Como Lidar com a Sogra

Gary Chapman · Capítulo 3 de 10

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Como Lidar com a Sogra

2. Aprenda a arte do respeito

 

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Aprenda a arte do respeito

 

O RESPEITO É UM INGREDIENTE IMPORTANTÍSSIMO no desenvolvimento de um

relacionamento com os parentes do cônjuge. Segundo a versão on line do

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra “respeito” significa “profunda

deferência; consideração, reverência”. Tem a ver com a maneira como vemos as

pessoas. Para mim, respeito significa a opção de ver o outro como uma pessoa

muito importante por ter sido criada à imagem de Deus. Minha opção por respeitar

você não se baseia em seu caráter ou na maneira como você me trata. Em vez

disso, ela se baseia na percepção que tenho a seu respeito.

Respeito não tem nada a ver com o comportamento de meu sogro, meus

cunhados ou meus genros nem com a opinião que eles têm de si mesmos. Pode ser

que eles se considerem o lixo da sociedade ou um presente de Deus para a

humanidade. Ou seja, a visão que têm de si pode ser deturpada ou exagerada.

Seja qual for, eu os considero pessoas que possuem grande valor intrínseco porque

carregam a imagem do Criador.

Posso não gostar muito do comportamento dessas pessoas, mas eu as respeito

como seres humanos. Deus as dotou de determinado nível de inteligência, de

capacidade para sentir emoções e de liberdade de escolha. Do mesmo modo, elas

são, em última análise, responsáveis diante do Senhor pela maneira como usam a

própria vida.

Quando opto por uma atitude de respeito, isso se reflete em meu

comportamento. O respeito me leva a reconhecer que os parentes de meu cônjuge

têm direito à mesma liberdade que Deus concede a mim e a todos os seres

humanos: a liberdade de ser diferente. Portanto, não tentarei impor minha opinião

sobre essas pessoas. Em vez disso, quando eu tiver de confrontá-las por algum

motivo, buscarei uma solução que demonstrará o meu respeito por nossas

diferenças. Não tentarei controlá-las nem permitirei que me controlem. Dedicarei a

elas o mesmo respeito que espero receber.

Pode ser que eu me irrite por causa de determinada coisa que algum parente de

minha esposa faz ou diz. O sentimento de irritação não é um pecado. No entanto,

sou responsável pela maneira como reajo a ele. Se descarrego minha irritação com

palavras duras ou pesadas, então eu peco. Deixo de mostrar respeito. Em

contrapartida, quando trato as pessoas com dignidade, procurando entender sua

perspectiva de determinada situação e buscando soluções que satisfaçam todas as

partes, então estou demonstrando meu respeito.

Em um esforço de transformar toda essa teoria em aplicação prática, vamos

analisar cinco áreas nas quais costumamos ter a oportunidade de mostrar respeito

por cunhados, genros e sogros.

 

RESPEITO PELAS TRADIÇÕES E DATAS ESPECIAIS

O casamento une duas famílias, cada uma trazendo um histórico de tradições e

celebrações de datas especiais. É inevitável que as maneiras como celebram essas

datas sejam diferentes. E a importância que dão a tais celebrações também será

diferente de uma família para outra.

Para muitos jovens casais, o primeiro Natal se torna o primeiro grande conflito

no casamento. Tanto a mãe dele quando a dela querem que os dois as visitem no

dia de Natal. Isso até pode ser possível se os pais vivem bem próximos e uma

família se concentra na tradição do jantar do dia 24, enquanto a outra dá mais

valor ao almoço do dia 25.

Contudo, se uma família vive a mais de 150 quilômetros de distância da outra,

esse sistema não é plausível. Se um dos casais de pais insiste em sua presença no

dia de Natal e o outro concorda com muita relutância, é possível que tenha sido

plantada a semente de um ressentimento. Em uma decisão desse tipo, o respeito é

banido. Os pais que exigiram a presença do jovem casal não respeitaram os

direitos dos outros pais. Do mesmo modo, não respeitaram a liberdade que esse

jovem casal tem de tomar suas próprias decisões.

Quando a arte de demonstrar respeito é aplicada de maneira correta, o que

acontece? Tanto os pais de um quanto os do outro avisam sobre o desejo que

nutrem de receber a visita desse jovem casal no dia de Natal. Quando fica sabendo

disso, o casal se sente encorajado a pensar na situação e sugerir um plano

alternativo, pois está à vontade para analisar as possibilidades.

Pode ser que o jovem casal decida declinar dos dois convites e passar o dia de

Natal a sós. Se a distância não for um problema, os dois podem passar a véspera

de Natal na casa dos pais dele e o dia de Natal na casa dos pais dela ou vice-versa

— deixando claro que, no ano seguinte, eles inverterão a sequência. Se a distância

não permitir esse esquema, o casal pode sugerir a alternância de um ano para o

outro, ou seja, em cada ano o Natal é celebrado na casa dos pais de um deles.

A decisão sobre qual dos dois lugares dará início à sequência pode ser feita no

cara ou coroa. Se houver um caso de doença grave em uma das famílias, isso pode

ser razão suficiente para ter prioridade na escolha do local em que o casal passará

o primeiro Natal. Se o tempo e o dinheiro não forem problemas, o Ano-Novo

também pode fazer parte desse acordo, de modo que os pais de um e de outro

tenham a oportunidade de ver o casal no mesmo período de festas.

Você pode perceber que há muitas soluções igualmente cabíveis para esse

conflito do feriado. Todas elas exigem uma atitude de respeito por parte dos

membros das duas famílias. Se o respeito não existe, então o Natal deixa de ser

um símbolo de “paz na terra”.

Conheci jovens casais que preferiam ficar longe tanto dos pais dele quanto dos

dela no Natal — não que deixassem de querer estar com eles, mas porque sentiam

que havia uma tentativa de manipulação das duas partes. A manipulação é o

oposto do respeito. O respeito diz: “Isto é o que eu gostaria que acontecesse e

este é o motivo. No entanto, também sei que vocês devem tomar a decisão que

acreditam ser a melhor para ambos”. O respeito sempre abre espaço para a

liberdade de escolha.

Conheci casais que admitiam preferir passar as festas de fim de ano na casa dos

pais de um, e não do outro. Em geral, isso acontece porque o ambiente emocional

em uma das casas é muito tenso, talvez por causa da ação do álcool, por falta de

parâmetros no linguajar ou em decorrência de conflitos do passado.

No entanto, incentivo os jovens casais a não permitir que esse tipo de sentimento

os leve a evitar a visita ao lar problemático.

A Bíblia diz: “Honra teu pai e tua mãe” (Êx 20:12; cf. Ef 6:2). Não honramos

nossos pais quando os execramos ou excluímos de nossa vida. Podemos ser

sinceros a respeito daquilo que sentimos, a respeito do nível de estresse a que

somos submetidos quando estamos com eles, mas não podemos permitir que essas

coisas controlem o nosso comportamento. Honramos os nossos pais não porque

somos obrigados a isso, mas porque eles nos deram a vida. Sem eles, não

estaríamos aqui. Trata-se de um débito enorme.

Um casal honra os pais quando dá o mesmo peso e a mesma medida aos

convites que recebe tanto dos pais de um quanto dos de outro. Podemos até não

aprovar o estilo de vida que levam. É possível que classifiquemos o comportamento

dessas pessoas como inconveniente. No entanto, devemos considerá-las dignas de

valor e respeito porque carregam a imagem do Criador.

É claro que, se no lar dos pais dele ou dela houver uso ou abuso de bebida,

drogas, linguagem profana, vulgaridade ou violência, isso deve ser levado em

consideração na hora de decidir se o casal deve ou não celebrar as festas com essa

família, principalmente quando há crianças envolvidas.

Uma possibilidade é respeitar a liberdade que essa família tem de viver do modo

que bem entende, mas pedir que, enquanto você e seus filhos estiverem lá para

passar as festas, haja moderação nesse tipo de comportamento. Se eles optarem

por respeitar você e sua família da mesma maneira que estão sendo respeitados, é

possível que concordem, e assim vocês podem celebrar as festas juntos e de um

modo saudável.

 

RESPEITO PELAS DIFERENÇAS RELIGIOSAS

A nossa sociedade é, de fato, globalizada. O casal no apartamento ao lado pode

ser budista, enquanto o outro na casa em frente é hindu. Seu colega de trabalho

pode ser muçulmano e todos os demais podem ser cristãos. Mesmo dentro do

escopo cristão, há muitos dialetos religiosos, como o metodista, o presbiteriano, o

batista e assim por diante. Cada um desses dialetos representa uma maneira diferente de expressar e colocar em prática a fé cristã. Todos concordam no que diz

respeito ao cerne da fé; porém, diferem de várias maneiras.

A maioria das pessoas chega ao casamento depois de ter sido criada em um

contexto religioso. Pode ser que elas tenham crenças bem arraigadas ou que

tratem o sistema religioso no qual foram criadas de uma maneira menos

comprometida. É até possível que tenham rejeitado a religião (ou as religiões) de

seus pais. É raro duas pessoas chegarem ao casamento com o mesmo histórico

religioso e a mesma fé, ainda que tenham sido criadas na mesma igreja.

Essas diferenças religiosas costumam se tornar fator de divisão durante o

casamento. Elas também podem originar barreiras para o pleno relacionamento

com sogros, genros, noras e cunhados. Lembro-me de um casal de fé protestante

que contou:

 

Nossa filha se casou com um católico. Quando estavam namorando, ele visitou nossa igreja e disse que não tinha ligações muito fortes com a fé católica. Entretanto, quando vieram os filhos, ele insistiu em que fossem criados dentro de sua religião. Nós sentíamos como se ele tivesse enganado nossa filha. Por causa disso, nosso relacionamento com ele não é nada bom.

 

Como a religião é uma área fundamental da vida, eu insisto com os casais para

que pensem no casamento como o ambiente no qual estarão estabelecendo o

fundamento religioso sobre o qual construirão o relacionamento conjugal e familiar.

Quando as diferenças sobre as crenças religiosas essenciais são muito grandes,

essas questões precisam ser resolvidas antes do casamento. Caso isso não

aconteça, elas podem se tornar grandes barreiras para a unidade do casal.

No entanto, mesmo quando os dois concordam em questões religiosas

fundamentais, pode ser que não encontrem harmonia no que diz respeito à

perspectiva religiosa dos pais de um ou de outro. Um jovem casado me relatou:

 

Minha irmã se casou com um muçulmano. Ele dizia que todas as religiões eram basicamente o mesmo, mas ela logo percebeu que não era bem assim. Tem sido muito difícil desenvolver um relacionamento positivo com meu cunhado porque ele discorda de praticamente tudo aquilo em que eu creio. Mesmo quando tentamos não tocar no assunto religião, nossas crenças fundamentais tendem a respingar nas demais áreas da vida e, no fim, acabamos discutindo também sobre essas outras coisas.

 

É correto dizer que, quando uma pessoa está comprometida com um sistema

religioso, esse compromisso influencia sua maneira de ver todas as áreas de vida. É

por isso que o apóstolo Paulo instruía os cristãos a não se casar com não cristãos

(cf. 2Co 6:14-15). Se temos a intenção de manter unidade conjugal também na

área espiritual, precisamos aproximar, tanto quanto possível, nossas crenças

fundamentais para que sejamos capazes de dialogar e crescer juntos.

Pelo fato de as crenças religiosas geralmente não serem tratadas com a devida

profundidade no período do namoro, os casais costumam unir-se antes de perceber

que há diferenças muito grandes entre as perspectivas religiosas de um e de outro.

Essas diferenças podem estar entre eles ou entre o casal e os parentes dele ou

dela. Sendo assim, como devemos lidar com essas diferenças? Qual é o papel que o respeito desempenha nessa questão?

Devemos começar admitindo a possibilidade de nunca sermos capazes de

resolver todos os nossos conflitos religiosos. Os esforços no sentido de misturar

várias religiões nunca foram muito eficazes. Em contrapartida, se tentarmos

convencer os parentes do cônjuge de que suas crenças religiosas estão erradas, é

provável que nossos argumentos não produzam efeito.

No entanto, quando optamos desde o início por respeitar a crença deles,

estabelecemos uma plataforma sobre a qual podemos dialogar de fato. Nessa

atmosfera, os dois lados conseguem compreender o sistema de crenças um do

outro em maior profundidade e até levantar questionamentos sobre a fé sem

desrespeitar o direito que as pessoas têm de crer naquilo que quiserem.

O respeito pelas crenças religiosas da família do cônjuge é um requisito

fundamental no sentido de construir relacionamentos satisfatórios com sogros,

genros e cunhados. Isso não quer dizer que você precisa concordar com as coisas

nas quais eles creem, mas que dá a eles a mesma liberdade de escolha que Deus

garante a todos.

Não é possível que todas as religiões sejam verdadeiras, já que muitas delas

contradizem outras. Geralmente, cremos que nossa fé é verdadeira. Contudo, os

parentes de seu cônjuge têm a mesma opinião em relação àquilo em que creem. O

respeito pela liberdade de escolha de cada pessoa é o fundamento para um diálogo

relevante. Com respeito, podemos chegar a um relacionamento significativo e

positivo mesmo quando discordamos de certas crenças religiosas.

Eric e Jan eram cristãos fortemente comprometidos com sua fé. Ele foi criado em

um lar metodista, enquanto ela cresceu em uma família presbiteriana. Ambos

assumiram um compromisso com Jesus Cristo durante o período da faculdade. Eles

adotaram a fé cristã durante o processo de amadurecimento, mas essa fé nunca

influenciou profundamente o comportamento dos dois. Em uma turma de faculdade

na qual a crença cristã era questionada o tempo todo por um professor incrédulo,

eles foram desafiados a encontrar respostas aos ataques do mestre à validade da

fé em Cristo.

Essa busca os levou à conclusão de que Jesus Cristo era mesmo divino; que sua

vida, desde o início até o fim, evidenciava seu poder sobrenatural; e que sua

ressurreição dos mortos legitimou seus ensinamentos. Assim, os dois se

envolveram com um grupo de estudo bíblico e começaram a investir a vida em

alcançar a população que vivia na problemática vizinhança da área da

universidade. Eles sabiam que, ao terminar a faculdade, a vida de ambos nunca

mais seria a mesma.

Logo depois da formatura, quando se casaram, eles não tinham ideia de como a

religião viria a se tornar um fator de conflito entre o casal e seus pais. Eric e Jan se

uniram a uma comunidade de fé. O pai dele perguntou:

— Qual é a denominação da igreja?

— Não é filiada a nenhuma denominação — respondeu Eric. — É apenas uma igreja cristã.

— Como pode ser uma igreja cristã e não ser ligada a nenhuma denominação?

— Não sei. Só sei que é uma igreja que ensina de acordo com as Escrituras e

que as pessoas tentam seguir os ensinamentos de Jesus. Gostamos daquela

comunidade e sentimos que é ali que devemos ficar.

— Não entendo por que vocês não se uniram a uma igreja metodista ou

presbiteriana — insistiu o pai. — Por que tinham de se filiar a uma igreja sem

nome? Para mim, essa turma está escondendo alguma coisa. Tem certeza de que

não é uma seita?

Quando Jan contou aos pais que ela e Eric haviam se unido a uma comunidade

de fé, a reação foi muito parecida.

— Para nós, você e Eric se filiariam a uma igreja presbiteriana ou metodista,

pois foram criados nelas — disse a mãe de Jan. — Eu preferia que vocês tivessem

discutido a questão conosco antes de tomar essa decisão. Foi ideia sua ou dele?

— Foi dos dois, mamãe. É a igreja na qual cremos que Deus deseja nos ver

congregando.

— Acho que vocês deveriam ter orado um pouco mais sobre isso — retrucou a

mãe, saindo da sala.

Eric e Jan ficaram chocados com a reação de seus pais. Algum tempo depois,

eles começaram a entender que os pais de Jan culpavam Eric por envolver a filha

deles com uma igreja sem nome. O mesmo acontecia com os pais dele, que

responsabilizavam a nora por isso. Com o tempo, a religião se tornou um assunto

impossível de ser tratado com os pais de ambos, e o jovem casal teve de assumir

as consequências da escolha que fez.

Quando me procuraram no escritório, pedindo ajuda, eu me solidarizei com a

frustração que sentiam. Ao longo dos últimos trinta anos, encontrei inúmeros casais

que viviam em conflito com os pais de um ou de outro por causa de desavenças

religiosas.

— Não temos tantas diferenças assim — disse Eric. — Os ensinamentos básicos

de nossa igreja são os mesmos da congregação de meus pais. De fato, nossa igreja

tem um estilo de adoração mais contemporâneo e os membros se envolvem mais

nos estudos bíblicos, nos encontros de oração e nos trabalhos de evangelismo para

alcançar as pessoas da comunidade, ajudando-as em suas necessidades. Contudo,

compartilhamos as crenças fundamentais. Não entendo por que isso acabou se

transformando em um problema tão grande.

Ouvi cuidadosamente quando Jan também falou sobre suas lutas com os pais e

sogros.

— Fico feliz que vocês tenham vindo — eu disse. — Seria terrível se vocês

precisassem continuar passando por essa frustração pelos próximos vinte anos.

Meu palpite é que a oposição de seus pais à filiação de vocês a uma comunidade

de fé se baseia em medo e amor. Eles os amam muito, por isso desejam que vivam

uma vida produtiva. A igreja que eles frequentam sempre foi uma parte muito importante da vida ao longo dos anos, por isso querem o mesmo para vocês. O

medo é baseado no desconhecido. Eles sabem como são uma igreja metodista e

uma igreja presbiteriana, mas não sabem como funcionam as comunidades de fé.

Por essa razão, receiam que se trate de uma seita de base cristã, mas que pode

levar vocês dois a crenças e práticas que talvez os prejudiquem.

— Mas isso não é verdade — argumentou Eric.

— Eu sei que não é verdade, mas eles não sabem disso — continuei. — Todos

nós tememos o desconhecido.

— Se é assim, como podemos ajudá-los a entender? — perguntou Jan.

— Tudo começa pelo respeito — respondi. — Vocês devem respeitar a escolha

que eles fizeram e vice-versa.

— Nós respeitamos a escolha deles, mas eles não respeitam a nossa — disse

Jan.

— Então, esperemos que isso mude — falei.

— Foi por isso que viemos aqui — comentou Eric. — Se eles simplesmente

pudessem respeitar nossa escolha e confiar em nós do mesmo modo que confiamos

neles, tudo estaria bem.

Aquela foi a primeira de uma série de sessões que tive com Eric e Jan. No

espaço de seis meses, eles conquistaram o respeito dos pais de ambos. O processo

começou com uma conversa aberta entre o casal e os pais de Eric. Ele foi o porta-

voz, explicando que os dois gostariam de chegar a uma convivência harmônica em

relação à opção de culto que fizeram, e que estavam dispostos a ouvir e tentar

compreender as preocupações que os pais tinham em relação ao assunto, mas

também desejavam compartilhar suas opiniões.

Eric sugeriu que começassem fazendo uma lista das crenças básicas da igreja

metodista, da igreja presbiteriana e da comunidade de fé que o casal frequentava

para comparar as crenças e ver se havia diferenças relevantes. “Queremos

entender vocês, assim como queremos que vocês nos entendam. Sabemos que

vocês nos amam e que a intenção é a melhor possível.” Os pais dele logo

aceitaram o convite.

O casal teve uma conversa similar com os pais de Jan na qual ela foi a porta-

voz. A reação deles foi igualmente positiva, e ficaram satisfeitos com a ideia de

discutir a questão.

Quando eles compararam de fato as crenças fundamentais das três igrejas,

todos concordaram em que não havia diferença entre as crenças básicas.

Eric também sugeriu que seus pais lessem uma breve história da Igreja

Metodista, e Jan pediu a mesma coisa aos pais dela sobre a Igreja Presbiteriana.

Os pais de ambos concordaram.

— A comunidade de fé que frequentamos não tem muita história — disse Eric —

mas vamos tentar descobrir como a igreja começou para contar a vocês.

Eles acabaram descobrindo que a motivação que levou à formação da

comunidade de fé foi muito parecida com a dos primeiros seguidores de John Wesley, que fundou a Igreja Metodista, e a dos seguidores de John Knox, que

fundou a Igreja Presbiteriana.

Enquanto isso, Eric e Jan visitaram a Igreja Metodista, com os pais dele, e a

Igreja Presbiteriana, com os pais dela. Da mesma forma, os pais de ambos

visitaram a comunidade de fé que eles frequentavam. Nesse processo, os temores

se desfizeram.

Eric e Jan agradeceram pelo fato de os pais se mostrarem dispostos a considerar

a possibilidade de que a escolha do casal pela comunidade de fé fosse uma opção

sábia. Logo todos já concordavam a respeito disso. Hoje em dia, de vez em quando

eles visitam as igrejas uns dos outros em eventos especiais. Os pais passaram a

respeitar a escolha de Eric e Jan, da mesma maneira que o jovem casal

demonstrou respeito pela opção dos pais.

Infelizmente, nem sempre é possível chegar a tal grau de satisfação na solução

das diferenças religiosas, mas esse caso serve como um ótimo exemplo de como

tratá-las. Começar com respeito sempre ajuda em qualquer situação.

 

RESPEITO PELA PRIVACIDADE

Dei um pulinho no mercado para comprar cereais e leite. Quando entrei na seção

de cereais, encontrei Tim e Marie. Eu os reconheci como participantes de uma aula

sobre criação de filhos que havia ministrado pouco tempo antes. Depois de nos

cumprimentarmos, Tim disse:

— Sei que este não é o lugar apropriado para uma sessão de aconselhamento,

mas precisamos muito de ajuda com minha mãe e meu pai. Eles estão nos

deixando loucos. Não queremos magoá-los, mas precisamos fazer alguma coisa a

respeito.

— E qual é a situação? — perguntei.

— Nunca sabemos quando eles vão aparecer para nos visitar — contou Marie. —

Eles não se preocupam em ligar para nos dizer que estão chegando. Simplesmente

aparecem na porta. Às vezes é muito inconveniente. As crianças estão fazendo a

lição de casa, ou então eu estou lavando roupa. Não tenho tempo de me sentar e

conversar com eles, e as crianças precisam terminar a lição. O pior de tudo, e que é

a razão de estarmos tão aborrecidos hoje...

Marie olhou para Tim, que continuou a conversa a partir dali:

— Na semana passada, colocamos as crianças na cama mais cedo para poder

namorar um pouco. Justamente quando estávamos prestes a fazer amor, tocou a

campainha da porta. Eram meus pais. Como você pode imaginar, aquilo arruinou a

noite romântica que havíamos planejado.

— Não é justo — comentou Marie. — Estou começando a ficar muito chateada

com eles. Eu gostaria de estabelecer horários mais convenientes de visita.

— Vocês já conversaram com eles sobre isso? — perguntei.

— Tentei há dois anos — respondeu Tim — mas minha mãe se aborreceu e ficou

sem ligar nem nos visitar por quase um mês. Aí, de repente, eles apareceram em nossa casa um dia como se nada tivesse acontecido. Desde então, continuaram

fazendo isso. Nunca mais falamos sobre o assunto.

— Com que frequência eles aparecem? — eu quis saber.

— Pelo menos uma vez por semana — disse Marie — e não dão nenhum sinal de

que vão nos visitar. Pode ser qualquer dia e a qualquer hora.

— Vocês costumam visitá-los?

— Sim — respondeu Tim — mas sempre ligamos antes de aparecer. Achávamos

que, se ligássemos, isso daria a eles a ideia de que seria bom se fizessem o mesmo

antes de nos visitar. Mas é óbvio que não funcionou. Na verdade, minha mãe me

disse uma vez: “Vocês não precisam ligar antes de vir. Podem chegar a qualquer

hora. São da família”. Acho que temos ideias diferentes sobre o que significa ser

uma família.

— A impressão que tenho é que o problema é falta de respeito — comentei. —

Seus pais não estão respeitando a privacidade de vocês como uma família.

— Exatamente — concordou Marie. — Mas o que podemos fazer a respeito?

— Bem, vocês não conquistam respeito sendo desrespeitosos. Por isso, o que

vocês não podem fazer é perder a paciência e descarregar a raiva sobre eles nem

dizer que não têm consideração ou mesmo dizer que estão fartos de ver seus

planos frustrados por causa deles.

— Até agora, não fizemos isso — disse Marie — mas pode acreditar que a

tentação é grande.

— Sim, eu posso entender, mas penso que você percebe que isso só pioraria a

situação.

— Não sei se tem mais alguma coisa para piorar.

— Bem, vamos nos concentrar no esforço para melhorar. Vocês devem conversar

com eles sobre o problema. Deixar o tempo passar não vai resolver nada. Acho que

vocês já viram isso.

Ambos balançaram a cabeça afirmativamente.

— Acho que Tim deve ser o porta-voz, já que se trata dos pais dele. A maneira

de falar a respeito do problema é muito importante. Que tal se vocês começassem

dizendo alguma coisa assim: “Mamãe, papai, amo muito vocês. Acho que vocês

sabem disso. Marie também ama vocês, e nossos filhos consideram vocês avós

maravilhosos. Queremos continuar mantendo um bom relacionamento com vocês e

queremos que nossos filhos continuem adorando a sua companhia. Sei que vocês

têm sempre a melhor das intenções e que nos amam do mesmo jeito que nós os

amamos. Quero encontrar uma maneira de fazer o que possa ser bom para todos.

Sei que, no passado, vocês me disseram que eu não precisaria telefonar quando

fosse visitá-los ou passar para pegar alguma coisa na loja do papai, mas sempre

achei que deveria respeitar a sua privacidade avisando sobre a minha chegada.

Tenho a impressão de que um telefonema facilita as coisas para todo mundo. Às

vezes, quando vocês aparecem em nossa casa sem ligar, a visita acaba sendo um

pouco inconveniente. Por exemplo, na semana passada vocês chegaram por volta das oito da noite de terça-feira, quando tínhamos colocado as crianças na cama

mais cedo para que pudéssemos namorar um pouco. Estávamos fazendo isso

quando tocou a campainha e vocês entraram. Acho que dá para ter uma ideia de

como aquele horário era inadequado para uma visita.

Marie interrompeu e disse a Tim:

— Você acha que pode dizer isso aos seus pais?

— Acho que sim — ele respondeu. — Na verdade, pode ser o único jeito de fazê-

los entender o que está acontecendo.

— Em seguida — prossegui — vocês podem apresentar algumas alternativas

sobre o que poderia ser feito para ajustar a situação, como um telefonema antes

da visita. Caso não dê certo, sugiram o estabelecimento de horários mais

convenientes. Outra ideia seria criar uma agenda semanal para essas visitas. Por

exemplo, a noite de quinta-feira pode ficar reservada para “brincadeiras com os

avós”. Isso lhes permitirá planejar com antecedência e tornar essa noite muito

divertida para todos. É claro que, vez por outra, vocês podem ligar e convidá-los

para um jantar ou oferecer-se para ajudá-los em determinados projetos em outros

dias da semana. Já desde o início da ligação, deem a eles a opção de ir ou não.

Assim, vocês mantêm a porta aberta e mostram que gostariam de recebê-los. O

que vocês estarão comunicando a eles é o desejo de que se envolvam em seu dia a

dia e na vida de seus filhos, mas que isso aconteça de um modo que seja

agradável para todo mundo.

Tim e Marie continuaram atentos. Prossegui:

— Acho que, se vocês abordarem a questão dessa maneira, vão encontrar

abertura por parte dos pais de Tim. Pode ser que eles não entendam totalmente o

motivo de vocês estarem fazendo isso, mas acho que demonstrarão disposição

para trabalhar juntos. Meu palpite é que a intenção deles não é arranjar

problemas. Só querem se envolver na vida de vocês e dos netos. Acontece que o

jeito de eles fazerem isso se tornou incômodo. Só isso.

— E se eles não aceitarem essas ideias e continuarem a aparecer à hora que

bem entenderem? — questionou Marie.

— Nesse caso, vocês terão de optar por uma abordagem mais direta e dura. A

essa altura, vocês precisarão marcar uma consulta comigo para que possamos

discutir como demonstrar esse amor mais rigoroso a eles para que passem a

respeitar sua privacidade. No entanto, eu acredito que, se vocês usarem a

abordagem mais positiva, reafirmando o interesse deles e expressando apreço por

tudo o que fazem por vocês, são maiores as probabilidades de eles reagirem bem

ao seu pedido.

— Obrigado — disse Tim. — Agradeço por você se dispor a dedicar um tempo a

esta conversa.

— Depois me contem o que aconteceu.

— Vamos fazer isso — comentou Marie — e espero que não tenhamos de marcar

aquela consulta.

Acenei e peguei minha caixa de cereais.

Um mês e meio depois, aproximadamente, recebi uma ligação de Tim:

— Achei que deveria telefonar para contar como as coisas se resolveram. Tive

aquela conversa com meus pais logo depois de nos encontrarmos no mercado.

Papai foi muito compreensivo. Mamãe afirmou que estava magoada pelo fato de a

situação ter chegado àquele ponto; ela achava que as famílias deveriam poder se

visitar a qualquer momento que desejassem. Eu disse que entendia esse raciocínio,

mas que não estava funcionando para nós. Acho que, após nossa conversa, meu

pai deve ter falado com ela porque, uma semana depois, minha mãe parecia já

estar bem adaptada ao novo sistema. Estabelecemos que toda quinta-feira à noite

receberíamos a visita deles. Até agora, parece que está funcionando corretamente.

Nós os convidamos para jantar no último sábado, e tudo correu muito bem. Posso

sentir que ainda há certa tensão por parte de minha mãe, mas acho que ela está

mudando de opinião. Agradeço realmente por sua ajuda com esse problema, pois

estava se tornando muito grave.

— Fico feliz em saber que as coisas se ajeitaram — comentei. — Quando os pais

demonstram respeito pela privacidade dos filhos e vice-versa, isso ajuda a manter

o relacionamento entre eles mais saudável. Se eu puder ajudá-los de novo no

futuro, podem me procurar.

— Obrigado — concluiu Tim.

Contei essa história porque a invasão de privacidade é uma área de frequentes

conflitos entre o casal e os parentes de cada cônjuge. Muitos esperam demais para

tomar uma iniciativa, por isso chegam a um ponto no qual a raiva passa da conta e

acabam descarregando tudo de uma só vez, usando linguagem pesada e

comprometendo a relação familiar. Às vezes, esses relacionamentos problemáticos

duram muitos anos. Entretanto, quando o jovem casal demonstra respeito pelas

intenções dos pais e parentes e compartilha abertamente suas frustrações, a maior

parte dos problemas pode ser resolvida.

Contudo, se os parentes insistem em se achar no direito de aparecer quando e

como querem, o casal precisará mudar para uma abordagem mais dura, ainda que

amorosa, o que pode significar receber os pais na porta e dizer: “Sinto muito, mas

esta não é uma hora muito conveniente para vocês nos visitarem. Estou dando

banho nas crianças para colocá-las na cama. Adoraria receber a visita de vocês,

mas não é o momento mais apropriado. Se vocês quiserem, posso ligar amanhã e

sugerir um horário que seja conveniente para todos nós”.

Se esses pais ou parentes forem embora aborrecidos, a culpa não será de vocês,

pois estarão fazendo o melhor para sua família e, em última análise, para o

relacionamento com eles também. Se vocês, de fato, telefonarem no dia seguinte e

sugerirem um horário de visita, os pais ou parentes terão duas opções. Eles podem

aceitar o convite e, caso isso aconteça, o padrão de invasão de privacidade

provavelmente terá sido quebrado; ou dizer: “Não, obrigado. Agora o horário não é

conveniente para nós”, no que vocês podem responder: “Claro que entendemos. Avisem quando vocês gostariam de vir e tentaremos conversar”.

Se eles não voltarem a fazer contato nas duas ou três semanas seguintes, não

entrem em pânico. Eles ainda estão tentando processar os próprios sentimentos e

pensamentos. Deem-lhes tempo. Se não voltarem a telefonar, vocês podem ligar

de novo alguns dias depois e fazer um novo convite. Caso não aceitem, talvez seja

mais adequado não ligar mais e esperar que tomem a iniciativa.

De sua parte, vocês mantiveram a porta aberta para a continuidade desse

relacionamento. Se eles optarem por permanecer obstinados, acusando vocês de

expulsá-los de sua vida, fiquem tranquilos. Vocês sabem que isso não é verdade. O

objetivo era simplesmente tentar manter um relacionamento baseado no respeito à

privacidade.

 

RESPEITO PELAS IDEIAS DOS OUTROS

Certa vez, o cunhado de Jeremy sugeriu que aquele seria um bom momento para

ele vender a casa e comprar uma maior, não apenas porque Jeremy e Peggy

estavam esperando um bebê, mas também porque “as taxas de juros nunca

estiveram tão baixas. É um bom momento para vocês venderem a casa e comprar

outra”.

Até o cunhado aparecer com a ideia, Jeremy não estava pensando em se mudar.

Quando ele e Peggy refletiram sobre a ideia, ambos concordaram em que o

cunhado tinha razão. Imediatamente, começaram a procurar um imóvel que

pudesse atender às necessidades da família e puseram a casa que tinham à venda.

Isso foi há cinco anos. Jeremy dizia a Peggy com frequência: “Sou muito grato ao

seu irmão por ter nos incentivado a mudar. A casa atual é muito melhor para nós

do que a anterior, e pagamos praticamente a mesma coisa”.

Seja qual for o assunto, todas as pessoas divergem em algum ponto. Nossas

ideias se baseiam em nosso histórico, nossa educação, nossa vocação e nossa

experiência social. Nenhum ser humano sabe todas as coisas. Por essa razão,

costumamos procurar outras pessoas para que contribuam com sugestões em áreas

da vida em que temos pouca experiência. Essa abertura às ideias dos outros é sinal

de sabedoria. As Escrituras indicam que, quando buscamos o conselho sábio dos

outros, é muito mais provável que tomemos uma decisão sábia (cf. Pv 11:14). A

pessoa madura está sempre buscando a sabedoria, mesmo que venha das palavras

da sogra. Quando os pais e demais parentes de um ou outro cônjuge fazem

sugestões, as propostas que eles apresentam devem ser levadas em devida

consideração. Afinal de contas, eles são mais velhos e, talvez, mais sábios do que

nós.

Um bom exemplo da sabedoria de um sogro pode ser encontrado em Êxodo 18.

Moisés estava trabalhando de manhã à noite no julgamento das contendas entre o

povo de Israel. A sala de espera estava sempre lotada, e não havia horário nem

para um cafezinho. O sogro de Moisés lhe disse:

 

O que você está fazendo não é bom. Você e o seu povo ficarão esgotados, pois essa tarefa lhe é pesada

demais. Você não pode executá-la sozinho. Agora, ouça-me! Eu lhe darei um conselho, e que Deus esteja com você! Seja você o representante do povo diante de Deus e leve a Deus as suas questões.

Êxodo 18:17-19

 

Em seguida, o sogro de Moisés sugeriu que o povo fosse dividido em grupos de

mil, cem, cinquenta e dez pessoas e que a autoridade fosse delegada a outros

homens qualificados que julgariam as pessoas que estivessem sob sua jurisdição.

Moisés, então, estaria livre para passar mais tempo com Deus e ensinar ao povo a

lei do Senhor. Desse modo, seu ministério seria mais preventivo do que crítico.

Somente os casos complicados seriam levados a ele para ser julgados (cf. Êx

18:22).

Moisés percebeu que havia muita sabedoria naquela sugestão, por isso a

adotou. Ao fazer isso, ele revelou ser uma pessoa madura. Ele não tinha de se

revoltar contra uma boa ideia só porque vinha do sogro. Estava tão seguro de seu

valor que era capaz de aceitar uma boa ideia, independentemente da fonte.

Respeitar as ideias de seus sogros, genros e cunhados e dedicar tempo para

pensar nelas é um sinal de maturidade, e não de fraqueza. Em contrapartida, se

você é o parente que está fazendo a sugestão ou dando o conselho, eu gostaria de

incentivá-lo a respeitar a liberdade do casal. Não tente impor suas ideias aos

outros. As ideias devem ser apresentadas como sugestões, e não como imposições.

Se você recebe um conselho e percebe que se trata de uma tentativa de

controlar a sua decisão, então passa a ser sua a responsabilidade de ouvir com

cuidado, pensar bem no assunto e, em seguida, tomar a decisão que acredita ser a

melhor para você e sua família. Caso os pais ou parentes se aborreçam pelo fato

de você não seguir a orientação deles, você pode agradecer-lhes por terem

contribuído com ideias e sugestões. Mostre que você pensou muito na ideia, mas

que tomou a decisão que julgava mais adequada. Respeitar as ideias dos outros

não significa que tenhamos sempre de fazer o que eles sugerem. Afinal de contas,

a responsabilidade pela decisão está toda sobre os seus ombros, e não sobre os

deles.

 

RESPEITO PELAS PECULIARIDADES DE PAIS E PARENTES

Alguém já disse: “Todas as pessoas são diferentes, mas algumas são mais

diferentes que as outras”. Quando você começa a conhecer os pais e os irmãos do

cônjuge, pode ser que depare com determinados comportamentos que considerará

esquisitos. Talvez seu cônjuge não ache tão estranhos porque foi criado naquele

ambiente.

Por exemplo, Pam achou muito esquisito o fato de seu sogro passar todos os

sábados sozinho, longe da família. Durante a estação de caça, ele saía para a

floresta. Quando não estava caçando, ia pescar ou jogava golfe. Ele via o sábado

como seu dia de recreação, ao qual se referia usando o termo “re-criação”. “É

minha maneira de me recuperar de uma semana de trabalho duro”, ele dizia.

Pam achava isso injusto com a esposa e os filhos do sogro, mas eles pareciam considerar aquilo muito normal. Então ela perguntou ao marido, Phil:

— O seu pai nunca levava você para pescar com ele?

— Sim, levava — respondeu Phil — mas nunca aos sábados.

— E as caçadas?

— Caçamos juntos algumas vezes, mas não aos sábados.

— E jogavam golfe juntos?

— Não. Ele dizia que golfe era esporte para homens, e não para garotos.

— Você nunca quis caçar, pescar ou jogar golfe no sábado com seu pai? — Pam

quis saber.

— Sim, mas a minha mãe me dizia que era o dia de descanso dele, por isso eu

passava o sábado brincando com meu irmão e com os meninos da vizinhança.

— Você acha que a sua mãe ficava ressentida pelo fato de seu pai passar o

sábado inteiro fora de casa?

— No início, acredito que sim — disse Phil — mas penso que, com o tempo, ela

passou a aceitar aquela situação. Nunca os vi brigando por causa disso.

— Bem, você sabe que eu nunca aceitaria esse tipo de situação em nosso

relacionamento, não é?

— Sim, você não precisa se preocupar. Eu quero passar meus sábados com você

e com meus filhos. Não tenho nenhuma vontade de me isolar em meus momentos

de lazer.

— Que bom — disse Pam — pois, se você fosse como seu pai, teríamos um sério

problema.

Pam queria muito dizer ao sogro: “Você tem ideia de quão tolo tem sido todos

esses anos? Consegue entender como foi egoísta? Em minha opinião, você tem sido

um péssimo modelo de pai e marido”. No entanto, ela foi sábia o suficiente para

saber que, se agisse dessa maneira, faria dele um inimigo. Também percebeu que

não era papel dela dizer ao sogro como deveria viver sua vida. Pam optou por

aceitar aquilo como parte da personalidade do sogro, ainda que não conseguisse

entender. Se a sogra era capaz de admitir essa filosofia do marido, então ela teria

de aceitar isso também, embora, em sua opinião, fosse um hábito muito estranho.

Pequenas coisas relacionadas aos parentes do cônjuge podem se tornar muito

irritantes. Marcy ficava aborrecida porque seu cunhado nunca abria a porta do carro

para a esposa. Além disso, ele usava boné o tempo todo, mesmo dentro de casa. A

mãe de Marcy havia ensinado a ela e à irmã que bonés eram para ser usados nos

jogos e que qualquer tipo de chapéu deveria ser tirado quando um cavalheiro

entrasse em uma casa. Marcy via o cunhado como um sujeito rude e achava que

sua irmã era desrespeitada por ele. Para ela, a irmã havia se casado com um

homem que não tinha a menor consideração pelos outros.

Quando Marcy tocou no assunto, a irmã disse: “Sim, eu preferiria que meu

marido abrisse portas para mim e que tirasse o boné ao entrar na casa das

pessoas. Mas ele é um homem muito bom e me trata tão bem que não tenho

coragem de discutir por causa disso. Pensando de maneira geral, é pouca coisa para justificar uma briga”.

Depois de ter dado sua opinião e ouvido a resposta da irmã, Marcy decidiu não

se importar mais com aquilo. Ela ainda tinha suas opiniões e preferências e, se

fosse com ela, nunca aceitaria aqueles hábitos por parte do marido. Mas, se a irmã

não se importava, Marcy não faria disso um cavalo de batalha com o cunhado.

Há milhares de motivos para nos irritarmos com os parentes do cônjuge.

Contudo, devemos ser cuidadosos nas contendas que escolhemos. Não vale a pena

brigar por algumas coisas, e há outras que claramente não nos dizem respeito.

Aprender a respeitar as peculiaridades dos parentes do cônjuge é necessário

quando buscamos harmonia no relacionamento com eles. Na verdade, se

tivéssemos de brigar com essas pessoas a cada questão que nos aborrece,

passaríamos o resto da vida em um campo de guerra.

Os parentes do cônjuge não precisam ser nossos inimigos. Pelo contrário, é

melhor que os tenhamos como amigos. Demonstrar respeito pelas tradições, pelas

crenças religiosas, pela privacidade, pelas ideias e pelas peculiaridades é um bom

caminho para chegar a essa harmonia.

 

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COLOCANDO OS PRINCÍPIOS EM PRÁTICA

Que lutas você enfrenta nas seguintes áreas?

 

1. Em relação a tradições e datas especiais.

2. Em relação a diferenças religiosas.

3. Em relação à privacidade.

4. Em relação às ideias dos parentes do cônjuge.

5. Em relação às peculiaridades deles.

 

Converse sobre isso com seu cônjuge e veja como vocês podem aprimorar o

relacionamento com sogros, genros ou cunhados a partir do respeito mútuo.

 

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