Como Ter uma Memória Superpoderosa
15. Vale a pena lembrar-se de nomes e
faces
Dois homens aproximaram-se um do outro na rua com uma expressão de reconhecimento nos olhos. Um deles falou:
— Espere aí, não me diga, tenho certeza de que conheço voce, mas não sei bem de onde é. Deixe-me ver se consigo lembrar do nome. Já sei! Foi em Miami Beach, há dois anos.
—Não, nunca estive em Miami.
—Espere, não me diga... Oh, sim, foi no passeio de tábuas de Atlantic City.
—Lamento, nunca visitei Atlantic City.
—Agora lembrei! Chicago em 1953!
—Nada disso, não foi em Chicago em 1953.
—Bem, sei que nos conhecemos, mas de onde?
—Idiota! Sou seu irmão!!
“Oh, seu rosto me é familiar, mas simplesmente não consigo lembrar do seu nome!” Embora eu duvide que você tenha uma memória tão ruim quanto a do sujeito da anedota, quantas vezes ficou embaraçado porque precisou dizer isto? Estou certo de que já passou por tal situação em inúmeras ocasiões. Creio que se eu realizasse uma pesquisa para descobrir por que a maioria das pessoas quer fazer meu curso de memória, ficaria comprovado que o motivo principal é o fato de que pelo menos 80% delas parecem não ter capacidade para recordar-se de nomes e rostos.
É lógico que. em geral, costumamos esquecer o nome, não o rosto. A razão é bastante simples. Entenda, quase todos os indivíduos possuem o que chamamos de mente visual”. Em outras palavras, registramos o cérebro com muito mais ênfase as coisas vistas do que as ouvidas. Sempre vemos o rosto, mas em geral só ouvimos o nome. E por isso que seguidamente precisamos dizer: Reconheço seu rosto, mas não me lembro do nome de jeito nenhum.”
Este incidente pode não apenas ser constrangedor mas também prejudicar os negócios de vez em quando e acabar até custando dinheiro. Algumas pessoas tentam evitar tal embaraço, recorrendo ao truque de realmente se aperceberem de que seu nome fora esquecido. Isso poderia funcionar ocasionalmente, mas não sempre, e ainda assim vale a pena lembrar-se dos nomes. Decerto todos vocês já ouviram a história do homem que encontrou um conhecido do trabalho de cujo nome não conseguia recordar-se. Tentou evitar o constrangimento de fingir que conhecia o nome, mas não sabia muito bem como soletrá-lo. Então perguntou:
— Como se soletra mesmo seu nome? E a resposta foi:
—Do único jeito possível, J-O-N-E-S!
Outro recurso dissimulado para fingir que não se esqueceu do nome de alguém que devia saber como se chama é o seguinte: Simplesmente pergunte à pessoa. Se ela lhe der o sobrenome, você retruca: “Oh. não me esqueci disto, é ao primeiro nome que me refiro.” Se ele disser primeiro o nome, naturalmente você responderá que sabia, mas que queria o sobrenome. Desta forma, poderá obter o nome completo e dar a impressão de que só se esqueceu de um deles. Há apenas um aspecto negativo nesta pequena embromação. Se o indivíduo der todo o nome tão logo se lhe pergunte o nome em primeiro lugar, você estará sem sorte.
Há também o exemplo clássico do sujeito que sempre perguntava às pessoas de cujo nome não se recordava se era escrito com um “e” ou ‘i”. Isso deu certo até que tentou com a Sra. Hill.
Não, receio que continua valendo a pena memorizar nome, ao invés de recorrer a truques. Não só vale a pena lembrar-se dele mas também, acredite-me, isso é mais fácil do que lançar mão de subterfúgios, porque exige muito menos esforço.
Vários sistemas têm sido experimentados como auxílio na memorização de nomes. Alguns usam o alfabeto ou o método da primeira inicial. Ou seja, fazem um tremendo esforço para reter apenas a inicial do nome da criatura. Isto significa despender mais esforço em vão, pois geralmente acabam esquecendo-se da inicial de todo modo. E mesmo que lembrassem, como isso poderia indicar-lhes o nome do indivíduo? Se você dirigir-se ao Sr. Armandjian ou vice-versa, ele não ficará satisfeito simplesmente porque o nome com que o chamou tinha a primeira letra igual a do seu.
Embora às vezes anotar as coisas em um papel seja útil para lembrar, não se pode depender deste método no que me diz respeito à memorização de nomes. Junto com um bom sistema de associação, pode funcionar, conforme explicarei depois. mas não sozinho. Se fôssemos capazes de fazer uma réplica exata do rosto da pessoa, isso seria melhor, pois neste caso saberia que nome pertence a que rosto. Teria duas coisas tangíveis com as quais faria um tipo de associação ridícula. Porém, infelizmente, nem todo mundo sabe desenhar bem e, se soubesse, o método não seria assim tão valioso a ponto de compensar o tempo despendido.
Alguns especialistas da memória aconselharão seus clientes a manterem um “livro de memória” e nele anotarem o nome das pessoas de quem desejam lembrar-se Como já disse, isto poderia ajudar um pouco, se utilizado junto com um bom sistema de associação, mas não de outra maneira. E lógico que ajudaria se você estivesse disposto a examinar a lista de nomes todas as vezes em que encontrasse alguém, na esperança de que o nome lhe viesse à cabeça, ao vê-lo escrito no livro. Não acho, porém, que tal atitude fosse muito lisonjeira para o ego da criatura cujo nome foi pescado” de um livro, ao invés da memória.
Estou certo de que não será necessário dizer-lhe o quanto é importante recordar-se de nomes e faces. Contudo, eis aqui uma das reclamações mais comuns de nossa época no que se refere à memória: “Não consigo gravar nomes de jeito algum!” O modo de vida atual torna quase inevitável o encontro com muitos desconhecidos todos os dias. Conhecemos pessoas continuamente, gente da qual queremos nos lembrar e também aquelas que não julgamos serem importantes o bastante para compensar o esforço mental até reencontrá-las. Então, quando já é tarde demais, compreendemos que devíamos ter tentado fazê-lo.
Não seria vantajoso para qualquer vendedor saber de cabeça os nomes dos fregueses? Ou para um médico recordar-se dos nomes dos pacientes. Ou para advogados e seus clientes, etc? E óbvio que seria. Todos querem ter tal capacidade, porém inúmeras vezes uma venda importante é cortada pela raiz, perde-se dinheiro, alguém passa por situações embaraçosas ou uma reputação fica maculada porque um sujeito qualquer esqueceu-se do nome de uma pessoa importante. Contudo, já nas antigas civilizações grega e romana, Cícero lembrava-se dos nomes de mulheres de aldeões e soldados, usando um sistema mnemônico.
Ouvi falar de uma jovem, encarregada de cuidar dos chapéus, casacos e guarda-chuvas em um popular clube noturno de Nova York, que ganhou reputação pelo fato de nunca dar o recibo para o chapéu ou o sobretudo guardados. Ela simplesmente memoriza qual chapéu ou casaco pertence a este ou àquele sujeito. Dizem que até agora jamais devolveu a alguém o artigo errado. Isso talvez não lhe pareça assim tão importante, pois seria igualmente fácil usar recibos, tal como fazem todas as outras encarregadas. Mas essa jovem transformou-se em uma espécie de atração no clube noturno e suas gorjetas polpudas comprovam tal fato. É lógico que isto não é exatamente a mesma coisa que memorizar nomes e rostos, já que ela não grava o nome, mas este é um processo muito semelhante. A moça precisa associar o chapéu ou o casaco, ou ambos, ao rosto do dono.
Contaram-me que o mensageiro de um grande hotel sul dos Estados Unidos ganhou reputação parecida. Sempre que se registra no hotel alguém que já se hospedou lá antes o rapaz chama o hóspede pelo nome. Pela última informação que tive, ele está a caminho de economizar, com as gorjeta dinheiro bastante para comprar o hotel.
Se provas fossem necessárias, tais casos deveriam convencê-lo de que as pessoas adoram ser lembradas, chega até a pagar por isto. O mensageiro e a moça do chapéu decerto ganham mais dinheiro do que os outros que fazem mesmo serviço.
O nome do indivíduo é o seu bem mais precioso e não lhe agrada mais do que ouvir o próprio nome dito por outro ou saber que se lembram dele.
Alguns de meus estudantes e eu mesmo gravamos uns 300 nomes e rostos em um único encontro, e você pode realizar o mesmo!
Antes de abordar os métodos e sistemas efetivos pai memorizar nomes e faces, gostaria de mostrar como conseguirá melhorar sua memória para tais coisas pelo menos uns 25% a 50%, sem os sistemas! Leia os próximos parágráfos com muita atenção.
A principal razão pela qual a maioria dos indivíduos esquece de um nome é que, para começar, nunca se lembram dele. Irei um pouco mais além e afirmarei que, antes de mais nada, esta gente nem chegou a ouvir o nome. Quantas vez não fomos apresentados a alguém desconhecido da seguinte maneira: “Sr. Reader, conhece o Sr. Stra-ph-is?” Tudo que ouvimos é um amontoado de sons, ao invés do nome, possivelmente porque a própria pessoa que está fazendo apresentações não gravou o nome. Portanto, recorre a evasivas. Por outro lado, provavelmente temos a impressão que nunca mais tornaremos a encontrar o camarada e, então respondemos muito prazer” e não nos preocupamos em entender direito o nome. E possível até que passemos algum tempo conversando com o indivíduo e por fim nos despeçamos ainda sem ouvir o nome direito.
O único pensamento que a maioria das pessoas dedica a tal situação é o auto-interrogatório. “Poxa, qual era mesmo o nome daquele homem, aquele sujeito tão simpático com quem conversei outro dia?” Quando a resposta não vem, a coisa toda é ignorada com um “oh, deixa pra lá” e o assunto se encerra aí.
É por tal motivo que as pessoas descobrem-se falando com os outros e os chamando de “cara”, “amigo”, “camaradinha”, “doçura”, “amoreco” — qualquer coisa que imaginem para protelar a necessidade de usar o nome do indivíduo, enquanto morrem de constrangimento por não saber o nome. Oliver Herford colocou a situação desta maneira, ao definir a palavra “querida”: “É a forma popular de dirigir-se na conversa a alguém do sexo oposto cujo nome não se consegue lembrar no momento.”
Eis agora a primeira regra para decorar nomes: PRIMEIRO PROCURE OUVIR O
NOME! Como já disse antes, você vê o rosto e, portanto, a probabilidade é que o reconheça quando o vir novamente. Como só pode ouvir o nome, então deve entendê-lo direito. Ainda não ouvi ninguém reclamar que “conheço seu nome, mas não consigo recordar-me do rosto”. É sempre o nome que cria o problema. Então, repito, PROCURE OUVI-LO.
Não deixe o sujeito que está fazendo as apresentações escapar com evasivas. Se não ouviu o nome, se não tem certeza absoluta de qual foi, peça-lhe para repeti-lo. As vezes, até mesmo após ouvir um nome, pode não estar muito certo da pronúncia. Se este for o caso, peça-lhe que soletre. Ou tente soletrar você mesmo. Ele o corrigirá se errar e ficará envaidecido com seu interesse.
Por falar nisso, se você se habituar a tentar soletrar o nome de toda nova amizade que fizer, logo se acostumará a soletrar a maioria de todos os tipos de nomes. Ficará surpreso com a grande quantidade que vai soletrar corretamente. Com o tempo, será capaz de reconhecer como fazer tal coisa com certos sons de determinadas línguas. Aprenderá que a língua italiana não tem a letra “J,’ e, portanto, o “j” em um nome italiano é sempre pronunciado com um “g”. Em geral, a pronúncia do “J” e do “G” mole e às vezes o som do “sh” no nome polonês corresponde a um “cz”, ao passo que “ai de vez em quando soa como as letras “aj”. O “ch” ou “tch” às vezes são soletrados com um “c” duplo em italiano. Em um nome alemão, especialmente no princípio da palavra, o som do “ch” corresponde a um “sch”, etc. E lógico que nem sempre isto funciona — recentemente encontrei um nome que soava como “Burke”, mas que se soletrava como “Bourque”. Entretanto, inúmeros indivíduos que assistiram a meu desempenho jurarão que soletrei seus nomes corretamente em quase 85% dos casos. Ou com exatidão bastante para impressioná-los de qualquer forma. Assim sendo, como vê, é possível fazê-lo. Menciono isso porque o fato de soletrar o nome de uma pessoa do modo certo, ou quase certo, irá impressioná-la quase tanto quanto o de recordar-se da pessoa dele.
Se após assegurar-se de como deve soletrar o nome, perceber que é igual ou semelhante ao de um amigo ou parente, mencione o fato. Isto servirá para gravar o nome na mente. Se for um nome estranho, um que nunca ouviu antes, diga-o. Não se sinta envergonhado nem pense que está tomando liberdades demais ao fazer tais coisas, porque todo mundo fica lisonjeado quando seu nome é alvo de muitas atenções. Assim como também ficariam se você se mostrasse interessado por qualquer um de seus bens mais caros ou por suas preferências pessoais. Suponho que isso possa ser atribuído à natureza humana.
Enquanto’ estiver falando com alguém, repita-lhe o nome com a maior freqüência possível durante a conversa. Não fique repetindo o nome como um idiota. Naturalmente, use estes recursos apenas quando julgar oportuno e necessário. Não estou mencionando tal coisa para ser engraçado. Li instruções de especialistas da memória com referência a este ponto e eles deram alguns exemplos de conversas: “Ora, sim, Sr. Greenpepper, viajo de navio à Europa todas as temporadas, Sr. Greenpepper. E, oh, Sr. Greenpepper, não adora Roma, Sr. Greenpepper? Sr. Greenpepper, diga-me — etc., etc.” e assim vai pela noite afora. Isto, além de não impressionar o Sr. Greenpepper, vai deixá-lo maluco.
Não. Como já expliquei, só use o nome onde e quando achar cabível. Utilize-o realmente quando disser adeus ou dar boa-noite.
Simplesmente não mencione algo sobre esperar encontrá-lo de novo, fale “Adeus, Sr. Johnson, espero revê-lo em breve, etc.” Tudo isso irá gravar o nome em sua mente de forma mais firme e definitiva.
Como sempre, o único esforço envolvido neste recurso está em empregá-lo nas primeiras vezes. Após algum tempo, ele acabará tornando-se um hábito, e você nem mesmo perceberá que o está pondo em prática. Decida-se a seguir as sugestões apresentadas nos últimos parágrafos. Releia-os, se não se sentir muito seguro de seu conteúdo.
Para alguns indivíduos, todas essas práticas em si compreendem um sistema para memorizar nomes. Este fato ocorre simplesmente porque, ao seguir as sugestões acima, você torna os nomes interessantes, age com interesse e. quando o faz, na verdade cria o interesse. E, conforme já expliquei, o interesse constitui uma grande parte da memória.
Todas as informações acima ajudarão sua memória a guardar nomes e rostos em 25% a 50% dos casos, se você se esforçar na tarefa. Mas continue lendo, e o auxiliarei nos 50% ou 75% restantes!