A Queda de Artur

J. R. R. Tolkien · Capítulo 4 de 8

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A Queda de Artur

Notas sobre o texto de A Queda de Artur

NOTAS SOBRE O TEXTO DE

 

A QUEDA DE ARTUR

Canto I

 

1-9 Sobre a cam panha do Rei Artur nas regiões do leste ver O POEMA NA

TRADIÇÃO ARTURIANA.

 

33 at last embayed (um a correção a lápis de embayed and leaguered): O

Oxford English Dictionary não registra tal significado de um verbo embay, m as o sentido obviam ente é “encurralado”.

 

44-50 Cavaleiros da Távola Redonda. Lionel e Ector (sobre os quais ver A

EVOLUÇÃO DO POEMA), Bors e Blam ore, eram parentes de Lancelot: Ector era seu irm ão m ais m oço. Bedivere só é m encionado aqui em A Queda de Artur, m as sem dúvida ele teria desem penhado um papel após a batalha de Cam lan, se m eu pai tivesse chegado até esse ponto de sua

narrativa (ver O POEMA NA TRADIÇÃO ARTURIANA). Marrac e Meneduc e Errac são m encionados em Morte Arthure aliterante entre os m ortos de Cam lan.

Reged era o nom e de um reino esquecido no norte da Grã-Bretanha. Urien, rei de Reged, e seu filho Iwain (Ówein) parecem ter sido originariam ente reis históricos, que se tornaram fam osos nas guerras dos britânicos setentrionais contra os anglos no século VI. Vários desses cavaleiros aparecem em Sir Gawain and the Green Knight: Lionel, Bors, Bedivere, Errac, Iwain filho de Urien (na tradução de m eu

pai, estrofes 6 e 24).

 

51 o rápido Cador: m eu pai escreveu fearless [destem ido], m as depois

em endou por cim a, a lápis, para hasty [apressado]. Pode-se supor que, ao fazer essa alteração, ele estivesse pensando no incidente descrito por Geoffrey de Monm outh, quando a carta do Im perador Lucius foi lida (ver

O POEMA NA TRADIÇÃO ARTURIANA). Geoffrey disse que Cador, Duque da Cornualha, era um hom em “alegre” (erat laeti animi): irrom peu em riso nessa ocasião, instando para que fosse aceito o desafio rom ano, pois os britânicos tinham se tornado m oles e preguiçosos. No Brut

de La3am on (V) Cador declarou For nauere ne lufede ich longe grið inne mine londe (“pois nunca am ei longa paz em m inha terra”), e por isso foi

severam ente repreendido por Gawain. Mas em A Queda de Artur (I.36-8) é Gawain quem

anseia por guerra,

pois no ócio seu olho inda vê o m al

que a Távola Redonda outrora rom peu.

 

145 Cradoc: ver O POEMA NA TRADIÇÃO ARTURIANA.

 

160 Selvagens os ventos dos rivais na Bretanha! Ver O POEMA NA

TRADIÇÃO ARTURIANA.

 

167 Lochlan: nom e de um a terra na lenda irlandesa, que aqui parece sugerir

um povo rem oto hostil a Artur; é repetido em IV.204.

 

168 Almain: Alem anha; Angel: a antiga terra natal dos anglos na península

dinam arquesa.

 

185, 191-2 família de Ban: o Rei Ban de Benwick na França era pai de Sir

Lancelot; ver O POEMA NA TRADIÇÃO ARTURIANA.

 

203-4 da florestal beira / à Ilha de Avalon: ver O POEMA NÃO ESCRITO.

Canto II

 

12 mort: a nota tocada em um a trom beta à m orte de um cervo caçado.

 

27 Guinever: o m odo com o m eu pai grafava o nom e da Rainha era m uito

variado. Guinever prepondera, m as no texto m ais recente do Canto II,

enquanto Guinever aparece nos versos 27, 135 e 143, está Guinevere em

194 e 211; e no texto anterior ao m ais recente as grafias são Guinevere, Gwenevere, Gwenever.

 

52-3 o tempo que resta / para espera não presta [Time is spared us / too short

for shrift]. Na m ais antiga versão do canto o texto aqui diz The seas spare

us / a shrift too short (A EVOLUÇÃO DO POEMA). O significado original de “short shrift” [despacho sum ário] era um curto espaço de tem po para fazer um a confissão (shrift) antes de m orrer; daí, um a breve prorrogação.

Cf. II.68 não deseja remissão [shrift he sought not].

 

80 Whitesand: Wissant no Pas-de-Calais, entre Calais e Boulogne.

 

86 Se armam com as ondas e a ira do vento: isto é, esperam até que as ondas

e o vento am ainem .

 

101 Logres: o reino da Grã-Bretanha governado pelo Rei Artur.

 

107-8 Erin: Irlanda; Alban: Escócia; East-Sassoin: Saxônia Oriental. Para

Almain e Angel ver nota a I.168.

 

198, 202-3 Leodegrance: rei de Cam iliard em Gales, pai de Guinevere. A

m enção da Távola Redonda no verso 203; é um a referência à lenda de que ela foi feita para Uther Pendragon, pai de Artur. No Tale of King Arthur [Conto do Rei Artur] de Malory, Leodegrance soube por Merlin que Artur desej ava ter Guinevere por esposa:

“Esta é para m im ”, disse o rei Leodegreauns, “a m elhor notícia que

j am ais ouvi, que um rei tão valoroso de proeza e nobreza queira desposar m inha filha. E, quanto às m inhas terras, eu lhas daria se soubesse que lhe agradariam , m as ele tem terras bastantes, não necessita de nenhum a. Mas hei de lhe enviar um presente que lhe agradará m uito m ais, pois lhe darei a Távola Redonda que Uther, seu pai, deu a m im .”

‘That is to me,’ seyde kyng Leodegreauns, ‘the beste tydynges that ever I

herde, that so worthy a kyng of prouesse and noblesse wol wedde my doughter. And as for my londis, I wolde geff hit hym yf I wyste hyt myght please hym, but he hath londis inow, he nedith none. But I shall sende hym a gyffte that shal please hym muche more, for I shall gyff hym the Table Rounde which Uther, hys fadir, gaff me.’

Canto III

 

7 Nas praias de Benwick: ver nota a I.185.

 

29 Grande é Gawain, grande como o sol de ouro. Gawain é novam ente

com parado ao sol m ais adiante no poem a (III.177-9 “o sol descendo”;

IV.223-4, “astro no ápice”), e “um levante sol” estava costurado na vela

de seu navio (IV.142). Mas não há referência ao fato de sua força aum entar até o m eio-dia e depois declinar, o que foi um elem ento im portante da história do cerco de Benwick, onde Lancelot o feriu

gravem ente quando sua força m inguou (ver O POEMA NA TRADIÇÃO

ARTURIANA).

 

55-6 Estes versos são um a repetição m uito próxim a de II.28-9, e

reaparecem na m esm a form a em outro texto, onde são postos na boca de

Sir Lionel (O POEMA NÃO ESCRITO). Seu aparecim ento m ais precoce

é na terceira sinopse, A EVOLUÇÃO DO POEMA.

 

62 arde como aço: palavras sem elhantes foram aplicadas a Lancelot no

verso 26 deste canto.

No m anuscrito tal com o foi redigido a leitura era Strong oaths she broke

[Altas j uras rom peu ela], alterado a lápis para they broke [rom peram

eles], ver A EVOLUÇÃO DO POEMA.

 

68 ss. Para a história brevem ente sugerida aqui ver O POEMA NA

TRADIÇÃO ARTURIANA ss.

 

69-70 Agravain the dour-handed [Agravain da m ão dura] traduz Agravain a

la dure mayn (com o ele é cham ado em Sir Gawain and the Green Knight,

verso 110), usando dour em seu antigo sentido de “duro”.

 

82-3 Gaheris e Gareth: ver O POEMA NA TRADIÇÃO ARTURIANA.

86 Aqui e no verso 156, a palavra battle [com bate] é usada no sentido de

“ordem de batalha”.

 

140-2 Estes versos são um a repetição de 15-16, 18 neste canto.

 

148 o Lorde de Logres: o Rei Artur.

Canto IV

 

 

29 fewte: a pista de um anim al caçado. A palavra ocorre nos relatos de

caçadas em Sir Gawain and the Green Knight, com o, por exem plo,

Summe fel in þe fute þer þe fox bade, na tradução de m eu pai (estrofe 68) Some [of the hounds] fell on the line to where the fox was lying [Alguns [dos sabuj os] entraram na linha onde estava a raposa].

 

41 Romeril: Rom ney em Kent (ver O POEMA NA TRADIÇÃO

ARTURIANA).

 

43 Um a repetição parcial de II.108.

 

68 Leodegrance: ver nota a II.198.

 

98-9 em fusco fundo a flor de lírio: ver nota a IV.134.

 

126-8 De acordo com Geoffrey de Monm outh, havia pintada no interior de

Pry dwen, escudo de Artur (ver nota a IV.186), um a im agem da Virgem Maria, para que ele nunca deixasse de pensar nela; e na Morte Arthure aliterante o principal estandarte de Artur antes da grande batalha naval é assim descrito:

 

Mas havia no lugar principal um a donzela branca

[com o cal

e um a criança em seu braço, que é o senhor do céu. Bot thare was chosen in the chefe a chalke-whitte mayden and a childe in hir arme, that chefe es of hevynne.

 

Em Sir Gawain and the Green Knight a m esm a coisa é dita de Sir

Gawain, que por causa de sua devoção a Maria tinha (na tradução de m eu

pai, estrofe 28)

no lado interno do escudo a sua im agem pintada, de m odo que olhando para ali sua coragem nunca

[esm orecia.

on the inner side of his shield her image depainted, that when he cast his eyes thither his courage never failed.

 

134 flor-de-lis [flower-de-luce, ou fleur-de-lys], o lírio heráldico, o

estandarte de Benwick (132); cf. IV.98, em fusco fundo a flor de lírio [da

fam ília de Ban], e IV.158, nem Lancelot, o dos lírios.

 

144 um grifo fogoso. O em blem a do grifo (um anim al com cabeça e asas de

águia e corpo de leão) é associado ao brasão de Gawain na Morte Arthure

aliterante (gryffoune of golde: ver O POEMA NA TRADIÇÃO

ARTURIANA); e em anotações para a continuação do poem a para além

do ponto alcançado (O POEMA NÃO ESCRITO) está dito que seu escudo trazia a im agem de um grifo.

 

186 Prydwen era o nom e dado ao escudo de Artur por Geoffrey de

Monm outh (ver nota a IV.126-8), seguido por La3am on no Brut (O

POEMA NA TRADIÇÃO ARTURIANA), m as na antiga poesia galesa era o nom e de seu navio, assim com o aqui.