Armadilha da Identidade: Raça e Classe nos Dias de Hoje
Capítulo 4 - Era de Ouro
CAPÍTULO 4
PASSING
4
PASSING
036
No verão de 2015, a definição de raça se tornou um escândalo
nacional com o caso de Rachel Dolezal. Professora em estudos afro-
americanos na Universidade de Eastern Washington e presidente da
NAACP de Spokane, foi descoberto que Dolezal era uma mulher
branca de Montana se passando por negra. “Me identifico como
negra”, disse ela no Today Show, invocando assim seu direito
soberano como indivíduo, a partir da concepção de identidade.
Embora essa revelação tenha provocado perplexidade e indignação,
o escândalo em torno dela revelou a dificuldade de elaborar uma
crítica coerente e consistente da sua afirmação de identidade.
Foi quando a emergente indústria de denúncias das mídias sociais
se voltou contra Dolezal que peguei A Marca Humana (The Human
Stain) de Philip Roth. Livro que narrava já no final da era Clinton um
cenário invertido. No fictício Athena College, o professor de estudos
clássicos Coleman Silk nota que dois estudantes da lista faltaram
todo o semestre, e então pergunta: “Eles são reais ou são
spooks037?” Essa palavra, spooks, estabelece imediatamente um problema de interpretação: a presença fantasmagórica de alunos
ausentes ou uma ofensa racial de um professor insensível?
À medida que o romance avança, descobrimos que Silk é na
verdade um homem negro de pele clara que passou a vida toda se
passando por branco – um “ato singular de criação”, como Roth
coloca 1 , o qual Dolezal mais tarde repetiu só que na direção oposta.
Nos Estados Unidos da década de 1990 não é a identidade negra
escondida de Silk que destrói sua vida e sua reputação, mas a
acusação ontológica irrefutável de racismo antinegro. O romance
traça a passagem histórica que vai dos custos pessoais da segregação
às contradições do multiculturalismo liberal, que aparecem na
transformação de Silk e na narrativa da sua ruína acadêmica.
Como Michael Kimmage argutamente demonstra, na Trilogia
Americana 038 Roth revela os alicerces históricos da identidade à
medida que memórias pessoais da história dos Estados Unidos são
recontadas e renarradas por seu alter ego, o escritor Nathan
Zuckerman 2. A trilogia mostra que há algo além da nossa
experiência individual nas nossas formas de identidade: elas são
representações imaginárias das nossas situações reais, das
transformações estruturais e das práticas políticas que respondem a
elas. A ficção nos fornece uma janela única para essa nebulosa
relação. Na “experiência vivida” de seus personagens, vemos como
os indivíduos percebem mudanças históricas abrangentes,
diferentes de suas esperanças, anseios e desejos.
O arco da Trilogia Americana segue a ascensão e declínio do
crescimento econômico do pós-guerra e a ideologia americana de
sucesso pelo próprio esforço. Ideologia essa que serve como base da
aspiração à “etnia” branca, de modo a se integrar nos meios sociais
dominantes. Em Casei com um Comunista (I Married a Communist), Roth traça os esforços de comunistas e sindicalistas judeus para
introduzir o ideal de igualdade social no sonho americano – uma
versão pessoal do pensamento da Frente Popular de que “O
Comunismo 039 é o Americanismo do Século XX”. Roth ressalta que
o resultado direto desses esforços foi os comunistas terem
desempenhado um papel central na luta pelos direitos civis dos
negros. Mas a busca da igualdade americana, a qual Roth admira, é
fragilizada na sua narrativa pela obstinada fidelidade a um programa
político, o que o incomoda, para ser por fim totalmente destruída
pelo macarthismo.
E então os anos 1960. O livro Pastoral Americana (American
Pastoral) já tinha traçado a vida de um judeu assimilado, “Swede”
Levov , que alcançou o sonho americano de sucesso pessoal. Na
sequência assiste à economia fordista, que possibilitou esse sonho,
ser despedaçada pelos conflitos urbanos, pelas reverberações da
segregação e do racismo, pelos custos sociais da guerra imperialista
prolongada e pelo grande declínio do emprego industrial. Na
ausência de uma ligação a um anseio nacional ou popular ao qual o
Partido Comunista aspirou um dia, o engajamento desesperado da
fi lha de Swede Levov numa política de transformação social acaba
no voluntarismo dogmático e na violência, no estilo de terrorismo do
Weather Underground.
Os Estados Unidos que emerge dessa história reflete o clima
absurdo e despolitizado de A Marca Humana. Com a possibilidade
de integrar a igualdade social à cultura americana destruída pela
repressão política e pelo declínio industrial, a política é reduzida a
uma angustiante performance de autenticidade.
O policiamento da identidade pessoal agora une o macarthismo e
as sobras da New Left, lembrando, numa reviravolta histórica bizarra, a “guerra de araque” contra a supremacia branca que Harry
Haywood identificou no afastamento do Partido Comunista das
lutas de massa. Se o “pessoal é político”, é no sentido de que somos
deixados sem prática política fora da criação das nossas próprias
identidades pessoais e da vigilância das identidades dos outros.
A ambivalência de Roth – sua observação atenta da realidade
histórica da segregação e das amplas consequências sociais da
história econômica do pós-guerra nos Estados Unidos, combinada
com um desespero cínico pela despolitização que se seguiu – o levou
a um aguçado diagnóstico da experiência do presente. No entanto,
esse diagnóstico não é capaz de substituir o tipo de análise histórica
e de resposta política que o presente requer. Esse dilema foi
ilustrado incrivelmente em 1964, numa discussão entre Roth e o
poeta e militante negro Amiri Baraka, então ainda conhecido como
LeRoi Jones.
A discussão começou com a resenha negativa de Roth da peça de
Jones The Dutchman, junto com Blues for Mister de James Baldwin,
na New York Review of Books. The Dutchman apresentava uma
alegoria teatral dos problemas do integracionismo liberal e da
traição sedutora do mundo dos brancos. A resenha negativa de Roth
mostra que ele não compreendeu de verdade a crítica política da
peça. No entanto, o tema que se tornou o verdadeiro ponto de
discórdia traz uma luz importante. Trata-se da especulação de Roth
de que Baraka/ Jones escreveu The Dutchman para um público
branco, “não para que eles sentissem pena ou medo, mas para se
sentirem humilhados e com ódio de si mesmos”. Jones retrucou
numa carta agressiva: “O que de mais podre que sai da cabeça de
‘acadêmicos’ liberais como você é a consideração de que sua própria visão distorcida do mundo é de algum modo mais profunda do que a
de 3 brancos racistas ”.
Como os personagens nos romances de Roth, as biografias dessas
duas figuras e suas representações fictícias de suas experiências
revelam processos maiores de mudança social. A revelação é ainda
mais dramática uma vez que suas vidas e trabalhos giraram em torno
da mesma cidade: Newark, Nova Jersey, um microcosmo da história
urbana e industrial dos Estados Unidos e das mutações de
identidade.
Roth, nascido em Newark apenas um ano antes de Baraka, teve
uma experiência da cidade que divergiu daquela de Baraka ao longo
de linhas previsíveis. Larry Schwartz aponta que a juventude de
Roth no bairro judeu de Weequahic foi parte do breve período de
trégua do longo e precoce declínio industrial da cidade – que
retornou com força nos anos 1950, juntamente com a imigração de
negros e a revoada de brancos. A nostalgia de Roth por esse período
leva a uma estranha romantização ingênua do mundo, obscurecendo
as desigualdades raciais e de classe da cidade. Como Schwartz
coloca: “Quando imagina a política racial de Newark, Roth, o realista
contundente, pensativo e irônico, se torna um ‘utópico’ conservador
– submerso nas combinações de sua consciência liberal e de direitos
civis 4 e seu sentimentalismo por Weequahic ”.
Porém, a briga de Roth com sua própria identidade judia de Nova
Jersey o sujeitaria ao policiamento religioso e cultural daquela
comunidade. Em um evento promovido pela Universidade
Yeshiva040 em 1962 sobre “a crise de consciência em escritores de
fi cção de minorias”, no qual ele participou junto com o também
escritor Ralph Ellison, Roth foi vaiado por parte da plateia, quase
agredido fisicamente e acusado de ser um “judeu com ódio de si mesmo”. O motivo da fúria de parte da comunidade judaica local era
uma das histórias do livro Goodbye, Columbus (1959). Mais tarde
Roth escreveria no prefácio da edição de trigésimo aniversário desse
livro sobre “a ambiguidade que estimularia sua imaginação”: “o
desejo de repudiar e o desejo de abraçar, um senso de lealdade e a
necessidade de se rebelar, o sonho sedutor de escapar para o
desafiador desconhecido e o contra-sonho de segurar firme o que é
familiar 5 ”.
No caso de Roth, uma inclinação para o tipo de crítica social que
brota do estranhamento não o levou a um caminho politizante. Mas
o levou a uma aguçada sensibilidade com as ideologias identitárias,
rompendo sua individualidade nostálgica. O que a sua resenha de
The Dutchman captou com precisão, apesar de sua evasão política,
foi a relação peculiar do autor com seu público – a branquidade do
seu público, fonte do conflito interno de LeRoi Jones. The Dutchman
era parte de uma insurreição estética de Jones contra o seu próprio
ambiente branco do Village e, de fato, contra sua própria
internalização de seus padrões de identidade.
Porém, Roth não compreendeu que The Dutchman, encenado a
primeira vez apenas alguns meses antes da aprovação do Civil Rights
Act em 1964, era em si uma análise significativa da relação entre
identidade e política naquele momento histórico. O protagonista
Clay, um intelectual de classe média quase assimilado, é forçado a
aceitar sua identidade negra e supera suas aspirações à branquidade
com uma intensa revolta. No entanto, como Baraka sugere, uma vez
que essa revolta é individual, ela não pode ser bem-sucedida: Clay
acaba assassinado.
A própria vida de Baraka representou uma passagem da revolta
individual à organização coletiva, indo da política do nacionalismo negro baseada na identidade ao universalismo marxista. Ele foi
rebatizado Ameer Barakat pelo imã muçulmano Haji Heshaam
Jaaber (o mesmo que conduziu o funeral de Malcolm X), e o novo
nome foi depois “swahilizado” por Ron Karenga e passou a ser Amiri
Baraka, mas desde o início, desde quando ainda era Everett LeRoy
Jones, esteve atolado em uma crise de identidade.
Sua autobiografia relembra uma infância marcada por uma
espécie de gradação de negro, pardo, amarelo e branco: “Essas são
algumas cores básicas da minha vida, na minha vida. Uma espécie de
análise de classe pessoal, embora bastante objetiva, que corresponde
(confira) à verdadeira merda que rola nas ruas, nessas casas e em
algumas cabeças”. A existência “parda” da família de Jones em
Newark 041 não foi bem a incorporação “ amarela ” na vida
profissional de brancos classe média, nem foi a vida negra dos
“ 6 condenados , dos deixados para trás , dos deixados de fora ”. Com
pais que trabalhavam em escritórios e dias passados com alunos e
professores brancos na escola, ele viveu as diferenças de classe na
comunidade negra em termos ambíguos e codificados por cores.
Foi a educação de Jones, sua formação como intelectual, que o
levaria à ponta mais clara da gradação de cores. Deixando a branca e
alienante Universidade de Rutgers, ele passou pelo mundo pardo e
amarelo da Universidade Howard, onde conheceu a futura
“ burguesia negra” em meio a sua vida social e nos cursos de E.
Franklin 042 Frazier. Depois de largar a universidade e começar um
período frustrante na Força Aérea, passou a ler intensamente e
desenvolveu interesse em se tornar escritor. Mas foi difícil para
Jones se reconhecer nesse papel. Como contou: “Minha leitura era,
em geral, de brancos... De modo que minha ascensão a uma postura
intelectual idealizada era ao mesmo tempo uma jornada em direção a um embranquecimento que eu não podia entender”. “Palavras de
brancos” os prenderam a um “emaranhado de não-eu”: “Uma
criação de não-eu em que você se torna diferente de você como você.
Em que os arreios da vida do negro são afrouxados e você flui
livremente, pensa, pela grande e ensolarada viagem intelectual.
Absorvendo 7 , devorando , se enchendo com re fl ex õ es do outro ”.
Quando Jones finalmente acabou em Greenwich Village, o
embranquecimento atingiu seu ápice. Numa introdução a sua
coletânea de ensaios de 1965, Home, ele escreveu: “Tendo aprendido
que arte era ‘o que homens brancos fazem’, quase me tornei um para
ter 8 uma chance ”. Qualquer sucesso pessoal para Jones, como
intelectual, significava portanto uma espécie de passing. Suas
primeiras e célebres poesias estão impregnadas da experiência de
um ser dividido, preso entre sua vivência do racismo e seu círculo
social inteiramente branco:
Estou dentro de alguém
que me odeia. Olho
pelos 9 olhos dele
Mas quaisquer ambições à branquidade não se ajustavam a sua
emergente consciência política. Sua viagem em 1960 para a Cuba
pós-revolucionária, sua prisão num protesto na ONU contra o
assassinato 043 de Patrice Lumumba, e a explosão de fúria diante do
assassinato de Malcolm X: tudo foi deixando Jones cada vez mais
insatisfeito com uma arte apolítica.
À medida que a luta política dos negros crescia em intensidade,
Jones não podia mais manter seu ser dividido. Passou a abraçar o
separatismo negro e atacou os brancos através de sua prática política e de sua poesia. Num caso particularmente famoso, num evento no
Village após as revoltas do Harlem de 1964, quando uma mulher
branca empolgada lhe perguntou se havia alguma maneira dos
brancos ajudarem, Jones respondeu: “ Você pode ajudar morrendo.
Você é um câncer”. Quando outro membro do público lembrou que
dois brancos, ativistas pelos direitos civis, haviam sido assassinados
recentemente pela Ku Klux Klan no Mississipi, Jones fez pouco
deles: “Esses rapazes brancos só queriam aliviar suas próprias
consciências 10 vazias ”.
Baraka mais tarde reconheceria em sua autobiografia que esses
comentários foram hipócritas, uma vez que esses ativistas “estavam
lá fora, nas linhas de frente, fazendo mais do que eu fazia!”
Incomodado mesmo assim com sua hesitação política, Jones se
afastou da boemia branca, se mudando para o Harlem em busca de
uma estética negra e da revolução dos negros. Essa busca levaria no
fi 044 m a um retorno à terra nativa – a New Ark, como sua cidade
natal seria chamada pelo movimento nacionalista de lá, ao qual ele
aderiu. Refletindo uma crescente raiva contra a cultura branca
hipster de Nova Iorque, na qual ele esteve imerso, a introdução de
Home prefigura essa mudança de volta a Newark: “Quando esse livro
aparecer 11 , estarei ainda mais negro ”.
A “negritude” que ele começou a perseguir no meio dos anos 1960
não era em si uma categoria puramente política; era apenas uma
negação da branquidade de LeRoi Jones. Mas também representou
sua virada a uma prática política específica: a auto-organização
nacionalista. O espancamento, detenção e encarceramento de
Baraka durante a revolta de Newark em 1967 (que começou depois
que um motorista de taxi negro foi espancado pela polícia) o
transformou num símbolo da militância negra. Também fez com que ele se voltasse radicalmente para o nacionalismo cultural. Em
Pastoral Americana, o fabricante de luvas aposentado Lou Levov
tenta convencer seu filho a sair de Newark com sua fábrica,
reclamando: "Uma atividade comercial inteira está indo pelo ralo
por causa daquele filho da puta do LeRoi Jones, aquele Peek-A-Boo-
Boopy-Do, seja lá como chame a si mesmo debaixo daquele maldito
chapéu 12 ".
As revoltas urbanas em Newark e em outras cidades foram um
marco de mudança política em escala nacional. Elas ressaltaram a
continuidade da opressão dos negros após as vitórias legislativas do
movimento pelos direitos civis, assim como sua exclusão da
afluência econômica do pós-guerra. Foram uma indicação explosiva
de que essas realidades não seriam aceitas pacificamente.
Nesse contexto, o chamado nacionalista para a auto-organização
racial parecia ser uma alternativa viável às decepções da integração.
Komozi Woodard propõe Baraka como um segundo modelo de
desenvolvimento da consciência negra – o primeiro sendo o caso
exemplar de Malcolm X no seu “caminho das bases para a
autotransformação 13 e reconstrução ética ”. O de Baraka foi o
caminho de um intelectual que se atraiu pelo movimento de massa.
Sua participação inicial na cultura beat do Greenwich Village refletia
uma “rejeição romântica” da sociedade, a qual abriu o caminho para
uma fase de nacionalismo cultural. Essa rejeição convergiu
politicamente com o desenvolvimento coletivo e de base da
consciência negra, a qual Malcolm X forneceu uma voz poderosa. O
brilhante estudo político a respeito de Baraka feito por Woodard, A
Nation within a Nation, mostra que essa convergência era um
fenômeno de prática organizativa e não simplesmente uma questão
de consciência. “A formação da nacionalidade negra” era constituída pelos processos de desenvolvimento econômico e político que
construíram instituições paralelas, respondendo com formas
autônomas de auto-organização à exclusão dos negros das principais
instituições da sociedade americana. Esse processo se estende até a
Black 045 Arts, que não era apenas um movimento estético, mas
também uma estrutura paralela abrangendo instituições como
teatros, escolas e centros de arte comunitários – acima de tudo o
Harlem Black Arts Repertory Theater/School (BARTS). Baraka
expandiu essas práticas a Newark com o centro artístico e
comunitário Spirit House e por fim com as iniciativas de
infraestrutura 046 do Congress of African People ( CAP ), que se
estenderam a cooperativas de habitação e consumo.
No seu clássico Black Awakening in Capitalist America, Robert
Allen nota que “a integração racial oferece aos negros de classe
média a agradável perspectiva de perder sua negritude. Mas quando
a sociedade branca, seja por qual razão, parece fechar a porta da
integração, a burguesia negra responde adotando uma postura
nacionalista 14 ”. Essa mudança por parte da classe média negra
convergiu com as tendências espontâneas de solidariedade coletiva e
hostilidade à sociedade branca expressadas pelos trabalhadores e
desempregados negros que participaram nas revoltas. Adotando o
nacionalismo, a classe média negra poderia legitimar não somente
sua liderança sobre esses estratos econômicos mais baixos, mas
também programas econômicos de crescimento que deixariam esses
estratos pra trás.
Baraka ficou profundamente impressionado quando visitou Ron
Karenga, da organização US, durante uma passagem pela Califórnia
em 1967. A disciplina da organização de Karenga superou
amplamente seus próprios esforços de construir instituições no Harlem e em Newark. A ideologia “Kawaida” da US era baseada num
“sistema de valores negros”, supostamente retirados da tradição
africana. Era uma performance artificial, essencialmente uma
tentativa de se passar por africano. Baraka mais tarde criticaria isso
dizendo que era “a universidade da falsa negritude”: um amálgama
incoerente de contracultura hippie e tradições conservadoras
semifeudais, ambas enormemente distantes das vidas reais dos afro-
americanos15:
Papo merda de metafísica abstrata é chato
contrarrevolucionário, egoísta, irresponsável pseudo
imitadores, acusadores de comunismo, poetas eternamente em residência
Cafetões de estudos negros em interessantes jaquetas de tweed
Fraudes em pele de leopardo, picaretas de turbante enganando
com a cor da pele, capitalistas de cor, exploradores negros,
pilantras 16 -047 afro-americanos de Embaixada
Porém, o sistema de valores negro era um resultado ideológico de
práticas materiais que condiziam com a situação política. O
Congress of African People, a organização nacionalista que Baraka
se empenhou em construir após a revolta, ligou a ideologia do
nacionalismo cultural ao projeto pragmático e político mais
abrangente de construir instituições paralelas. Os esforços do CAP
nesse sentido iam de projetos de escolas a projetos de habitação,
centrados em campanhas eleitorais que colocariam negros em
cargos de poder político local.
A ideologia do nacionalismo cultural foi um reflexo desse
desenvolvimento de prática organizativa. Porém, a formação da
nacionalidade negra acabou sendo um projeto profundamente
contraditório. As revoltas urbanas já haviam convencido os gestores públicos da necessidade de evitar futuros conflitos através de
intervenções econômicas, consolidando a emancipação legal dos
negros conquistada pelo movimento pelos direitos civis. Disso
emergiu uma relação difícil entre a auto-organização dos negros e a
estrutura de poder branca. Na verdade, o próprio BARTS foi fundado
pela iniciativa antipobreza e antirrevolta chamada Harlem Youth
Opportunities Unlimited, que teve substancial apoio da
administração de Lyndon Johnson.
Além disso, as verdadeiras bases populares das organizações
nacionalistas atraíram políticos tradicionais, incluindo tecnocratas
como Kenneth Gibson. O percurso político inicial de Baraka como
nacionalista foi devotado à bem-sucedida campanha de eleição de
Gibson 048 , primeiro prefeito negro de Newark. Essas alianças
políticas se encaixavam no projeto de construir uma frente única
negra, que era a orientação estratégica central do CAP – uma frente
ú nica que juntaria a base popular com as elites políticas negras e a
burguesia negra.
No entanto, o resultado quase paradoxal das vitórias políticas do
nacionalismo foi a incorporação das suas instituições paralelas na
institucionalidade hegemônica, dando um ar multicolorido a ela.
Trata-se de uma parte central da nossa memória cultural dos anos
1970: “Conseguimos Newark, conseguimos Gary, alguém me disse
que conseguimos Los Angeles e estamos trabalhando por Atlanta”,
diz George Clinton na música do Parliament “Chocolate City”, de
1975. Essa lista de cidades que tiveram prefeitos negros eleitos
começa, não coincidentemente, com a Newark de Baraka, onde ele
teve um papel central na vitória eleitoral de Kenneth Gibson em
1970, e Gary , Indiana, onde sua organização dirigiu a Convenção
Nacional de Política Negra.
“Eles ainda a chamam de Casa Branca, mas isso é temporário”,
George Clinton continua a dizer. Ouvi “Chocolate City” na minha
cabeça no dia que Obama foi eleito; foi o auge do caminho das
margens para o centro que começou nos anos 1970 e marcou muito
decisivamente o fim do período em que a ambiguidade da política
nacionalista podia ainda se abrir a um antagonismo contra a
estrutura de poder. Os anos 1970 trouxeram um embaralhamento
dos termos em que se dava a política negra: as instituições paralelas
que o nacionalismo havia construído com a mobilização popular de
base estavam agora sendo incorporadas ao próprio Estado. Processo
facilitado pela direção política negra que usava o nacionalismo em
seu proveito .
Em suma: o nacionalismo apareceu numa época como uma
ideologia potencialmente revolucionária. A construção de novas
instituições paralelas mobilizou um antagonismo geral contra a
estrutura social baseada na exclusão sistemática dos negros. A
possibilidade de superar a marginalização da classe trabalhadora
negra forneceu uma base objetiva, embora tênue, para a unidade
entre a direção intelectual e a base popular. Mas a incorporação das
instituições paralelas na institucionalidade hegemônica, assinalada
pelo sucesso eleitoral da elite negra, demonstrou a capacidade do
Estado capitalista de absorver a contestação nacionalista. As
persistentes ideologias de unidade racial que sobraram do
movimento Black Power racionalizaram o controle da base pela elite
negra, a qual se esforçou para obscurecer as diferenças de classe que
garantia sua própria entrada na institucionalidade hegemônica. A
classe política negra ascendeu no contexto de crise econômica,
desindustrialização e crescimento do desemprego dos anos 1970.
Uma política concebida unicamente em termos de unidade racial impossibilitava qualquer contestação estrutural ao imperativo
capitalista e sua transferência dos custos da crise econômica ao
trabalhador . Os políticos negros facilitaram a ofensiva dos patrões,
voltando-se contra os elementos da classe trabalhadora que eram
parte da sua base de apoio.
Baraka viveu isso diretamente no mandato de Gibson em Newark.
Chegando à conclusão de que Gibson era pouco mais do que um
neocolonialista, Baraka se abriu ao marxismo e começou a
reorientar o CAP nesse sentido. No seu poema “History on Wheels”,
Baraka capta as novas consequências da incorporação das elites
políticas negras:
... A forma que os negros ricos se mostraram
após marcharmos e construirmos sua base material,
agora a negada é largada no meio
da estrada panafrikana, balbuciando sobre
o eterno racismo e a divina supremacia branca
uma opressão de cem mil dólares por ano
e agora a intelectualização, o militante
fonte da nova classe, sua valorização histórica.
Entre eles, john johnson e elijah,
david 17 -049 rockefeller descansa sua cabeça sorridente .
Alguns anos depois Baraka refletiria sobre essa experiência no
artigo do New York Times chamado “A Radical View of Newark”:
" Naquele tempo eu era um nacionalista negro, um nacionalista
cultural, que não compreendia a realidade da luta de classes. Eu
achava, e dizia a milhares de pessoas, que a luta dos negros era
contra os brancos, ponto”. O erro, reconhecido agora por Baraka, foi
ter achado que colocando um homem negro no lugar de um político
branco 18 “ estaríamos de fato no caminho da libertação ”.
“É um nacionalismo estreito esse que afirma que o homem branco
é o inimigo”, Baraka disse ao New York Times em 1974. “Fomos
culpados 19 disso , mas não se trata de ciência ”. Sua militância
política então se voltou para organizar greves de motoristas de taxi
em vez de construir uma cultura separatista. A experiência
nacionalista mostrara a Baraka que não havia relação direta entre
identidade e política. A certa altura a equação pareceu fazer sentido;
o nacionalismo negro apresentou um programa político para uma
população estruturalmente marginalizada com base na sua
identidade. Baseada em práticas materiais de construção de
instituições, a ideologia nacionalista exaltou e afirmou essa
identidade marginalizada. Mas foi exatamente a integração racial da
elite americana, a diversidade no establishment, que tornou essa
equação definitivamente impossível.
O que poderia ser mais conveniente para um político negro
recém-eleito, doido para angariar as graças dos donos do poder
econômico, do que reduzir a política à identidade? As políticas
neoliberais poderiam assim ser implementadas com um carimbo de
aprovação nacionalista, qualquer crítica facilmente silenciada como
capitulação ao racismo branco. Baraka apontou que essa dinâmica
enfraqueceu enormemente a resistência durante a gestão de Gibson
em Newark:
uma cidade em que um muçulmano negro é chefe do Conselho de Educação
e colabora com os capitalistas na redução do orçamento para pessoas de
todas as nacionalidades, tentando demitir 20% dos professores da cidade,
tirando arte, serviços de bibliotecas, música e economia doméstica do
currículo e condenando os trabalhadores das cantinas, vigias e
trabalhadores da manutenção, que estão em greve agora, a salários de três e
quatro 20 mil dólares por ano.
Nessa altura o Congresso do Povo Africano ressurgiu como
Revolutionary Communist League (Liga Comunista
Revolucionária), que acabaria por se fundir com a League of
Revolutionary Struggle (Liga da Luta Revolucionária), ela própria
resultado da fusão entre o grupo comunista de Chinatown I Wor
Kuen e o Movimento Chicano 29 de Agosto. Esse movimento
comunista era inter-racial, um movimento que praticava a
solidariedade como princípio ativo. Após essa série de conversões, o
marxismo de Baraka nunca vacilou. Mas ele se situava numa
conjuntura em perpétua mudança. Movimentos anticapitalistas nos
anos 1970 tiveram que responder a um ataque em duas frentes: os
duros ataques dos capitalistas aos trabalhadores, buscando eliminar
todos os obstáculos à acumulação; e a remoção de qualquer espaço
de manobra para reformas social-democratas. Esse último consistia
não apenas nos comprometimentos com os empresários por parte
dos políticos liberais, mas também a consolidação da burocracia nas
organizações dos trabalhadores, através de um “sindicalismo
amarelo”, o sindicato gerido como negócio.
Lideranças dos movimentos pelos direitos civis, contra a guerra e
feminista desempenharam um papel central na militância dos
trabalhadores que respondeu a esse ataque. As forças do New
Communist Movement (Novo Movimento Comunista) se
organizaram nos locais de trabalho e, algumas, incluindo a League of
Revolutionary Struggle de Baraka, tiveram membros implantados
nas fábricas para formar grupos militantes em sindicatos como o
United 21 Auto Workers. Mas a absoluta força da crise e da
reestruturação, e a mudança drástica para a direita na política
americana, prevaleceram plenamente sobre a esquerda fragmentada. Ainda não superamos as consequências. Como Max
Elbaum mostrou no seu indispensável livro Revolution in the Air, um
determinado catastrofismo dogmático impediu os comunistas de
formularem 22 uma estratégia adequada ao período. Quando se
mostrou falsa a suposição dos comunistas de que uma crise
revolucionária era iminente, nenhuma outra estratégia apareceu
com clareza.
Com a onda nacionalista minguada, junto com suas formas de
organização e estratégias, os militantes se depararam com uma
questão aberta que havia atormentado o New Communist
Movement desde o início: como uma organização revolucionária
poderia ser construída no clima ameaçador da política americana? O
marxismo fornecia uma descrição clara, uma análise de classe desse
processo, de suas contradições e das tarefas políticas que estavam à
frente. Mas no contexto da reestruturação capitalista e da
decomposição da classe trabalhadora e de suas instituições políticas,
o movimento não encontrou referência em uma alternativa
organizacional.
Essa crise política do New Communist Movement seria
alimentada também pelos seminacionalistas remanescentes. Os
pontos cegos da unidade racial continuaram após a virada marxista
do Black Power. Mesmo num nacionalismo revolucionário, o
pressuposto de uma “comunidade” negra unificada com “interesses”
unificados continua. Apesar das duras lições dos anos 1970, essa
abordagem deixou Baraka e muitos outros radicais negros
suscetíveis a subordinar suas políticas ao programa mínimo de
políticos negros nos Estados Unidos de Reagan. No contexto desse
ataque da direita, se aferrar à frente única negra pode ter de fato
parecido a melhor maneira de defender as conquistas dos movimentos dos anos 1960 e 1970. Na verdade, isso significou
capitular às tendências neutralizantes que surgiram para contê-los.
Sem uma alternativa programática, muitos veteranos do
movimento investiram suas esperanças na Rainbow Coalition
( 050 Coalizão Arco-Íris ) de Jesse Jackson. Baraka conhecia Jackson
desde os velhos tempos – Jackson aparecia em vários eventos do
Black Power, liderando os gritos de resposta de “Que horas são?” “É
hora da nação!”. Apesar de bem consciente do oportunismo de Jesse
Jackson051, Baraka apoiou a campanha. Seus pedidos para se juntar
a esse apoio com uma mobilização de massa contra a direção do
Partido Democrata não foram ouvidos, e a capitulação em favor de
Jackson acabou se mostrando um grave erro de cálculo estratégico,
pois os esforços dele acabaram emprestando uma aura colorida de
legitimidade à direita do Partido Democrata. No novo contexto
político dos anos 1980, quando a unidade concebida em termos
raciais não poderia levar a uma direção revolucionária, a sujeição às
elites negras significava seguir os imperativos das chamadas
políticas de austeridade.
Talvez seja nossa nostalgia das organizações de massa dos anos
1960 e 1970 que nos impeça de encarar a realidade atual. Para
intelectuais buscando uma forma de atuar politicamente, mesmo na
ausência de tais organizações, o passing é uma tentação
compreensível. Estranho como possa parecer , Rachel Dolezal
poderia ser realmente o caso típico: ela exemplifica as consequências
de reduzir a política à performance de identidades, na qual se
posicionar como marginalizado é a forma para se ganhar
reconhecimento político. Intelectuais “de cor” de hoje em dia que
substituem a identidade pela política estão repetindo a rejeição
inicial de LeRoi Jones pelo seu meio branco e pela personalidade branca que esse meio fomentou. Para estudantes universitários de
primeira geração, que sentem a ambivalência de deixar para trás
seus bairros em favor de uma mobilidade ascendente ou de uma
faculdade que esconde suas posições de classe por detrás de seus
tons de pele, a política identitária aparece como uma introjeção
peculiar de culpa branca.
Passing, nesse sentido, é uma condição universal. Somos todos
Rachel Dolezal. O eterno retorno ao “cheque seus privilégios”
acabará desmascarando a todos como inautênticos. Não é de
admirar, portanto, que somos tão profundamente perturbados pelo
passing – ele nos revela muito sobre identidade; é o podre segredo da
equação da identidade com a política.
Foi isso que Baraka descobriu na sua passagem pelo nacionalismo
cultural. Vendo o crescimento da diferenciação de classe na
comunidade negra e a incorporação da classe política negra, Baraka
chegou à conclusão que sua ideologia identitária não era mais
suficiente. Como expôs em sua autobiografia, essa ideologia também
estava situada numa posição de classe particular. Era a posição dos
intelectuais negros
por tanto tempo embranquecida, agora alegando freneticamente uma
“negritude” que era de diversas formas uma farsa. Uma espécie de boemia
negra que colocava a classe média novamente na posição de criticar as
massas negras, de modo a seguirem a classe média negra porque essa classe
média negra saberia como ser negro enquanto os trabalhadores negros não
saberiam23.
O projeto que Baraka iniciou, de romper com a identidade e se
direcionar à organização de massa, permanece incompleto. Nos anos
seguintes, o New Communist Movement se esforçou para entender os obstáculos à reconstrução da organização de massa. Paul Saba,
que era filiado a um dos mais sofisticados periódicos do movimento,
o Theoretical Review, discorreu recentemente sobre a inadequação
da tendência dominante no período “que buscou analisar a ascensão
do reaganismo e do neoliberalismo como uma ascensão do perigo
fascista”. Seus companheiros em vez disso se voltaram aos “escritos
sobre o thatcherismo que estavam sendo produzidos no Reino
Unido 052 por Stuart Hall e outros”, concluindo que “essa análise
produzida tinha relevância direta para entender o que estava
acontecendo 24 nos Estados Unidos também ”. Com a mudança de
Reagan e Thatcher para Clinton e Blair e para Trump e May, a
analogia continua relevante.
Notas do tradutor/editor:
036 O termo passing foi mantido no original nos casos em que sua tradução seria como
substantivo. Isso por não haver qualquer correspondente próximo em português e por já
estar sendo usado no original, inglês, em de textos em português. O sentido original da
expressão, que é também o sentido usado por Asad Haider, se reporta à passagem racial,
em que o afro-americano passa por branco ou passa a ser como branco, isto é, se integra
ou se insere na sociedade ou meio social dos brancos (N . T.).
037 Spook significa fantasma, mas também é uma expressão ofensiva e depreciativa
direcionada aos negros. Deixada aqui no original, spook tem na frase esses dois possíveis
significados de modo que não há palavra em português que expresse essas duas mesmas
possibilidades, fundamentais na ideia que o autor está desenvolvendo. (N . T.).
038 A Trilogia Americana (que Kimmage prefere chamar Trilogia de Newark) é formada
pelos livros Pastoral Americana (1997), Casei com um Comunista (1998) e A Marca
Humana (2000) (N. E.).
039 Slogan cunhado por Earl Browder (1891-1973), chefão do Partido Comunista norte-
americano nos anos 1930 e 1940 (N. E.).
040 Universidade judaica de Nova York (N . E.).
041 Aqui a palavra no original, yellow, ganha outro sentido para além da cor (e da cor da
pele dos asiáticos). Também é adjetivo com significado de algo feliz ou positivo. (N T.).
042 Edward Franklin Frazier (1894-1962) foi um dos maiores sociólogos dos Estados
Unidos no século XX. Seu clássico The Black Bourgeoisie (1955) questiona a efetividade
do chamado empreendedorismo afro-americano como forma de combater o racismo (N.
E.).
043 Herói da independência da República Democrática do Congo e líder do movimento
Pan-Africano, Lumumba (1925-1961) foi assassinado por mercenários apoiados pelos
Estados Unidos e Bélgica (N. E.).
044 Nova Arca, referência à Arca de Noé (N. E.).
045 O Black Arts Movement (também conhecido como BAM) foi um movimento arte-
ativista dos anos 1960 e 1970 e ligado ao movimento Black Power. Em geral, considera-se
que surgiu em 1965 quando LeRoy Jones criou, no Harlem, o Black Arts Repertory
Theatre/School (N. E.).
046 Congresso do Povo Africano.
047 “ Abstract metaphysical shit talking bores/ counter revolutionary, selfish, unserious
pseudo/ imitators, red baiters, poets forever in residence/ Black studies pimps in
interesting tweed jackets/ Frauds in leopard skin, turbaned hustlers w/ skin/ type
rackets, colored capitalists, negro/ exploiters, Afro American Embassy gamers”
048 Kenneth Gibson foi prefeito de Newark por 16 anos, de 1970 a 1986 (N. E.).
049 “The way the rich blackies showed/ after we marched and built their material/ base,
now niggers are left in the middle/ of the panafrikan highway , babbling about/ eternal
racism, and divine white supremacy/ a hundred thousand dollar a year oppression/ and
now the intellectualization, the militant/ resource of the new class, its historical/
valorization. Between them, john Johnson/ and elijah, david rockefeller rests his/ smiling
head.”
050 Durante décadas, o pastor batista Jesse Jackson foi o rosto negro no Partido
Democrata, e chegou próximo de ser indicado candidato do partido nas eleições
presidenciais de 1984 (N. E.).
051 Em 1975, Baraka chegou a listar Jackson entre os “mais débeis e corruptos
colaboradores” do imperialismo americano (N. E.).
052 Sociólogo e ativista nascido na Jamaica, Stuart Hall (1932-2014) foi o primeiro editor
da revista inglesa New Left Review, mas à época a que se refere o texto ele colaborava
principalmente com a Marxism Today, a revista do Partido Comunista inglês. Foi nessa
revista que, em janeiro de 1979, publicou o artigo “The Great Moving Right Show”, que
popularizou o termo “thatcherismo” (N . E.).
Notas do autor:
1 Philip Roth, The Human Stain (New York: Houghton Mifflin, 2000), 345.
2 Michael Kimmage, In History’s Grip (Stanford, CA: Stanford University Press, 2012).
3 Philip Roth, “Channel X: Two Plays on the Race Conflict,” New York Review of Books
(Maio 28, 1964).
4 Larry Schwartz, “Roth, Race, and Newark,” Cultural Logic (2005).
5 Philip Roth, Goodbye, Columbus (Boston: Houghton Mifflin, 1989), xiv.
6 Amiri Baraka, The Autobiography of Leroi Jones (Chicago: Lawrence Hill Books, 1997),
53–54.
7 Baraka, Autobiography, 174.
8 Leroi Jones, Home (New York: Akashic Books, 2009), 22.
9 Amiri Baraka, SOS, ed. Paul Vangelisti (New York: Grove Press, 2015), 57.
10 Baraka, Autobiography, 285.
11 Jones, Home, 22.
12 Philip Roth, American Pastoral (Boston: Houghton Mifflin, 1997), 164.
13 Komozi Woodard, A Nation within a Nation (Chapel Hill: University of North Carolina
Press, 1999).
14 Robert Allen, Black Awakening in Capitalist America (Trenton, NJ: Africa World
Press, 1990).
15 Baraka, Autobiography, 463.
16 Amiri Baraka, Selected Poetry of Amiri Baraka/LeRoi Jones (New York: William
Morrow and Company, 1979), 252–53.
17 Baraka, SOS, 160.
18 Amiri Baraka, “A Radical View of Newark,” New York Times (Outubro 17, 1976).
19 Joseph F . Sullivan, “Baraka Drops ‘Racism’ for Socialism of Marx,” New York Times
(Dezembro 27, 1974).
20 Baraka, “Radical View.”
21 Ver Salar Mohandesi, “Between the Ivory Tower and the Assembly Line,” Viewpoint
(Março 2014).
22 Max Elbaum, Revolution in the Air (New York: Verso, 2002).
23 Baraka, Autobiography, 342.
24 Paul Saba, “Theoretical Practice in the New Communist Movement,” Viewpoint
(Agosto 2015).