Como Lidar com a Sogra
7. Acima de tudo, ame
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Acima de tudo, ame
A CHAVE DEFINITIVA QUE ABRE AS PORTAS para o estabelecimento de uma relação de
amizade com os parentes de seu cônjuge é assumir uma atitude amorosa. Por
natureza, somos todos egocêntricos. Achamos que o mundo gira ao nosso redor. O
lado bom dessa postura é que cuidamos de nossas necessidades — nós nos
protegemos e alimentamos. No entanto, tendo nossas necessidades básicas
supridas, devemos aprender a ajudar os outros. Trata-se de uma atitude de amor.
As pessoas mais felizes do mundo são as doadoras e altruístas, e não as
egoístas. Jesus afirmou: “Há maior felicidade em dar do que em receber” (At
20:35). Se você aplicar essa realidade no relacionamento com os parentes de seu
cônjuge, fará o possível para potencializar a vida deles. “De que maneira posso
ajudar você?” é sempre uma pergunta apropriada. A resposta ensinará como
demonstrar amor de maneira significativa a esses parentes.
Certa vez, uma senhora fez essa pergunta à nora e recebeu a seguinte resposta:
“Se você puder me ensinar o seu jeito de cozinhar ervilhas, vai ser muito bom para
o meu casamento”. Ela ensinou e deu certo! Foi a pergunta: “De que maneira
posso ajudar você?” que estimulou a lembrança da nora a respeito dos comentários
do marido sobre como ele gostava de comer ervilhas preparadas por sua mãe.
Como a sogra estava oferecendo ajuda, ela teve a oportunidade de fazer o pedido
sem nenhum constrangimento.
Se você deseja auxiliar os parentes de seu cônjuge, é sempre melhor descobrir o
que eles consideram útil — que será encarado como uma demonstração de amor
—, em vez de usar seus próprios critérios, o que pode ser interpretado como uma
imposição.
Imagine o que aconteceria em seu relacionamento com a família de seu cônjuge
se você começasse a perguntar: “De que maneira posso ajudar você?”. Pode ser
que outros membros da família sigam o seu exemplo. Quando as famílias
aprendem a se amar e a expressar esse amor de maneiras significativas, o clima
emocional é potencializado.
Certa vez, uma jovem senhora fez a seguinte pergunta: “Mas e se os parentes
de meu marido me tratarem mal? Como poderei amá-los dessa maneira?”. É
interessante observar que Jesus nos instruiu a amar até mesmo nossos inimigos
(cf. Mt 5:43-44). Infelizmente, às vezes os parentes do cônjuge revelam possuir os
requisitos fundamentais para ser considerados inimigos. Quando estamos
magoados, decepcionados ou ressentidos, é difícil expressar amor. Mas difícil não é impossível. Com a ajuda de Deus, podemos amar até os nossos inimigos.
O processo envolve a admissão de seus sentimentos, e não a submissão a eles.
Você os admite para si, diante de Deus e, talvez, diante de seu cônjuge. No
entanto, não pode se render aos sentimentos negativos. Diante de Deus, você diz:
Pai, o senhor sabe como me sinto em relação a esses parentes. Sabe o que eles fizeram e sabe como estou magoado. Mas eu sei que o senhor deseja que eu os ame. Por isso, estou pedindo que o senhor derrame o seu amor sobre o meu coração. Permita que eu seja um veículo desse amor.
Deus dará a você a capacidade de fazer essa pergunta: “De que maneira posso
ajudar você?”. Aí, então, a partir da resposta que eles derem, você poderá
expressar o amor de maneira significativa.
Lembre-se: o amor não é um sentimento. Trata-se de uma atitude, um
comportamento, uma forma de pensar. O amor é a atitude que declara: “Escolho
cuidar de seus interesses. De que maneira posso ajudar você?”. Uma atitude de
amor conduz a um comportamento igualmente amoroso.
A realidade é que o amor tende a estimular o amor. Na verdade, as Escrituras
dizem que amamos Deus porque ele nos amou
primeiro (cf. 1Jo 4:19). É o amor de Deus que estimula o amor dentro de nós. O
mesmo princípio vale no que se refere a relacionamentos humanos. Quando
consigo expressar amor pelos parentes de meu cônjuge, alguma coisa acontece
dentro deles, que se revelam mais propensos a retribuir esse amor. E, quando
essas pessoas demonstram interesse em meu bem-estar, meus sentimentos em
relação a elas começam a mudar.
Kevin é um bom exemplo desse princípio. Ele compartilhou sua história comigo
ao participar de um de meus seminários sobre casamento. Ao que parece, o sogro
não ficou muito feliz quando a filha se casou com Kevin. Ele era encanador. O
sogro, que era advogado, esperava que a filha se unisse a alguém da mesma
profissão dele, com um médico ou algo assim. Durante a festa de casamento, o
sogro fez o possível para manter a cordialidade, mas Kevin sabia, do fundo do
coração, que ele não estava feliz.
Certa manhã, cerca de seis meses após o casamento, o sogro de Kevin acordou
e encontrou o jardim da frente da casa inundado. Um cano havia estourado. A
esposa o incentivou a ligar para o genro, e foi o que ele fez. Kevin conta:
Quando cheguei lá, o jardim parecia um pântano. Havia água em todo canto. Eu sabia que um cano grande havia se rompido em algum lugar da linha que saía da rua e chegava até a casa. Desliguei o fornecimento externo de água e telefonei para minha esposa, Janet.
Eu havia prometido que a acompanharia nas compras naquela manhã, por isso avisei sobre a gravidade
da situação. Ela me disse para priorizar o conserto do encanamento da casa de seus pais e nos chamou para tomar o café da manhã em nossa casa. “Boa ideia”, eu disse. “Isso vai me ajudar a ganhar um tempo enquanto boa parte dessa água escoa.”
Depois do café da manhã, voltei para a casa de meus sogros e passei as quatro horas seguintes
localizando e consertando o rombo no encanamento. Quando meu sogro insistiu em me pagar pelo trabalho, eu recusei, dizendo a ele: “Família é para essas coisas”. Ele ficou muito grato.
Àquela altura, Janet interferiu na conversa e comentou:
Desde aquele dia, meu pai nunca mais reclamou de Kevin. Na verdade, ele recomenda os serviços do genro a todos os amigos. “Ele é o melhor encanador da cidade”, diz. “Com Kevin, não tem erro.” Acho que meu pai finalmente se conscientizou de que, no mundo moderno, encanadores são tão importantes quanto advogados ou médicos. Na verdade, às vezes não dá para viver sem eles. Do modo como vejo, o caráter é sempre mais importante do que a vocação. Acho que meu pai concordaria.
O ato de amor de Kevin, que usou as habilidades que possuía para ajudar os
sogros, estimulou uma reação emocional positiva por parte do pai de Janet. Desde
então, o relacionamento dos dois continuou a se desenvolver. O amor genuíno
raramente é rejeitado, mas é preciso que alguém tome a iniciativa de amar.
Ao falar sobre como colocar o amor em prática, duas palavras me vêm à mente:
“bondade” e “paciência”. No grande “capítulo do amor” do Novo Testamento, lemos
que o amor é bondoso e paciente (cf. 1Co 13:4).
O AMOR É BONDOSO (GENTIL)
Permita-me refletir primeiramente sobre a gentileza, que tem a ver com nosso
modo de falar com as pessoas e o jeito como as tratamos. Um dos antigos
provérbios hebraicos afirma: “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra
ríspida desperta a ira” (Pv 15:1).
O relacionamento dos cônjuges com seus parentes pode ser melhorado ou
piorado dependendo de como um fala com o outro. Usar palavras ofensivas ou um
tom de voz alto torna as coisas mais complicadas, ao passo que o uso de termos
carinhosos e gentis facilita tudo. Quando expressa sua raiva gritando com um
desses parentes, você não está demonstrando amor. O amor é gentil, bondoso.
Quando você ouve com atenção e, em seguida, compartilha suas opiniões de
maneira calma e educada, está expressando amor, embora não seja obrigado a
concordar com o que a outra pessoa disse. Ao falar com educação e gentileza, você
está demonstrando respeito.
Se até agora você não demorava a perder a paciência com os parentes de seu
cônjuge e descarregava sua raiva falando alto e usando palavras duras, devo
adverti-lo sobre a importância de pedir desculpas. Você criou barreiras emocionais
que não serão removidas simplesmente com a passagem do tempo. Pedir
desculpas é o primeiro passo no processo de mudança de discurso, trocando a
rudeza pela gentileza. Nas próximas conversas que tiver com essas pessoas,
comece a prestar atenção e mude seu jeito de falar.
Quando sentir que está começando a ficar nervoso, peça um tempo para esfriar
a cabeça. Então, num esforço consciente, fale com calma com a pessoa que o
deixou nervoso, talvez quase murmurando. Nos primeiros estágios dessa mudança
de discurso, devemos exagerar na mudança. Ao aprender a falar de maneira mais
suave, terá dado o primeiro passo no sentido de expressar-se com gentileza.
Tendo chegado a esse ponto, você se sentirá à vontade para se concentrar na
reafirmação das intenções desses parentes, mesmo que discorde das ideias deles.
“Posso ver por que você se sente assim e, se eu estivesse em seu lugar, minha reação provavelmente seria idêntica. No entanto, eu gostaria de falar sobre
algumas coisas em que pensei e ver se fazem sentido para você.” Com declarações
dessa natureza, você está aplicando os princípios que abordamos neste livro para
aprofundar o relacionamento com os parentes de seu cônjuge. Está, na verdade,
aprendendo a expressar amor a partir de palavras gentis.
A bondade também pode se manifestar no modo como tratamos as pessoas.
Kevin fez uma gentileza ao consertar o furo no encanamento que inundou o quintal
do sogro sem cobrar nada. Iniciativas fortuitas de gentileza potencializam esses
relacionamentos. No entanto, a bondade vai além desses atos de gentileza.
Também procura tratar os parentes com cortesia.
As famílias diferem no que diz respeito àquilo que pode ser considerado cortesia.
Algumas acham que é descortês usar um boné dentro de casa. Outras acreditam
que seja educado levantar-se quando uma mulher entra em determinado
ambiente. Há quem acredite que o homem sempre deve abrir as portas para as
mulheres. E também existem as boas maneiras à mesa. Para algumas famílias, é
deselegante conversar com a boca cheia. Essa mesma cortesia exige que o marido
acomode a esposa antes de ele mesmo se sentar. Pode ser cortês colocar o
guardanapo sobre o colo e dizer: “Por favor, poderia passar as batatas?”. Toda
família tem um sistema próprio de “cortesias cotidianas”. Ficar atento a essas
cortesias cotidianas e colocá-las em prática quando a pessoa está na companhia
dos parentes do cônjuge é uma maneira de potencializar os relacionamentos.
Seu cônjuge é a melhor fonte de descoberta e compreensão quando se trata das
cortesias cotidianas da família dele. Dedique algum tempo a descobrir o que esses
parentes consideram um comportamento educado. Coloque tudo no papel como
forma de se lembrar e procure pôr em prática essas cortesias. Assim, estará dando
passos importantes e positivos para estabelecer amizade com os familiares de seu
cônjuge.
O AMOR É PACIENTE
A segunda chave no sentido de amar os parentes do cônjuge é agir com paciência.
Você já deve ter ouvido este clichê: “Roma não foi feita em um dia”. Isso também
vale para os relacionamentos. A paciência tem de se tornar um estilo de vida. Não
podemos esperar que todas as nossas diferenças sejam resolvidas da noite para o
dia ou com um simples bate-papo. É preciso tempo e perseverança para entender o
ponto de vista dos outros e negociar alternativas para as diferenças. Trata-se não
só de um processo contínuo, mas é também a essência, o ponto crucial de nossos
relacionamentos. Não podemos desenvolver relacionamentos positivos se
negligenciarmos o processo de comunicação de ideias e sentimentos, buscando o
entendimento, a reafirmação uns dos outros e soluções plausíveis.
Não espere perfeição de ninguém — nem de você. Em contrapartida, não se
acomode com nada aquém de um relacionamento baseado em amor. Podemos até
entender recaídas momentâneas. Nenhum de nós muda de repente, e é comum repetir antigos padrões de comportamento. As falhas pressupõem pedidos de
desculpas, e pedidos de desculpas pressupõem perdão. Quando estamos dispostos
a admitir nossas falhas e pedir desculpas, é provável que recebamos o perdão, e
assim nossos relacionamentos podem seguir adiante de maneira positiva. O amor é
a maior força do mundo para o bem. A bondade e a paciência são dois dos mais
importantes aspectos do amor. Aprenda a desenvolver esses traços e saberá como
construir a amizade com os parentes de seu cônjuge.
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COLOCANDO OS PRINCÍPIOS EM PRÁTICA
1. Procure uma oportunidade de perguntar a um dos parentes de seu
cônjuge: “De que maneira posso ajudar você?”.
2. Você consegue se lembrar de um tempo no qual você falava de forma
grosseira com um desses parentes? Já pediu desculpas por isso? Se ainda
não o fez, qual é o motivo?
3. Que atos de bondade você colocou em prática em relação a esses
parentes ultimamente? O que poderia fazer nos próximos dias?
4. Que tipo de “cortesias cotidianas” você precisa oferecer para potencializar
o relacionamento com sogros, genros ou cunhados?
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