Como Ter uma Memória Superpoderosa
2. Hábito é memória
Tenho certeza de que não existe esquecimento definitivo. Uma vez impressos na mente, os traços são definitivos.
—Thomas De Quincey
Uma memória exata e retentiva é a base de todo sucesso comercial. Em última análise, todo o nosso conhecimento baseia-se na memória. Platão disse isto desta maneira. “Todo conhecimento não passa de lembrança”. Cícero também afirmou que a memória e o tesouro e a guardiã de todas as coisas”. Um bom exemplo deve bastar por enquanto você não conseguiria ler este livro neste momento, se não se lembrasse dos sons das 23 letras do alfabeto.
Tal afirmação talvez lhe pareça um pouco exagerada, mas ainda assim é verdade. De fato, se perdêssemos a memória por completo, precisaríamos começar a aprender tudo de novo, como se fôssemos recém-nascidos. Não saberíamos como nos vestir, barbear ou maquilar, como dirigir carro ou quando usar a faca ou o garfo, etc. Veja só, todas as coisas que atribuímos ao hábito devem ser creditadas à memória. Hábito é memória.
A mnemônica, que em sua maior parte compõe-se de uma memória treinada, não é algo novo ou estranho. Na verdade, a palavra “mnemônica” origina-se do nome da deusa grega Mnemósina. Já na antiga civilização grega utilizavam-se sistemas de memória. O fato estranho é que os sistemas de memória treinada
não são conhecidos e aplicados pela maioria das pessoas. Os que descobriram o segredo da mnemônica na memória tem-se surpreendido não só com sua tremenda capacidade de lembrar, mas também com os louvores que receberam de parentes e amigos.
Alguns decidiram que seria uma boa coisa ensinar a outros. Por que não ser o único homem no escritório capaz de lembrar-se do número e do preço de cada modelo; por que não ser o único a poder levantar-se em uma festa e demonstrar algo que deixa todos maravilhados?
Por outro lado, acho que devemos colocar em primeiro plano a memória treinada, e a esta finalidade este livro está dedicado. Embora alguns leitores talvez conheçam-me como artista de variedades, naturalmente não é meu proposito ensinar-lhes um feito de memória. Não tenho nenhuma intenção de colocá-los no palco. Pretendo realmente ensinar as maravilhosas aplicações práticas de uma memória treinada. Este livro ensina muitos malabarismos de memória que são ótimos como um recurso para mostrar aos amigos o quanto são brilhantes. O mais importante é que são excelentes exercícios de memória e que as idéias usadas em todos os malabarismos podem ter utilidade prática. .
A pergunta que as pessoas me fazem com mais frequencia é a seguinte: “Não confunde lembrar muito? Minha resposta é “Não!”( Não existe limite para a capacidade da memória Lúcio Cipião era capaz de recordar-se do nome de cada habitante de Roma; Círo podia chamar cada soldado do seu exército pelo nome; enquanto Sêneca tinha capacidade de memorizar e repetir duas mil palavras após ouvi-las uma única vez.
Creio que quanto mais lembramos, mais podemos lembrar. Sob muitos aspectos, a memória é como um músculo. É preciso exercitá-lo e desenvolvê-lo, a fim de dar-lhe uso e trabalho adequados. O mesmo ocorre com a memória. A diferença é que podemos exercitá-lo ao máximo ou ate atrofiá-lo mas não fazemos o mesmo com a memória. E possível aprender a ter uma memória treinada, assim como aprendemos qualquer outra coisa. De fato, é muito mais fácil obter uma memória treinada do que, digamos, aprender a tocar um instrumento musical. Se você consegue ler e escrever em sua língua e possui um grau normal de bom senso e se lê e estuda este livro, terá adquirido uma memória treinada! Além disto, provavelmente obterá também um maior poder de concentração, um senso de observação mais apurado e uma imaginação mais vivaz.
Por favor, lembre-se de que não existe memória fraca! Isto talvez seja um choque para quem durante anos usou a memória supostamente “fraca” como desculpa. Mas, repito, não existe má memória. Há apenas aquela treinada ou não. Quase toda memória destreinada é unilateral. Ou seja, as pessoas que se lembram de nomes e rostos esquecem-se de números de telefone e as que gravam números de telefone não conseguem, de jeito nenhum, recordar os nomes das pessoas com quem desejam falar.
Há indivíduos com uma memória retentiva boa, mas lenta, bem como os que se lembram das coisas com rapidez, porém são incapazes de retê-las por qualquer período de tempo. Se você aplicar os sistemas e métodos presentes neste livro, asseguro-lhe que obterá uma memória rápida e retentiva para quase todas as coisas.
Conforme mencionei no capítulo anterior, tudo o que quiser lembrar deve estar associado de uma forma ou de outra a algo que já conhece ou do qual se recorda. Verdade ,mesmo! Se você estivesse associando de forma consciente, então já teria o início de uma memória treinada.
Veja só, a maioria das coisas que lembrou até hoje estava associada subconscientemente a algo que já conhecia ou do qual se recordava. A palavra importante aqui é “subconscientemente” Nós mesmos não compreendemos o que se passa em nosso subconsciente. Quase todos nós ficaríamos assustados, se entendêssemos. Iremos lembrar do que tiver fortes associações inconscientes e esquecer do que não tiver. Já que esta pequena “calistenia” mental ocorre sem nosso conhecimento, não podemos evitá-la.
Portanto, aqui está o xis do problema — vou ensiná-lo a associar tudo o que desejar, conscientemente! Quando aprender a fazê-lo, terá adquirido uma memória treinada!
Tenha em mente que o sistema por mim ensinado neste livro serve de auxílio à memória normal ou real. È a sua memória que faz o trabalho por você, quer perceba isto ou não. Há uma leve distinção entre uma memória treinada e uma memória real, e à medida que utilizar o sistema aqui apresentado, esta distinção começará a desaparecer.
Este é o aspecto maravilhoso do nosso sistema. Após usar o método de modo consciente por um tempo, ele se tornará automático e você quase começará a pô-lo em prática subconscientemente!
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Esta frase substitui outra de sentido diverso em inglês, ou seja. “Every Good Boy Does Fim”’ (Todo Bom Garoto Aprende Bem), cujas iniciais correspondem às letras que representam as notas mi. sol, si. ré, fá, sistema este existente nos Estados Unidos, mas não no Brasil. (N. da. T.)
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Também aqui houve a substituição da