12 Semanas para Mudar uma Vida

Augusto Cury · Capítulo 10 de 13

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12 Semanas para Mudar uma Vida

O Mestre dos Mestres da Qualidade de Vida

40 O discurso de Jesus envolvia os amplos aspectos da inteligência espiritual, como o perdão, A fraternidade, a capacidade de trabalhar a dor física e emocional, a serenidade, a inclusão. Ele também tocava nos conflitos existenciais fundamentais da nossa espécie, tais como a angústia diante do fim da existência, a superação da morte, a eternidade, a felicidade inexaurível, a paz inesgotável, a justiça plena.

41 A sua fala a respeito da transcendência da morte e do sonho da eternidade abala ainda hoje os alicerces da medicina. A medicina, a mais poética das profissões, sucumbe quando fechamos os olhos para a existência. Nós, médicos, podemos fazer muito para uma pessoa que está viva, mas não podemos fazer nada para um corpo sem vida.

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42 Odesejo da medicina é prolongar a vida e aliviar a dor. Filosoficamente falando é a mesma aspiração das religiões. Só que a medicina é uma ciência natural e a espiritualidade é uma busca transcendental. Toda religião discorre sobre o alívio da dor, o prolongamento da vida, a superação do fim da existência. Sem dúvida, é um grande sonho. Entretanto, o fato é que um dia vivenciaremos sem amigos, filhos, conquistas, status, o maior fenômeno que depõe contra a vida. Entramos na vida sozinhos e nos despedimos dela sozinhos.

43 Temos milhões de livros científicos, mas não sabemos explicar os dois fenômenos mais importantes da existência: a vida e a morte. Vivemos numa bolha de mistérios. Os maiores enigmas do Universo se escondem na história de cada ser humano. Você é uma caixa de segredos. Sua vida e seu fim são inexplicáveis pela ciência clássica. Portanto, nunca se ache comum, sem importância. . pessoa diferente da média das pessoas. Não consigo ver a vida e nem o fim da existência com superficialidade.

44 Onde estão Confúcio, Sócrates, Platão, Alexandre (O Grande), Napoleão Bonaparte, Hitler, Stalin? Todos pareciam tão fortes! Cada um a seu modo: uns na sabedoria, outros na loucura. Mas, por fim, os anos se passaram e, eles se despediram do breve palco da existência.

45 Como abordei nada é tão drástico para a memória e para o mundo das idéias do que a morte. O córtex cerebral se decompõe, desorganizando completamente a colcha de retalhos que tece a nossa história. Sem história, não há leitura da memória, sem leitura não há construção de cadeias de pensamentos, sem cadeias de pensamentos não há consciência existencial. Sem consciência existencial o tudo e o nada se tomam a mesma coisa. Nada é tão grave para a inteligência quanto isso.

46 Por pesquisar o processo e construção e pensamentos, tenho idéia das conseqüências dramáticas da falência da vida. Isso me tornou uma

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47 As pessoas que dizem que não se perturbam diante da morte são as mais frágeis emocionalmente. Falam sobre o que não refletiram. São as mais despreparadas para as reais turbulências existenciais.

48 As pessoas que têm ataques de pânico, que possuem um pavor súbito de morrer, são do ponto de vista filosófico, as que têm mais lucidez na sociedade quanto à compreensão da fragilidade humana. O problema é que elas perdem a liderança do "eu", não administram sua emoção, não governam seus pensamentos e gravitam em torno da imagem mental fictícia da morte. Por isso adoecem.

49 Jesus tinha plena consciência da angústia do ser humano diante do fim da vida. Ele fez eloqüente defesa sobre a continuidade da existência e a superação dos conflitos existenciais. Queria que cada ser humano fosse eterno, saudável, tranqüilo, feliz, sábio. .

50 Queria estancar as lágrimas das crianças que perderam seus pais, aliviar o desespero da procura incansável por eles. Queria aliviar a angústia dos pais que perderam seus filhos, que não mais sentirão seu calor e nem ouvirão a sua voz.

51 Queria consolar os que perderam pessoas queridas, irrigando-as com esperança diante da separação. Aliviava os temores e produzia um consolo íntimo. A psicologia e a psiquiatria não têm como oferecer esse conforto emocional.

 

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Os mais altos patamares da inteligência espiritual

52 O que é fascinante no discurso de Jesus é que apesar de discorrer sobre a eternidade com veemência, ele não pressionava as pessoas a seguirem suas idéias. Esse lado da sua inteligência espiritual encanta qualquer intelectual que o analisar.

53 Não usava seu poder para que as pessoas gravitassem em tomo dele. Quando ajudava as pessoas, era de se esperar que usasse sua influência para transformá-las em seguidoras.

54 Uma das coisas que mais me impressionaram ao escrever a coleção Análise da Inteligência de Cristo é que, ao analisar os detalhes das suas reações nas suas quatro biografias ou evangelhos, percebi claramente que ele não cobrava nada das pessoas que ajudava. Ele falava para elas seguirem seus caminhos. E ia mais longe, pedia segredo a elas sobre o que ele havia feito, suplicava que não contassem para ninguém. É quase incompreensível sua maturidade e gentileza.

55 Sua ética era uma poesia que exalava como perfume. Diferente da maioria de nós, o que ele fazia com uma mão não alardeava com a outra. Qualquer político ou líder da atualidade ama proclamar seus feitos, gosta de estar estampado na mídia. Alguns pagam para sair nas colunas sociais. O Mestre dos mestres pedia o silêncio.

56 Tornou-se um fenômeno social sem precedente, pois era impossível ocultar alguém com sua inteligência, atitudes e oratória. Mas preferia ser discreto. Certa vez contou uma parábola nos encorajando a amar a discrição e a humildade, que são importantes características da inteligência espiritual.

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57 Disse que quando alguém fosse convidado para uma festa, ele deveria sempre procurar os últimos lugares, os de menos visibilidade social, e não os primeiros. Pois, ao se sentar nos primeiros lugares, poderia passar por um vexame público, se o anfitrião lhe pedisse para sair daquela posição dizendo que ela estaria designada a pessoas mais importantes. Mas, se ele se sentar nos últimos lugares e o anfitrião lhe pedir para tomar a posição dos primeiros, isso lhe seria uma honra.

58 Jesus nunca procurou os primeiros lugares. Ele nunca quis aparecer por aparecer. Jamais viveu em função do prestígio social. Por isso, alguns dias antes de morrer, ele estava na casa de um leproso, Simão, sentado ao redor da sua mesa e não fazendo reuniões de cúpula. Seu maior desejo era servir e não ser servido. Era dar e não receber. A única vez que aceitou estar acima dos outros foi quando esteve pendurado numa cruz.

59 A ciência, através do seu orgulho débil, desprezou a sabedoria do Mestre dos mestres. Desprezou também a sede pela inteligência espiritual que está na essência do ser humano. Felizmente, agora os ventos intelectuais estão mudando.

60 O ser humano tem plena liberdade de ser um ateu, seguir a sua consciência. Mas não há dúvida de que o desenvolvimento da inteligência espiritual através da oração, meditação e buscas de respostas existenciais, além de resolver conflitos internos, aquieta o pensamento, apazigua as águas da emoção e traz saúde para a psique.

Últimas palavras: um amor inexplicável

61 Embora fosse amante da discrição, as pessoas ficavam tão arrebatadas por seus gestos que não conseguiam deixar de segui-Ia. Multidões

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constituídas inclusive de mulheres e crianças o acompanhavam até por lugares desérticos. Ele exalava um amor que atraía o espírito humano. '

62 Certa vez, ele proferiu um discurso e usou uma figura de linguagem que abalou seus ouvintes. Disse que quem comesse da sua carne e bebesse do seu sangue teria a vida eterna. Ele se referia a comer das suas palavras, a beber da fonte da sua qualidade de vida. Mas por não entenderem sua intenção, alguns ouvintes ficaram perplexos e o abandonaram. Nessa situação delicada, Jesus fitou os olhos dos seus discípulos mais íntimos e deu-lhes liberdade também de partirem.

63 A questão da eternidade sobre a qual Jesus discursou entra na esfera da fé e, portanto, foge da esfera deste livro. A ciência se cala diante da fé. Portanto, quem quiser discutir e entender esse assunto deve procurar líderes espirituais e teólogos. Aqui, o que eu quero analisar é a dimensão psicológica dos seus comportamentos.

64 Apesar da força do seu discurso, de proclamar que tinha os segredos da imortalidade, ele teve a coragem de dar opção a seus discípulos de esquecê-lo. Ele indagou sem meias palavras se eles queriam ou não abandoná-lo.

65 Os discípulos não esperavam uma atitude dessas. Já estavam com ele há mais de dois anos. Então, Pedro se adiantou e disse: "Para onde iremos se tu tens as palavras da vida eterna?" A atitude espontânea de Pedro de segui-lo livremente é o exercício mais nobre do direito de decidir. A esfera religiosa, assim como a política, são as áreas em que facilmente as pessoas são controladas, induzidas, dominadas. Mas o Mestre dos mestres deu-nos aqui lições belíssimas de liberdade.

66 Ele viveu na plenitude uma das funções mais excelentes da inteligência: a arte de expor e não

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impor suas idéias. Expunha sem medo e sem pressões os seus pensamentos, deixava às pessoas a opção de amá-lo ou rejeitá-lo.

67 Nem os pais mais sensíveis dão essa liberdade para seus filhos. Freqüentemente, quando os filhos não reconhecem seu valor, eles criticam sua ingratidão. Diariamente cobramos direta ou indiretamente resposta das pessoas. Nós nos doamos esperando a contra partida do retomo.

68 Para seguir Jesus, as pessoas tinham de ser livres. Deviam exercer o tão famoso e tão pouco compreendido fenômeno psicológico do livre arbítrio. Recordemos alguns fatos.

69 Ele previu que seus discípulos o abandonariam no ato da sua prisão, mas não lhes chamou de cães ou de lobos, mas de dóceis ovelhas confusas sem seu pastor. Além disso, ele chamou Judas de amigo no ato da traição e alcançou Pedro com um olhar afetivo no ato da negação. A ambos ele quis dizer com a maior gentileza: "Eu os compreendo!" E não parou por aí. Teve a sensibilidade de perdoar aos carrascos que zombaram dele e que esmagaram seus punhos e pés no ato da crucificação.

70 Que homem é esse que ama incondicionalmente a humanidade? Que homem é esse que respeita a decisão humana até às últimas conseqüências? Que Mestre é esse que preferiu sempre compreender e nunca condenar, que preferiu esquecer os seus gemidos para enxugar as lágrimas dos outros?

71 Ele atingiu o topo da saúde psíquica no ápice da miséria humana! Seus gestos não têm precedente histórico. Ele praticou na plenitude a humanidade que os filósofos, os budistas, os islamitas, os líderes cristãos, os pensadores da psicologia, os intelectuais da psiquiatria, os sociólogos, os pedagogos, os juristas sempre sonharam.

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72 Se vivêssemos uma pequena porcentagem do que ele viveu, provavelmente os presídios virariam museus; os policiais tornar-se-iam poetas; os generais, pintores; os psiquiatras, escritores; os seguranças dos aeroportos, músicos.

73 Toda minha bagagem como psiquiatra e cientista torna-se débil diante da dimensão do seu amor, paciência e sabedoria, que são os frutos mais excelentes da inteligência espiritual. Tenho pesquisado os fenômenos psíquicos que constroem a complexa arte de pensar e o desenvolvimento da inteligência, mas analisar os segredos da sua personalidade me faz enxergar a minha pequenez.

74 A única coisa que me resta é me colocar aos pés do Mestre dos mestres como um humilde aprendiz, como um pequeno aluno na sua escola de pensadores, como um simples estudante na sua universidade de qualidade de vida...

Painel I

 

Pontos sugeridos para

reflexão e discussão:

 

(Não tenha medo de trocar

experiências, chorar e

contar suas dificuldades.)

 

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1. As mesmas inquietações que as tribos primitivas

tinham o ser humano moderno também tem. O

que somos? Quem somos? Para onde vamos?

Analise se essas questões ocupam o palco da sua

mente.

2. O ser humano é uma pergunta em busca de uma

grande resposta. Você percebe Que a vida é

belíssima e brevíssima? A brevidade da

existência o estimula a procurar um sentido

mais profundo para sua vida?

3. A ciência deu saltos espetaculares, mas não

extirpou as mazelas físicas e, principalmente, as

mazelas psíquicas do ser humano. A violência

social, o terrorismo, a fome, a

farmacodependência, enfim, os problemas da

humanidade o incomodam? Você de alguma

forma, procura ajudar seu semelhante?

4. A inteligência espiritual aquieta o pensamento,

tranqüiliza a emoção, traz consolo nas perdas,

coragem nas injustiças, esperança no caos. Você

tem apaziguado as águas da emoção? O futuro é

um sonho ou um pesadelo para você?

5. O fim da existência o assombra? O fato de a

morte ser um fenômeno inevitável o perturba?

Você sofreu uma perda de alguém querido que

até hoje o machuca?

6. O Mestre dos mestres convidava as pessoas a

segui-lo, mas não pressionava. Expunha e não

impunha suas idéias. Surpreendia a todos com

sua gentileza. Viveu na plenitude as funções

mais importantes da inteligência. Você tem

vivido tais funções? Procurar por Deus,

independente de uma religião, tem enriquecido

sua emoção e suas relações sociais?

Painel II

Exercícios para prática

diária

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1. Faça um relatório das características da lei

"Inteligência Espiritual: superando conflitos

existenciais", descritas no início desse capítulo,

que você precisa desenvolver.

2. Faca um relatório sobre o que você pensa da

vida. Mencione suas dúvidas, inquietações e

temores sobre o fim da existência.

3. Procure ser fiel à sua consciência na sua procura

por Deus. Exerça seu livre arbítrio. Seja livre.

Quem não é fiel à sua consciência tem uma

dívida impagável consigo mesmo.

4. Resgate seu sentido de vida. Procure algo além

do seu trabalho, compromissos, atividades

sociais, Que possa saciar seu espírito, dar

motivação para viver.

5. Participe de atividades filantrópicas. Doe-se para

seu semelhante.

6. Pense com liberdade e inteligência. Treine expor

e não impor suas Idéias.

7. Avalie se a prática da inteligência espiritual,

independente da sua religião, está

desenvolvendo as funções mais importantes da

inteligência.

Faça um relatório dos seus exercícios durante a semana. O que praticou e qual foi o resultado?

 

Relatório

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