Contos e Lendas

Luiz Augusto Rebello da Silva · Capítulo 20 de 21

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Contos e Lendas

Capítulo XI

 

A tropeada de muitos cavallos, soando a par do alarido e vozes do castello, annunciou á aldeia alvoroçada a vinda do monarcha. Tello Vasques apparecia á porta quando Sueiro Lopes expirava.

—Besteiro! Por teus olhos vês que me não chamam em vão o Justiceiro. Corrias como noivo e como esposo... apesar d'isso cheguei primeiro! A justiça do rei ainda andou mais veloz do que o amor!

Horas depois, a camisa do enterro servia de mortalha a Sueiro na capella, e os noivos recebiam a benção nupcial, tendo el-rei D. Pedro por seu padrinho.{170}

Fallou-se muito no besteiro de Miranda, mas o que não esqueceu nunca foi a justiça que fizera em Algoço a severidade do monarcha.

O castello devolveu-se á corôa, e parece que fôra doado depois ao primogenito de Tello e de Silvana. Pelo menos assim se disse, e se foi verdade ou fabula, não sei. El-rei D. Pedro era tão capaz de fazer cavalleiro um villão, como de justiçar como villão um cavalleiro. {171}