A Revolução Portuguesa: O 5 de Outubro (Lisboa 1910)

Capitulo XV

Os barcos que tinham sahido de Lisboa, ao falhar a tentativa revolucionaria dos meiados de agosto—por effeito da denuncia que o chefe do gabinete regenerador recebera de determinado governador civil fundadamente alarmado com os preparativos de insurreição que surprehendera na capital do seu districto—voltaram ao fundeadouro no Tejo em meiados de setembro. Pouco depois, a marinhagem enviava ao Directorio e ao comité executivo de Lisboa delegados especiaes e declarava peremptoriamente que não tornava a sair a barra emquanto não fôsse proclamada a Republica ou se procurasse, pelo menos, tentar abalar o regimen monarchico. Essa resolução era inadiavel. O cabo Antonio, um marinheiro decidido e leal, chegou a dizer no Directorio a José Barbosa e Innocencio Camacho:

—Temos que sahir para a revolta custe o que custar. Perseguem-nos a bordo mais do que nunca e eu e os meus camaradas estamos resolvidos ao ultimo sacrificio, mesmo a um fuzilamento provavel. Não é possivel prolongar a situação...

 

CAPITULO XV