12 Semanas para Mudar uma Vida
O Mestre dos Mestres da Qualidade
DE VIDA
68 Jesus tinha um autodiálogo profundo e aberto consigo mesmo. Embora fosse rodeado pelas multidões e tivesse uma agenda saturada de compromissos, ele tinha compromisso consigo mesmo. Sabia que somente uma pessoa que tem qualidade de vida pode gerar com segurança outras pessoas com qualidade de vida.
69 Ele, freqüentemente, procurava se isolar à beira da praia, no Monte das Oliveiras, nos jardins, nas longas caminhadas que fazia de cidade em cidade. Deixava até mesmo o convívio com seus discípulos, se interiorizava e tinha agradáveis conversas com seu Pai e consigo mesmo.
70 Certa vez, próximo ao mar da Galiléia, ele pediu para que os seus discípulos pegassem um barco e fossem na frente. Ele seguiria depois. Os
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discípulos, apressados, pegaram o barco e foram. Enquanto navegavam mar adentro, Jesus navegava dentro de si mesmo, percorria as trajetórias do seu espírito e da sua alma. Estava orando.
71 Suas orações não eram engessadas, formatadas, programadas, mas organizadas através de um diálogo inteligentíssimo e livre, capaz de gerar uma explosão reflexiva e um resgate pleno da liderança do "eu". Ao fazê-las, ele se tranqüilizava, renovava suas forças e recobrava um sólido ânimo para ensinar o alfabeto do amor a uma humanidade insensível.
Um mestre na compreensão e aplicação da
Mesa Redonda do "Eu"
72 Certa vez, um grupo de escribas e fariseus questionou Jesus sobre o fato de seus discípulos não lavarem as mãos antes de comer o pão. Os líderes de Israel tinham todo um ritual para fazer suas refeições.
73 O Mestre dava importância à higiene e à saúde física, mas o foco da sua preocupação era a higiene mental, o lixo que se acumulava no palco da inteligência. Sua compreensão da psique era cristalina. Estava plenamente convicto de que a humanidade nunca tratara de seus reais problemas, nunca extirpara as causas da violência social e psíquica.
74 Para ele, as pessoas sempre eram contraditórias. Elas procuravam se livrar da sujeira exterior, mas não da invisível depositada no secreto da psique. Preocupavam-se corretamente com a alimentação física, mas não com a qualidade das idéias e emoções que nutriam sua personalidade.
75 Diante disso, ele fitou os escribas e fariseus e, sem meias palavras, comentou que muitos dos que se aproximavam dele e o honravam com a boca
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tinham um coração longe dele. Mostrou solenemente que, ao contrário do desejo dos políticos, não queria admiradores que expandissem seus índices de popularidade, mas pessoas que o amassem. Não queria a servidão, mas o coração humano.
76 Para muitos, receber aplausos é mais do que suficiente; para ele, era completamente insuficiente. Como garimpeiro de ouro, procurava seres humanos que se conhecessem, que compreendessem suas falhas e atuassem dentro de si. Procurava pessoas que pensassem.
77 Após chocar os fariseus com essas palavras, ele voltou-se subitamente para o público para lhe dar uma importante lição. Levantou a voz e bradou para a multidão: "Ouvi e entendei: não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem". tinham ouvido suas palavras e contemplado as suas atitudes, mas ainda não eram capazes de localizar as raízes das misérias e mazelas da humanidade.
78 Os fariseus, mais uma vez, ficaram abalados. Então, acercando-se de]e, seus discípulos disseram-lhe: "Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram?" Eles estavam preocupados com a opinião dos outros, com a embalagem social; Jesus estava preocupado com o conteúdo.
79 Pedro, como o mais intrépido dos discípulos, talvez o que mais se pareça conosco, se adiantou e disse: 'Explica-nos essa parábola!" Jesus não havia dito uma parábola. Ele deu uma explicação crua e direta sobre o teatro da mente humana, sobre nossa incapacidade de investigar e dar um diagnóstico correto dos nossos problemas.
80 Ele fitou seus discípulos e, não apenas Pedro, e fez uma pergunta para despertá-los do superficialismo intelectual: "Também vós não entendeis ainda?".
81 Queria dizer que eles andavam com ele há muito tempo, tinham aprendido tantas lições,
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82 Jesus falava pouco, mas ensinava e questionava muito. Era habilíssimo no uso da arte da pergunta Suas perguntas estimulavam os discípulos a duvidar da sua rigidez, a criticar, sua maneira estreita de ser e a fazer escolhas com maturidade. Desse modo, levava-os, sem que percebessem, a praticar a técnica da arte de duvidar, criticar e determinar (D C.D.). Formava pensadores.
83 Essa mesma passagem, apos essa pergunta, discursou com exímia lucidez as conseqüências das atitudes humanas em relação aos papéis da memória. Disse: "Mas o que sai da boca procede do coração, e é isso que contamina o homem".
84 Expressou que a raiva, as reações impulsivas, a discriminação, a simulação e o medo saem do coração psíquico, conquistam o palco da mente das pessoas, gerando experiências perturbadoras. Indicou que essas experiências não apenas ferem as pessoas no ato em que são encenadas, mas trazem conseqüências futuras, contaminam a personalidade, pois serão registradas automaticamente pelo fenômeno RAM nos solos da memória.
85 Ele não apenas sabia lidar com os papéis da memória, mas deu uma importância vital a eles. Vejamos.
Poucas palavras que mudaram uma vida
86 Certa vez, uma criança de 11 anos foi morar com seus pais em um país de língua inglesa. Por não saber falar o inglês, a criança estava muito sensível, sentia-se diminuída, isolada, enfim, tinha reações normais no processo de aprendizado de uma nova língua. Entretanto, uma professora especialista em
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língua inglesa, mas não na compreensão da vida, fez-lhe uma pergunta na classe que ela não entendeu.
87 A professora perdeu a paciência e debochou da aluna na frente dos seus colegas. Todos zombaram dela. Foram poucos momentos que marcaram uma vida. Houve um registro privilegiado dessa experiência na memória que contaminou sua espontaneidade e capacidade de aprender.
88 A criança tão alegre perdeu o sorriso, se deprimiu, sentiu aversão pela professora e não queria ir mais à escola. Seu pai, percebendo o grave problema, ajudou-a. Elogiou-a, encorajou-a, penetrou em seu mundo. Felizmente, ela reeditou sua história sem precisar de um tratamento. Se não se superasse, poderia ter tido sérias conseqüências.
89 Outro exemplo. Certa vez, um executivo, numa reunião de trabalho, teve uma atitude estúpida com um funcionário subalterno. Esse funcionário tinha um trabalho brilhante na empresa, mas havia falhado num projeto. Então, mostrando um despreparo completo para gerenciar pessoas e seus próprios pensamentos, o executivo o chamou de incompetente na frente dos colegas.
90 Humilhado, o funcionário registrou de maneira superdimensionada o vexame público. Produziu uma janela killer que começou a bloquear sua memória. Nunca mais conseguiu brilhar como antes. Foi despedido. Teve reações depressivas e um ódio fatal pelo executivo. Precisou fazer tratamento psiquiátrico.
91 Poucas palavras podem contaminar uma vida. Algumas pessoas, quando são rejeitadas, ficam obstruídas. Outras fazem das rejeições um trampolim para crescer. Mas, mesmo essas, embora tenham vencido o trauma exteriormente, podem não tê-lo vencido interiormente, por isso sofrem.
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92 Alguns excelentes alunos, que são cobrados excessivamente pelos seus pais e comparados com outros jovens, procuram compensar seus conflitos íntimos, em destaque a dificuldade de socialização, no exemplar desempenho das notas. Ainda que essa compensação tenha um lado positivo, se não reeditarem o filme do inconsciente ou criarem janelas paralelas, poderão sofrer no presente e fracassar no futuro quando enfrentarem perdas e desafios.
93 Jesus tinha plena consciência desse processo. Sabia que podemos contaminar os solos da memória e trazer sérias conseqüências para o desempenho da personalidade. Ele sempre fez uma Mesa Redonda interior e vasculhou cada centímetro da sua mente e da mente das pessoas.
94 Somente tendo tal embasamento intelectual, ele pode dizer categoricamente que nossos maiores inimigos estão dentro de nós. O que sai do nosso interior é o que pode nos destruir e destruir os outros.
95 Por inferência, ele quis dizer que nossa incapacidade de gerenciar nossos pensamentos e governar nossas emoções têm sido a fonte de todas as chagas da humanidade. Para ele, quem não resgatasse a liderança para fazer uma faxina no anfiteatro da sua mente viveria uma vida infeliz e, além disso, contaminaria os solos da memória dos outros. Não seria livre para exercer seu livre arbítrio. Viveria uma aparente liberdade.
96 O Mestre da vida explicou que é do coração psíquico que procedem os maus pensamentos (pessimistas, destrutivos, agressivos, fixos, insensíveis), mortes (física e emocional), adultério (traição de quem ama, traição da própria consciência), furtos (de objetos, do direito dos outros, da liberdade alheia, da qualidade de vida),
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falsos testemunhos (injustiças. distorções, corrupção, interesses escusos).
97 Com o avanço da medicina, hoje, combatemos com facilidade a grande maioria das infecções. Mas como combater a contaminação da memória? Como resgatar a liderança do "eu" se somos vítimas das janelas doentes que estão entrelaçadas a bilhões de janelas no córtex cerebral? Como identificar uma janela killer se a área da ponta de uma caneta tem milhares de janelas?
98 Uma vez contaminada a memória com as janelas doentias o processo é complicado. Há pessoas que ficam anos em tratamento psicoterapêutico. Não há tecnologia cirúrgica e medicamentosa que possam combater as janelas killers.
99 Mas, felizmente, não estamos de mãos atadas. Podemos usar duas ferramentas psicológicas preciosas: a técnica do D.C.D. e da Mesa Redonda do "Eu". Pratique-as durante toda a sua vida, mesmo não tendo uma doença psíquica. Faça com espontaneidade, do seu jeito e de acordo com sua capacidade intelectual. Invista na sua vida. Afinal de contas, a vida é um show imperdível...
Painel I
Pontos sugeridos para (Não tenha medo de trocar
reflexão e discussão:
experiências, chorar e
contar suas dificuldades.)
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1. O autodiálogo é o diálogo aberto, inteligente e
criativo consigo mesmo. É o exercício que
constrói um romance com a vida. Você tem tido
esse romance? A pior solidão não é a que o
mundo social nos abandona, mas a que nós
mesmos nos abandonamos. Você tem se
abandonado?
2. Você tem feito uma Mesa Redonda com seus
medos, suas angústias, seus conflitos? Você
pergunta: Por quê? Como? Onde? Qual o
fundamento?
3. Você tem janelas killers? Perde o controle de si
mesmo em alguns momentos? Reage
drasticamente e depois se arrepende?
4. Devemos usar o D.C.D. para reeditar o filme do
inconsciente e a Mesa Redonda do ''Eu'' para
criar janelas paralelas. Você entendeu esses
fenômenos? O que precisa reeditar na sua vida?
O que você tem procurado mudar e não tem
conseguido?
5. O Mestre dos mestres era muito preocupado com
os papéis da memória e com a necessidade do ser
humano de resgatar a liderança do "eu" e exercer
plenamente seu livre arbítrio, Você tem sido livre
para decidir seus caminhos ou se sente incapaz?
6. Você sente que contaminou a memória de
alguém com suas atitudes impensadas? Está
disposto a recuperar o tempo e a refazer sua
história?
Painel II
Exercícios para prática
diária
1. Faça um relatório das características da lei "A arte
do autodiálogo", descritas no início desse
capítulo, que você precisa desenvolver.
2. Converse, debata e discuta aberta e
silenciosamente consigo mesmo. Interiorize-se.
Seja seu grande amigo. Analise se você tem tido
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tempo para todo mundo, mas não para si mesmo.
3. Faça a Mesa Redonda do "Eu" por pelo menos 10
minutos duas vezes por semana. Um bom
momento para fazermos essa técnica e no banho:
enquanto você lava seu corpo, faz uma faxina no
teatro da sua mente.
4. Faça pequenos Autodiálogo diários de alguns
minutos por dia no trabalho, em casa,
caminhando.
5. Vire a mesa dentro de si. Não seja passivo.
Discorde das suas emoções doentes. Não aceite
nenhuma frustração sem filtra-Ia, questioná-la.
Não aceite nenhuma idéia conflitante sem
debatê-la.
6. Não se submeta ao controle das janelas killers.
Reedite o filme do inconsciente e crie janelas
paralelas. Pratique a Mesa Redonda do "Eu" e a
técnica do D.e.D. portada a sua vida, liberdade é
uma conquista.
Faça um relatório dos seus exercícios durante a semana. O que praticou e qual foi o resultado?
Relatório
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