A Rainha Ginga
Quem conta é Francisco José da Santa Cruz, padre pernambucano de mãe caeté, que chega ao Reino do Congo nos idos de 1620 e acaba secretário da Ginga, irmã do rei do Dongo e mais tarde rainha do Dongo e da Matamba. Acompanha-a à embaixada de Luanda: ela recusa o tributo de vassalo que o governador João Correia de Sousa exige e, como lhe reservaram uma almofada em vez de cadeira, senta-se sobre o dorso da escrava Henda. Vêm depois o batismo na Sé, que lhe dá o nome de Ana de Sousa, e a guerra: o padre Dionísio Faria Barreto açoitado diante do rei Ngola Mbandi, o Presídio de Ambaca, os cativos enviados para o Brasil. À volta dele movem-se Domingos Vaz, o intérprete que sabe seis línguas, Muxima, que virá a ser sua mulher, e Cipriano, o Mouro, o português de Évora que combate ao lado da rainha. Escreve tudo isto já velho, em Amesterdão, na tenda de livros que abriu com o filho.

