Como Lidar com a Sogra

Gary Chapman · Capítulo 4 de 10

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Como Lidar com a Sogra

3. Fale por você

 

3

 

Fale por você

 

A FRUSTRAÇÃO NOS RELACIONAMENTOS COM PARENTES do cônjuge geralmente se torna tão

intensa que nos leva a dizer o que não deveríamos. Tentamos ouvi-los antes de

falar e respeitá-los, mas as coisas só fazem piorar. Assim, chegamos a ponto de

perder o controle e partir para o ataque. Lembro-me de Margot, que disse: “Não

posso acreditar que chamei minha nora de vagabunda. Acho que perdi a paciência

com o comportamento dela, que é muito exibida. Ela se veste como uma

prostituta, por isso falei aquilo. Não sei se ela vai voltar a conversar comigo algum

dia, e meu filho também está aborrecido comigo”.

Margot estava seguindo um padrão muito comum nesse tipo de relacionamento.

Todos temos percepções pessoais do que há de errado nos outros. Permitimos que

nossas mágoas e nossos ressentimentos cresçam para depois atacarmos com

palavras grosseiras das quais nos arrependemos mais tarde. Muitas dessas

palavras de condenação são caracterizadas pela presunção de que podemos falar

pelos outros. Ou seja, chegamos a certas conclusões a respeito das pessoas e

achamos que, com isso, as conhecemos. Determinamos o que devemos pensar

sobre seu comportamento e passamos a falar em nome delas. “Você é

irresponsável e não tem respeito com ninguém.”

O que Margot disse no calor da ira foi: “Sua vagabunda. Você se veste como

uma prostituta, e fico até surpresa de que nunca tenha sido estuprada. Você vai

destruir seu casamento. Por que você não pensa nas crianças?”. Cada frase com o

pronome “você” funcionava como uma pequena granada lançada contra o

relacionamento das duas. Se Margot não se desculpar com sinceridade, a nora

jamais voltará a falar com ela.

Quando começamos uma frase com “você”, falamos como se tivéssemos o

conhecimento definitivo da situação. Na realidade, estamos apenas expressando

nossa percepção a respeito da pessoa. Tais declarações são recebidas como

condenatórias, e é provável que venham a estimular uma reação defensiva por

parte dos parentes do cônjuge. Acabamos envolvidos em uma enorme discussão, e

ambos se vão ressentidos um com o outro.

Há uma técnica simples que ajudará você a quebrar esse padrão destrutivo. É

chamada “fale por si”. Começa com você aprendendo a fazer declarações em

primeira pessoa em vez de usar

o pronome “você”. Por exemplo: “Eu estou magoado” em vez de: “Você me

magoou”. Se você começa sua frase com “eu”, significa que está revelando ou registrando os seus sentimentos. Se começa a frase usando o pronome “você”,

trata-se de um ataque. Declarações do tipo “você” são como bombas verbais. Elas

provocam mágoa, ressentimento e, com frequência, geram contra-ataques. Já as

declarações do tipo “eu” revelam a existência de um problema sem condenar a

outra pessoa.

A nora de Margot não era uma mulher imoral. Apesar de ter ideias bem

diferentes das da sogra no que diz respeito a se vestir com moderação, ela não

tinha a intenção de atrair outros homens. Se Margot tivesse usado declarações do

tipo “eu” para veicular suas preocupações, o resultado certamente seria bem

diferente. Ela deveria ter dito: “Temo um pouco por seu casamento. Acredito que

muitos homens podem interpretar mal o seu comportamento, considerando-o uma

espécie de convite. Não acho que seja essa a sua intenção. Por isso, não estou

fazendo nenhuma crítica, apenas expondo minha preocupação. Quero o melhor

para você e Jerry”.

A nora até poderia ficar magoada ou aborrecida, mas é provável que

conseguisse lidar com seus sentimentos e entendesse as preocupações de Margot.

Quando você fala por si, suas declarações têm legitimidade. Está revelando os seus

pensamentos, os seus sentimentos, os seus desejos e as suas percepções. “Eu

acho...”; “Eu sinto...”; “Eu gostaria...”; “Minha percepção a respeito disso é...”

Todas essas declarações são válidas porque revelam o que está se passando em

seu interior. Você está falando por si.

Quando faz declarações do tipo “você”, está sempre errado porque nunca sabe

tudo o que está se passando no interior do outro. Mesmo quando você faz uma

declaração positiva, está falando de coisas que estão além de seu conhecimento.

“Você é a pessoa mais bonita do mundo.” Essa é, com certeza, uma declaração

positiva, mas não é válida porque está falando por todas as pessoas do mundo.

Sabemos o que você quer dizer com isso, e essa frase provavelmente será recebida

como um elogio. No entanto, seria mais realístico dizer: “Eu acho você a pessoa

mais bonita que já vi”. Agora a declaração parece sincera, e não apenas bajulação.

Quando você expressa ideias negativas, é ainda mais importante falar por si.

Betty, mãe de Neal, falou coisas deselegantes sobre a mulher dele, Jan. Ela acusou

a nora de ser preguiçosa.

— Por que ela não trabalha? — perguntou ao filho. — Ela deveria ajudá-lo.

Juntos, vocês poderiam juntar dinheiro suficiente para comprar uma casa e não ter

de gastar com aluguel.

Betty continuou com seu discurso crítico, que concluiu assim:

— Meu bem, eu só quero o melhor para você. Detesto ver Jan desperdiçando o

tempo dela.

Por dentro, Neal queria dizer: “Você não está entendendo. Acontece que você

não tem o direito de criticar Jan. Precisa calar a boca e não se meter em nossa

vida”. Felizmente, Neal havia se disciplinado na prática de falar por si. Por isso, ele

disse:

— Fico feliz que você tenha compartilhado sua opinião comigo. Eu não sabia que

você pensava assim. Posso entender sua preocupação e sou grato por isso. No

entanto, preciso dizer-lhe que eu e Jan conversamos sobre esse assunto e

concordamos em que seria melhor se ela terminasse a faculdade primeiro. Ela está

recebendo aulas pela internet e vai terminar em maio. Ambos nos sentimos bem

em relação ao que estamos fazendo, mas agradeço por você falar sobre suas

preocupações.

Ao falar por si, Neal evitou uma briga desnecessária com

a mãe. Quando os parentes de um dos cônjuges se dirigem ao outro com palavras

de condenação, o contra-ataque dá início a uma guerra sem sentido. É bem melhor

responder com declarações do tipo “eu”, que revelam sua opinião de maneira

positiva.

O maior obstáculo para quem decide assumir essa postura de falar por si são as

emoções negativas. Mágoa, raiva, ressentimento e medo nos induzem a revidar.

Mas o revide conduz a discussões, que por sua vez levam ao rompimento das

relações. É por isso que sugiro o seguinte: quando você for atacado por um sogro,

genro ou cunhado, respire fundo e com calma e fique em silêncio por algum tempo.

Isso pode ajudá-lo a optar pela abordagem do tipo “eu”, e não do tipo “você”.

Falar por si é um padrão de discurso que se aprende. A maioria de nós cresceu

recebendo mensagens do tipo “você”. “Você me decepcionou” e “Você me

desobedeceu” eram as mensagens que você ouvia de seus pais. “Você me dá

raiva”, “Você mentiu para mim” e “Você é irresponsável” eram declarações que

seus pais talvez fizessem um ao outro.

Como proceder para rompermos com esse padrão condenatório e destrutivo? Por

meio da escolha consciente. Em primeiro lugar, você precisa reconhecer o valor que

há na postura de falar por si. Em seguida, é preciso tentar agir assim. Talvez ajude

se você se colocar diante do espelho e disser: “Eu me sinto magoado”; “Eu estou

decepcionado”; “Eu me sinto como se você tivesse me enganado”; ou: “Eu acho

que você não confia em mim”. Quando você treina declarações do tipo “eu”,

maiores são as chances de usá-las no contexto das conversas.

Você não dominará a arte de falar por si da noite para o dia. De vez em quando,

deve se flagrar começando uma frase com “você”. Quando isso acontecer, pare de

falar e mude o discurso: “Vou recomeçar. Eu acho que o que você está fazendo...”

Ao agir assim, você não apenas estará aprendendo a falar por si, como também

servirá de exemplo.

Com o tempo, você aprenderá a falar por si. Quando fizer isso, terá desenvolvido

uma importante habilidade: a de cativar a amizade dos parentes de seu cônjuge.

 

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COLOCANDO OS PRINCÍPIOS EM PRÁTICA

1. Ao conversar, procure ouvir a si mesmo. Quantas de suas frases começam

com “Você...”, especialmente quando está aborrecido? Declarações do

tipo “você” estimulam brigas.

2. Da próxima vez que tiver sentimentos negativos, pare na frente do

espelho e fique treinando frases como: “Eu estou magoado”; “Eu estou

com raiva”; “Eu estou decepcionado”; ou: “Eu me sinto como se você

tivesse me magoado”. Em seguida, use as declarações do tipo “eu”

apropriadas ao falar com a pessoa que provocou sua raiva.

3. Quando começar sua frase com: “Você me faz...”, pare na mesma hora e

fale em vez disso: “Vou refazer minha frase. Eu me sinto magoado

quando você diz...”

 

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