Como Ter uma Memória Superpoderosa
21. Não seja distraído
Ao concluir a conferência sobre as paisagens maravilhosas a serem encontradas neste mundo. um famoso viajante observou:
— Há certos espetáculos dos quais nunca nos esquecemos!
Nisto uma pequena velhinha na última fila levantou-se e indagou timidamente:
— Oh. pode dizer-me como consegue isso? Estou sempre esquecendo de comprar as entradas para os últimos lançamentos.
Você vive esquecendo-se de comprar as entradas dos mais recentes shows? Nunca se lembra onde põe certas coisas? Perde um tempo precioso procurando os óculos ou a caneta que costuma enfiar atrás da orelha? E do tipo que está sempre gritando “mas eu tinha isso na mão há um minuto atrás!”? Sempre esconde tão bem suas jóias de valor a ponto de não conseguir encontrá-las depois? E vocês, moças, estarão constantemente atrasadas para um encontro porque não conseguem localizar o batom favorito? E, vocês, homens, sua mulher grita e reclama enquanto procuram laboriosamente abotoaduras esquecidas?
Se a resposta a qualquer uma destas perguntas for “sim”, não caminhe e sim corra à livraria mais próxima.
Bem, se isto fosse um comercial de rádio ou televisão, poderia ser mais ou menos assim, não acha? Mas, falando sério, será que atingi bem no alvo quanto a algumas das indagações acima? Estou quase certo de que foi mesmo assim, porque poucas pessoas têm a boa sorte de não serem distraídas de vez em quando.
Muita gente comete o erro de confundir distração com memória fraca. Na verdade, acho que deviam ser consideradas como duas coisas inteiramente diferentes. Indivíduos com execelente memória também podem ser distraídos. todos nós já ouvimos histórias de um professor avoado. Bem, antes de mais nada, procure ter uma boa memória, a fim de ser um professor. Pelo que sei, as centenas de piadas sobre esse tipo de professor que dá corda na mulher dá beijo de boa-noite no gato e apaga o relógio podem ser verdadeiras, mas ainda assim isto não significa que possuam má memória.
Creio que é possível curar-se da distração só com um pequeno esforço e com as sugestões contidas neste capítulo. Entretanto, por favor, não pense que poderá fazê-lo apenas lendo sobre o assunto. Precisa tomar a peito a tarefa de usar as informações aqui fornecidas. Então, e só então, isso irá ajudá-lo. Presumo que muitas pessoas lêem livros iguais a este, mas nunca tentam aplicar as informações dadas e. então. reclamam que nunca os auxiliarão. E lógico que tal informação será verdadeira se se limitarem a ler este livro sem tentar empregar os sistemas. Muitos adultos sempre argumentam que são velhos demais para aprender Na minha opinião, querem dizer que são preguiçosos demais para aprender — ninguém é velho demais para aprender! E. L. Thorndike. uma autoridade em educação de adultos. disse que ‘a idade não é nenhum empecilho para aprendizagem de uma nova profissão ou qualquer coisa que o indivíduo queira fazer em qualquer época de sua vida”. A palavra em itálico nesta citação não é minha. Se realmente você desejar aprender, pode
fazê-lo. Portanto, não use a idade como desculpa.
Na verdade, a distração nada mais é do que falta de atenção. Se prestasse atenção onde põe os óculos, naturalmente saberia onde estavam quando precisasse deles. O American ColIege Dictionary dá “preocupado” como uma das definições de distração e acerta bem na mosca. As pequenas coisas que fazemos sempre, como colocar as coisas em qualquer lugar. Não são bastante importantes para ocupar nossas mentes. Portanto, acabamos nos esquecendo de tudo.
É evidente que, se pomos os objetos nos lugares errado sem refletir ou mecanicamente, esquecemos de onde está porque, em primeiro lugar, nunca nos lembramos. Quando saímos de casa, costumamos nos preocupar se trancamos porta ou não, simplesmente porque o fizemos de modo consciente, sem pensar duas vezes no caso.
Portanto, resolvemos nosso problema! A fim de evitar trações, pense no que está fazendo. Já sei, você está raciocinando “eu sabia disso. Se fosse capaz de pensar a cada vez que pouso algo ou tranco uma porta, não seria distraído!”. Tudo bem, tão por que não usar associações conscientes para ajudá-lo lembrar-se de coisas triviais? Você sabe que pode, e é fácil fazer.
Por exemplo, algo que sempre nos aborrece é não lembrar de pôr as cartas no correio. Ou esquecemos de levá-las. quando saímos de casa ou, se as levamos, elas permanecem no bolso durante dias. Se quiser certificar-se de que leva carta consigo quando deixa a casa, faça o seguinte: Primeiro decida o que vai fazer ou ver no último momento antes sair. Quanto a mim, examino a maçaneta da porta dianteira Esta é a última providência que tomo e, portanto, faço uma associação ridícula entre a maçaneta e a carta. Quando saio de casa na manhã seguinte, verifico a maçaneta. Assim que penso na maçaneta, relembro a associação ridícula e que devo levar a carta!
A última coisa que você faz antes de sair pode ser algo inteiramente diferente. Talvez beije a esposa ou o marido — bem, associe este beijo à carta. Assegure-se de que as associações são ridículas e/ou ilógicas.
Agora, como certificar-se de que remeterá a carta’? Um recurso possível é segurá-la até a enfiar na caixa do correio. Se preferir guardá-la no bolso, associe o destinatário à caixa do correio. Poderia “vê-lo” sentado em cima da caixa, etc. Se não conhece a pessoa o bastante para visualizá-la, use uma palavra substituta, tal como já aprendeu. Se a carta fosse para a companhia telefônica, por exemplo, estabeleceria uma associação entre telefone e caixa do correio e assim por diante. Quando vir uma caixa do correio na rua, irá lembrar-se de remeter a carta. (Depois de tudo isso, espero que não se esqueça de colar o selo no envelope!)
Esta idéia pode ser empregada para todas as pequenas coisas que desejar lembrar-se de fazer. Se continuar esquecendo o guarda-chuva no escritório, simplesmente associe este objeto à última coisa que fez ao sair de lá. Se sua mulher ligar para lembrá-lo de comprar ovos ao regressar para casa. forme uma associação de ovos, com, digamos, a porta de entrada. Isto atuará como um lembrete final. Ao invés de esperar que o lembrem quando estiver em casa, associe ovos a supermercado. Então, quando ver um supermercado, isto o recordará de que deve entrar e comprar os ovos.
É lógico que todos estes exemplos são teóricos. Você saberia exatamente quais as coisas que devem ser associadas em seu caso específico.
Agora tratemos dos pequenos aborrecimentos reais resultantes da distração, tais como pôr as coisas em um lugar e depois esquecer-se de onde foi. Bem, o método aplicado aqui é exatamente o mesmo. Precisa fazer uma associação entre o objeto e o lugar onde o coloca. Por exemplo, se o telefone toca e, ao atendê-lo, você enfia a caneta atrás da orelha, crie uma rápida imagem mental entre orelha e caneta. (Quando acabar com o telefonema e pensar na caneta, saberá que está atrás da orelha.) O mesmo ajusta-se a qualquer pequeno objeto ou a tarefas menores. Se tem o hábito de pousar as coisas em qualquer parte, acostume-se a fazer uma associação, para saber onde as colocou.
Uma das perguntas que em geral se faz neste ponto é a seguinte: Tudo bem, mas como vou recordar-me de fazer tais associações para estas pequenas coisas?” Há apenas uma resposta para esta indagação: Use um pouco de força de vontade no princípio e procure de fato conceber as associações. Quando vir os resultados, estou certo de que conseguirá continuar com o processo e, antes que perceba, adquirirá o hábito de fazer uma associação para lembrá-lo de onde o objeto está.
Não há dúvida de que este sistema deve curar a distração. O motivo é óbvio. Os olhos não podem ver, se a mente está ausente — e a sua mente esta ausente, quando larga as coisas em qualquer lugar mecanicamente. A simples idéia de fazer uma associação o leva a pensar no que está realizando ao menos durante uma fração de segundo, e isto é tudo de que precisa. Se associar sua chave à porta quando trancá-la, não estará mais fazendo isso de forma mecânica. Está pensando neste ato. Conseqüentemente. mais tarde, ao indagar a si próprio se trancou a porta. saberá que o fez. Quando ligar o despertador. estabeleça uma associação entre relógio e mão ou entre relógio e outra coisa qualquer. dependendo das circunstâncias. Isto não importa. O essencial é que está pensando nisso no momento. E como realmente pensa no caso por enquanto. não necessitará levantar da cama mais tarde, a fim de confirmar se o alarme está ligado.
Afirmo que a associação não importa e realmente é assim. Na verdade, se fechar os olhos e vir a si mesmo desligando o ferro como se estivesse executando tal tarefa, não terá de preocupar-se com a possibilidade de estar desligado ou não, enquanto tenta concentrar-se no filme a que está assistindo. O processo de fechar os olhos e visualizar a ação funciona tanto quanto a associação. Serve ao mesmo propósito. o de forçá-lo a pensar no que está fazendo no momento.
O método inteiro resume-se a isto. Mas não posso deixar de acentuar com grande ênfase a necessidade de aplicar o que acabou de aprender Por favor, não leia o capítulo, nem concorde com a cabeça, diga que é uma grande idéia e depois esqueça-se de tudo. Despenda um pouquinho do esforço indispensável no princípio e ficará feliz por tê-lo feito.
O comandante do navio falando ao marinheiro:
— Nunca mais torne a repetir a parte de trás do navio’. Esta é a popa do navio. E este lado é chamado de bombordo e o outro, de estibordo. Aquilo ali em cima é a cesta da gávea, isto é o escaler e aquele é o castelo de proa etc. Se tornar a dizer a parte de trás do navio, atiro você por aquele... aquele, bem, aquele buraquinho ali! Assim como quase sempre a distração é confundida com memória fraca, também costuma levar a culpa dos bloqueios mentais. Neste caso igualmente, não creio que uma coisa tenha algo a ver com a outra. O fato de ter algo de familiar na ponta da língua e não ser capaz de lembrá-lo não implica em distração. Não sei o que é nem por que acontece, mas a realidade é que acontece mesmo, para mim tanto quanto para você.
Não há muito que eu possa fazer para evitar os bloqueios mentais. Não conheço nenhum sistema capaz de eliminá-los. Entretanto, quando ocorrerem, posso aconselhá-lo a tentar pensar nos acontecimentos associados ao nome ou ao fato do qual está tentando recordar-se. Se for o nome de algum conhecido, procure visualizar o último encontro que tiveram, onde foi, o que você estava fazendo e quem mais estava presente no momento.
A mente precisa trabalhar da maneira tortuosa que lhe é peculiar. Com muita freqüência, a simples reflexão em torno do fato que deseja lembrar fará com que de repente a lembrança brote na mente.
Se isso não ajudar, a melhor providência a tomar em seguida é esquecer tudo. Pare de pensar no caso por enquanto, e é muito provável que a recordação venha quando menos esperar.
Esta é toda a ajuda, que posso oferecer-lhe no que se relaciona aos bloqueios mentais. Experimente minhas sugestões na próxima vez que passar por algo semelhante. Talvez fique surpreso, ao verificar o quanto são úteis!