A extinção do arco-íris: ecologia e história
Terra e fogo da cana
O solo da U.N.A. está sujeito a compactação devido ao trânsito e a utilização de tratores de grande potência, com implementos pesados utilizados nas operações de cultivo e adubação da cana e também devido ao tráfego constante de caminhões durante operações de carregamento, transporte e aplicação de vinhaça.
Esta compactação é a formação de uma camada dura de terra na superfície do solo, impedindo a infiltração da água (como conseqüência não constituindo um lençol freático, elemento hidratador do subsolo), provocando uma erosão laminar que arrasta as partículas do solo para os leitos dos rios; este carregamento ocorre pela inexistência da cobertura vegetal.
Não podemos esquecer também que a cana é uma cultura que propicia tal ocorrência, porque ela fica durante três a quatro anos sem que se realize a operação de revolvimento do solo.
O solo e a sua micro-fauna, quando não são compactados ou arrastados pela erosão são torrados pelo sol, em nosso clima tropical por super-exposição, ou pela queima intencional dos canaviais pela Usina. Essa última prática destrói também as hoje raras árvores que se encontram no meio, ou nas margens do canavial, contribuindo para diminuir a quantidade de oxigênio em nossa atmosfera e aumentar o gás carbônico, monóxido de carbono e calor na biosfera.
O método é aplicado em grandes áreas de até dez mil alqueires, colocando em estado de alerta as cidades vizinhas; ele se realiza devido a interesses de que haja maior rendimento da produção na operação de corte da cana, realizada manualmente pelo bóia-fria que recebe por produtividade.
Se o objetivo da colheita de cana é somente o aproveitamento do colmo, onde concentra-se a maior porcentagem de sacarose, então a folhagem da cana (áspera e cortante) prejudica o trabalho de corte realizado pelo bóia-fria (que deveria trabalhar com roupas adequadas, luvas, enfim, com todo o equipamento necessário) já que ele recebe por produtividade. Esta folhagem, por não ser retirada, provoca também o embuchamento e paralização das moendas.
Se por outro lado, se corta a cana com o objetivo de produzir energia (álcool), por que aproveitar somente o colmo para a produção da mesma, queimando a palha, desperdiçando o seu poder calorífico e energético?
Um sério estudo técnico realizado sobre o assunto descreve e calcula quantitativamente o poder calorífico gerador de energia da palha da cana, comparando-o, inclusive, com outras formas de energia:
Waldemar Saffioti em seu artigo: "O desperdício de energia na
queima dos canaviais" 36, realizou um estudo de amostragem com uma tonelada de cana não queimada, separando o colmo das folhas e ponteiros e através dessa separação constatou a presença de 8 % de palha seca em relação à cana cortada e limpa.
Para uma comparação dos prejuízos provocados pela queima de palha, o pesquisador utilizou dados da produção de cana-de-açúcar do Brasil de 1985, em que a safra atingiu a ordem de 250 milhões de toneladas, portanto queimou-se 20 milhões de toneladas de palha seca, liberando no ar 8,8 milhões de toneladas de carbono sob a forma de gás carbônico, monóxido de carbono e carvão.
Destruiu-se 7.10 36 moléculas de glicose que constituem a cadeia carbônica da celulose; esta perda de energia corresponde comparativamente a 15,5 bilhões de litros de etanol, portanto superior a energia produzida pelo álcool fabricado no Brasil em 1985.
Quanto à energia nuclear a ser produzida em Angra I, II, III e Iguape I avaliada em 4,4 milhões de kilowatts, esta significa apenas a metade da energia desperdiçada na queima dos canaviais.