Um Romance Para Aiden
Capitulo 2
Aiden sabia muito bem o que era estar no fundo do poço. Ele cresceu em um lar onde faltava comida, a presença de um pai e teve que começar a trabalhar muito cedo para que sua mãe não sofresse tanto com o peso das contas que se acumulavam.
Aos dez anos de idade já trabalhava de maneira árdua e nunca reclamava, porque desde sempre já tinha criado a ideia de que se ele trabalhasse, teria o que comer no fim do mês. Mas sua vida difícil não impedira que ele sonhasse.
Quando uma professora da escola pública em que ele estudava ouviu a voz do garoto no coral de uma apresentação da escola, percebeu o potencial dele e decidiu que pagaria do seu próprio bolso para que ele tivesse aulas de canto. Aiden era grato ao extremo, inclusive sempre apoiava financeiramente a professora quando sabia que ela precisava de ajuda.
Aos dezessete anos, Aiden — que ainda era conhecido como Adão — cantava para as alunas da Escola Municipal Simão Pereira e as conquistava, todas elas. Ele era conhecido pelos rapazes que o invejavam, não somente pela voz extraordinária, mas pela beleza.
Aiden sempre foi muito vaidoso, mesmo não possuindo muitos recursos ou dinheiro, ele dava um jeito para cuidar do cabelo e da forma física. Algo que ele não abandonou mesmo com o passar dos anos.
Aos dezoito anos, ele conheceu Pietro e então sua vida começou a mudar.
Pietro era três anos mais velho que Aiden, e possuía uma agência pequena onde era empresário de alguns cantores, e acreditava que sua vida seria levada daquela maneira simples, mas quando ouviu a voz de Aiden, percebeu de cara que o rapaz simples que cantava em um pequeno bar da cidade mineira de Ouro Puro, era a voz que ele procurava e que tinha tudo para ser um dos cantores mais conhecidos do país.
Pietro ofereceu seu serviço para Aiden e prometeu que em um ano faria com que ele explodisse no mercado da música. O que eles não esperavam era que isso acontecesse dentro de apenas dois meses, bastou apenas Pietro postar um vídeo de Aiden cantando uma música apenas com o violão de acompanhamento e pronto, em uma semana o vídeo já tinha 50 milhões de visualizações e não demorou para aparecer produtores musicais querendo dar uma chance para Aiden.
O cantor poderia ter esquecido de Pietro, mas o convidou para acompanhá-lo como seu agente. Ficava formado ali a certeza de que o que eles possuíam era além da parceria, uma amizade verdadeira.
Pietro sempre esteve em busca das melhores oportunidades para Aiden, e resolveu deixar sua agência nas mãos de outra pessoa de confiança para se dedicar inteiramente à carreira do garoto prodígio, até que encontrou a gravadora perfeita e tudo aconteceu.
Quando ambos paravam para se lembrar de tudo aquilo, eles riam. Dez anos haviam se passado e ali estavam eles, eram além de profissionais que trabalhavam juntos, eram amigos e se consideravam inclusive como família um do outro.
O que nenhum deles esperava, era o que estava prestes a acontecer naquele dia. Dez anos depois de se conhecerem, estavam em uma reunião que poderia marcar o início do fim da carreira de Aiden.
— Eu acho que vocês dois já sabem muito bem qual é o motivo de estarmos fazendo essa reunião de emergência — Luiz, o presidente da agência e gravadora de Aiden, falou e podia se notar um pesar em sua voz.
— Olha, eu já expliquei para o Pietro que eu não disse nada daquilo sobre minhas fãs, Luiz — Aiden começou a explicar. — O Alessandro me persegue já tem uns três anos e ele busca sempre uma brecha para me destruir, e claro, ele inventou isso para me colocar em uma situação como esta que chegamos com as minhas maluquinhas.
— Falando nisso, não acha que o apelido "maluquinhas" não seria algo pejorativo? — Luiz indagou.
— Foram elas que criaram esse apelido, não fui eu. Desde o lançamento da música "Maluco por você", elas se auto intitularam assim, como "maluquinhas do Aiden".
— Não acho que isso seja algo que seja uma pauta para essa reunião — Pietro abriu a boca pela primeira vez na reunião. Até aquele momento, ele olhava para a planilha que tinha em suas mãos. — Vamos falar sobre o filme nacional "Desencantos", em que Aiden teria 3 músicas na trilha sonora, mas que resolveram cortar por achar que seria uma péssima publicidade, ou sobre os shows cancelados, incluindo três grandes festivais que quase imploraram aos meus pés para ter a nossa estrela participando deles e que agora imploram para que cancelemos o contrato. Isso sem comentar do bombardeamento nas redes sociais, porque até agora Aiden não se posicionou mediante ao comentário de Alessandro.
— Eu consigo isso tudo que perdi de volta — Aiden declarou.
— Claro que consegue, Aiden — Pietro afirmou com a cabeça calmamente. — Mas para isso você vai ter que seguir tudo o que eu disser — Pietro disse enquanto todos estavam calados, olhando atentamente para ele que tinha o poder de manter o controle sobre tudo, era algo que natural dele. — Para começo, vai fazer um vídeo pedindo desculpas pelo seu comportamento e explicando que não falou mal das suas fãs.
— Mas eu já queria fazer isso, você que me impediu — Aiden argumentou.
— Você tinha acabado de chegar de viagem, e estava nervoso. Não quero que você fale o que não deve nesse vídeo e faça mais merda nessa história. Eu já preparei um texto básico do que você deve falar e não quero que passe disso, não quero você xingando o Alessandro porque isso vai piorar sua imagem.
— Mas vou deixar ele falar mal de mim sem fazer nada?
— Não, Aiden. É nessa hora que entra a sua equipe de advogados, são eles quem vão trabalhar para tirar essa história da internet e claro, processar o Alessandro. Afinal você não disse nada do que ele alega nas entrevistas que deu.
— Mas, e quanto ao tapa que eu dei nele? — Aiden falou e era visível que ele se sentia culpado. — Eu juro que só queria proteger a garota que estava comigo. Eu não lembro o nome dela, só sei que ela é uma garota muito legal e que não merecia nada daquele inferno que o Alessandro criou.
— Nos explique o que realmente aconteceu, Aiden. Você pode fazer isso? — Luiz pediu e Aiden assentiu.
— Eu saí da boate por uma porta dos fundos em que normalmente saio para não causar tumulto, ou algo do tipo. O meu carro já estava estacionado ali perto dessa porta, não tinha ninguém por perto, nenhum outro repórter ou fotógrafo. Então, Alessandro surgiu, se aproximou de mim e da garota, daquele jeito invasivo característico dele e começou a me provocar, falando que minha música é uma merda e que não entende como um cara babaca como eu pode fazer tanto sucesso — Aiden cerrou os punhos e seus lábios formaram uma linha fina, demonstrando que ele se irritava somente em lembrar. — Ele caçoou da doença da minha mãe, disse que ela se curou do câncer, mas que com o comportamento que eu tenho, era capaz da doença voltar. Eu tentei me controlar, mas então ele foi para cima da garota e começou a perguntar se eu estava pagando para ela ficar comigo e eu fui automático quando percebi que ele estava aproximando dela, usei meu braço para defender a garota, o que acabou se tornando um tapa e enfim, foi o suficiente para ele criar esse circo.
— Ele é um filho da puta, e todos sabemos disso — Pietro comentou. — Não é a primeira vez que ele pega no pé de um cantor.
— Mas ele precisa parar por aqui, Pietro — Luiz ponderou.
— Claro! E por isso mesmo que vamos entrar com um processo contra ele, para provar que Aiden não fez nada do que ele alega. O erro está todo nas atitudes de Alessandro.
— Ele vai alegar o que contou na mídia — Aiden disse, tombando a cabeça para trás, a preocupação evidente em seus traços.
— Nós temos testemunhas. O motorista, seguranças do local, precisamos descobrir quem era essa garota que estava com você também. Vamos provar sua inocência — Pietro resumiu. — Uma coisa é a gente saber que você é um safado que gosta de uma boa noitada, outra bem diferente é inventarem algo grave como Alessandro fez.
— Estamos decididos, então? O vídeo, a retirada dessa notícia das mídias e a ação contra Alessandro Vieira, certo? — Luiz perguntou enquanto fazia anotações em uma agenda.
— Na verdade... — Pietro começou a falar e Luiz, que acabara de fechar sua agenda e já se preparava para se levantar, o encarou novamente. — Eu tive uma ideia, que não é nada concreto ainda, mas que pode melhorar quase cem por cento a imagem de Aiden.
— Me conte. Estou curioso.
— Um reality show — Pietro soltou logo de uma vez. — O Aiden já sabe da ideia e aprovou.
— Você ficou louco? Deixá-lo ser gravado durante o dia inteiro e sem acompanhamento? Ele vai destruir o resto da imagem que possui e acabar com a carreira dele — Luiz deixou claro o que pensava.
— Você não entendeu — Pietro umedeceu os lábios, se preparando para explicar em detalhes sua ideia. — O programa se chamaria "Um Romance Para Aiden", e o foco do programa seria encontrar um novo amor para o nosso amigo Aiden.
— Explique melhor.
— Oito mulheres dentro da mesma casa, em um cenário paradisíaco, em busca de uma chance de ser o amor da vida de Aiden. A cada semana, uma prova diferente que tenha algo relacionado a Aiden, e quem escolhe quem se saiu melhor é o público. Mas a decisão final, entre as duas finalistas, fica a cargo desse filho da mãe sortudo — Pietro disse e sorriu para Aiden.
— Seria um programa para mostrar que Aiden está em busca de um relacionamento sério? E você garante que isso vai dar certo? Falando sério, Pietro. Não estou aqui apenas pelo dinheiro, isso é obviamente muito importante, mas estamos falando de imagem. Se não conseguimos consertar essa situação gritante com Aiden, nenhum artista virá trabalhar conosco mais e eu serei obrigado a não renovar o contrato da agência com vocês. Teriam que procurar um outro lugar para gerenciar a imagem de Aiden.
— Eu tenho certeza absoluta que isso seria efetivo — Pietro defendeu sua ideia.
— E quanto a você, Aiden? O que diz sobre essa ideia? — Luiz se dirigiu ao cantor.
— Eu estou dentro. Vou me comprometer com tudo o que estão propondo se é o que preciso para melhorar minha imagem e ter tudo o que tinha de volta — Aiden disse com sinceridade, pois começava a sentir o peso que suas atitudes estavam tendo sobre sua carreira, que era o que ele mais prezava no mundo depois da sua mãe. — Posso fazer isso tranquilamente — Aiden garantiu.
— E quanto ao formato desse programa, acredita que ele encaixa no perfil de algo que faria sucesso com o público?
— Basicamente é isso que rola nos aplicativos de relacionamento, mas nesses aplicativos é tudo muito superficial, a partir de uma foto pode simplesmente se descartar alguém com grande potencial e em um programa de televisão, elas teriam a chance de conviver com Aiden, ir a encontros com ele e claro, ganhariam dinheiro pela participação e visibilidade na televisão, que é o que a maioria que se inscreve realmente deseja.
— No fim, Aiden escolhe apenas uma e paga de galã de novela romântica — Luiz concluiu.
— Exatamente, e até lá o público terá conhecido o lado sentimental e humano dele.
— E se der tudo certo, acreditarão que eu sosseguei —Aiden completou.
— Acho que estou começando a gostar dessa ideia. Tem ela por escrito? Tenho uma reunião com uma produtora de televisão hoje.
— Te envio por e-mail agora mesmo. — Pietro garantiu. — Essa produtora por acaso é a Camila Moreno? — Pietro perguntou e pôde ver Aiden sorrir de um jeito sacana.
— Ela mesmo. Porquê? — Luiz indagou.
— Tentei entrar em contato com ela hoje e não consegui — Pietro se explicou enquanto abria seu email no tablet e encaminhava o e-mail com a ideia do reality show para o e-mail de Luiz.
— Vou conversar com ela e se tudo der certo, esse programa vai acontecer — Luiz falou com confiança e Aiden sorriu de canto. Pietro sentia-se confiante, mas preferia esperar que tudo acontecesse antes de comemorar, porque ele conhecia bem como funcionava a cabeça da Camila. Aliás, ele sabia como funcionava o corpo inteiro dela e era por isso que Aiden não parava de sorrir daquele jeito quase adolescente, ele fazia isso porque sabia que a relação entre Pietro e Camila era como uma linha fina prestes a arrebentar. — Se ela topar, quero que estejam preparados, pois ela irá falar com vocês durante o evento de hoje à noite.
******
Olívia ouviu a música instrumental de requinte no ambiente, mas sua cabeça ainda tocava os funks que ouvira durante o dia inteiro, seu vizinho garantia que ela ouvisse todas as novidades do gênero. Ela se tornara expert no assunto.
Olívia estava com o uniforme do buffet, camisa social, gravata borboleta, calça social preta e claro, tinha um sorrisão no rosto. Ela não sabia bem quem eram todos, mas sabia que muitos eram famosos e já pensava no futuro, quando também fosse uma famosa. Não poderia começar criando inimizades.
Ela passou pelas pessoas que aglomeravam o ambiente, bebendo champanhe e rindo de coisas triviais, sentindo uma pontada de inveja daquelas pessoas, ela ofereceu os canapés de sua bandeja.
A inveja não eram dos canapés, mas por serem tudo o que ela queria.
Não era a primeira vez que ela trabalhava uma festa em que famosos estavam, mas das outras vezes não tinha visto ninguém para quem ela pudesse entregar o cartão com seu nome, número e e-mail. Ela já estava cansada de ver aqueles cartões jogados em seu armário ou de usá-los como bloco de anotações. A função deles era garantir um passe mágico para um teste da Super TV e ela tinha colocado dez deles dentro do bolso de sua calça. Era tudo ou nada naquela noite.
— Moça? — Uma voz feminina a chamou e ela se virou para encarar Regina Abreu, a atriz famosa que fazia o papel da mocinha da novela das sete que ela tanto gostava. — Pode me dar um canapé, por favor?
Olívia sentia vontade de pegar autógrafo com a mulher, mas sabia as regras do buffet e não desperdiçaria sua oportunidade. Só conversaria quando fosse com alguém importante, como Carlos Carneiro, um dos diretores mais conhecidos do país. Aliás, ela não tinha visto ele ainda.
— Claro — Olívia assentiu com a cabeça e estendeu a mão em que segurava a bandeja para ela.
Logo em seguida, após arreganhar os lábios e mostrar os dentes com força desnecessária, Olívia seguiu rapidamente para a área em que os funcionários pegavam as bandejas com as comidas, que era separada da cozinha. Aquele buffet era muito organizado, não era sem motivo que era muito bem-conceituado na cidade.
— Ei, Olívia, não é? — Um homem alto e tanto quanto desengonçado falou ao retirar uma garrafa da bebida do balde de gelo que estava em cima da bancada próxima a eles.
— Sim, sou eu.
— A Fernanda pediu que você servisse bebidas para os convidados. Você sabe abrir uma garrafa de champanhe?
— Claro. — Olívia respondeu, ainda que aquela fosse uma mentira descabida. Mas ela logo lembrou-se que sabia abrir uma garrafa de vinho, então talvez não fosse tão diferente, e foi com esse pensamento que ela foi com a coragem transbordando até o homem e pegou a garrafa que ele segurava.
— Tem certeza que consegue? — O homem perguntou.
— Pode ficar tranquilo — Olívia garantiu.
— Se precisar de ajuda, é só me chamar.
Quando o homem saiu de perto, ela encarou a garrafa. Ela não era tão leiga, já tinha trabalhado em uma boate e ainda que não abrisse as garrafas por lá, já tinha assistido a abertura de algumas.
Ela foi cuidadosamente retirando o arame, e apesar de paciência não ser seu ponto forte, ela conseguiu se virar bem. Tudo parecia estar indo para um caminho certo e ela não passaria vergonha.
Sua sorte era que apenas duas mulheres entraram e saíram daquela área durante sua luta com o arame que protegia a rolha do champanhe, ela estava sozinha e podia trabalhar naquele objeto que parecia ter vindo da profundeza dos infernos sozinha.
A rolha, ela julgou ser mais fácil ainda, foi desenroscando aos poucos e faltava só puxá-la, mas foi aí que a coisa toda desandou. A calmaria da área em que ela estava se esvaiu, vários garçons e garçonetes entraram no local, esbarrando nela, mas o pior ainda estava por vir.
Seu dedão que estava posicionado sobre a rolha, colocou pressão demais sobre o local e foi nesse exato momento que quem não devia, apareceu na sua frente.
— Pode me informar onde é o banh...
A frase de Aiden ficou incompleta diante do fato da rolha ter voado diretamente na sua testa, juntamente com o próprio champanhe que voou diretamente para seus olhos.
Olívia colocou uma das mãos sobre os lábios abertos pelo susto, enquanto a outra segurava a garrafa de champanhe, que ainda escorria a bebida para fora da garrafa pela pressão sofrida. Ela o reconheceu de imediato, qualquer ser humano reconheceria. Olívia se perguntava porque diabos aquilo tinha que acontecer justo com ela. E também, o motivo de Aiden, justo ele, tinha que aparecer ali, naquele exato momento.
— Mas que porra é essa? — Aiden esbravejou, com uma mão posicionada sobre sua testa, de cabeça abaixada e os olhos fechados.
— Caramba! Me desculpe. Não foi minha intenção — Olívia se aproximou de Aiden que abriu os olhos que ardiam por culpa da bebida que havia entrado ali, ele mal conseguia enxergar, mas ainda assim conseguiu ter um pequeno vislumbre de Olívia parada em sua frente.
As pessoas ao redor se dividiam entre rir da situação de Olívia, ou se preocupar com Aiden.
— Olívia? — Fernanda, a chefe do buffet chamou e segurou seu braço delicadamente. — Saia daqui rapidamente antes que a situação piore.
— Mas ele... — Olívia apontou para Aiden que fechou os olhos novamente e tentava se limpar e enxugar em vão.
— Querida, apenas faça o que estou te pedindo — Fernanda falou de maneira calma, mas Olívia sabia muito bem que aquele "querida" no começo da frase não tinha sido sincero e que na verdade, se não fosse a presença de Aiden ali, Fernanda teria gritado com ela.
— Tudo bem — Olívia assentiu com a cabeça e se virou, saindo dali rapidamente. Ela se sentia extremamente culpada por tudo aquilo e apesar de não gostar de Aiden, não desejava uma rolha na testa dele. Talvez na boca dele para ele falar menos merdas, mas aquilo não vinha ao caso.
Ela saiu para o estacionamento que ficava atrás do buffet para tomar um ar, e se sentou em uma pequena escada ali perto. Tirou seu celular do bolso e abriu o whatsapp em busca da conversa com Valentina.
Amiga, acho que não vou poder te substituir nunca mais!
A resposta foi instantânea:
Eita! O que aconteceu dessa vez?
Olívia já ia responder, quando ouviu uma voz masculina a alguns passos dela.
— Eu conversei com a Camila. Foi breve, mas pretendo falar com ela novamente, Luiz. Deixei Aiden conversando com ela e vim te ligar rapidamente. — Olívia reparou enquanto Pietro conversava em seu celular, alheio à presença da mulher. — Esse tipo de coisa é complicado, aliás, qualquer coisa que seja relacionado à televisão, não é fácil de lidar. Mas fica tranquilo, eu faço acontecer. Te ligo quando tiver notícias — Pietro finalizou a ligação e se virou.
Olívia reparou nele, seus cabelos loiros em um tom cor de palha, os olhos claros e seu semblante sério. Ele vestia smoking e além de lindo, parecia ser alguém influente e o fato dela ter ouvido "televisão" e "Faço acontecer" na mesma frase atiçou seu lado empreendedor, ou melhor, o lado interesseiro mesmo.
Seria aquela a sua grande chance? Ela não sabia a resposta, na verdade não fazia a menor ideia de quem era aquele homem, mas não custava tentar.
— Oi — Ela chamou Pietro que ainda olhava para a tela de seu celular e ergueu a cabeça para descobrir quem o tinha cumprimentado.
— Oi? — Pietro a cumprimentou de volta, sem ter certeza do que estava fazendo. — A gente já se conhece?
— Ainda não — Olívia se levantou do degrau que estava sentada, descendo os dois que restavam, para então dar poucos passos até Pietro que estava surpreso com aquela atitude toda. — Me chamo Olívia.
— Pietro Brandão — Pietro estendeu a mão e Olívia sorriu, segurando a mão dele e aproximando seu rosto do dele para depositar um beijo.
— Olha, eu sei que você deve passar muito por isso, mas eu fiz uma grande merda hoje — Olívia disse de maneira completamente sincera. — E você parece ter caído do céu.
— Não sei se estou te entendendo.
— Eu ouvi você conversando com alguém pelo celular. Me desculpe — Olívia confessou, se sentindo um pouco, mas bem pouco mesmo, sem-graça. — Você trabalha na televisão, não é? Eu preciso que você me dê uma chance. Eu sou uma ótima atriz, posso te garantir — Olívia não usou meias palavras e foi direto ao assunto.
— Eu acho que houve um engano, senhorita. Não sou quem você acredita que eu seja.
— Não. Por favor. Eu sei bem quem você é — Olívia mentiu, já imaginando que Pietro estava usando aquela tática para se desviar do pedido que ela fizera. — Acredite, eu cheguei no meu limite e eu tenho certeza absoluta de que se eu fizesse um teste, você conseguiria ver o meu potencial, ou talvez, um conhecido seu. Não quero dizer que sou a melhor, aliás, longe disso, mas eu tenho muita vontade de aprender e eu preciso dessa chance ou eu vou ter que abandonar todos os meus sonhos — Olívia despejou tudo, tentando fazer um pouco de drama, mas no fundo aquilo tudo era real, não dava para ficar ali no Rio de Janeiro vivendo com o pouco que ganhava por muito tempo.
O problema era que ela nem imaginava que quem estava na sua frente era o empresário de Aiden, e não um produtor de televisão como ela acreditava. Pietro estava tentando desesperadamente explicar isso para ela, mas após sentir o desespero através das palavras de Olívia, preferiu não machucar os sentimentos dela.
— Eu sinto muito pelas dificuldades que está passando. — Pietro disse de maneira sincera, achando a beleza de Olívia algo fora do normal. E os lábios vermelhos e carnudos dela, o fizeram sentir o desejo brotar dentro de si.
— Não sinta pena de mim — Olívia pediu, mas no fundo se isso fosse te dar uma chance, ela não se importaria. Ela enfiou a mão em seu bolso e retirou um cartão dali. — Me ligue, ou me mande um e-mail, quer dizer, peça para sua assistente ou secretária, porque você deve ser muito importante, caso apareça um teste. Você é a minha última esperança. — Olívia confidenciou, e Pietro pegou o cartão que ela ofereceu em seguida. — Me desculpe por incomodá-lo. Espero que tenha um ótimo resto de noite.
Olívia sorriu para Pietro que a encarava tão surpreso quanto estava no momento em que ela começou a falar tudo o que queria e sentia de maneira segura bem diante de seus olhos.
— Boa noite para você também — Pietro desejou e Olívia acenou com a cabeça, antes de sair caminhando de volta para a festa. Se fosse para levar uma bronca, que levasse logo de uma vez e que fosse por um motivo válido.
Enquanto caminhava, pegou seu celular e digitou uma resposta rápida para Valentina.
"Quando chegar em casa, eu te conto. Talvez nem tudo esteja perdido."
Pietro assistiu Olívia voltando para o local da festa e tentava entender o que era aquele furacão que tinha acabado de passar ali. Olhou para o cartão branco e simples em sua mão, ali constava o nome "Olívia Bernardes", acompanhado de um número de celular e um e-mail.
Se ela pudesse imaginar que ele estava em uma situação complicada, com perigo de ficar sem trabalho, não teria entregado aquele cartão para ele. Chegava a ser até mesmo engraçado porque muitas pessoas se aproximavam dele com o interesse de conhecer Aiden ou em busca de fama, mas aquilo que ele acabara de presenciar era algo novo.
Alguém que queria uma chance para mostrar seu talento e por mais novo e estranho que aquilo fosse para ele, Pietro sentiu vontade de ajudar aquela pobre e linda mulher. Ele se perguntou se ela teria ouvido a conversa curta dele com Camila e Aiden sobre o reality show, já que ela vestia roupas que indicavam que ela era uma das garçonetes da festa, e tinha acesso a todos os cantos da mesma.
Mas era inegável, Olívia Bernardes tinha presença forte. Se entrasse em um reality show como o de Aiden, seria impossível não se deixar encantar por ela. Ela seria o sucesso do programa.
— Ah, você está aí! — Pietro ergueu a cabeça ao ouvir a voz de Camila, a produtora que podia salvar sua vida e a de Aiden naquela noite.
— Sim. Aconteceu alguma coisa? — Ele perguntou.
— Você precisa ver com os seus próprios olhos o que uma garçonete desastrada fez com o Aiden. Já aviso, não é nada bonito — Camila sentenciou e Pietro tombou a cabeça para trás, dando um suspiro profundo.
Ele esfregou o rosto antes de caminhar em direção de Camila para voltarem para a festa, e ele se perguntava no silêncio de sua mente que merda ele tinha cabeça quando aceitou aquele trabalho.