Algumas lições de psicologia e pedologia

António Aurélio da Costa Ferreira · Capítulo 8 de 15

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Algumas lições de psicologia e pedologia

A Visão das Cores[9]

A pedologia, estudo da criança, vos ensinará a conhecer os vossos alunos, e a encontrar o caminho educativo que mais convêm seguir.

Pudesse eu deixar-vos convencidos disso, e conseguisse que em tôdas as escolas o professor determinasse a agudeza visual e a auditiva e eu, e todos os que tivessem contribuído para isso, teríamos alcançado a não pequena glória de ter promovido na escola o que o grande professor B , a propósito do mesmo

assunto, não duvidou chamar um progresso imenso.

Disse.

 

A VISÃO DAS CORES[9]

 

M S S :

 

Foi objecto da minha lição de abertura, no ano findo: A agudeza visual e a auditiva, debaixo do ponto de vista pedagógico, tendo-me servido de pretexto para a lição o exame da agudeza visual e da auditiva por mim praticado, nos alunos desta Escola, com o fim de se regular a sua distribuìção nas aulas. Será êste ano objecto da minha primeira lição um assunto que se prende tambêm com a fisiologia dos sentidos, servindo-me de pretexto para ela o exame que êste ano tambêm fiz a alunos desta Escola, mas não só com o fim de julgar da sua agudeza visual e da sua agudeza auditiva, mas tambêm para julgar até certo ponto do seu sentido cromático, do grau da sua visão, na visão das côres.

Deu origem a esta ampliação do exame fisio-pedagógico que se começou a praticar o ano passado por iniciativa do Sr. Secretário desta Escola, e seu distinto professor sr. T F , deu origem a essa ampliação, um simples acaso. Um dos jornais da cidade, ao noticiar que eu ia proceder ao exame dos alunos, falou em daltonismo, e isso fazendo-me suspeitar uma confusão entre o exame da agudeza visual e o do sentido cromático e recordando-me da importância que êste pode ter na escolha dos candidatos a professores, resolveu-me a fazer a minha primeira lição dêste ano sôbre o sentido cromático e os seus defeitos, e proceder, como procedi, a um exame elementar dêsse sentido.

M.elle Y , a ilustre professora belga, considera como

indispensável na escola normal a prática de um exame do sentido cromático, por causa da importância que a diferenciação das côres tem no ensino. É sua opinião tambêm que a êsse exame devem ser obrigatóriamente sujeitas tôdas as professoras dos jardins de infância e, mais ainda, atribúi-lhe, e com razão, grande valor no exame pedagógico dos alunos da escola primária.

E isto lembra-me as palavras do professor americano R ,

quando num dos seus livros, diz: «na cegueira das côres está muitas vezes a explicação da aparente estupidez que revelam certas crianças das nossas escolas, diante dos mapas».

O exame fisio-pedagógico que o ano passado se começou a praticar nesta Escola, deve ser ainda mais ampliado do que foi êste ano, e quando êste assunto, a visão das côres, não fôsse julgado como de maior importância, para servir de mais a mais de tema a uma lição de abertura de curso, bastaria para justificar-me e dar-lhe o valor que lhe contestassem, o tomá-lo como pretexto para chamar a atenção para êste capítulo importante e quási virgem entre nós, do exame das aptidões.

Hoje, minhas senhoras e meus senhores, a fisiologia e a psicologia, não são apenas sciências de gabinete, simples curiosidades, domínios de investigação scientífica desinteressada, ramos de conhecimentos sem maior aplicação e utilidade. Não. O fisiologista e o psicólogo têm hoje o seu lugar até na oficina, até na fábrica. A êles se recorre não só para julgar das aptidões do operário, mas até para regular a própria técnica. Opera-se neste momento uma profunda reforma nas indústrias, visando a levar ao máximo o rendimento de cada operário, recorrendo-se para isso à fisiologia e à psicologia. É o tailorismo que avança, é a organisação scientífica do trabalho.

A fisiologia e a psicologia são tam úteis, mesmo fora dos domínios da Medicina, que neste momento, até em plena guerra elas figuram, sendo os seus processos de análise regular e obrigatóriamente praticados no exame dos candidatos a aviadores, êsses heróicos soldados, que nesta guerra, formidável pela sciência e pela barbaría, tanto influem na estratégia. Na nossa legislação militar, a propósito da inspecção médica dos candidatos a aviadores, já se fala do exame das reacções psico-motrizes. Mas mais ainda. A psico-fisiologia, de que em suas proveitosas lições muitas vezes vos fala o Sr. professor Dr. A P , logrou até encontrar aplicação em pleno campo da refrega, onde por exemplo, M. L ,

chefe dos trabalhos práticos de psicologia experimental na Escola de Altos Estudos de Paris, e actualmente mobilizado como oficial, teve ocasião de com notável utilidade aplicar os seus métodos de estudo a gloriosos soldados da Argonne, durante a tremenda campanha de Verdun.

E, minhas senhoras e meus senhores, se a psico-fisiologia presta já tantos serviços na escolha dos candidatos a operários e em soldados, porque não há-de ela ter tambêm o seu lugar no exame dos candidatos à profissão de professor?! Pensai nisto, que é nesta arte que andais a aprender: a arte de educar, que é mais necessário rigorosamente escolher os mesteirais, porque são êles que lidam com a mais preciosa e delicada das nossas matérias primas: a criança, e se ocupam da mais importante de tôdas as indústrias: a indústria da formação de cidadãos úteis, prestimosos na sua profissão, excelentes nas suas virtudes físicas e morais, e no seu amor à Pátria!

 

M A :

 

A visão das côres e a aptidão a discriminá-las não se revela logo após a nascença, nos primeiros dias. Factos que a sciência regista levam a supor que essa faculdade visual se manifesta claramente e indiscutívelmente só ao fim de alguns meses. Ao poder de discriminação das côres, segue-se o de nomeá-las. É interessante fazer notar o facto de que a criança aprende mais fácilmente os nomes das cousas do que os das côres. Citam-se casos em que crianças de dois anos e mais, conhecendo perfeitamente os nomes de certos frutos bem característicos, pela sua fórma e pela sua côr, uvas, morangos e laranjas, não sabem no entanto apropriadamente aplicar-lhes os nomes das côres que ostentam.

T , professor da Universidade de Toronto, que examinou vários

vocabulários infantis, da língua inglesa, chama a atenção para o facto de ter encontrado apenas perto de trinta nomes de côres num vocabulário de mil e cem palavras. E várias vezes, diz êle, não encontrou, em vocabulários de crianças de dois anos, um só nome de côr, não obstante essas crianças possuirem já de trezentos a quinhentos vocábulos.

Um outro facto a pôr em destaque é o de que a criança pode discriminar as côres, possuir vocábulos para as nomear, mas não associar correctamente a côr ao seu nome. Parece que é esta a principal dificuldade que a criança tem no reconhecimento das côres.

Creio que foi o professor M , professor de Psicologia em

Westfield, quem realizou o maior número de experiências sôbre o sentido cromático de crianças, de três a sete anos de idade. São curiosas as conclusões a que chegou. As meninas distinguem, em geral, mais fácilmente, as côres, e reteem mais fácilmente tambêm os nomes destas. Esta superioridade no sentido cromático é mais acentuada dos cinco aos sete anos do que antes, e está de acôrdo com a superioridade do sentido cromático que as estatísticas dos defeitos de visão das côres levam a atribuir à mulher, onde êles são menos freqùentes. E como essa superioridade se revela mesmo nas idades em que as crianças dos diversos sexos têm as mesmas ocupações, pode-se atribui-la a uma diferença sexual inata, em que talvez se possa tambêm, como alguns fazem, encontrar a causa do coquetismo, da garridice das côres dos trajos da mulher.

As experiências sôbre a visão das cores nas crianças, são muito delicadas, por serem difíceis e muito sujeitas a erros. Para se fazerem, ou se lhes mostram côres e se lhes perguntam os nomes, determinando a percentagem dos erros cometidos, ou se nomeiam côres e se pede à criança que as vá indicando ou escolhendo numa colecção de objectos, iguais ou diferentes, diversamente coloridos, ou se lhes mostra uma côr e se pede para dentre muitas diferentes escolher uma igual, ou, e êste é o processo de escolha na criancinha de tenra idade, se observa a sua expressão fisionómica e a sua mímica, vendo se ella sorri ou chora, ou se assusta, ou se aproxima, ou se afasta ou, mais precisamente, medindo, contando como faz B , que considera como a melhor maneira de julgar

do valor dos estímulos sensoriais na criança, o estudo das reacções motrizes que êles provocam, e principalmente os movimentos da mão, contando, como eu dizia, o número de movimentos de aproximação ou atracção, e o dos de recúo ou repulsa, que as diferentes côres provocam, quando mostradas a distâncias diferentes.

Para terminar esta parte da minha lição, dar-lhes hei conta ainda de dois factos mais, que interessam muito ao estudo da visão das côres na criança.

L notou que as côres que a criança reconhece mais

fácilmente são aquelas cujos nomes melhor sabe, e notou mais ainda que os tons que não têm nomes especiais não são por elas reconhecidos.

Outro facto tambêm de que vale a pena tomar conhecimento e fixar é de que experiências de diversos levam a considerar como côres de maior predilecção na criança, o vermelho e o azul.

Assim como há diferenças individuais na sensibilidade à luz, que permitem discriminar diferentes graus de intensidade luminosa, assim como há diferenças individuais na sensibilidade visual que permitem discriminar, pela fórma, os objectos a distância, assim há diferenças individuais na sensibilidade visual que permitem discriminar as côres e perceber as variações de tonalidade de cada uma delas. E do mesmo modo que há cégos que sentem a luz mas não vêem os objectos, há cégos que vêem os objectos mas não lhes vêem as côres. Há de facto indivíduos, raros é verdade, que vêem os quadros mesmo os mais ricos em colorido, os mais variegados, como se fôssem pintados em cinzento, de vários tons.

Há tambêm indivíduos, e estes na percentagem aproximada de 3 a 4% no homem e 1 a 2% na mulher, que discriminando algumas côres como o azul e o amarelo, não distinguem o verde do vermelho e vice-versa.

Para alguns dêstes indivíduos, como dizia A , as cerejas nunca

estão maduras. E neles compreende-se que possa suceder, como diz M. elle Y , que não vejam os morangos, num morangueiro

carregado dêles, ou não descubram um lápis de lacre, em cima de um relvado. É a êste grupo de cegos cromáticos ou indivíduos daltónicos, que pertencia aquele de que F por exemplo fala no

seu Manual de Oftalmologia, que queria remendar um fato preto com um pedaço de pano encarnado, julgando que êste era preto!

A cegueira total para as côres ou acromatopsia total, a cegueira parcial para as côres ou acromatopsia parcial, a cegueira especial para o vermelho, ou aneritropsia, e outros defeitos cromáticos de menor vulto ou discromatopsias, denominam-se muitas vezes, em globo, daltonismo, termo que mais própriamente se deve empregar nos casos de aneritropsia, ou cegueira para o vermelho.

A palavra daltonismo deriva de D , nome do célebre físico

inglês, que vendo que confundia as côres das flôres, examinou o espectro solar e constatou que a parte do espectro que se chama vermelha, lhe parecia apenas quási uma sombra, quási um feixe sem luz (vid. sôbre êste assunto da visão das côres um livrinho excelente que muito vos recomendo: o livrinho de M. elle a Dr.

Y , Aide-mémoire de psychologie expérimentale et de pédologie, vol. 1, Les sensations, pág. 309).

Há indivíduos que confundem os nomes das côres e que no entanto não sofrem de discromatopsia, pois discriminam bem as côres e os seus tons; são apenas ignorantes. Assim, por exemplo, sucedia a um doente do Hospital de S. José, examinado pelo meu prezado amigo e distinto oftalmologista Dr. C S , hoje director daquele Hospital, que lhe falava de um «azulinho côr de alface», não obstante distinguir bem os tons azuis e verdes.

Em contraposição há daltónicos que com tôda a propriedade chamam vermelhas as cerejas e verdes as fôlhas, mas que não distinguem o vermelho do verde; empregam os qualificativos verde e vermelho, por os ouvirem empregar aos outros. Há mesmo mais: há daltónicos, que distinguem um objecto verde de outro igual, mas em vermelho, não própriamente porque a qualidade da côr os impressione, mas sim pela quantidade da côr, pelo seu pêso, pela quantidade de pigmento que contêem. Se êsses objectos fôssem um vermelho e outro verde, mas de tons da mesma quantidade, igualmente leves ou igualmente carregados, então não os distinguiriam, confundi-los-iam, achá-los-iam perfeitamente iguais.

Está-me lembrando neste momento um dos nossos mais notáveis oftalmologistas e até por sinal grande apreciador de quadros, que me confessou e por fórma bem sincera e brilhante, que sentia mais ou menos o vermelho, mas quási não via o verde; para êle o verde e o vermelho são tão distintos como o azul e o amarelo. E na mesma ocasião em que isto ouvia, um colega que assistia à conversa, informou-me de que um dos nossos melhores paisagistas não distingue fácilmente os tons de certos objectos que vê e está pintando. Sofre da dúvida das côres.

As discromatopsias ou defeitos da visão cromática, passam por vezes desapercebidas aos indivíduos que deles sofrem. Assim como há míopes inconscientes, de que o ano passado por exemplo falei na minha lição de abertura sôbre a agudeza visual e auditiva, sob o ponto de vista pedagógico, há daltónicos inconscientes. E um dos mais notáveis exemplos que dêles se pode apresentar é o que F menciona no seu Manual: um médico de uma companhia de caminhos de ferro, médico encarregado de examinar o sentido cromático dos candidatos a empregados da companhia, que o procurou para lhe pedir algumas instruções sôbre os métodos dêsse exame, e que F no decurso da conversa e em vista dos erros

que notou que êle cometia no exame das provas, verificou ser um daltónico, e nem mais nem menos do que cego para o vermelho!

A cegueira ou a simples diminuìção da agudeza cromática pode ser congénita ou adquirida. Há lesões oculares que a determinam e discromatopsias há que são atribuíveis a intoxicações, pelo álcool ou pelo tabaco.

V B atribui certas discromatopsias congénitas a uma acção resultante de hereditariedade por falta de treino do sentido cromático nos ascendentes.

Interpretando, como em regra se interpreta, a diferença séxual notável que existe entre a percentagem das discromatopsias no homem e na mulher, com vantagem para esta, ao maior uso que esta faz do seu sentido cromático, notávelmente aplicado em certos trabalhos como os trabalhos de bordadora e de modista, profissões muito espalhadas entre os indivíduos do sexo feminino, generaliza e diz que os visuais, cujos pais eram pintores, iluminadores, mosaístas, etc., nascem, graças ao treino realizado pelos seus ascendentes, com uma retina e centros visuais mais sensíveis às côres. É uma opinião, de resto discutível.

Tendo examinado todos os candidatos à matrícula no 1.º ano desta Escola Normal, pela fórma que adiante descreverei, àparte uma ou outra hesitação, discromatopsias própriamente ditas só em dois candidatos, senhoras, encontrei, verificando uma confusão notável de tons do amarelo, com que experimentámos, amarelo canário claro, e amarelo gema de ôvo.

A visão das côres tem sido particularmente estudada nos escolares anormais. Z cita casos de atardados de doze a quinze anos,

com suficientes conhecimentos escolares, podendo sustentar uma conversa sôbre assunto simples, mas incapazes de reconhecer as côres. L , cujo trabalho sôbre o atraso mental, em escolares é o mais bem documentado que conheço, e que observou 110 crianças da escola especial para atardados, de Antuérpia, que tive o prazer de com o maior proveito e na companhia do seu director o Sr. professor Y , tive o prazer, dizia, de visitar, por sinal um mês

antes de rebentar a guerra, L encontrou 23 crianças com graves defeitos da visão das côres, e 45 reagindo normalmente, correctamente, seriando de cinco a seis tons de oito côres diferentes. Pode haver, portanto, em face de tudo o que dissemos, crianças inteligentes com fraca visão das côres ou mesmo cegueira, e inferiores mentais com boa visão cromática.

Vale a pena citar tambêm, nesta altura, o facto mencionado por vários e verificado por M. lle D , de Genebra, de que as

côres mais vulgarmente confundidas pelos anormais são o azul e o violeta. M. lle D cita tambêm no seu Manual para a educação de anormais, como notável, o caso de um rapaz epiléptico, que desde os oito aos treze anos, apesar de tempos a tempos se lhe mostrar uma série de fichas ou tentos, de côr azul ferrete com uma ficha de côr violeta, de permeio, pedindo-se-lhe que indicasse aquela ficha que não era como as outras, êle não a encontrava, não obstante compreender bem a pergunta. Êste rapaz confundia tambêm o verde-malva com o azul claro.

Há na visão das côres um elemento que importa muito considerar: é a atenção. A falta de atenção explica muitas vezes erros da visão das côres, que à primeira vista se poderiam ter como sinais de daltonismo. Ao lado do daltonismo verdadeiro, há um falso daltonismo, uma cegueira de distracção, que não própriamente cegueira ou incapacidade de visão das côres.

Numa série de rapazes da Casa Pia, principalmente entre aqueles atardados, que com onze, doze e treze anos de idade, ainda freqùentam a primeira classe de instrução primária, tendo dois a três anos de casa, observei eu que alguns, quási todos, cometiam erros graves na visão das côres, mas erros que variavam com a natureza do test e com a hora do exame. O aluno 4.337 que de manhã, antes de começar as aulas, apenas confundia o verde claro com o azul claro, e alguns tons de verde, entre si, à tarde, logo em seguida à quarta hora da aula, confundia alguns tons verdes com tons vermelhos, como se se tivesse tornado daltónico de manhã para a tarde. Era a fadiga que lhe diminuia a atenção, e o levava a cometer erros dêstes. O aluno 305, êsse ainda mais claramente mostrava que os erros que cometia na visão das côres resultavam de falta de atenção, pois que quási não cometendo erros no exame discriminativo de vários tons do vermelho, verde, azul e amarelo, na mesma sessão cometeu erros tais que confundia roxo com vermelho, alaranjado com amarelo claro e azul com verde, simplesmente porque tinha de atender de cada vez a duas côres, que se mostravam ao mesmo tempo. Olhava só para uma, a que cobria uma maior extensão, e que êle distinguia perfeitamente, não se importando no entanto com a outra, para que aliás se lhe chamava tambêm a atenção. Bem diz M. lle D a

propósito da visão das côres nos anormais: «é preciso sempre entrar em linha de conta com o factor atenção, por causa da qual se torna difícil o pronunciarmo-nos sôbre as noções de côr nos anormais.»

Não basta para explicar as anomalias da visão das côres invocar por exemplo uma das duas teorias clássicas da visão cromática: a de Y - ou a de H . Não basta explicar, como se faz na primeira destas teorias, explicar, por exemplo, a cegueira para o vermelho, pela ausência, na estrutura da retina, de uns elementos que são mais particularmente sensíveis ao vermelho e nos dão esta sensação, e dizer que, faltando êles, a luz vermelha impressiona os elementos principalmente sensíveis à luz verde, e que nos dão a sensação do verde, fazendo assim com que o vermelho nos impressione como se fôsse apenas um tom daquela côr. Não basta explicar, como se faz na teoria de H , a cegueira

para o vermelho e para o verde, pela falta de uma substância foto-química, alterável pela acção da luz vermelha e da luz verde, e que conforme o sentido da alteração origina a sensação do verde ou do vermelho. Não. É necessário lembrarmo-nos que a atenção é elemento muito importante, a considerar tambêm na visão das côres, podendo só por si dar origem à confusão delas, sem que haja própriamente incapacidade orgânica para a visão.

Há uma concepção filosófica da visão, devida a T (vid.

Année psichologique, 1914, pág. 43), que permite compreender bem a influência que a atenção pode ter na visão. T compára

a sensibilidade visual à sensibilidade táctil e diz que se pode considerar os raios luminosos, que dimanam do exterior para a retina, como uma espécie de antenas invisíveis, presas ao fundo dos olhos e que com êles se movem, antenas com que nós examinamos os objectos. São o que êle chama os fotóforos. Se tivessemos um só fotóforo estariamos nas condições de um cego, que se guia com a ponteira da bengala; como, porêm, temos vários fotóforos, quando olhamos para os objectos, como que passeamos sôbre êles esta espécie de retina aparente, como que os apalpamos, examinando-os atentamente, tal como sucede quando julgamos do paladar de uma substância, saboreando-a com atenção. É uma concepção interessante, que me parece permitir muito bem fazer uma idea da influência que a atenção pode e deve ter na apreciação das qualidades dos corpos pela vista, e entre elas a côr.

O exame da visão das côres na escola pode permitir explicar insucessos que se dão no ensino por meio dos mapas e das estampas nas lições de cousas, e nos lavores, mas, àparte êste préstimo, tem tambêm o de por vezes servir para orientar o aluno na escolha da profissão. O professor deve sempre preocupar-se com o futuro do aluno. Ao daltónico são vedadas certas profissões, principalmente nas carreiras marítima e militar e na de maquinista, onde se é obrigado a guiar-se, como sucede nos caminhos de ferro e nas embarcações, interpretando sinais de côres diferentes. Esta questão tem tanta importância que num excelente manual inglês de higiene escolar se consagram, no capítulo que trata dos olhos e da vista, bastantes linhas à questão do exame da visão das côres nos que deixam a escola, por terem terminado o seu ensino (the leavers).

São muitos os processos adoptados no exame da visão das côres, e pode-se dizer que não são de mais, visto que muitas vezes é necessário sujeitar o indivíduo a vários exames, para descobrir-lhes os defeitos ou melhor para verificar o defeito. Aquele que pretende ingressar em carreira em que se liga grande importância à visão das côres, serve-se de vários meios ardilosos, tendentes a vencer a barreira que se lhe põe do exame rigoroso a que são sujeitos; chegam a estudar os tests, a habilitarem-se para o exame médico. Aprendem a ser observados, e a enganar. E compreende-se que possam chegar a fazê-lo, visto que, como já tive ocasião de dizer nesta lição, o daltónico pode distinguir as côres, sem as vêr, atendendo únicamente à quantidade e não à qualidade da côr, e pode apropriadamente aplicar-lhes os nomes. Na criança é preciso contar sobretudo com os erros que comete por ignorância e falta de atenção. Uns e outros podem levar a considerar como daltónico, quem o não seja. Não é bom o processo de perguntar os nomes das côres à criança, para julgar da sua visão. O melhor é mostrar, sem nomear, um tom de uma certa côr e mandar escolher entre muitas uma côr e tom igual.

Os processos mais comummente empregados são os das lãs de H , os dos quadros pseudo-isocromáticos, como os de

S , e os das luzes de lanterna, como o de E G , por exemplo.

Com as lãs, escolhe-se no meio de muitas meadas, de várias côres e tons, uma de certa côr e tom, e manda-se procurar uma meada que lhe seja perfeitamente igual. Pode-se tambêm escolher, por exemplo, meadas de três côres diferentes, mostrá-las, misturá-las depois com as outras, e mandá-las procurar, ou ainda mandar separar as meadas por côres, e seriá-las para cada côr, segundo os tons. Nos quadros pseudo-isocromáticos há letras ou outros sinais de côres diferentes sôbre fundos coloridos por tal fórma que um daltónico não os possa distinguir.

Com a lanterna mostra-se, a distâncias diferentes, luzes cuja côr e tom se faz variar por meio de vidros apropriados. Etc.

A agudeza da sensibilidade cromática mede-se por fórma semelhante àquela por que se mede a agudeza visual própriamente dita. Empregam-se, para isso, quadros especiais, com sinais de diferentes côres, e de determinado tamanho, e escolhidos por maneira a que se saiba de antemão as distâncias a que são ordináriamente vistos por normais. No exame da agudeza cromática vê-se a que distância são vistos pelo examinando e compára-se esta com aquela a que normalmente elas se vêem.

No exame dos escolares da classe especial de Antuérpia, a que no decurso desta lição já tive ocasião de me referir, L empregou uma colecção de meadas de lã, de oito côres diferentes e cinco a seis tons por cada côr. Examinou isoladamente cada um dos escolares (e esta precaução é importante porque evita os erros por imitação), e para examiná-los apresentava-lhes uma meada de lã verde-pálido, e sem lhes nomear a côr, mandava-lhes escolher, entre as meadas, todas as que fossem da mesma côr, tanto as de tom mais leve, como as de tom mais carregado. Esta prova era seguida de uma outra semelhante em que em vez de uma meada verde-pálido, se lhe dava uma côr de rosa, muito clara.

No exame sumário que pratiquei em alunos desta Escola, empreguei, em vez de meadas, carrinhos de retrós, de quatro côres: vermelho, verde, azul e amarelo, e para cada uma destas côres escolhi dois tons, um muito carregado e outro muito leve. De cada tom havia dois carrinhos, e os tons das diferentes côres foram escolhidos por fórma que a quantidade da côr fôsse a mesma para os tons correspondentes, carregados ou leves, de cada uma delas.

O test consistia em agrupar dois a dois os carrinhos do mesmo tom e côr. Não foi só a falta de material, mas tambêm o desejo de lhes indicar um processo muito simples e económico, que me levou a improvisar êste processo, em que as côres se sujam menos e se pode fácilmente renovar. Fora de uso, é preciso conservar as côres ao abrigo da luz.

Nas experiências que fiz na Casa Pia utilizei um dos jogos educativos lle do Dr. D e de M. M . Êste jôgo é formado por quatro cartões, como os cartões do lôto, cada um dêles tendo pintado sôbre papel, que lhe está colado, uma série de figuras todas do mesmo tamanho, representando bandeiras de côres e tons diferentes, cada uma delas de seu tom e côr. As bandeiras são quatro por cartão, tôdas da mesma côr, no mesmo cartão, e em cada um dêstes dispostas pela ordem de quantidade de côr, sendo a primeira a mais carregada e a última a mais leve. Num dos cartões as bandeiras são de côr azul, noutro de côr verde, noutro de côr vermelha e noutro de côr amarela. Alêm dêstes cartões há uma série de cartões pequenos, cada um com sua bandeira, de sua côr e tom, a que corresponde uma igual nos cartões grandes. Utilizei êste jôgo, dando a cada aluno, e de cada vez, um cartão grande, sôbre o qual deviam colocar os cartões pequenos correspondentes. Após o exame de cada cartão grande, misturavam-se os cartões pequenos, os cartões já aplicados e os que restava aplicar. É um verdadeiro lôto.

Numerando nas costas os cartões pequenos, pode exprimir-se o êrro, por confusão, indicando-o por meio de uma expressão semelhante a um quebrado, em cujo numerador se escreva abreviadamente a côr e indique o número do tom do cartão grande, e em cujo denominador se escreva abreviadamente tambêm a côr e se indique o número do tom do cartão pequeno, que erradamente sôbre o primeiro se colocou.

Alêm desta prova sujeitei tambêm os alunos da Casa Pia, que examinei, a uma outra, que consistia no aproveitamento de um outro lôto de côres da colecção do Dr. D lle e M. M . Nesse lôto há quatro cartões, em cada um dos quais figuram quatro homens jogando a bola. Cada um deles figura vestido de certa côr, e cada uma das bolas com que está jogando tem a sua côr tambêm, mas diferente daquela. Alêm dos quatro cartões grandes, há uma série de cartões pequenos com figuras correspondentes à do primeiro.

A criança tem que colocar um pequeno cartão no lugar do cartão grande, que lhe corresponder. Como se vê, tem de fazer simultâneamente a identificação de duas côres. É um verdadeiro test de atenção.

Estes lôtos ou lôtos semelhantes podem fabricar-se na própria escola, e constituem meios, muito interessantes para a criança, de lhe testificar a visão das côres e, como se verá mais para diante, de lhe educar a atenção e de a instruir.

Ao médico interessam principalmente as discromatopsias adquiridas, não só porque algumas são curáveis, visto serem de natureza tóxica, mas sobretudo porque são muitas vezes um sinal importante e precoce de graves lesões ópticas.

Ao educador, porêm, importam particularmente as discromatopsias resultantes da falta de atenção. Tive já ocasião de vos dizer que a instrução supre muitas vezes, até certo ponto, a cegueira das côres, o que faz com que o daltónico não só ignore a sua cegueira, mas até engane os outros, por distinguir objectos de côres diferentes e apropriadamente denominar diferentes côres que aliás não vê.

Mas é principalmente nos falsos daltónicos, naqueles que trocam os nomes às côres, por ignorância, e nos que as não distinguem por falta de atenção e exercício, que o educador tem muito a lucrar, ensinando a denominar apropriadamente as côres e sobretudo a discriminar-lhes as nuances. Os exercícios que se empregam na chamada educação dos sentidos e que mais própriamente a meu vêr se deve chamar a educação da atenção dos sentidos, porque o que se educa e aperfeiçoa principalmente não é o sentido em si, mas a maneira de o aplicar, êsses exercícios têm tambêm, áparte a sua acção sôbre a atenção, esta faculdade que é a base do que vulgarmente se chama inteligência escolar, a faculdade de aprender, êsses exercícios, repito, têm tambêm uma acção notável na educação do poder discriminativo, que é o que regula, e torna mais seguros e exactos, os juízos. Mas mais ainda. Como as côres têm um poder emocional, umas excitando e outras deprimindo, o que até em terapêutica se utiliza, elas podem servir para a educação do sentimento estético, preparando a criança para a emoção pelas obras da Arte e pelas da Natureza, o que tudo tem um grande valor moral. A criança é muito sensível a êste poder emocionante das côres e nele afinal está a razão da aplicação dos velhos estimulantes escolares: as condecorações e os cromos, e do útil aproveitamento no ensino das estampas coloridas. E a propósito vos chamarei a atenção para um livrinho muito interessante, intitulado: O nosso Portugal, trabalho do distinto professor da Casa Pia e meu dedicado amigo e colaborador, o Sr. professor F P P F , de mais a mais discípulo desta Escola, livrinho que tive o prazer de prefaciar, e que é, entre nós, assim o julgo, a primeira aplicação consciente dos princípios fundamentais da psicologia visual infantil.

No Método Montessóri, de que agora tanto se fala, e que, vai para um ano, a Câmara Municipal de Lisboa mandou dois dos seus mais distintos professores, um discípulo desta Escola, o Sr. professor R ma a A , da Casa Pia, e sua esposa a Ex. Sr. D.

P E C , antiga aluna da Escola de Ponta Delgada, mandou, dizia, estudar êsse método com a sua própria autora, que se encontrava em Barcelona, no Método Montessóri, a educação da visão das côres tem um lugar importantíssimo. Nêle se faz uma inteligente aplicação pedagógica do processo de diagnóstico de que vos falei, o processo das lãs de H . Dá- se uma amostra de lã ou de retrós, de uma certa côr e tom, e manda-se a criança procurar uma igual, entre muitas outras de diversas côres e tons; mostra-se-lhe duas ou três côres e manda-se depois a criança ir procurá-las, de cor, de memória; ensina-se a criança a nomear as côres e os tons; a própria professora mostra-lhas, nomeando-as, dizendo-lhes os nomes por fórma a atrair a sua atenção, usando de tom e maneiras que seduzam a criança, e por vezes finalmente se organiza com as crianças da escola um jôgo em que cada uma por sua vez é encarregada de ir fornecendo às outras as côres e os tons que estas lhe vão pedindo, e que depois cada uma tem de agrupar e seriar.

Êste Método Montessóri, de que tanto agora se fala e que vai avassalando os jardins de infância e as escolas primárias de todo o mundo, não é bem uma novidade pedagógica, nem, como alguns supõem, uma simples moda, uma fantasia. Nem novidade porque nele se encontra a aplicação e por vezes a reprodução, pura e simples, de métodos de outros, nem simples e inútil moda ou fantasia, porque assenta nas mais sólidas bases da psicologia da criança.

A Sr.a M teve o condão de com estranha eloqùência fazer

a propaganda do método de educação dos sentidos de F e

principalmente das variantes adoptadas pelos médicos e professores dos asilos de crianças anormais. Fez e faz uma inteligente propaganda da aplicação dos métodos adoptados na educação dos que sofrem de insuficiência mental de origem patológica, àqueles em que apenas existe a insuficiência fisio-psicológica, própria da sua idade, aqueles em que por assim dizer existe um atrazo normal. E a Sr.a M , médica e

antropologista como é, encontrou meios excelentes de fazer essa aplicação. É sobretudo o notável aproveitamento que faz do instinto dramático da criança, procurando educá-la pela emoção e por isso, ou deixando-a representar, e guiando-a na representação, ou tornando-a um espectador interessado, atento e entusiasta, que ouve bem o que propositadamente diante dêle se faz, e que depois reproduz por imitação.

Há porêm, na escola Montessóri, e principalmente na exposição dos métodos da Sr.a M , misticismo a mais e froebelianismo a

mais tambêm. E quando digo froebelianismo, quero referir-me ao êrro pedagógico do método froebeliano: à confusão da simplicidade lógica com a simplicidade pedagógica. Aos olhos da criança as formas que nós chamamos simples, as fórmas abstractas, não são as fórmas mais simples; no concreto e no complexo está muitas vezes o que parece mais simples à criança, porque a interessa mais.

Em português têm as senhoras e os senhores um livrinho interessante e bom para fazer uma idea do método Montessóri; é o livrinho da Sr.a D. L S , intitulado Método Montessóri; e se quizerem conhecer, alêm de uma apologia, uma severa censura e crítica à Sr.a M e ao chamado seu método, leiam um

artigo de G V no n.º 6 de Janeiro de 1911, da Rivista pedagogica, revista italiana.

Nos jogos educativos do Dr. D lle e de M. M , a educação do sentido cromático tem tambêm um lugar importante. Alêm dos lôtos de que falei a propósito do exame do sentido cromático em rapazes da Casa Pia, há outros lôtos, e um dominó curioso, que muito interessa os pequeninos (já o tenho experimentado em meus filhos), um jôgo de dominó constituido por uma série de pequenos cartões, aproximadamente do tamanho das pedras do dominó vulgar, cartões a cada um dos quais estão, num dos lados, colados, lado a lado, dois papéis, cada um de sua côr. Joga-se como se joga o dominó. O aspecto, que a série dos cartões toma no fim do jôgo, interessa muito as crianças. E já que de novo falei nos jogos educativos do Dr. D lle e de M. M , dir-vos hei que cada um de vós terá muito que lucrar, lendo o pequeno folheto que acompanha a colecção daqueles jogos que o Instituto Jean Jacques Rousseau, de Genebra, costuma vender, folheto intitulado Jeux educatifs, e onde todos encontrarão compendiadas excelentes sugestões, úteis não só para improvisar processos de educação dos sentidos e de instrução tambêm, mas até material de ensino, que, pode-se dizer, qualquer pode fabricar. Inspirados naqueles jogos se pode dizer que são os processos e o material que se empregam na classe de anormais que no Instituto médico-pedagógico da Casa Pia de Lisboa, à Travessa das Terras de Santa Ana (a Santa Isabel), funciona sob a direcção do professor F a P P F e de sua esposa a Sr. D.

L C L S C , distinta professora oficial, antiga aluna tambêm da Escola Normal de Lisboa, que com o Sr. professor C F , da classe de ortofonia, e o Sr. J A , da classe de dizer, comigo ali trabalham.

M S S

M A

 

Agora mais do que nunca é preciso organizar os serviços de instrução por fórma que na educação se vise o aproveitamento de todos, a valorização de cada um, ao máximo, aumentando o mais possível o rendimento de suas faculdades. A guerra pede-nos os mais fortes e os melhores. Na paz só nos poderemos salvar, compensando o sacrifício que fizemos, valorizando ao máximo os que restarem, os que escaparem, e os novos. Temos infelizmente não só que suprir as faltas de todos os dias, as faltas triviais, mas alêm destas as formidáveis perdas que por certo resultarão dêste monstruoso acidente da vida do mundo: a actual guerra. Por isso há que tratar cada um dêstes homens embrionários, dêstes cidadãos in herbis, que nos confiam, há que tratá-los por fórma a bem medirmos o valor das suas faculdades e préstimos incipientes, e por meio da sciência, e com tôda a arte, aproveitar-lhas e desenvolvê-las e encaminhá-las o melhor possível. Não. Não podemos nem devemos como até aqui limitar-nos a aprender métodos de ensino, quási na ignorância e desprendimento do conhecimento da natureza e características da criança.

¿Que se diria de um alfaiate que nos quizesse fazer um fato, sem medida? ¿E sobretudo que se diria ao ver que o fato que nos destinava não nos servia, não se ajustava ao nosso corpo e ou nos tolhia os movimentos ou nos cobria de ridículo? ¿E com mais razão, que se diria do educador, que no desconhecimento da natureza da criança, a educasse, deformando-lhe a mente, prejudicando-lhe o carácter, e obstinando-se em adoptar processos os menos conformes com o seu temperamento, os menos convenientes para um inteligente aproveitamento da sua personalidade, e os menos conducentes à sua felicidade e afinal à nossa própria, porque são as crianças de hoje quem amanhã nos há-de governar e julgar? Vós respondereis.

Para vos ensinar a conhecer a criança e para vos ensinar a pelo seu conhecimento melhor aplicar e escolher os métodos que os vossos professores de pedagogia e de prática vos ensinam, para isso aqui estou.