detalhes de como a camisa ficou grudada no abdômen sarado e a calça justinha naquela bunda maravilhosa dele, certo?
— Exatamente! Por isso mesmo sou sua amiga. Você sabe exatamente o que eu preciso ouvir para o meu dia ser perfeito. Agora vamos, fale em dez minutos porque preciso tomar banho para ir para a faculdade.