Como Ter uma Memória Superpoderosa
9. Vale a pena lembrar-se de discursos, artigos, roteiros e anedotas
jornal. No número 62, mentalize um chinês com um amplo chapéu de palha e rabicho na cabeça. Para 61, “chata”, há três imagens possíveis: a de algo enfadonho a de um objeto chato ou de uma barcaça grande. Charrua é uma espécie de arado, naturalmente. Para coto, caso associação fosse com uma cadeira, iria imaginá-la, por exemplo sem uma das pernas. Escolha as que lhe forem mais convenientes.
O orador confuso e nervoso foi apresentado depois do jantar. Aproximou-se do microfone e gaguejou baixinho:
-Meus a-a-amigos, qu-quando cheguei nesta noite só Deus e eu sabíamos o que eu ia lhes dizer.
E agora só Deus sabe!
Acho que uma das coisas mais embaraçosas que pode acontecer a uma pessoa é esquecer-se de um discurso, estando da platéia. Depois disso, a mais constrangedora é hesitar, como se não tivesse muita certeza do que precisa dizer. Na verdade, parece-me que qualquer indivíduo a quem se pede para discursar sobre um assunto deve conhecê-lo muito bem. Caso contrário, por que o escolheriam para falar? Não. Os oradores que hesitam ou balbuciam durante os discursos agem assim, creio eu, porque esqueceram-se da palavra seguinte -ou por temer a possibilidade de tal esquecimento.
Na minha opinião, aqui se situa o problema. Se a pessoa decora um discurso palavra por palavra e depois esquece uma delas, aqui e ali, na certa não fará o discurso como devia. Porque ficar empacado em um determinado termo? Se não consegue lembrar-se, substitua-o por outro que cumpra a mesma finalidade, ora essa. Isso não é muito melhor do que pigarrear e gagueja até recordar-se da frase certa, exatamente como a memorizou?
As pessoas que compreendem isto acham que a melhor coisa a fazer seria simplesmente ler o discurso. Esta seria a solução para o problema de
esquecer as palavras, até se perderem no papel e acabarem esquecendo do que estavam falando. Além do mais, tenho a impressão de que uma sutil atmosfera de tédio fica evidenciada na platéia que ouve alguém lendo um discurso palavra por palavra. Ele poderia muito bem dar uma cópia impressa do discurso, para ler quando aprouvesse.
Portanto, o passo seguinte parece que é não preparar nada. (Bem, não exatamente assim.) Mesmo que o orador seja um especialista no assunto, é possível que lhe escapem da mente alguns dos fatos sobre os quais deseja falar. como no caso do pregador itinerante que sempre se queixava de haver concebido seus melhores sermãos a caminho de casa. Tudo que esquecera de dizer aos ouvintes vinha-lhe à mente então, e seu cavalo costumava acompanhar a parte da pregação.
Acredito que o melhor modo de preparar um discurso esquematizá-lo, pensamento por pensamento. Muitos nossos melhores oradores seguem exatamente esse processo Apenas fazem uma lista de cada idéia ou pensamento pretendem expor e usam-na no lugar das notas. Dessa maneira, não se esquecem das palavras, já que não memorizaram nenhuma delas. Dificilmente se perdem no papel. Uma simples olhadela na lista irá indicar-lhe o próximo pensamento a ser posto em palavras.
Mas para quem prefere não confiar em um pedaço de papel, o método de ligação pode ajudá-lo facilmente. Se deseja decorar seu discurso, pensamento por pensamento, do princípio até o fim, estará formando uma sequência. E por motivo que deve usar a técnica mnemônica de ligação decorá-lo.
Sugiro que coloque o método em prática desta maneira Primeiro, escreva ou leia todo o discurso. Quando estiver satisfeito com o resultado, torne a lê-lo mais uma ou vezes, a fim de gravar os pontos principais. Agora arranje um pedaço de papel e comece a alistar suas PALVRAS-CHAVES.
Leia o primeiro pensamento do discurso. Pode resumi-lo em uma, duas ou mais sentenças, isto não importa. Agora selecione uma palavra ou expressão dentre as que, na opinião, lhe trarão à mente todo o pensamento! Não é nem um pouco difícil fazê-lo. Em cada sentença ou parágrafo, precisa haver uma palavra ou expressão que o lembre de todo o pensamento. Essa palavra ou expressão será a sua palavra-chave.
Após encontrar a palavra-chave para o primeiro pensamento, ache a do próximo e assim por diante. Quando chegar ao fim do discurso, terá uma lista de palavras-chaves para recordá-lo de cada coisa que pretende dizer. Na verdade, mantivesse esta lista à sua frente, ao fazer o discurso, ela serviria ao mesmo propósito. Mas se dominou o sistema de ligação, sabe que será igualmente fácil fazer uma ligação dessas palavras-chaves e depois jogar fora o papel.
Poderia, por exemplo, estar discursando sobre os problemas da escola local em uma reunião da Associação de Pais e Professores. Sua lista de palavras-chaves poderia ser mais ou menos assim: excesso de alunos, professores, incêndio mobília, matérias, playground etc. Em outras palavras, quer iniciar o discurso com uma referência ao excesso de alunos nas salas de aula. Depois deseja falar sobre os professores, talvez sobre os métodos didáticos e os salários, etc. Em seguida, vai expor suas opiniões sobre as precauções e os treinamentos contra incêndio, o que o leva a discutir o estado da mobília da escola: a mesa, as carteiras, os quadros-negros, o equipamento etc. Então dirá o que pensa sobre as matérias ensinadas e, finalmente, as facilidades de recreação (plavground) da escola.
Pode perceber que se fizer uma ligação — excesso de alunos a professor, professor a incêndio, incêndio a mobília, etc. - um pensamento conduzirá ao outro, até o final do dicurso!
No princípio, talvez precise fazer uma lista de duas ou até três palavras-chaves para alguns pensamentos. Aliste tantas quanto necessite para lembrar-se de todo o discurso. A medida que aplicar esta idéia o número de palavras-chaves indispensáveis será cada vez menor. E o que é mais importante, quando falar, demonstrará a confiança obtida por saber que vai lembrar-se de tudo. Simplesmente tenha em mente que deve cuidar de seus pensamentos. As palavras cuidaram de si mesmas!
Se, por uma razão ou outra, você deseja decorar um i. curso palavra por palavra, use o mesmo método. Terá nas de repassá-lo com mais freqüência. Lembre-se de e todos esses sistemas são auxiliares da memória real. “Se a pessoa recordar-se do principal, os detalhes irão encaixar-se.” Na verdade, nunca se esquecerá de nada do memorizar, só precisa ser lembrado dele. O sistema existente neste livro fará isto por você. Portanto, se lembrar do pensamentos principais do discurso, os detalhes, os ses” e os “mas”, se ajustarão.
Aplicará as mesmas idéias para memorizar qualquer artigo que ler, se assim o desejar. Naturalmente, primeiro leia o artigo para entender os pontos centrais. Depois escolha palavras-chaves para cada pensamento. Então faça uma ligação para recordar-se delas e já pegou tudo. Com um pouco de prática, realmente conseguirá fazê-lo enquanto lê.
Ao entreter-me numa leitura, muitas vezes encontro pequenas informações que gostaria de guardar. Simplesmente faço uma associação consciente delas, enquanto estou lendo Se utilizada com bastante freqüência, esta idéia pode acelerar sua leitura de forma considerável. Acho que a maior das pessoas é lenta na leitura porque, ao atingir o tercei parágrafo, se esquece do que havia no primeiro. Portanto, precisa voltar atrás.
Não é necessário associar tudo, só os pontos que julgar essenciais. Talvez, se usar meus sistemas, ingresse, na primeira das duas classes de leitores definidas pelo educador americano William Lyon Phelps. Ele observou certa vez:
“Divido todos os leitores em dois tipos: os que lêem para lembrar e os que lêem para esquecer.”
O mesmo sistema de ligar as palavras-chaves pode usado para nos recordarmos de roteiros e letras de música. É lógico que neste caso costuma ser necessário memorizá-la palavra por palavra. Terá de repassá-los mais vezes, porém técnica da palavra-chave irá facilitar-lhe muito o trabalho. Se sente dificuldade em memorizar suas deixas em uma peça, por que não associa a última palavra da fala do outro ato primeira da sua? Mesmo se a deixa indicar-lhe que deve movimentar-se em cena, ao invés de falar, ainda pode fazer uma associação. Se a última palavra da linha anterior à ação for, digamos, entre e o script mandá-lo agachar-se para pegar um toco de cigarro, forme uma imagem mental de si próprio entrando abaixado, enquanto apanha tocos de cigarro. (desta forma, nunca entrará na fala do outro ator).
Vou mencionar outra aplicação da técnica das palavras-chaves, antes de abandonar inteiramente o assunto. Quantas vezes você quis contar aos amigos algumas piadas que ouviu recentemente, só para descobrir que esqueceu delas por completo. Pode ouvir toda uma nova leva de histórias realmente engraçadas um dia e esquecer-se de todas, ou da maioria, no dia seguinte. Bem, de acordo com Irvin S. Cobb, um bom contador de histórias é uma pessoa que Possi uma ótima memória e espera que os outros não a tenham.
Sua memória para historias e anedotas vai melhorar logo se empregar o sistema da palavra-chave. Simplesmente pegue uma palavra da historia- é sempre melhor retirá-la da conclusão da piada - que lhe traga à lembrança toda a anedota. Após obter as palavras-chaces, pode ligá-las umas as outras, a fim de lembrar-se de todas as historias em seqüências, ou usar o sistema de fixação para recordar-se delas por numero.
Talvez já tenha ouvido a piada que esteve circulando recentemente sobre o disco voador que aterrissou na América. De dentro dele saiu uma criatura espacial — o ser sacudiu a com um dos seis braços, examinou ao redor com o olho no meio da testa e manteve as antenas ligadas para captar quaisquer sons.
Após explorar um pouco, finalmente aproximou-se de um posto de gasolina, se dirigiu à bomba, saudou e exigiu: Leve-me a seu presidente!
Bem se não a tinha ouvido antes e queria memorizá-la com talvez outras 10 ou 12 histórias, podia usar disco voador, criatura espacial ou bomba de gasolina como a palavra-chave desta anedota. Qualquer uma delas decerto iria revivê-la em sua mente, se a apreciou, antes de mais nada.
Embora eu tenha certeza de que muitos leitores acharão alguma utilidade prática para isso, um dos malabarismos de memória que as vezes utilizo em meus shows é o teste da revista. Isto costuma provocar alguns comentários porque aparece ser a mais surpreendente das proezas mnemônicas. Na verdade, é algo simples e básico.
O que acontece é o seguinte: Distribuo pela platéia exemplares de uma revista atual. (Em geral, uso Tempo magazine, que é publicada pela Enterprise Magazine Managembt. Inc.) Peço então que dêem o número de uma página qualquer e imediatamente digo-lhes os títulos daquela página específica
Esta é apenas outra aplicação dos sistemas mnemónicos fixação. Em alguns casos, utiliza-se o método de ligação com o de fixação, conforme será explicado diretamente. A fim de memorizar as páginas de qualquer revista ilustrada, tudo precisa fazer é associar a palavra de fixação que representa o mero da página ao título nela impresso.
Por exemplo, se a página 1 tem o retrato de um aeroplano você faria a associação ridícula entre “teia” (1) e aeroplano’’
76. cajá
77. coque
78. cova
79. cubo
80. fez
81. fita
82. fone 83 . fumo
84. faca
85. filé
86. ficha
87. fogão
A página 2 poderia ser um anúncio de graxa de sapato. Associe “Noé” a graxa de sapato.
A página 3 traz a fotografia de um cavalo. Associe mamãe” a cavalo.
A 4 poderia retratar uma cena de circo. Apenas faça a associação entre rio” e circo.
A 5 está anunciando um aparelho de tevê. Associe lei” a televisão.
A 6 é uma crítica literária. Associe ‘chá” a
livro.
Isso é tudo. Se examinar a revista e as associações duas três vezes, saberá os títulos de cada página. Se a página apresenta mais de uma ilustração, use o método de ligação para decorá-las. Suponhamos que a página 14 seja sobre moda e que exibe a fotografia de um chapéu, uma de luvas e outra de um vestido.
Primeiro associe tira” (14) ao primeiro retrato, que é o chapéu. Agora ligue chapéu a luvas e depois a vestido.
Quando pedirem a página 14, a palavra de fixação o lembrará do chapéu. O chapéu lhe indicará que a próxima foto é a das luvas e esta última o fará recordar-se do vestido.
Se já viu uma de minhas apresentações, sabe que também digo aos espectadores em que parte da página a ilustração está localizada, se é no canto inferior ou superior esquerdo superior e inferior direito, no centro etc. Bem, você pode fazer o mesmo, sem qualquer esforço adicional.
Como já mencionei, a memória normal ou real realiza a maior parte do trabalho em seu lugar. Estes são apenas auxiliares que facilitam o serviço. A medida que aplicar meus sistemas, descobrirá que sua memória real está ficando cada mais forte. O melhor exemplo disso é a memorização de revista. Antes de mais nada, precisa realmente ver e observar a ilustração na página, a fim de fazer as associações.
Por tal motivo, quando citarem o número de uma página qualquer, a palavra de fixação para esse número serve de auxiliar à memória para capacitá-lo a reproduzir quase inteiramente a página em sua mente. Saberá em que canto está localizado o retrato. Só pode provar isto a si próprio se experimentar.
A única coisa que não conseguirá fazer por enquanto é lembrar-se dos nomes das pessoas que aparecem fotografadas nas páginas. Este problema será solucionado para você, após ler os capítulos que o ensinam a recordar-se de nomes e faces e como utilizar a substituição de palavras ou pensamentos.
Antes de continuar a leitura, aprenda a última série das 100 palavras de ligação.
88. filó
89. fubá
90. beiço
91. botão
92. boné
93. bum
94. berro
95. bola
96. bicho
97. boca
98. pufe
99. pipa
100. teses ou doses Para “fez”, imagine um barrete árabe. Quanto ao número 85, “filé”, pode visualizar um pedaço de carne. “Fífé” é uma espécie de lampião de querosene. Para “ficha”, poderia escolher entre uma ficha de telefone e uma ficha de internação ou até mesmo uma ficha de ônibus. “Bum” é o som que corresponde a um estrondo, uma queda ou uma pancada. “Pufe” é um tipo de assento acolchoado e baixo, sem espaldar.
Depois de aprender estas palavras, conseguirá contar de 1 a 100 rapidamente, apenas com as palavras de fixação. O interessante é que não precisa dedicar seu tempo a praticá-las. Se estiver viajando a negócios ou executando qualquer tarefa que não exija raciocínio, poderá repassar todas na mente. Se o fizer de vez em quando, elas lhe serão tão familiares quanto os números de 1 a 100.