Como Ter uma Memória Superpoderosa

Harry Lorayne · Capítulo 15 de 27

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Como Ter uma Memória Superpoderosa

14. Vale a pena lembrar-se de vocabulário de língua estrangeira e informações abstratas

Quanto mais inteligível for a coisa, mais facilmente será retida na memória e, ao contrário, quanto menos inteligível for, mais facilmente nos esqueceremos dela.

— Benedict Spinoza

Talvez você ache que a citação acima não demonstra nenhuma genialidade da parte de Spinoza. Poderia argumentar o seguinte: Ora, todo mundo sabe que se algo é inteligível ou faz sentido, então é mais fácil de lembrar.” Bem, isso é verdade, este é um raciocínio óbvio, mas foi preciso que Spinoza o dissesse ou colocasse em um papel exatamente desta maneira já no século XVII.

Estou insistindo tanto assim nesta determinada citação porque ela resume em uma sentença o conteúdo deste livro. Quase todos os sistemas aqui presentes são basicamente isto — ajudam a tornar inteligíveis coisas ininteligíveis. Um bom exemplo é o sistema de fixação. Em geral, os números em si não fazem sentido, mas a aplicação deste sistema os torna significativos para nós.

Talvez o melhor exemplo está em tentar memorizar vocabulário de línguas estrangeiras. Uma palavra em uma língua estranha nada mais é do que um aglomerado de sons para qualquer pessoa não familiarizada com a língua. E por este

motivo que são tão difíceis de lembrar.

A fim de conseguir decorá-las com maior facilidade, utilizará o sistema de SUBSTITUIR AS PALAVRAS. Este método é empregado sempre que quiser lembrar-se de algo que seja abstrato ou inteligível, alguma coisa que não faça sentido para você, que não possa ser visualizado, mas que ainda assim precisa memorizar. Procure ler este capítulo cuidadosamente, porque as palavras substitutas o ajudarão a decorar os nomes.

O processo de formar uma palavra substituta é simples. Ao encontrar uma palavra que não signifique nada para você, que seja intangível e ininteligível, ache outra palavra, expressão ou pensamento cuja pronúncia tenha a maior semelhança possível com o termo original, que seja tangível epossa ser mentalizado.

Qualquer palavra que precise gravar na cabeça, seja em língua estrangeira ou não, que não tenha sentido, pode adquirir significado pelo processo de localizar uma palavra ou um pensamento substituto. Há alguns anos, durante certo tempo, tive como passatempo os peixes tropicais e estava tentando aprender os nomes técnicos das barbatanas dos peixes. Como nessa ocasião não conseguia visualizar seus nomes, usava palavras substitutas para decorá-las.

Por exemplo, o rabo do peixe é chamado de nadadeira caudal. A fim de recordar-se disto, visualizava um peixe com uma longa corda no lugar do rabo. A imagem de uma corda bastava para me ajudar a lembrar da palavra ‘caudal”. A nadadeira nas costas do peixe é conhecida como nadadeira dorsal. O primeiro pensamento que me veio à cabeça quando ouvi a palavra “dorsal” foi Tommy Dorsey com um trombone. Portanto, simplesmente imaginava um homem tocando trombone no dorso do peixe.

Este método talvez lhe pareça muito longo. Pois não é. A associação de “dorsal” a Dorsey e de Dorsey a trombone na formação prática da imagem ocorre em mera fração de segundo. Tenha em mente que deverá usar o pensamento ou a imagem que lhe brotar na cabeça quando ouvir qualquer palavra intangível. Utilizei Dorsey para dorsal, mas poderia pensar nas palavras “dor” e “saI” e estabelecer uma associação entre elas, o que também serviria ao nosso proposito. Por exemplo, visualizaria a mim mesmo comendo um peixe salgado demais e ficando com uma tremenda dor de barriga.

A palavra inglesa para “pássaro” é bird (que se pronuncia bard). Pode imaginar uma palavra que a substitua? É fácil porque a palavra soa como bardo”, com o “r” enrolado, típico de sotaque paulista. Bardo significa poeta, trovador e, naturalmente, é algo tangível, a partir do qual podemos formar imagens mentais. Portanto, por que não fazer a associação ridícula ou ilógica entre ‘tardo” e pássaro, como já aprendeu? Poderia ‘ver” um pássaro declamando poesia como um poeta ou mesmo escrevendo sonetos.

Na próxima vez que tentar recordar-se da palavra inglesa a pássaro. sua associação ridícula o ajudará a lembrar-se que a palavra é bird. A palavra substituta que escolher ) precisa ter exatamente o mesmo som da outra que está tentando memorizar. Podemos ilustrar isso, recorrendo ao mesmo exemplo. Em espanhol, pássaro corresponde a pa~‘ (com o “j” soando quase como um “r”). Pelo som, ela assemelha-se a “par” e “aro”. Então pode associar par de is a pássaro e “ver” dois aros voando como passarinhos. É possível empregar também “pá rara”, o que também auxilia a decorar a palavra. Contanto que preserve a parte principal da palavra na imagem, a memória real encaixará o resto. Isto é estritamente individual. Uso alguns pensamentos substitutos que provavelmente não conseguiria definir em palavras, mas que de fato ajudam-me a memorizar a palavra estrangeira. As palavras que utilizo podem ser ótimas para m, mas não para você. Deve usar as que você conceber.

Estou explicando isto tão completamente porque é uma s coisas mais úteis que aprenderá neste livro e desejo que compreenda com exatidão sobre o que estou falando. A fim decorar uma palavra estrangeira e seu significado, associe sentido em português à palavra substituta para o termo de língua estrangeira.

Deixe-me fornecer alguns exemplos concretos do sistema, empregando algumas palavras simples em francês, inglês e espanhol.

Ventana significa “janela” em espanhol. Poderia imaginar uma jovem (alguém que conheça) chamada Ana que tenha um nariz com ventas enormes e quadradas como duas janelas ou veja a si mesmo sendo jogado por uma forte ventania através de uma janela fechada. Se quiser lembrar-se do termo francês para janela, que é fenêtre, visualize-se entrando em uma festa como penetra através de uma janela amiga que lhe sussurra: “Vamos, penetre!

A palavra espanhola para “mãe” é madre. Simplesmente imagine sua mãe vestida de freira.

Em inglês, “pato” é goose (pronuncia-se gaze). Pense em “guza” e imagine um pato trabalhando em uma metalúrgica que fabrica

ferro-gusa.

A palavra francesa para “pá” é pe/le. Sugiro que visualize uma pá feita de pele e não de ferro.

A palavra espanhola para “rua” é calle. Simplesmente pense em uma rua pavimentada de callas.

“Burro” corresponde a rucho em espanhol. Imagine um burro todo roxo.

Em inglês, sweet-bay significa “loureiro” e, pelo som, lembra duas palavras em português, “suíte” e “bei”. Pode imaginar um bei ou sultão que tem um grande loureiro plantado dentro de sua suíte.

O significado de vasa é “copo” em espanhol. Mentalize a si próprio bebendo em um vaso, ao invés de um copo.

A palavra francesa para “vassoura” é balai. Pode visualizar uma vassoura sendo a primeira bailarina de um balé.

Em francês, baton quer dizer bengala. Veja a si mesmo usando um gigantesco batom vermelho como bengala.

A palavra para ‘‘batedeira” é baratte. Pense que está utilizando uma barata enorme no lugar da batedeira.

Pluma significa “caneta” em espanhol. Visualize-se escrevendo com uma pluma gigante, não com uma caneta, ou escrevendo em uma pluma com uma caneta.

Os exemplos das associações descritas acima são os que eu poderia usar. Será sempre melhor criar suas próprias imagens.

Experimente este método com o vocabulário de qualquer língua estrangeira e será capaz de decorar as palavras mais rápido e melhor e com mais retenção — do que jamais poderia imaginar.

Além das línguas, é possível aplicar este sistema a tudo que estiver estudando e que envolva a memorização de palavras inicialmente sem nenhum sentido.

Um estudante de medicina que precise memorizar os nomes dos ossos do corpo humano, teria dificuldades com fêmur,cóccix, patela, fíbula, sacro etc. Mas se transformações em palavras ou pensamentos substitutos, tais como fêmur- fêmea, cóccix - cócega, patela -cautela, patê dela ou pá de tela, fíbula - fábula e sacro - saco, então o estudante conseguiria ligá-los uns aos outros ou associá-los a qualquer coisa a qual deva ser associados.

Um estudante de farmácia podia imaginar que é o espectador de uma parada, onde vê desfilar a tropinha de belas donas, a fim de lembrar-se de que a atropina (a tropinha) origina-se da folha ou raiz da beladona.

Na verdade, estou formando estas palavras substitutas enquanto escrevo. Com um pouco de reflexão, você seria capaz de achar outras muito melhores para tais exemplos. Talvez quisesse visualizar as palavras “atroz” e “pina” para recordar-se de atropina, etc.

O principal é que a palavra ou o pensamento substituto tenha significados o que não acontece com o termo original. Portanto, fica muito mais fácil gravá-lo na cabeça pelo processo de utilizar a palavra substituta. Obterá mais algumas dicas e mais prática neste assunto, quando ler o capítulo que ensina a decorar nomes.

Portanto, como iniciei este capítulo com uma citação de Benedict Spinoza. posso ser presunçoso o bastante para terminar com uma por mim criada: “E possível nos lembrarmos com facilidade de algo intangível, abstrato ou ininteligível, se aplicarmos um sistema pelo qual tornamos tangível, significativo e inteligível a coisa ininteligível.”