Um Romance Para Aiden

Bia Tomaz · Capítulo 20 de 31

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Um Romance Para Aiden

Capitulo 20

— Você parecia bem irritada com o Pietro. Não que eu estivesse prestando toda a atenção em vocês, mas ficou bem óbvio pela sua expressão. — Mariana comentou dentro do quarto que dividia com Olívia algumas horas depois da gravação da festa ter acabado. — O que você falou com ele que o deixou assim?

— Eu reclamei com ele sobre a história de Penélope estar na banheira com Talita e Jordan. — Olívia respondeu, visivelmente chateada com a situação.

— Eu preciso ver isso. Será que vai passar na televisão essas cenas mais quentes? — Mariana se perguntou.

— Era exatamente isso que eu questionei o Pietro. Será muito injusto se isso não for ao ar, mas ao que tudo indica, eles precisam zelar da integridade do Aiden. — Olívia falou, visivelmente irritada com aquilo, lembrando-se do que Pietro lhe dissera.

— Mas, e quanto a Camila? O que ela queria? — Mariana perguntou, passando creme em sua pele como fazia todas as noites e Olívia estava sentada em sua cama, ajeitando os cabelos com um pequeno espelho à sua frente.

— Ela me puniu por ter desligado meu microfone durante minha discussão com Penélope. — Olívia contou, lembrando-se das palavras venenosas de Penélope e que aliás, precisava contar para Pietro sobre aquilo e que o segredo do relacionamento dos dois poderia estar comprometido.

— Deixa eu adivinhar, te proibiu de usar a piscina ou vai te deixar sem comer doces por 48 horas já que você adora doces. — Mariana supôs e Olívia riu, assentindo com a cabeça.

— Os doces. Você sabe que como doces como se fosse uma formiga. — Olívia assumiu e Mariana riu da amiga.

— Comeu aquele bolo de abacaxi com coco praticamente sozinha. — Mariana comentou. — E nem engorda.

— Como diz isso? — Olívia perguntou achando aquele comentário um absurdo, e instintivamente murchou a barriga. — Olha para o meu corpo e o seu, Mari! Estou bem longe de conseguir alcançar isso.

— A diferença é que eu como somente verdura e legumes. Você tem uma dieta ampla e corpo violão maravilhoso! — Mariana elogiou Olívia que se sentiu tímida, por não saber reagir bem à elogios. — Apenas aceite o elogio.

— Obrigada. — Olívia disse, sorrindo para a amiga.

— Você está realmente arrumando seu cabelo para dormir? — Mariana perguntou, terminando de passar uma última camada nas pernas e Olívia respirou fundo, pensando com calma no que responderia, para não passar impressões erradas para Mariana e fazer com que ela desconfiasse de alguma coisa.

O fato era que ela estava gostando muito de ter Mariana por perto, mas não confiava em ninguém para contar o que realmente estava acontecendo entre ela e Pietro.

— Eu percebi que quando ajeito os cabelos de noite, eles ficam melhores na manhã seguinte. — Olívia mentiu, torcendo para que Mariana acreditasse.

— Sério? Por isso seu cabelo fica sempre tão lindo quando tem gravações matinais. — Mariana comentou. — Acho que vou tentar fazer o mesmo. A água da piscina parece estar acabando com meus cabelos. — Mariana contou, mexendo e analisando seus fios dourados.

— Depois me fala se funciona para você também. — Olívia pediu, seguindo com seu fingimento e se ergueu da cama, guardando o pente e o óleo específico que usava para suas madeixas. Olívia deu uma olhada no espelho, dando uma checada se o vestido preto de alcinhas, curto e justo que tinha colocado estava bom o suficiente para um encontro. Ela se achou sexy, e torceu para que Pietro pensasse o mesmo.

Ela ainda precisava usar uma desculpa para ir ao encontro de Pietro, mas pensaria naquilo mais para frente, até porque Mariana estava prestes a iniciar um outro papo e mais pesado naquele momento.

— Eu acho que Penélope está mirando em mim e Gabi para nos eliminar. — Mariana comentou. — O que me deixa ainda mais apreensiva quanto aos meus planos.

Olívia olhou para Mariana, e se lembrou do que ouviu alguns dias antes. Mariana falando escondida em um celular dentro do banheiro e seu tom era muito suspeito no dia. Olívia temia que a pessoa que Mariana estivesse jogando pesado e que talvez pudesse estar até mesmo sendo usada em um tipo de jogo e a palavra “planos” na sentença de Mariana, fez com que suas suspeitas aumentassem.

Era difícil simplesmente perguntar sobre aquilo como quem perguntava sobre o tempo, mas não dava para varrer aquilo para debaixo do tapete. Olívia encarava Mariana, decidindo se perguntava ou não.

— Mari... — Olívia chamou a mulher pelo apelido e a loira logo olhou para Olívia, respondendo com um resmungo desatento. — Alguns dias atrás, eu ouvi...como posso dizer? Eu ouvi você no banheiro. — Olívia falou e isso foi o suficiente para deixar Mariana pálida e sem reação.

— Eu...Ai meu Deus! Nem sei como me explicar. — Mariana falou e logo lágrimas começaram a brotar em seus olhos, mas ela respirou fundo tentando afastar o choro iminente, enquanto isso, Olívia encarava a colega de quarto com cautela e preocupação. — Vem comigo!

Mariana se aproximou da cama de Olívia puxando-a para o banheiro, e assim que entraram, fechou a porta e ligou o chuveiro no jato máximo, que fazia com que o som da conversa das duas ficasse abafado.

— Aqui. — Olívia falou, abaixando o volume do microfone de Mariana e depois abaixou o seu, correndo o risco de ganhar uma nova punição, mas só de olhar para o rosto mortificado de Mariana, ela acreditava valer a pena. — Agora conta.

— Minha irmã teve um filho há 9 anos, nunca contou quem era o pai da criança porque na época era adolescente e dizia que o pai, que também era adolescente, era um mulherengo e que não queria nada com ela. Ela conseguiu esconder a identidade do pai até poucos meses atrás. Ela me garantiu que o pai se chamava Adão, mas que era famoso e conhecido como Aiden e ela só me contou isso porque estava morrendo de uma doença do coração. Ela queria que eu soubesse quem era e que eu cuidasse do Henrique, meu sobrinho. — Mariana contou tudo de uma vez, atropelando as palavras e ficando até mesmo ofegante após dizer tudo aquilo. Ela parecia guardar aquela história há um bom tempo. — Ela morreu logo depois.

— Caramba. — Olívia estava com os olhos surpresos e a boca aberta em choque. Aiden tinha um filho e ninguém sabia disso. — Mas o Aiden sabe sobre esse filho? Meu Deus, Mariana! É um filho do Aiden!

— Eu sei! — Mariana concordou com a cabeça e enterrou o rosto nas mãos. — Eu resolvi tentar entrar nesse programa para me aproximar do Aiden, para descobrir se ele sabia de alguma coisa, ou lembrava da minha irmã.

— E ele deu algum sinal de que lembra? — Olívia indagou, curiosa. Aquilo era muito para digerir. Seria uma bomba tão grande caso caísse nas mãos da imprensa, e nem mesmo Pietro conseguiria salvar a reputação de Aiden.

— Eu não consegui falar até hoje sobre a Marcela com ele. — Mariana confessou. — Essa é a pior parte, Olívia. Eu sou patética em sentir isso e pior ainda por assumir isso, mas eu estou gostando de estar aqui e pior, começo a ver Aiden com outros olhos. Eu achava que ele fosse um cara tão babaca, mas cada dia que passa, percebo que ele é um cara legal e me sinto mais acuada, sem coragem de seguir com meu plano inicial. — Mariana fungou, deixando uma lágrima solitária escapar. — Eu cheguei tão longe e estou prestes a estragar tudo.

— Escuta bem. — Olívia segurou o rosto de Mariana com as duas mãos. — Nós vamos dar um jeito. — Ela falou com a voz em um tom calmo e esfregou as mãos no short jeans que vestia, sentindo a palma começando a suar frio perante aquela situação delicada.

A porta se abriu em um rompante, fazendo com que as duas mulheres se virassem, alarmadas. Quem estava ali era Pietro e sua feição era de visível irritação, e Olívia uniu os lábios em uma linha fina.

Não houve hesitação nos movimentos de Pietro, ele entrou no banheiro, fechou o chuveiro e se aproximou das duas mulheres, aumentando o volume do microfone de ambas com a expressão ainda séria. Olívia não sabia o que falar e os olhos arregalados de Mariana explicava por si só o desespero dela.

— Da próxima vez que quiserem conversar, só peçam para sair do programa. Talvez seja mais fácil. — Pietro falou com a voz grossa, e de maneira rude. Olívia queria se explicar, mas o que ela poderia dizer? Não podia contar aquele segredo que Mariana confiara a ela. — Mariana, a Camila me pediu para te avisar que está proibida de usar a área de lazer por 24 horas como punição por essa conversinha às escondidas e sem microfone.

— E eu? — Olívia indagou, já temendo o que esperava por ela.

— Camila pediu que eu te levasse comigo, já que essa é a sua segunda punição do dia. — Pietro explicou rapidamente e já foi saindo do banheiro. Olívia lançou um olhar cúmplice para Mariana, era como se prometesse que não contaria aquilo para ninguém. — Vai demorar muito? — Pietro indagou, impaciente, enquanto esperava na porta do quarto de braços cruzados e a expressão nada amigável no rosto.

Olívia acompanhou Pietro, enquanto ele ia caminhando uns dois passos adiantados e não parecia querer muito papo. Ela já esperava que em algum momento ele fosse explodir. Pelo menos com ele não precisava desligar o microfone, já que ele tinha os contatos certos que editavam as imagens e áudios.

— Pietro? Dá para você me esperar? — Olívia protestou e ele parou de andar, para que ela conseguisse alcança-lo, mas depois continuou caminhando pela propriedade de Aiden sem mudar a expressão carrancuda ou emitir um som que fosse.

Pietro seguiu até a parte em que ficavam as cabanas em estilo bangalô, e Olívia acreditava que eles entrariam na de Pietro ou algo do tipo, mas eles passaram direto e foram para uma outra cabana que estava fechada e parecia inutilizada.

Pietro destrancou a porta, e abriu a mesma antes de abrir caminho para que Olívia entrasse.

— Por que estamos aqui? — Olívia perguntou, confusa perante tudo aquilo.

— A Camila teve que viajar, mas teve tempo de ver sua brincadeirinha de esconder no banheiro com Mariana e decidiu que você vai ficar 24 horas isolada da casa, sem ter a chance de se aproximar do Aiden e eu só estou sendo o porta-voz da notícia. Não vai poder sair desse quarto até amanhã nesse mesmo horário. — Pietro anunciou, sem um resquício que fosse de emoção em sua voz. — Vai entrar? Está me atrasando.

— Pietro que brincadeira é essa? — Olívia questionou, irritada ao entrar dentro da cabana que acendeu a luz automaticamente com a sua presença. — Você vai me tratar desse jeito? Nós tínhamos marcado um encontro daqui duas horas, lembra disso?

— Claro que sim. — Pietro falou.

— E agora acabou de me dizer que estou te atrasando. — Olívia disse, erguendo as sobrancelhas. Pietro coçou o canto do seu olho esquerdo e riu, mordendo o lábio em seguida de um jeito que desconcertava Olívia e fazia seus pensamentos se tornarem uma grande confusão.

Pietro se virou e fechou a porta da cabana atrás de si, antes de voltar a encarar Olívia com seu jeito de quem estava pronto para puni-la, mas de um jeito que Olívia gostaria de ser punida.

Sem dizer nada, ele se aproximou o suficiente de Olívia para sugar o lábio inferior dela, e tomar a boca dela com a sua com propriedade. Foi uma explosão quente quando suas línguas se encontraram, como se os corpos de ambos aumentassem alguns graus só com aquele beijo. Pietro não deu tempo para que Olívia aproveitasse o quanto queria e logo separou os lábios.

— Você sabe que essa cabana aqui não tem câmeras? — Pietro perguntou, com a respiração um pouco mais pesada do que de costume e tombou a cabeça, estendendo sua mão e acariciando uma mecha dos cabelos de Olívia.

— Assim como a sua? — Olívia perguntou, gostando do rumo que sua cabeça fazia com aquela novidade.

— Exatamente. — Pietro respondeu, e aproximou seus lábios do pescoço dela, beijando-o sem pudor algum, deslizando sua língua aveludada sobre a pele quente e deliciosa de Olívia que sentia seu corpo se arrepiando. — Isso significa que eu posso tocar você inteira. Que eu posso sentir você por completo.

— Em resumo, você vai acabar com o que está me matando.

— Se for tesão, eu tenho péssimas notícias. — Pietro começou a falar, mordendo o ombro dela e empurrando a alça da blusa que ela vestia. — Porque vou fazer você ficar ainda mais louca de desejo.

Olívia soltou um gemido quando sentiu uma das mãos grandes de Pietro sobre um de seus seios, apertando-o sem pudor algum, explorando-o e deixando-a ainda mais excitada. Pietro parou sua sessão de beijos, para encará-la.

— Eu preciso que você venha comigo. — Pietro falou, sua mão ainda estava sobre um dos seios de Olívia e seu polegar brincava de um jeito nada inocente com o mamilo intumescido de Olívia, que estava sem sutiã debaixo da blusa fina de algodão creme. — Nós vamos sair dessa casa e eu só te trago de volta amanhã.

— Você só pode ter ficado louco de vez. — Olívia falou, sentindo dificuldade para tal tarefa que era simplesmente automática.

— Acho que não há dúvidas disso quando estou perto de você. — Pietro respondeu e sugou o lábio inferior de Olívia, provocando-a.

— Como você pretende me tirar daqui? — Olívia indagou, segurando firmemente no pescoço de Pietro como se fosse perder as forças de suas pernas e cair como uma fruta podre.

— Deixa comigo. E confia em mim. — Pietro respondeu, depositando um beijo rápido nos lábios de Olívia e segurando sua cintura de um jeito forte que parecia não querer soltá-la tão cedo de seus braços. — Aliás, posso pegar algumas roupas suas? Posso comprar novas para você se achar melhor.

— Eu confio em você. Pode abrir minha mala e escolher as minhas roupas. — Olívia respondeu simplesmente e Pietro sacudiu a cabeça, rindo de si mesmo.

— Preciso sair logo daqui antes que eu cancele toda a diversão dessa noite para ficar só dentro desse quarto com você. — Pietro falou, antes de soltar Olívia. — Fica preparada que daqui a dez minutos eu volto aqui e te busco. — Ele disse antes de sair da cabana.

******

Pietro demorou mais do que trinta minutos para buscar Olívia, e a culpa nem tinha sido sua. A verdade é que ele tinha decidido buscar algumas peças de roupas para Olívia, e já se preparava para alegar que era para a permanência dela na cabana, mas na verdade era para os planos que ele tinha em mente naquela noite.

Quando ele bateu na porta do quarto onde Olívia dormia com Mariana, ele encontrou a porta aberta e decidiu entrar do mesmo jeito. Foi até a mala em que havia uma enorme etiqueta com o nome de Olívia e já se preparava para abrir a mesma quando ouviu vozes no banheiro.

Seu trabalho ali era vigiar, então não seria considerado como um cara intrometido por ouvir o que Mariana estava falando e mais importante ainda, com quem ela falava.

— Eu contei porque ela me ouviu falando com você ao celular! — Mariana falou com a voz visivelmente irritada. — E não me venha com sermão, titia. No fundo, eu só estou aqui porque você insistiu demais. Achava que eu fosse a pessoa certa para desmascarar Aiden, mas advinha só? Eu não sou.

Não houve resposta, e Pietro não precisava pensar muito para saber que Mariana estava infringindo uma das regras mais importantes do programa ao possuir um aparelho de celular e usá-lo durante o programa às escondidas.

Pietro ponderou, enquanto Mariana ainda conversava ao celular, a voz dela um tanto quanto abafada pelo som da água caindo do chuveiro e ele imaginou que ela provavelmente estava fingindo tomar banho, porque dentro do box não havia câmeras, não era obrigatório usar o microfone e era o lugar perfeito para uma ligação. Ele se indagou se Olívia sabia daquilo e por isso tinham entrado juntas no banheiro mais cedo.

Ele não sabia se saía dali e entregava Mariana ou se batia na porta do banheiro e surpreendia a mulher. Então, ele se lembrou de Olívia e percebeu que não queria perder aquela noite por conta daquele problema. Estava prestes a cometer um erro ao ignorar o que acabara de descobrir, mas se chocou ao perceber que não estava ligando a mínima para as consequências daquela história.

Tudo o que ele queria era um tempo à sós com Olívia. A única pessoa que em anos, o compreendia e o ouvia de um jeito que ele sempre quis.

Sem fazer barulho ou alarde, ele se aproximou da mala de Olívia novamente e escolheu dois vestidos, uma blusa e um short jeans. Olhou para a porta do banheiro uma última vez e caminhou de maneira decidida até a porta do quarto, abrindo-a e saindo dali sem olhar para trás de novo.

Quando chegou na cabana de Olívia, ela estava deitada na cama, encarava o teto de um jeito impaciente e quando ela percebeu a presença dele, se levantou da cama em um pulo.

— Caramba! Achei que tivesse se esquecido de mim. — Olívia reclamou, visivelmente ansiosa.

— Desculpa. Eu não sei escolher roupa de mulher, e no seu caso, todos que eu olhava, já imaginava como ficariam perfeitos no seu corpo. — Pietro falou e Olívia sorriu perante o elogio.

— E cadê as roupas? — Olívia perguntou, ainda sorrindo em efeito ao elogio recém-recebido. — Suas mãos estão vazias.

— Elas já estão dentro da minha mala e repousam sobre o banco de couro do carro que aluguei hoje. — Pietro respondeu.

— Você pensou em tudo. — Olívia se sentiu admirada ao constatar que Pietro andara planejando tudo para que eles tivessem o momento à sós, tão sonhado por ambos.

— Você tem sido meu único pensamento. Tive bastante tempo para planejar tudo. — Pietro confessou e Olívia sentiu como formigas andando por todo seu corpo ao ouvir aquela declaração maravilhosa dos lábios de Pietro.

Sua reação foi se aproximar dele e beijá-lo em resposta. Um beijo que o fez erguê-la um pouco do chão, e encostá-la contra a parede, aumentando o fogo que existia entre os dois. Olívia soube que eles demorariam pelo menos mais dez minutos antes de enfim conseguirem se desgrudar e sair daquela casa.

******

O ato de enfim conseguir sair da mansão de Aiden foi fácil. Principalmente porque Pietro conhecia o lugar como conhecia a palma de sua mão. Ele guiou Olívia até chegarem ao local onde ficavam estacionados os carros, lanchas e jet-skiis de Aiden. O cantor não brincava quando se tratava de gastar seu dinheiro.

— Pelo visto, Aiden gosta muito de se divertir. — Olívia comentou, enquanto Pietro apertava o controle em sua mão e destravava as portas do carro.

— Você não tem ideia do quanto. — Pietro falou, e sua feição indicava que a diversão de Aiden nem sempre significava a sua própria. — Já fui obrigado a viajar muitas vezes do Rio até aqui para resolver problemas de Aiden.

— Esses carros são dele? — Olívia indagou e Pietro assentiu.

— E eles ficam guardados aqui, sem uso algum? — Olívia perguntou, abrindo a porta do carro ao mesmo tempo que Pietro abria também.

— Sim. — Pietro respondeu, assentindo com a cabeça, enquanto se acomodava no banco do motorista e colocava seu cinto de segurança.

— É um desperdício ridículo de dinheiro. — Olívia falou sem pensar, após abotoar seu cinto de segurança e Pietro começou a rir. — O que foi?

— Você é sincera. Fala o que sente e não se importa muito com o que isso pode ocasionar. Mas eu não poderia concordar mais. — Pietro comentou, rindo e dando partida no carro e saindo da casa. Havia um pequeno grupo de fotógrafos ao longe, mas não dava para conseguir vê-la dentro do carro pela distância. Pelo menos era isso que Olívia esperava. — Desde quando chegou na casa, não teve medo de ser você mesma com Aiden.

— Fui um pé no saco, você quis dizer. — Olívia riu, lembrando de si mesma no primeiro dia do programa.

— Você se sentiu deslocada, e tinha motivos para isso. As outras mulheres te odiaram desde o primeiro momento. — Pietro confessou e Olívia abriu a boca em surpresa.

— Como assim? — Ela indagou, curiosa.

— Tirando Mariana, Gabriela e Catarina, todas as outras falaram mal de você. — Pietro contou. — Elas pareciam saber que você era uma espécie de intocável do programa e te acharam esnobe demais ao se isolar delas.

— Mas elas me olhavam com repulsa antes de eu me afastar delas! A culpa não foi minha. Eu me senti acuada quando elas me encaravam com olhares de predadoras prontas para me atacar.

— Eu sei disso. — Pietro respondeu. Em seguida, capturou a mão de Olívia, entrelaçou os dedos nos dedos dela, antes de aproximar a mão da mulher de seus lábios, depositando um beijo demorado, e isso sem tirar os olhos das ruas íngremes e desreguladas.

Olívia não podia deixar de pensar o quão lindo ele era, e sem fazer força. Pietro não era o tipo de cara que aparecia na televisão como galã, nem tinha porte de ídolo, ou cantor famoso, mas sua presença era esmagadora. Ele a deixava sem ar apenas ao encará-la e ao abrir um simples sorriso.

— Escolhi um restaurante muito tranquilo, e que fica em uma rua pouco movimentada. — Pietro revelou. — Pedi uma mesa afastada e tenho certeza de que estaremos seguros.

— Espero mesmo. Seria um escândalo e tanto se vissem fotos nossas por aí. — Olívia comentou. — Aiden nunca te perdoaria.

— Ele me disse que eu podia te tirar do programa se achasse que você estivesse precisando de ajuda para se entrosar no programa. — Pietro contou, despreocupado. — Eu poderia usar isso como desculpa.

— Mas para isso não poderia segurar minha mão. — Olívia alertou, e riu ao encarar sua mão entrelaçada com a de Pietro.

— Conseguiria ficar todo o tempo se comportando? Sem tentar me beijar ou me agarrar? — Pietro perguntaou e Olívia abriu a boca, surpresa.

— Até parece que sou eu quem sai te agarrando por aí. — Olívia se defendeu, fingindo estar ultrajada.

— Eu estou apenas brincando. — Pietro falou logo em seguida. — Sei que sou eu quem não consegue ficar longe de você. — Pietro disse e parou o carro em uma vaga na rua cheia de paralelepípedos. Se virou para Olívia e encarou a mulher que o olhou de volta, esperando o que ele falaria. — E falando nisso, já que não sabemos se poderemos nos beijar, acho que você podia me dar um beijo rápido antes da gente ir para o restaurante.

— Se você me der alguma dica da nossa programação. — Olívia tentou persuadi-lo, sem sucesso.

— Até parece que vou contar. — Pietro rebatou e riu da feição desgostosa de Olívia. Ele desprendeu seu cinto, para ter mais flexibilidade e virou seu corpo por completo, se aproximando de Olívia e acariciando o cabelo dela levemente como uma brisa quente e gostosa. — Eu não gosto de palavras, mas sim, das ações. Quero ver seu rosto surpreso quando ver o que preparei para nós. — Pietro argumentou e Olívia o encarou, se sentindo idiota por se deixar ser vencida tão facilmente. — Agora vamos. Temos que comer antes de irmos para o melhor passeio da noite.

Ambos desceram do carro, e caminharam pela rua onde ninguém parecia reconhecer Olívia ou Pietro. O sentimento dentro do peito de Olívia era de reconhecimento, porque apesar de não estar na Bahia, ela sentia como se estivesse.

A pequena rua por onde eles estavam caminhando, parecia muito com as ruas de são José dos Dourados. As ruazinhas em que ela crescera, machucara os joelhos enquanto brincava, e era difícil para ela não se distrair com o fluxo de pessoas caminhando para lá e para cá. E era mais difícil ainda, não se lembrar de sua mãe com um aperto no peito.

Ela adoraria estar ali na cidade de Tibau do Sul, e Olívia desejou que um dia pudesse levá-la para conhecer aquele lugar que estava se tornando mágico para ela.

— Posso saber no que está pensando? — Pietro perguntou e Olívia assentiu com a cabeça antes de respondê-lo.

— Saudades da minha mãe. — Olívia confessou. — A gente não se vê tem muito tempo. A última vez que senti o abraço quentinho dela já faz vários meses. Eu nem imaginava que estaria aqui.

— Com o dinheiro que vai ganhar no programa, já pode ir visitá-la. — Pietro sugeriu. — Aliás, mesmo se não ganhasse dinheiro algum do programa, eu faria questão de fazer com que você reencontrasse com ela. — Pietro revelou e fez com que Olívia sorrisse genuinamente.

— Você é um achado, Pietro Brandão. — Olívia elogiou, fazendo com que Pietro sorrisse de canto.

— Eu não te trouxe aqui para me deixar vermelho de vergonha. — Pietro respondeu. — Você falando essas coisas, não me ajuda a manter o controle sobre mim mesmo e me manter afastado de você, sabe?

— Me desculpe. — Olívia pediu, caminhando mais perto de Pietro, deixando que seus braços se encontrassem por acaso. — Não consigo resistir.

— Eu se fosse você se preparava para essa noite. — Pietro falou, encarando Olívia de um jeito sério.

— Posso saber o motivo? — Olívia, estava concentrada, sentindo seu coração bater forte, como se já imaginasse a resposta que ele lhe daria.

— Porque você não vai ter tempo de pensar em muita coisa que não seja gemer meu nome, Olívia. Só por isso. — Pietro alertou e sorriu de canto, antes de parar em frente do restaurante. — Chegamos. — Ele anunciou enquanto Olívia ainda digeria as palavras ditas por ele anteriormente.

Ela não podia negar que um calor avassalador tomou conta de seu corpo, tão forte e intenso que nem a brisa do mar conseguia aplacar e que ia diretamente para uma certa região abaixo de seu ventre.

Olívia mal podia esperar pelo resto daquela noite e pelo que viria pela frente.