A Revolução Portuguesa: O 5 de Outubro (Lisboa 1910)

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—A policia... Mas onde está ella? replica o revolucionario n'uma gargalhada escarninha.

E d'um trago sorve o liquido. O outro, morto por se safar, assim que lhe restituem a medida de lata, prepara-se para uma correria desenfreada. É de agradecer ao Deus creador o libertar-se do transe afflictivo apenas com o dispendio d'uns decilitros de leite... Mas o revolucionario não o consente. E, empunhando de novo a pistola com gesto ameaçador, obriga-o a acceitar em pagamento umas moedas de cobre. Comprehende-se: esse homem não fazia a Revolução para perpetuar os crimes da monarchia.

 

Quantos dos servidores do antigo regimen não procederam de modo diverso? Quantos não beberam o leite, não o pagaram e até metteram na cadeia os respectivos vendedores só pelo facto de lhes exigirem o pagamento? Quantos?...

 

FIM

 

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DO TEXTO

Falando aos leitores

CAPITULO I—Da perspicacia dos espiões

ao serviço do antigo regimen

CAPITULO II—Um «accidente de trabalho»

e uma evasão romanesca

CAPITULO III—Os republicanos e os

dissidentes organisam o 28 de Janeiro

CAPITULO IV—A policia descobre um dos

fios do «complot»

CAPITULO V—Marca-se a revolta para as

4 da tarde do dia 28

CAPITULO VI—A «ratoeira» do elevador

da Bibliotheca insuccesso do «complot»

CAPITULO VII—O regicidio—Quem

disparou primeiro: Buiça ou Costa?

CAPITULO VIII—Os regicidas calcularam

que a Revolução rebentaria imediatamente

ao seu acto

CAPITULO IX—As iniciações na

carbonaria augmentam consideravelmente

CAPITULO X—Os estudantes militares

offerecem o seu concurso á Revolução

CAPITULO XI—Os dynamitistas preparam

a «artilharia civil»

CAPITULO XII—As bombas de João

Borges eram pagas pela «Joven Portugal»

CAPITULO XIII—O «comité» executivo de

Lisboa procede a um inquerito

CAPITULO XIV—Nas barbas da policia

realisam-se diversas revistas

revolucionarias

CAPITULO XV—Fixa-se a data do

movimento e approva-se o plano definitivo

CAPITULO XVI—No momento culminante,

o desanimo invade os organisadores da

revolta

CAPITULO XVII—Uma parte das forças

revolucionarias installa-se na Rotunda

CAPITULO XVIII—Os sargentos de

artilharia 1 resolvem continuar a lucta

CAPITULO XIX—O desespero de Candido

dos Reis condul-o ao suicidio

CAPITULO XX—O rei Manuel abandona o

palacio das Necessidades

CAPITULO XXI—A artilharia revolucionaria

repelle o ataque das baterias de Queluz

CAPITULO XXII—Os ministros dispersam-

se e buscam abrigo em diversas casas

CAPITULO XXIII—Proclama-se a

Republica no edificio da Camara Municipal

DAS GRAVURAS

D. Carlos I

João Franco

Attentado de 1 de Fevereiro—Assassinato do Rei D. Carlos e Principe D. Luiz Filipe

Alfredo Costa

D. Manuel II

Teixeira de Sousa

Anselmo Braamcamp Freire—Presidente

da Camara Municipal Republicana de

Lisboa antes da Proclamação da Republica Missão do Directório no estrangeiro

Luz d'Almeida—Chefe da Carbonaria

O Directorio da Revolução

Innocencio Camacho—Membro substituto do Directorio, em effectividade

José Barbosa—Membro substituto do

Directorio em effectividade

A barricada na Rotunda

José Nunes—Auctor de diversas bombas explosivas

Dr. Miguel Bombarda—Vice-almirante

Candido dos Reis

Dr. Malva do Valle—Membro substituto do Directorio em effectividade

As forças revolucionarias na Rotunda

Machado Santos

O acampamento na Rotunda

Ladislau Parreira

A Bandeira da Revolução

Bombardeamento do Paço das

Necessidades (Janela do quarto do rei)

José Carlos da Maia

Embarque da familia real na Ericeira

João Chagas

Moysés, o tambor dos Revolucionarios

Brito Camacho

Proclamação da Republica e do governo

provisorio na Camara Municipal de Lisboa em 5 d'Outubro de 1910

João de Menezes

Governo Provisorio da Republica

Portugueza

General Antonio do Carvalhal—

Comandante da 1.ª Divisão Militar

Proclamação da Republica Portugueza

pelas camaras constituintes

Candieiro furado pelas balas na Avenida

da Liberdade

A Bandeira Nacional

Manuel de Arriaga—Antigo deputado

republicano e 1.º presidente eleito da

Republica Portugueza

Paiva Couceiro

Busto official da Republica Portugueza

 

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V—Narrativas e Lendas da Historia Patria (D. João I, o rei eleito do povo). VI—Victor Hugo—O Bom Bispo. VII—Narrativas e Lendas da Historia Patria (Os filhos de D. João I). VIII—A Vida dos Animaes (Os cães). IX—Narrativas e Lendas da Historia Patria (O Infante D. Henrique). X—A Terra Portugueza (Portugal Pitoresco).

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1Em 1891, por occasião da revolta do Porto,

não succedeu assim. «Para o paço de Belem havia desde manhã cedo enorme affluencia de personagens officiaes»—dissemol-o no 31 de Janeiro.—«Todos á porfia accorriam á regia morada». Quasi vinte annos depois, no instante do perigo, fugiam d'ella...

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Jorge de Abreu

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