12 Semanas para Mudar uma Vida
O Mestre dos Mestrees da Qualidade de Vida
Enxergando a grandeza da vida
43 Mestre dos mestres viveu intensamente a primeira lei da qualidade de vida. Ele foi autor da sua história no sentido mais pleno. Compreendeu como nenhum outro pensador da história a excelência da vida. Cada ser humano, independente dos seus erros, era para ele uma jóia única no palco da vida.
44 Nós desistimos de quem nos decepciona; para ele, ninguém era incorrigível. Teriam tantas chances quantas fossem necessárias. Em outros capítulos, estudaremos que até seu traidor e seus carrascos foram tratados com uma gentileza ímpar. Mesmo sendo frustrado pelas pessoas, jamais desistiu delas.
45 Ele cria que valia a pena investir em cada ser humano, ainda que a sociedade quisesse eliminá-Lo
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como lixo social. Por exemplo, as prostitutas em sua época eram trazidas até a praça pública e mortas. As vestes de cima eram rasgadas, os seios ficavam à mostra e, sob clamores de compaixão inaudíveis, eram apedrejadas.
46 A cena era chocante. Como sempre na história, em particular nos dias atuais, a violência atraía grande audiência. Gemidos de dor, traumas, hematomas e hemorragias compunham a melodia angustiante dessa pena capital. A sociedade concorria para ver o episódio.
47 Tentar defender uma prostituta era loucura, era inscrever-se para sofrer o mesmo pesadelo. Entretanto, para nossa surpresa, Jesus tinha a coragem e o desprendimento de correr risco de morrer por elas, mesmo que não as conhecesse. O Mestre da vida conseguia encontrar ouro escondido na lama.
48 Muitas vezes não protegemos nem a quem amamos. Alguns pais não conseguem ver a dor dos seus filhos estampada em seus olhos. Só vão perceber que eles estão doentes quando entram em crise. Alguns professores não conseguem perceber que por trás da agressividade dos seus alunos existe um grito de uma criança pedindo ajuda. Alguns juízes julgam os réus sem levar em consideração o sofrimento que motivou a ação. A justiça deve ser cega para ser justa, mas jamais deveria deixar de ter coração.
49 O território da emoção de Jesus era diferente. Era irrigado com uma ternura e uma capacidade de compreensão admiráveis. O amor o controlava e o tornava líder de si mesmo. Ele não apenas mostrava uma sensibilidade fenomenal para compreender a dor dos outros e os sentimentos ocultos, mas também uma sólida habilidade para ser autor da sua
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história nos focos de tensão. Vejamos uma passagem complexa e interessante da sua vida.
Liderando a si mesmo no ápice do estresse
50 Milhares de judeus eram lúcidos e sensíveis. Eles amavam profundamente a Jesus. Mas havia um grupo de líderes, os fariseus, que o odiavam, tinham aversão pelo seu comportamento afetivo e tolerância. Como Jesus era socialmente admirado, eles precisavam ter um forte álibi para condená-lo sem causar uma revolta social.
51 Depois de maquinar, prepararam uma armadilha psíquica quase insolúvel. Certa vez, uma mulher foi pega em flagrante adultério. Os fariseus arrastaram-na para um lugar aberto, para o Iocal onde o Mestre dos mestres ensinava uma grande multidão.
52 Interromperam abruptamente a sua aula.
Colocaram a mulher toda esfolada no centro da sua classe ambiental. Sob os olhares espantados dos presentes, eles proclamaram altissonante que ela fora pega em adultério e, segundo a lei, teria de morrer. Sutilmente, olharam para Jesus e fizeram-lhe uma pergunta fatal: "Qual seria o seu veredicto?".
53 Nunca haviam pedido para Jesus decidir qualquer questão, mas fizeram essa pergunta para incitar a multidão contra ele e para que, assim, ele fosse apedrejado junto com ela. Sabiam que ele discursava sobre a compaixão e o perdão como nenhum poeta jamais discursara. Se ele se colocasse ao lado dela, teriam como justificar a sua morte. Se condenasse a mulher, iria contra si mesmo, contra a fonte do amor sobre a qual discursava. A multidão ficou paralisada.
54 O que você faria se estivesse sob a mira de um revólver? O que pensaria se estivesse em seus últimos segundos de vida? Ou, então, que atitude
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tomaria se fosse despedido subitamente? Que reação teria se alguém que você ama muito lhe causasse a maior decepção da sua vida? Que comportamento teria se tudo o que você mais valoriza estivesse por um fio, corresse o risco de ser perdido subitamente?
55 Freqüentemente reagimos sem qualquer lucidez nos momentos de tensão. Dizemos coisas absurdas, incoerentes, ferimos pessoas e nos ferimos. O medo, a raiva, a ansiedade nos impelem a reagir sem pensar. Os instintos controlam nossa inteligência.
56 O Mestre dos mestres da qualidade de vida estava sob o fio da navalha. O drama da morte o rondava e, o que era pior, poderia destruir todo seu projeto de vida.
57 Os seus opositores estavam completamente dominados pela raiva. A qualquer momento, as pedras seriam atiradas, as cenas de terror se iniciariam. Foi nesse clima irracional que Jesus foi cobrado para dar uma resposta. Todos estavam impacientes, agitados, esperando suas palavras. Mas a resposta não veio... Ele usou a ferramenta do silêncio. Ele nos deu uma grande lição: revelou que num clima em que ninguém pensa, a melhor resposta é não dar respostas. É procurar a sabedoria do silêncio.
58 Você usa a ferramenta do silêncio quando é pressionado? Nos primeiros trinta segundos em que estamos estressados cometemos nossos maiores erros.
59 Nunca se esqueça disso. Seus maiores erros não foram cometidos enquanto você navegava nas calmas águas da emoção, mas enquanto atravessava os vales da ansiedade. São nesses momentos que dizemos palavras que nunca deveriam ter sido ditas.
60 Jesus voltou-se para dentro de si, dominou sua tensão, preservou-se do medo, abriu as janelas da sua memória e resgatou a liderança do "eu".
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Executou todos esses mecanismos psíquicos sob a aura do silêncio. Foi autor da sua história num momento em, que qualquer psiquiatria seria vítima.
61 Pelo fato de ter resgatado a liderança do "eu", teve uma atitude inesperada naquele clima aterrorizante: começou a escrever na areia. Era de se esperar tudo, menos esse comportamento. Seus opositores ficaram perplexos.
62 Somente alguém que é líder de si mesmo é capaz de ter coordenação muscular e serenidade para escrever num momento em que estão querendo assinar sua sentença de morte. Somente alguém que sabe ter domínio próprio e fazer escolhas é capaz de encontrar um lugar de descanso no centro de uma guerra. Ele era livre para escrever idéias em situações em que só era possível entrar em pânico, gritar, fugir. Seus gestos fascinantes e serenos deixam abismada a psicologia.
63 Ninguém sabe o que ele escrevia. Mas deviam ser frases de grande conteúdo. Talvez escrevesse algo que demonstrasse a intolerância humana, a facilidade que temos em julgar os outros e a incapacidade que temos de encontrar um tesouro por detrás da cortina dos erros. Talvez escrevesse que o perdão é um atributo dos fortes; a condenação, dos fracos.
Retirando seus inimigos da platéia e colocando-os no palco
64 Seus gestos desarmaram seus inimigos. O foco de tensão foi pouco a pouco dissipado. Eles começaram a sair da esfera instintiva, do desejo de matar, para a esfera da razão. Desse modo, como um artesão da inteligência, o Mestre dos mestres preparou o terreno da inteligência deles para um golpe fatal. Um golpe que os libertaria do cárcere intelectual.
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65 Golpeou-os com uma lucidez impressionante. Disse-lhes: "Aquele que dentre vós estiver sem pecado (erros, falhas, injustiças) seja o primeiro que lhe atire pedra!". Ele teve uma coragem inusitada ao dizer essa frase. Ela poderia ter sido apedrejada na sua frente repentinamente. Mas ele só fez isso após debelar o foco de tensão emociona! deles.
66 Eles ficaram pasmados. Ele os autorizou a atirar pedra nela, mas mudou a base do julgamento. Teriam de pensar antes de reagir. Teriam de avaliar a história deles para depois julgá-la. Jesus fez uma engenharia intelectual que eles não perceberam, pois envolveu processos inconscientes.
67 Ao olhar para o espelho da sua alma para depois condenar a mulher, eles exerceram uma das mais importantes funções da inteligência: colocar-se no lugar dos outros. Assim, tornaram-se autores da sua história, pelo menos momentaneamente. Mergulharam para dentro de si, viram suas fragilidades, reconheceram sua injustiça.
68 Desse modo, saíram da platéia, entraram no palco da sua mente e deixaram de ser vítimas do seu preconceito. Dominaram temporariamente sua agressividade, saíram de cena, não a mataram.
69 Atitudes como essas revelam uma face desconhecida de Jesus Cristo. Ele não apenas foi o Mestre dos mestres da qualidade de vida, mas também o maior promotor de saúde mental de que se tem conhecimento.
70 Provavelmente, foi a primeira vez na história que linchadores, sob o controle do ódio, fizeram uma ponte entre o instinto e a razão, saíram da agressividade cega para o oásis da serenidade. Esse feito foi tão surpreendente que equivale a desarmar um terrorista no momento em que ele está para explodir seu corpo e levá-lo a encontrar uma fonte de sensibilidade dentro de si mesmo.
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71 A melhor maneira de desarmar um agressor e abrir o leque de sua inteligência é surpreendê-lo, seja com o silêncio, seja com um elogio, seja com uma atitude inusitada. Muitos assassinatos teriam sido evitados com essas atitudes. Da próxima vez que estiver em situação constrangedora, não se obrigue a dar resposta imediata, treine ser amigo do silêncio.
72 Os discípulos de Jesus estavam controlados pelo medo e pela ansiedade. Se a pergunta fosse dirigida a eles, talvez tivessem ordenado que exterminassem a mulher. Mas eles viram seu Mestre navegar nas águas da emoção e ser líder de si mesmo em situações limite.
73 Aprenderam a perceber que o maior líder é aquele que lidera seu próprio mundo, Aprenderam que a agressividade, a falta de compreensão e a crítica impensada são os alicerces dos frágeis. Aprenderam a vacinar-se contra a discriminação e a valorizar a vida como um espetáculo insubstituível.
74 Se a humanidade vivesse 10 % das ferramentas e princípios sobre os quais o Mestre dos mestres discursou eloqüentemente, as guerras, a competição predatória, a violência, as discriminações, os conflitos psíquicos, as crises sociais estariam nas páginas dos dicionários e não nas páginas da nossa vida.
75 A qualidade de vida, a saúde emocional e o desenvolvimento da inteligência dariam um salto sem precedente, Os povos o têm admirado ao longo dos séculos, mas não têm respirado as suas palavras e recitado as suas poesias.....
Painel I
Pontos sugeridos para (Não tenha medo de trocar
reflexão e discussão
de experiências, e contar suas dificuldades)
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1. A vida é uma jóia única no teatro da vida: todos
temos uma rica história, Você tem investido em
qualidade de vida ou tem sido uma máquina de
trabalhar? Qual o valor real que você dá para
sua vida e para as pessoas que ama?
2. Toda discriminação é desinteligente, Você
sentiu ou se sente inferior às pessoas?
3. Resgatar a liderança do "eu" é tomar decisões
conscientes, O que mais o perturba no teatro da
sua mente? Que decisões você tem adiado na
sua vida?
4. Um "eu" frágil não é autor da sua história, não
tem metas, objetivos, não intervém dentro de si
mesmo, perpetua suas misérias psíquicas, Você
é irritado e ansioso? É impulsivo e intolerante?
Cobra demais de si? Cobra excessivamente das
pessoas? Que características de sua
personalidade você deseja superar?
5. O amor era o fundamento da sabedoria do
Mestre dos mestres, Quanto você ama a vida?
6. Mestre dos mestres usava o silêncio para pensar
antes de reagir e resgatar a liderança do "eu",
Você usa o silêncio nas situações tensas? Você
consegue ter domínio próprio e surpreender
seus colegas de trabalho e seus familiares
quando eles o decepcionam?
Painel II
Exercícios para
praticar
1. Faça um relatório das características da lei "Seja
autor da sua história", descritas no início desse
capítulo, que você precisa desenvolver.
2. Faça um relatório das decisões que você tem
adiado e que precisam ser tomadas.
3. Treine aprender a pensar antes de reagir. Treine
usar a ferramenta do silêncio nos focos de
tensão.
4. Todo ser humano, quando constrói um
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pensamento, é um grande artista, ainda que
viva no anonimato. Jamais se sinta inferior às
pessoas.
5. Nunca desista das pessoas que você ama e
nunca desista de si mesmo.
6. Não seja escravo dos seus conflitos. Tenha um
"eu" lúcido e crítico, que sabe o que quer.
Exercite diariamente sair da platéia, entrar no
palco da sua mente, ser líder de si mesmo.
Resgate a liderança do "eu".
7. Enfrente com dignidade suas dores,
dificuldades, angústias, humor triste,
pensamentos negativos. Não tenha medo de
suas mazelas psíquicas; mas, sim, receio de ser
omisso, de não ser autor da sua história.
Faça um relatório dos seus exercícios durante a semana. O que praticou e qual foi o resultado?
Relatório:
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Capitulo 2
CONTEMPLAR O BELO
2ª Lei da Qualidade de Vida
Segunda Semana do PAIQ
1 Contemplar o belo é:
1. Educar a emoção para fazer das pequenas
coisas um espetáculo aos olhos.
2. Fazer de cada momento uma vivência mágica.
3. É educar a sensibilidade para entender que as
gotas de chuva irrigam as flores e as gotas de lagrimas irrigam a existência.
4. Desvendar as coisas lindas, singelas e ocultas
que nos rodeiam.
5. Descobrir o sabor da água, a brisa no rosto, o
aroma das flores, o balançar das folhas sob a orquestra do vento.
6. Enxergar o que as imagens não revelam e
perceber o que os sons não traduzem.
7. Ver com os olhos do coração.
8. Aprender a ser rico sem ter grande soma de
dinheiro. Ser alegre mesmo sem grandes motivos.
9. Viver suavemente, ainda que sobrecarregado
com responsabilidades.
10.Ter um romance com a vida. Fazer poesia com
a vida, sem escrever palavras.
11.Abraçar as crianças, admirar as pessoas da
terceira idade, ter agradáveis conversas com os amigos.
12.Ler um bom livro, viajar por suas páginas,
libertar a criatividade. Ouvir uma boa música, penetrar nos traços de uma pintura, de uma arquitetura. Navegar pelas águas da emoção.
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A arte da contemplação do belo está morrendo
2Vivemos em uma sociedade ansiosa e consumista. As crianças e os adolescentes raramente desfrutam por muito tempo seus brinquedos, roupas e objetos. As experiências deles são rápidas e fugazes. Não é a qualidade do que consomem que produz o prazer, mas a quantidade, o "fast food" emocional. Tudo é pronto. Não exige contemplação, desafio, descoberta.
3Poucos psiquiatras percebem, mas as sociedades modernas cometeram uma das maiores atrocidades contra os jovens. Editaram a vida rapidamente. Destruíram a arte da contemplação do belo. A conseqüência? Drogas, violência, depressão, suicídio, ansiedade. E o retorno não é fácil, pois contemplar o belo é uma conquista, um treinamento contínuo da sensibilidade.
4Tenho procurado educar a sensibilidade das minhas três filhas. Digo-lhes que há o belo escondido em cada coisa, exceto nas violências humanas. Tenho mostrado que, mesmo nas coisas que raramente alguém valoriza como uma parede rachada ou um muro trincado há uma beleza escondida que só os mais sensíveis captam.
5Certa vez minha filha mais velha me perguntou: "Papai, como pode haver beleza num muro trincado?". Eu disse-lhe: "Enxergue algo além da imagem. Pergunte quem fez esse muro, quais eram seus sonhos, o que ele conversou ou pensou enquanto o construía. Como ele está agora? O que está sentindo?". Disse que as rachaduras do muro falavam palavras inaudíveis. Contavam uma rica história.
6Muitos pensam que contemplam o belo, mas na realidade apenas admiram o belo em alguns momentos. Essa arte é mais do que admiração superficial, é respirar o belo, sentir seu sabor mais
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profundo. Contemplar o belo é um bálsamo para o prazer de viver.
7Quem despreza a lei da psicologia, mesmo sendo um exímio psiquiatra ou psicólogo, não terá qualidade de vida. Não verá dias felizes. Terá uma emoção instável, insatisfeita, flutuante, irritadiça. .
A matemática da emoção e o fenômeno da psicoadaptação
8Existe um fenômeno inconsciente descrito na teoria da Inteligência Multifocal chamado de psicoadaptação. O fenômeno da psicoadaptação é tão importante que está estreitamente ligado a todas as vertentes da emoção: prazer de viver, sensibilidade, criatividade, níveis de ansiedade. Portanto, dependendo da sua atuação, ele pode ser construtivo ou extremamente destrutivo. Sinteticamente dizendo, psicoadaptação é a incapacidade da emoção humana de sentir prazer ou dor diante da exposição de um mesmo estímulo.
9O que move os cientistas, escultores, pintores e escritores a fazer novas descobertas, a criar, experimentar? O fenômeno da psicoadaptação. Eles se psicoadaptam aos mesmos estímulos, aos traços, descobertas e estilos da sua época, gerando uma ansiedade vital, inconsciente e positiva que impulsiona a curiosidade, a cri atividade e a procura pelo novo. O fenômeno da psicoadaptação gera uma explosão criativa.
10 Uma criança que perdeu sua mãe poderia paralisar sua inteligência no velório se não houvesse a atuação desse fenômeno. A ausência da mãe gera uma fonte de estímulos contínuos que faz com que a criança se psicoadapte, diminuindo os níveis de sofrimento. Desse modo, embora a saudade nunca seja resolvida, ela abrirá um espaço emocional para se encantar novamente pela vida.
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11 A psicoadaptação também pode ser destrutiva. Os soldados nazistas. pouco a pouco, se psicoadaptaram aos sofrimentos dos judeus nos campos de concentração e, assim, destruíram sua sensibilidade e sentimento de culpa. Os ambientes violentos levam as pessoas a perder a capacidade de se colocar no lugar do outro, promovendo o ciclo da violência.
12 Muitos intelectuais, políticos e líderes empresariais vivem miseravelmente no território da emoção. Eles entraram num ativismo desenfreado. Psicoadaptaram-se a um ritmo de vida alucinante. Só sabem falar de problemas de trabalho, política, economia.
13 O excesso de estímulos estressantes transformou a emoção deles num terreno árido. O dicionário da sensibilidade empobreceu. Alguns têm palácios e jardins, mas são incapazes de contemplar prolongadamente uma pequena flor, de rolar no tapete com uma criança. São miseráveis com dinheiro no banco. São eles ricos?
14 E quanto a você? Você gasta tempo observando entardeceres, o brilho das estrelas e as maravilhas que norteiam a existência ou está ocupado demais?
As armadilhas da emoção
15 A fama é outro terreno perigoso onde o fenômeno da psicoadaptação pode atuar, mas Hollywood e o mundo da mídia não sabem disso. A fama é uma das maiores armadilhas da emoção. Pouco a pouco as pessoas se psicoadaptam aos aplausos, assédios e holofotes. A conseqüência é grave. A emoção começa, inconscientemente, a ter uma necessidade cada vez maior de grandes estímulos para sentir um pouco de prazer.
16 O mesmo princípio ocorre com as drogas psicotrópicas. Doses cada vez maiores são
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necessárias para se ter um pouco de emoção. Muitos famosos perdem as raízes das coisas simples, esfacelam seu prazer de viver, entram em crises depressivas e ansiosas. Não poucas vezes eles vivem uma intensa solidão rodeados por uma multidão.
17 Diariamente, a TV estimula doentiamente as pessoas a procurar a fama. Entretanto, para a qualidade de vida, o anonimato é muito mais saudável do que a fama.
18 Vacine-se contra a paranóia da fama. Procure o sucesso em tudo que você faz, mas não gravite em torno da fama. Se ela acontecer, não a superdimensione. Lembre-se de que um dos sintomas doentios de nossa espécie é que ela coloca alguns no palco e a maioria na platéia para aplaudi-los.
19 Quem não contempla o belo torna-se mal-humorado e, às vezes, pessimista. Nem ele se suporta. Treine apreciar os pequenos eventos da vida, treine refinar sua capacidade de observação.
20 Diversas doenças auto-imunes, cardíacas, alguns tipos de câncer são desencadeados por transtornos emocionais, em especial pelo mau-humor. Uma pessoa contemplativa e bem humorada vive melhor e por mais tempo. Ser negativista e mal-humorado não resolve os problemas, mas pode abreviar seus dias...
Rejuvenescimento da emoção
21 Se você contemplar o belo, será sempre jovem, ainda que o tempo sulque seu rosto com rugas. Se não contemplar, poderá fazer cirurgia plástica, peelings, lipoaspiração, mas envelhecerá no único lugar em que é proibido envelhecer: no território da emoção. Reclamar, ser impaciente, querer muito para sentir pouco, ficar vendo defeitos no espelho
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são sintomas do envelhecimento precoce. Muitos jovens são emocionalmente velhos.
22 Muitas mulheres têm a coragem de reclamar para seus maridos das áreas do seu corpo que detestam. Elas os levam a valorizar um defeito que não percebiam. Assim, deixam de contemplá-Las. Elas matam o amor deles por viver em função da paranóia da estética. As mulheres precisam sentir-se belas, bonitas, exaltar suas qualidades e não proclamar seus defeitos. Cuidado! Todas as suas reclamações tornam-se um veneno para sua auto-estima.
23 Essa lei da psicologia é fácil de entender, mas sua assimilação depende de um treinamento contínuo. Talvez uma em cada cem pessoas tenha uma excelente capacidade de contemplação do belo. Não se esqueça de que a qualidade de vida se esconde nas coisas mais simples. Treine sua sensibilidade.