Como Lidar com a Sogra
3. Fale por você
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Fale por você
A FRUSTRAÇÃO NOS RELACIONAMENTOS COM PARENTES do cônjuge geralmente se torna tão
intensa que nos leva a dizer o que não deveríamos. Tentamos ouvi-los antes de
falar e respeitá-los, mas as coisas só fazem piorar. Assim, chegamos a ponto de
perder o controle e partir para o ataque. Lembro-me de Margot, que disse: “Não
posso acreditar que chamei minha nora de vagabunda. Acho que perdi a paciência
com o comportamento dela, que é muito exibida. Ela se veste como uma
prostituta, por isso falei aquilo. Não sei se ela vai voltar a conversar comigo algum
dia, e meu filho também está aborrecido comigo”.
Margot estava seguindo um padrão muito comum nesse tipo de relacionamento.
Todos temos percepções pessoais do que há de errado nos outros. Permitimos que
nossas mágoas e nossos ressentimentos cresçam para depois atacarmos com
palavras grosseiras das quais nos arrependemos mais tarde. Muitas dessas
palavras de condenação são caracterizadas pela presunção de que podemos falar
pelos outros. Ou seja, chegamos a certas conclusões a respeito das pessoas e
achamos que, com isso, as conhecemos. Determinamos o que devemos pensar
sobre seu comportamento e passamos a falar em nome delas. “Você é
irresponsável e não tem respeito com ninguém.”
O que Margot disse no calor da ira foi: “Sua vagabunda. Você se veste como
uma prostituta, e fico até surpresa de que nunca tenha sido estuprada. Você vai
destruir seu casamento. Por que você não pensa nas crianças?”. Cada frase com o
pronome “você” funcionava como uma pequena granada lançada contra o
relacionamento das duas. Se Margot não se desculpar com sinceridade, a nora
jamais voltará a falar com ela.
Quando começamos uma frase com “você”, falamos como se tivéssemos o
conhecimento definitivo da situação. Na realidade, estamos apenas expressando
nossa percepção a respeito da pessoa. Tais declarações são recebidas como
condenatórias, e é provável que venham a estimular uma reação defensiva por
parte dos parentes do cônjuge. Acabamos envolvidos em uma enorme discussão, e
ambos se vão ressentidos um com o outro.
Há uma técnica simples que ajudará você a quebrar esse padrão destrutivo. É
chamada “fale por si”. Começa com você aprendendo a fazer declarações em
primeira pessoa em vez de usar
o pronome “você”. Por exemplo: “Eu estou magoado” em vez de: “Você me
magoou”. Se você começa sua frase com “eu”, significa que está revelando ou registrando os seus sentimentos. Se começa a frase usando o pronome “você”,
trata-se de um ataque. Declarações do tipo “você” são como bombas verbais. Elas
provocam mágoa, ressentimento e, com frequência, geram contra-ataques. Já as
declarações do tipo “eu” revelam a existência de um problema sem condenar a
outra pessoa.
A nora de Margot não era uma mulher imoral. Apesar de ter ideias bem
diferentes das da sogra no que diz respeito a se vestir com moderação, ela não
tinha a intenção de atrair outros homens. Se Margot tivesse usado declarações do
tipo “eu” para veicular suas preocupações, o resultado certamente seria bem
diferente. Ela deveria ter dito: “Temo um pouco por seu casamento. Acredito que
muitos homens podem interpretar mal o seu comportamento, considerando-o uma
espécie de convite. Não acho que seja essa a sua intenção. Por isso, não estou
fazendo nenhuma crítica, apenas expondo minha preocupação. Quero o melhor
para você e Jerry”.
A nora até poderia ficar magoada ou aborrecida, mas é provável que
conseguisse lidar com seus sentimentos e entendesse as preocupações de Margot.
Quando você fala por si, suas declarações têm legitimidade. Está revelando os seus
pensamentos, os seus sentimentos, os seus desejos e as suas percepções. “Eu
acho...”; “Eu sinto...”; “Eu gostaria...”; “Minha percepção a respeito disso é...”
Todas essas declarações são válidas porque revelam o que está se passando em
seu interior. Você está falando por si.
Quando faz declarações do tipo “você”, está sempre errado porque nunca sabe
tudo o que está se passando no interior do outro. Mesmo quando você faz uma
declaração positiva, está falando de coisas que estão além de seu conhecimento.
“Você é a pessoa mais bonita do mundo.” Essa é, com certeza, uma declaração
positiva, mas não é válida porque está falando por todas as pessoas do mundo.
Sabemos o que você quer dizer com isso, e essa frase provavelmente será recebida
como um elogio. No entanto, seria mais realístico dizer: “Eu acho você a pessoa
mais bonita que já vi”. Agora a declaração parece sincera, e não apenas bajulação.
Quando você expressa ideias negativas, é ainda mais importante falar por si.
Betty, mãe de Neal, falou coisas deselegantes sobre a mulher dele, Jan. Ela acusou
a nora de ser preguiçosa.
— Por que ela não trabalha? — perguntou ao filho. — Ela deveria ajudá-lo.
Juntos, vocês poderiam juntar dinheiro suficiente para comprar uma casa e não ter
de gastar com aluguel.
Betty continuou com seu discurso crítico, que concluiu assim:
— Meu bem, eu só quero o melhor para você. Detesto ver Jan desperdiçando o
tempo dela.
Por dentro, Neal queria dizer: “Você não está entendendo. Acontece que você
não tem o direito de criticar Jan. Precisa calar a boca e não se meter em nossa
vida”. Felizmente, Neal havia se disciplinado na prática de falar por si. Por isso, ele
disse:
— Fico feliz que você tenha compartilhado sua opinião comigo. Eu não sabia que
você pensava assim. Posso entender sua preocupação e sou grato por isso. No
entanto, preciso dizer-lhe que eu e Jan conversamos sobre esse assunto e
concordamos em que seria melhor se ela terminasse a faculdade primeiro. Ela está
recebendo aulas pela internet e vai terminar em maio. Ambos nos sentimos bem
em relação ao que estamos fazendo, mas agradeço por você falar sobre suas
preocupações.
Ao falar por si, Neal evitou uma briga desnecessária com
a mãe. Quando os parentes de um dos cônjuges se dirigem ao outro com palavras
de condenação, o contra-ataque dá início a uma guerra sem sentido. É bem melhor
responder com declarações do tipo “eu”, que revelam sua opinião de maneira
positiva.
O maior obstáculo para quem decide assumir essa postura de falar por si são as
emoções negativas. Mágoa, raiva, ressentimento e medo nos induzem a revidar.
Mas o revide conduz a discussões, que por sua vez levam ao rompimento das
relações. É por isso que sugiro o seguinte: quando você for atacado por um sogro,
genro ou cunhado, respire fundo e com calma e fique em silêncio por algum tempo.
Isso pode ajudá-lo a optar pela abordagem do tipo “eu”, e não do tipo “você”.
Falar por si é um padrão de discurso que se aprende. A maioria de nós cresceu
recebendo mensagens do tipo “você”. “Você me decepcionou” e “Você me
desobedeceu” eram as mensagens que você ouvia de seus pais. “Você me dá
raiva”, “Você mentiu para mim” e “Você é irresponsável” eram declarações que
seus pais talvez fizessem um ao outro.
Como proceder para rompermos com esse padrão condenatório e destrutivo? Por
meio da escolha consciente. Em primeiro lugar, você precisa reconhecer o valor que
há na postura de falar por si. Em seguida, é preciso tentar agir assim. Talvez ajude
se você se colocar diante do espelho e disser: “Eu me sinto magoado”; “Eu estou
decepcionado”; “Eu me sinto como se você tivesse me enganado”; ou: “Eu acho
que você não confia em mim”. Quando você treina declarações do tipo “eu”,
maiores são as chances de usá-las no contexto das conversas.
Você não dominará a arte de falar por si da noite para o dia. De vez em quando,
deve se flagrar começando uma frase com “você”. Quando isso acontecer, pare de
falar e mude o discurso: “Vou recomeçar. Eu acho que o que você está fazendo...”
Ao agir assim, você não apenas estará aprendendo a falar por si, como também
servirá de exemplo.
Com o tempo, você aprenderá a falar por si. Quando fizer isso, terá desenvolvido
uma importante habilidade: a de cativar a amizade dos parentes de seu cônjuge.
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COLOCANDO OS PRINCÍPIOS EM PRÁTICA
1. Ao conversar, procure ouvir a si mesmo. Quantas de suas frases começam
com “Você...”, especialmente quando está aborrecido? Declarações do
tipo “você” estimulam brigas.
2. Da próxima vez que tiver sentimentos negativos, pare na frente do
espelho e fique treinando frases como: “Eu estou magoado”; “Eu estou
com raiva”; “Eu estou decepcionado”; ou: “Eu me sinto como se você
tivesse me magoado”. Em seguida, use as declarações do tipo “eu”
apropriadas ao falar com a pessoa que provocou sua raiva.
3. Quando começar sua frase com: “Você me faz...”, pare na mesma hora e
fale em vez disso: “Vou refazer minha frase. Eu me sinto magoado
quando você diz...”
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