Cultura contemporânea, identidades e sociabilidades

Ana Lúcia de Castro · Capítulo 4 de 9

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Cultura contemporânea, identidades e sociabilidades

3 Produção cultural, trabalho e lazer ao ritmo do tecnobrega

3 Produção cultural, trabalho e lazer

ao ritmo do tecnobrega

 

Expedito Leandro Silva1

Oriundo do brega tradicional, 2 o tecnobrega configura-se como um movimento musical paraense. Na década de 1990, artistas e músicos se inspiraram no brega antigo para criar um novo estilo musical: o calypso, com mais tempero dos ritmos caribenhos e com o tom da guitarra. Em meados da década de 2000, houve um marco da nova musicalidade bregueira e de seu mercado informal surgindo, com inovação e pujança, o tecnobrega. Depois, foi a vez do cybertecnobrega e do brega melody; essa mistura toda veio apimentada com o calor amazonense e, sobretudo, com as batidas da música eletrônica e as inferências da rede mundial de computadores.

No final da década de 1990, a variedade de ritmos musicais associada a novos equipamentos eletrônicos e ao mundo virtual contribuíram para que surgisse uma nova maneira de apresentar as manifestações musicais do estilo brega. Houve uma modernização das antigas aparelhagens e a instalação de estúdios de gravação em recintos domésticos, popularmente conhecidos como estúdios de "fundo de quintal". Os produtores e DJs desses estúdios criaram uma forma híbrida de estilos musicais conhecidos pelos jovens - tais como pop music, rock, dance music e techno music - aglutinaram tudo isso e incorporaram ao ritmo do brega, tendo como base o sentimento da música brega tradicional, em que o universo das canções amorosas revelam-se, via de regra, por meio de códigos usuais e compreensíveis aos jovens e ao público em geral. Esse movimento denominou-se tecnobrega.

Em meio a esse panorama, a musicalidade tecnobrega surgiu em Belém como um meio de entretenimento e lazer dos jovens que já não participavam das vivências coletivas experimentadas por seus pais, quando estes viviam as tradições da cultura rural, antes de migrarem para os arredores da Grande Belém. Alheios ou negando-se a participar dos roteiros e eventos culturais promovidos pela classe média, poderíamos afirmar que esses jovens vivem em uma transição cultural que, de certa forma, mantém as práticas culturais de seus pais por meio da reapropriação, de uma ressignificação no ambiente urbano que compreende as novas tecnologias e os mais modernos meios de comunicação e a mídia eletroeletrônica.

No entanto, os DJs de aparelhagens não originaram em meio à efervescência da tecnologia. Suas primeiras apresentações em público foram marcadas pela execução de músicas gravadas em disco de vinil nas vitrolas. Com o CD, o vinil foi substituído pela gravação digital e, progressivamente, os DJs foram se apoderando dos novos inventos tecnológicos: primeiro, trocaram o vinil pelo CD; depois, o CD pelo MD; em seguida, o MD pelo MP3; e tantos outros que foram (e são) utilizados a cada momento para produzir, mixar e garantir o sucesso pleno do tecnobrega.

O tecnobrega caracteriza-se como manifestação sociomusical que tem como matriz a cultura tradicional paraense e caribenha. Ao apropriar-se da linguagem eletrônica, formou-se um novo estilo que sintetiza as tonalidades e sonoridades caribenhas com as batucadas do carimbó. Nesse cenário, agregam-se ainda as cores vivas e os rituais do antigo brega (brega bolero) e a nova coreografia da dança tecnobrega. Os passos e os trejeitos dos casais que dançam tecnobrega revelam, com muita visibilidade, todo o desempenho do brega tradicional - uma espécie de "bolero acelerado" misturado com merengue - somando-se ao gingado e à sensualidade do carimbó. Em suma, podemos dizer que é uma grande festa cabocla, uma grande tribo que substituiu os maracás e a fogueira pelo som digital e pelos efeitos especiais dos refletores.

Para que tudo isso aconteça, é vital o auxílio do computador - a "matéria-prima" não só do mundo tecnobregueiro, mas de muitos gêneros e estilos musicais. Os DJs de tecnobrega ignoram completamente o disco de vinil, porém, não desprezam sua contribuição inicial para o desenvolvimento das primeiras aparelhagens. Eles são tão encantados pelo mundo virtual e tecnológico quanto seu público, o que talvez explique o uso excessivo dos recursos que a mídia eletrônica oferece. A grande dificuldade é saber qual aparelhagem disponibiliza a mais sofisticada tecnologia em equipamentos, em luz e efeitos especiais, e em qualidade de som e imagem.

O tecnobrega, portanto, nasceu em meio às novidades tecnológicas e fora do circuito comercial das grandes e pequenas gravadoras, assim como dos veículos de comunicação de massa. Alheio aos interesses da indústria fonográfica tradicional, esse movimento expandiu seu mercado e conquistou novos adeptos, trilhando da

periferia para o centro como se fosse uma "pororoca cultural".3 De maneira independente, conquistou a Grande Belém, alargou-se pelas ilhas e esparramou-se pelo estado e por toda a região. O estilo irreverente tornou o tecnobrega conhecido em todo o Brasil.

O reconhecimento e a expansão desse movimento estão vinculados à exposição na mídia e ao aprimoramento técnico e profissional, tanto na produção de CDs quanto na realização de shows e eventos em recintos públicos, tais como praças e balneários.

Os produtores montaram estúdios e apropriaram-se das novas tecnologias com equipamentos computadorizados, a fim de baratear os custos e a produção de CDs e DVDs. Paulatinamente, formou-se um cenário artístico e musical em que esses agentes gerenciam trabalho, renda, bem como toda a produção da música popular paraense.

Esse mercado é movimentado principalmente por casas de festas (como são chamados no Pará as casas de shows), shows, vendas de CDs e DVDs nas ruas e, mais precisamente, por meio da atuação das aparelhagens que se encarregam da montagem de grandes estruturas sonoras configurando-se na grande festa de tecnobrega. Em geral, o mercado de tecnobrega funciona de acordo com o seguinte ciclo:

1. os artistas gravam em estúdios próprios ou de terceiros;

2. as melhores produções são levadas aos reprodutores de larga

escala e camelôs;

3. ambulantes vendem os CDs a preços compatíveis com a

realidade local e os divulgam;

4. os DJs tocam nas festas;

5. os artistas são contratados para shows;

6. nos shows, CDs e DVDs são gravados e vendidos;

7. as bandas, músicas e aparelhagens fazem sucesso e

realimentam o ciclo (Lemos; Castro, 2008, p.22).

A cadeia produtiva da produção musical, lazer e entretenimento em torno do tecnobrega em Belém assumiu uma posição de destaque, firmando-se como um meio de fonte de renda e de geração de trabalho, por meio de apresentações ao vivo, festas, gravações de CDs e DVDs, entre outros.

O movimento tecnobrega introduziu um modelo de mercado fonográfico e cultural que não se restringe à questão econômica, mas também aos fatores sociais da cultura local. Verificamos que os atores desse mercado vão desde artistas (compositores, cantores e cantoras, bailarinos, integrantes de bandas), DJs de aparelhagens e de estúdios (produtores e reprodutores musicais), vendedores ambulantes (camelôs), proprietários de casas de festas, festeiros, apresentadores e diretores de programas de rádio e TV, entre outros.

Nesse sentido, o mercado bregueiro funciona em um sistema de rede, em que cada profissional relaciona-se a partir da atividade que desenvolve. No campo da divulgação das músicas, as aparelhagens destacam-se como principal veículo. No entanto, as bandas tiveram uma trajetória mais independente, isto é, atuando no mercado do brega tradicional e no tecnobrega. Porém, com o avanço das aparelhagens, muitas bandas tornaram-se dependentes dos DJs para promover suas músicas; sua ligação com as aparelhagens facilita a contratação de shows e venda de CDs e DVDs na Grande Belém e no interior do estado. Outro meio que amplia o sistema de distribuição, divulgação e venda está a cargo do camelô, que executa em sua barraca a música que faz (ou que fará) sucesso.

Os principais agentes do circuito tecnobrega podem ser classificados na seguinte ordem seguir.

1. Aparelhagens: a cargo de empresas familiares.

2. DJ: principal funcionário da aparelhagem e comandante da

festa. Alem, do DJ de estúdio que trabalha na produção e gravação dos CDs e DVDs.

3. Artistas (compositores, cantores e bandas).

4. Estúdios: locais destinados à produção independente de novos

CDs.

5. Reprodutor não autorizado ou distribuidor informal: agente que

reproduz os CDs e DVDs e repassa aos vendedores de rua.

6. Vendedores de rua: principais responsáveis pela venda dos

CDs e DVDs de tecnobrega.

7. Festeiro: pessoa ou grupo responsável pela organização das

festas das aparelhagens, é uma espécie de empresário e produtor.

8. Casas de festas e balneários: casas de festas são destinadas a

shows durante a noite. Balneários são clubes campestres de sindicatos e associações profissionais, onde aparelhagens fazem festas aos domingos, entre 10h e 22h.

9. Programas de rádios e de TV: alguns programas de rádio e TV

são apresentados por DJs de tecnobrega, ajudando a divulgação.

Por meio das transformações advindas das novas tecnologias e sua proliferação junto ao público popular, a música brega caracterizou-se como uma manifestação cultural popular massiva em função de recente sucesso das aparelhagens que há tempo vem animando festas e shows em todo o estado do Pará. Com o tecnobrega, muitas bandas começaram a fazer músicas que falavam das aparelhagens e dos sons automotivos como forma de divulgação da própria aparelhagem ou do DJ por exemplo, Tupinambá, Super Pop, Rubi, Príncipe Negro, entre outros.

Brega do Príncipe Negro

Nelsinho Rodrigues

 

[...]

Amor, não precisa você vir me chamar,

Porque se eu quero curtir e dançar

Vou pra festa do Príncipe Negro.

Amor, a qualquer hora você pode ligar,

Contanto que seja pra me convidar

Pra ir à festa do som

Príncipe Negro.4

Em meio a esse processo, a mídia eletrônica (rádio e televisão) passou a divulgar com mais intensidade o trabalho das pessoas envolvidas nas aparelhagens e, consequentemente, a imagem desses artistas e DJs começou a se modificar, deixando de ser valorizada somente nos bairros periféricos e influenciando a participação de setores da classe média.

O tecnobrega inovou não apenas como estilo musical, mas também como nova forma de produção no mercado fonográfico de baixo custo e fácil aquisição para o público consumidor, contrariando as expectativas do mercado formal. Haja vista a movimentação dos agentes que nos fazem visualizar um cenário cultural e mercadológico que renuncia seu vínculo aos grandes selos e redes de lojas. O movimento tecnobrega desencadeia uma elasticidade que dinamiza totalmente a cidade de Belém, oxigenando a vida cultural e o setor econômico.

As pessoas que trabalham com o universo tecnobrega geralmente atuam no campo musical e em outra área paralela, ou seja, atuam em mais de uma atividade. Por exemplo: o cantor de banda que é produtor ou festeiro; o DJ que trabalha de vendedor de rua; o DJ de aparelhagens que atua como locutor de rádio ou de carros de som; o dono de banda que é funcionário público. "Entre os cantores de bandas, 29% não têm outro trabalho. Já entre os donos das aparelhagens, apenas 10% não exercem outras atividades, enquanto que, dentre os vendedores de rua, 77% não contam com outro emprego" (Lemos, Castro, 2008, p.44).

O agente principal em todo o negócio tem sido o festeiro, que detém o poder de capital para investir na modernização das aparelhagens, negociar com a locação de uma casa de festas e organizar grandes eventos. Também é de sua responsabilidade a organização burocrática junto ao poder público (a fim de conseguir permissão para a realização do evento), assim como a contração de funcionários, seguranças e garçons.

Ainda nesse universo bregueiro, encontram-se os distribuidores de CDs e DVDs, os DJs, os reprodutores não autorizados e os vendedores de rua. Os DJs de aparelhagens e estúdios têm uma importância fundamental: definir qual música irá (ou não) fazer sucesso; pois são eles que selecionam as músicas que serão reproduzidas e executadas nas rádios e na televisão e, posteriormente, disponibilizadas ao mercado por meio de coletâneas.

Outro fator significativo são as relações hierárquicas. O artista - ou quem está à frente das aparelhagens - usufrui de prestígio e de boa posição social. Essas relações acontecem independentemente se o festeiro administra uma pequena, média ou grande aparelhagem; ele troca informações com os produtores de CDs e DVDs e está afinado nos negócios. Em suma, o tecnobrega caracteriza-se por ser um empreendimento fortemente calcado em negócios familiares e nas relações de amizade.

Em se tratando de divulgação musical, a banda faz parte do projeto de negócios, isto é, depende do investimento e do sucesso alcançado. Talvez por isso, as bandas já consolidadas geralmente procuram as aparelhagens e o comércio informal para promover uma ou duas músicas que poderão ser o carro-chefe da banda.

No interior do estado, as rádios ainda são as principais divulgadoras das músicas de brega e tecnobrega, enquanto, na capital, são as aparelhagens as responsáveis pela divulgação do estilo. Por vezes, o sucesso ocorre em uma pequena aparelhagem que se destaca entre as maiores, em seguida o público solicita que as rádios a toquem. Nesse caso, há uma inversão na ordem preestabelecida, ou seja, as rádios vão em busca do que já é sucesso, contrariando o que é comum, ou seja, uma música conquistar seu público por meio das rádios para depois se consolidar nos shows das bandas.

Não se sabe até quando esse modelo vai se manter no auge do sucesso. No entanto, a permanente inovação é determinante para sua longevidade, associada às modernas tecnologias e, especialmente, à criatividade dos artistas e produtores na inclusão de comportamentos, novos estilos etc. Na pesquisa Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música, Lemos & Castro (2008) concluem que a impressão que se tem em uma festa em Belém é a de que esse mercado nunca existiria se não fosse essa adoração pela tecnologia e pelas grandes estruturas das aparelhagens. Diante desse quadro, os festeiros investem na renovação dos equipamentos das aparelhagens periodicamente.

 

As aparelhagens, suas nomenclaturas e

significações

O nome de cada aparelhagem tem significados que remetem a poderes mágicos e indicam força, poder, potência, status e prestígio- por exemplo, Furacão, Ciclone, Esplêndido Rubi, Hiper Treme Terra Tupinambá: Guerreiro da Amazônia, Super Pop, Príncipe Negro, entre outros.

A cabine de som também recebe um nome, como, entre outros: Águia de Fogo refere-se à aparelhagem Super Pop; Nave do Som é identificada com a Rubi; Duplo Cyber Comando pertence à Ciclone; e o Altar Sonoro é o slogan da Tupinambá. Cada cabine tem sua nomenclatura e ganha vida com os efeitos especiais que levam ao delírio a plateia e se distingue das demais concorrentes. A ideia é ter uma divindade no meio de todos; por exemplo, altar significa lugar sagrado de veneração e culto, nave relaciona-se a viagens interplanetárias, águia faz voo de longo alcance etc. Entretanto, não basta ter uma aparelhagem de alta potência e bastante sofisticação, é necessário conquistar prestígio e associar-se aos valores simbólicos do universo das músicas, dos ídolos e dos equipamentos.

A comunicação vivenciada nas aparelhagens é também expressa na forma de símbolos, feitos com os membros superiores do corpo; por exemplo, T de Tupinambá; S de Super Pop, e a pedra representada pelo símbolo < > de Rubi. Esses símbolos são utilizados como forma de identificação e pertencimento àquela "tribo", ou seja, àquela determinada aparelhagem. Sendo assim, o indivíduo sente-se reconhecido no ambiente, torna-se importante. Isso pode ser considerado um fator para que o número de frequentadores de festas de aparelhagens tenha aumentado, principalmente de pessoas que antes se sentiam rejeitadas em certos espaços culturais da sociedade ou então que não conseguiam fazer parte deles. As festas das aparelhagens podem ser vistas como um ambiente em que é mais fácil ser reconhecido, acolhido e mais bem-aceito pelo grupo, ou seja, é um espaço menos preconceituoso.

Nesse aspecto, observamos uma memória coletiva que se transforma e se atualiza em uma perspectiva imaginária, integrada por símbolos, significados e identidade étnica. Desse modo, podemos dizer que a origem étnica está fundada na "ficção dos símbolos identitários", na crença, na origem comum. Logo, o passado está vinculado às ações coletivas, representadas pela memória social e pela vivência, isto é, por meio dos símbolos e significados imaginários. A pertença étnica conjuga a fidelidade coletiva dos direitos sociais e estabelece-se uma relação de pertencimento.

Além dos símbolos que identificam essa pertença, existe uma característica que integra a aparelhagem a seu público. Vale ressaltar a funcionalidade dos telões - que projetam clipes e divulgam o trabalho por ela realizado em outras regiões e casas noturnas de Belém. Entretanto, a interatividade mais visível é quando o DJ exerce o papel de mensageiro, espécie de correio elegante, à medida que lê os recados que os frequentadores mandam no decorrer da festa.

Nesse sentido, as manifestações populares em torno do brega paraense contemplam alguns requisitos da sociedade contemporânea por se tratar de um fenômeno que, além de divulgar a cultura e as músicas locais, está conectado com as manifestações da cultura externa, em particular a caribenha, visto que seu ritmo e swing bregueiro é acentuadamente marcado pela presença do merengue, zouk, calypso, carimbó paraense, mambo, da cúmbia, lambada, entre outros. Isso revela que o brega não é propriamente um gênero, já que é um estilo musical que aglutina diversas manifestações rítmicas.

A variedade rítmica é uma característica da musicalidade paraense. A cantora Lea Monteiro (entrevista, 2005) afirma que os ritmos caribenhos fazem parte da cultura paraense:

No nosso show e por sermos uma banda de calypso, nós

tocamos cúmbia, merengue, carimbó, na verdade a gente

abrange os estilos, a cultura paranaense. A maioria do

repertório é calypso porque o calypso está em voga mesmo e a

gente está querendo levar também o carimbó, está querendo

levar também a cúmbia... sabe... tudo nosso, nosso mesmo,

100% paraense.

Traduzindo o pensamento da artista, podemos dizer que seu universo musical - "100% paraense" - perpassa as fronteiras. Há um território que é demarcado e vivenciado pela prática cultural de seus habitantes, que está além das demarcações geográficas de cada país. Assim sendo, não são somente as águas do oceano Atlântico que banham os estados do Amapá e do Pará que fazem com que o Brasil pertença ao Caribe, mas também parte de sua música que grita e nos faz ouvir e sentir o jeito de ser caribenhos.

 

A disputa pela originalidade

A disputa para ser o primeiro e o mais original entre as aparelhagens acirra a concorrência para demonstrar quem é o mais inovador, para depois encher-se de vaidades e dizer a todos que ele é o único a criar aquele efeito, aquela moda ou mesmo aquele estilo que agora está na boca de todos. Quando essas criações inovadoras dão certo, conquistando o público, logo é agregado ao DJ como produto de valor, gerando renda, prestígio e popularidade.

Além disso, o DJ desempenha atribuições exclusivas, como, por exemplo: montar um bom repertório musical, apresentar-se ao público sem embaraço, ter total domínio dos equipamentos de som e saber o momento exato de manusear os efeitos. É também de sua competência saber lidar e manter relações cordiais com o público, saber o momento de anunciar visitantes ilustres, saudar fã-clubes e, o mais fundamental, levantar o público e fazê-lo cantar e dançar. Todavia, isso só faz sentido e garante sucesso se a aparelhagem receber investimento para a aquisição de novas tecnologias.

Em geral, as aparelhagens são empresas familiares, em que o pai (chefe de família) está à frente dos negócios, contando com um número razoável de funcionários. Em alguns casos, os DJs são seus filhos e boa parte dos demais funcionários pertencem ao mesmo clã (sobrinho, irmã, cunhado, afilhado etc.).

As festas acontecem em diferentes pontos da cidade de Belém, principalmente nos bairros de periferia, pelo menos quatro vezes por semana (começa na quinta-feira e encerra na madrugada da segunda-feira). Elas promovem o encontro de centenas a milhares de pessoas - são uma das principais atividades de lazer e entretenimento da população da Grande Belém.

Quanto à produção e à realização de uma festa de aparelhagem, aglutina investimento em equipamento, venda de ingressos, produção e divulgação de CDs ou DVDs, encomenda de músicas, patrocínio de artistas, promoção nas emissoras de rádio e televisão etc. Outros agentes também estão envolvidos na produção da festa: são eles artistas, festeiros, donos de casas de festa, estúdios, fã-clubes e equipes de carros de som.

Cada aparelhagem realiza, uma vez por ano, sua grande festa. Nesse evento, são apresentados ao público seus novos equipamentos eletrônicos, suas novas invenções de efeitos especiais e sonoros. São conhecidas como festas de lançamento, quando o DJ principal exibe a melhor estética, com ampliação da estrutura física e da qualidade do som. Essas festas são as mais disputadas pelo público, o que resulta em ingressos mais caros e cachês mais altos.

As grandes casas de festa costumam contratar duas aparelhagens para apresentarem-se na mesma noite. Como a primeira a abrir a noite é de médio porte, seu cachê é inferior. Mas isso parece não ser problema para seus responsáveis; ao contrário, é considerada uma oportunidade de apresentar-se a um público que frequenta as grandes festas. Nesse sentido, abrir a festa para uma grande aparelhagem significa associar conhecimento e prestígio, é uma somatória de valor agregado que pode render outros contratos e torná-los conhecidos perante o grande público.

 

As bandas e o universo do tecnobrega

O movimento do tecnobrega não se resume apenas à constante presença das aparelhagens. Outros agentes que se destacam nesse circuito são as bandas, das quais fazem parte casais de bailarinos, músicos e cantor ou cantora. Geralmente, são as bandas que predominam na musicalidade tecnoparaense. Entre os instrumentos que mais se destacam está o teclado, pois ele dá o tom para o desfile coreográfico dos bailarinos. Em seguida, vem a nota musical que dá base para a voz da cantora, que interpreta as músicas que retratam desilusões amorosas, declarações de amor e exaltação aos DJs.

Ao comparar a preferência do público em relação às aparelhagens e às bandas, é possível perceber que há um descompasso: as bandas são menos valorizadas e as aparelhagens ocupam o lugar que antes era domínio das bandas e dos artistas de carreira solo. Estes continuam a fazer sucesso; contudo, o mercado em torno das aparelhagens detém a maior fatia: são elas que cumprem uma agenda semanal lotando casas de festa, clubes e outros recintos. Isso ocorre de tal modo que os DJs ocupam atualmente o lugar dos artistas, ou melhor, são eles que são tratados como artistas. Para completar sua agenda, os artistas e as bandas realizam shows pelo interior do estado.

A desvalorização das bandas e dos artistas tem se refletido na produção das apresentações. A junção de bandas e aparelhagens em uma mesma festa causa receio aos festeiros e aos proprietários das aparelhagens. Ambos não são simpáticos a esse tipo de negócio por entender que os custos da festa serão elevados em função da extensa produção e, portanto, o lucro será reduzido.

O sucesso das músicas difundidas pelas aparelhagens cria certa dependência do compositor e do artista em relação aos DJs, pois entendem que são eles que determinam qual música deve tocar e fazer sucesso. Diante disso, muitos artistas (cantores e compositores) se limitam a compor letras que exaltam determinada aparelhagem - esta, por sua vez, compra as músicas e mantém esses artistas na mídia. A seguir, um trecho de uma letra de música que exemplifica isso.

Super Pop

Banda AR 15

 

O show do Águia me faz sonhar

Não consigo controlar

Vou dançar curtindo o som do Águia de Fogo, amor!

 

DJ Elison a tocar, e Juninho a metralhar

Os nossos corações, com lindas canções

É bom estar aqui, te quero só pra mim

Baby, agora escuta o que eu vou dizer...

 

Faz o "S", levante a mão e faz o "S"

Ao som do Águia de Fogo

Faz o "S", com o Super Pop, o arrasta povo!

DJ Elison e Juninho Pop, metralhando só sucesso

Super Pop é o arrasta povo... 5

 

As casas de festas e os festeiros no comando da

noite Para iniciar este tópico, vale a pena descrever o cenário artístico e cultural da maior casa de festas da Grande Belém. A Pororoca é uma casa de shows instalada na avenida Senador Lemos, 3316, bairro da Sacramenta. Ficou famosa por conta das variações da música paraense. Nos finais de semana, costuma atrair centenas de pessoas que buscam o entretenimento ao som das bandas que pautam em seus repertórios vários ritmos que embalam a noite toda, dentre os quais destacamos: tecnobrega, melody, calypso, merengue, cúmbia, soca, lambada, forró, zouk, entre outros.

Seu dinamismo faz jus ao nome. No circuito bregueiro, a casa é referência em tamanho e estrutura, e seus organizadores propagam os seguintes slogans: "noite de 7.000 pagantes", "referência do brega no estado", "onde se apresentam os maiores talentos do brega". Fazem sempre referência a "sua grande estrutura". O local realmente é muito grande; aliás, é característico das festas populares serem realizadas em espaços enormes. E, em Belém, essa regra é também seguida, ou seja, tudo que se refere à música popular tem como requisito sua grandeza.

Essa casa de show foi também analisada por Antonio Mauricio Dias da Costa para a conclusão da sua tese de doutorado sobre o circuito bregueiro em Belém. Entre suas observações, ele apontou que A Pororoca é exemplo típico de casa de show desse circuito -em seu entender "é um empreendimento familiar como outros, mas difere das demais casas de brega por se encontrar numa posição privilegiada quanto à sua relação com os administradores públicos" (Costa, 2004, p.134).

Observamos que as casas especializadas em apresentações ao vivo - com uma estrutura financeira para manutenção e realização das atividades festivas, sem depender exclusivamente dos contratos com aparelhagens - gozam de um privilégio se comparadas com os problemas enfrentados por outras casas do estilo brega quanto a seu funcionamento. E acrescenta o autor, (ibidem) "se considerarmos as carreiras de outras casas de festa e de festeiros, observaremos que há poucas garantias de sucesso no negócio das festas de brega".

Toda esta instabilidade deve-se à dependência de todos os agentes em relação ao festeiro. O festeiro é um profissional, um agenciador que - dispondo de um capital - passa a investir no negócio das festas de brega. Em geral, é o grande mentor dos eventos bregueiros; é ele que tem o poder de investir nesse segmento, contratando bandas, aparelhagens, seguranças, funcionários para trabalharem na festa, entre outros. Também o aluguel da casa de shows e o valor do ingresso são responsabilidades assumidas por esse agenciador denominado festeiro, além da divulgação do evento na mídia local por meio de faixas e carros de som espalhados em toda cidade.

No entanto, o artista também depende da ação do festeiro, pois é este que circula pelas casas de brega, casas noturnas, casas de shows, sedes, clubes dançantes e balneários, entre outros - este é o habitat do festeiro. Certamente, é por isso que ele assume a postura de autoridade máxima, ou seja, é ele que realiza as negociações, faz os acertos e os investimentos quando acha conveniente.

Quanto aos investimentos, todos são unânimes e não medem esforços na compra de equipamentos sofisticados. Vejamos o caso da Aparelhagem Tupinambá. Ela possui cerca de 200 alto-falantes (cada um com potência de 1.000 watts), amplificadores, equalizadores de som, crossovers, aparelhos de sonoplastia (instant replays), mesa de operação, notebooks; além disso, moving head e troubles, (que fazem iluminação do cenário), telões de acrílico (nos quais há conexões ligadas à câmera que captura as imagens da festa e também passa videoclipes). As caixas de som são feitas de compensado com um revestimento de alumínio, assim como o "altar sonoro", a mesa de controle do DJ, é revestida também de aço inox.

O mercado informal em Belém, portanto, surge e se desenvolve em meio às transformações tecnológicas ocorridas na musicalidade bregueira, sobretudo, com a invenção do estilo tecnobrega, que, estando à margem do mercado formal, propiciou um novo mercado de trabalho e um novo modelo de negócios. Em sua plenitude, não é possível afirmar que o tecnobrega é um tipo de negócio informal, ou seja, é uma junção da informalidade e legalidade legitimada por toda a sociedade paraense, isto é, sendo usuária, apreciadora desse segmento musical ou não, em geral há um respeito por parte das classes sociais.

 

O tecnobrega na contramão do mercado formal

É importante ressaltar que as mídias alternativas aparecem como uma das formas de "trapacear" o sistema de mercado formal. Ao apropriar-se da tecnologia, o movimento tecnobrega não só assume uma autonomia na produção e realização de seus eventos, mas incorpora todo mercado de arte e lazer no que diz respeito à produção no universo bregueiro. A efetivação desse consumo materializa-se por meio da ritualização herdada dos grandes espetáculos do teatro circense, que, transmutados para as festas de aparelhagens, ganham eco e são ressignificados a partir dos barulhos urbanos, dos ruídos das oficinas mecânicas, dos gritos dos vendedores ambulantes.

O computador - instrumento principal para realizar as festas de aparelhagens - é utilizado pelo DJ para executar as músicas e também para fazer as mixagens. Porém, durante toda a festa, outro computador fica ligado o tempo todo, gravando tudo que acontece naquele evento. Ao término da festa, a produção da aparelhagem já disponibiliza cópias em CD (pequena quantidade) que contém tudo que "rolou" durante a festa. É comum, nas festas de tecnobrega, pessoas fazerem fila para comprar aquele CD que acabara de sair do "forno". Feita a compra, essas pessoas saem exibindo o CD como se tivessem ganhado um troféu; pois aquele CD, para o comprador ou a compradora, vale mais que qualquer troféu, visto que seu nome encontra-se gravado, ou seja, é um registro, é a prova de que esteve na festa e foi saudado pelo DJ como um personagem ilustre e que todos vão poder reconhecê-lo melhor. Os DJs utilizam esse artifício ao intercalar sua voz durante a execução da música. No dizer de Hermano Vianna, que também pesquisou esse fenômeno:

essas pessoas acabam comprando o CD, pois, além de conter

a seleção musical que acabam de dançar, ainda trazem a prova

de que são respeitados pelo DJ. É como comprar o jornal

porque sua foto está publicada na coluna social.6

Porém, o valor material do CD atualmente é muito menor. Esse sistema de mercado revela-se como capital imaterial na medida em que sua valoração só adquire sentido a partir do momento em que as redes de relacionamentos se efetivam em um processo circular; de modo que a produção, a criação e a socialização de conteúdos não se configuram em objetos materiais - o CD ou o DVD, por exemplo -, mas em um contínuo processo criativo que inclui a valoração e a circulação do conhecimento.

Quanto à produção dos CDs, não resta dúvida que, em geral, é de alta qualidade, porém, a rede de distribuição é considerada como "primária", mas é bastante eficiente em resultados. Sendo "independentes" (artesanal), em sua maioria, a divulgação e o comércio ficam a cargo dos vendedores ambulantes. Portanto, o universo sedutor do "marketing popular" concentra-se não apenas no preço, mas também na identificação com o vendedor, que é frequentador das festas de brega.

O tecnobrega é um fenômeno que movimenta milhões de reais, abrangendo a organização de eventos e a gravação de CDs e DVDs, que chegam ao consumidor sem a intervenção do lojista, pois os CDs e os DVDs são gravados e reproduzidos cotidianamente. Logo, as camadas populares apropriam-se da tecnologia e projetam um novo tipo de mercado no campo da indústria do entretenimento cultural.

Ao concluir essa análise, observa-se que a longa trajetória da música brega paraense demonstra a forte presença de uma cultura regional que ultrapassa fronteiras. Antes obscurecida pela distância física, geográfica, em função da inexistência de meios de comunicação e transporte, bem como da ignorância da sociedade nacional em relação à existência dessa cultura regional. Prevalece uma cultura nacional também em termos do mercado de bens simbólicos:

[...] somos penetrados pela modernidade-mundo; ela nos

acompanha em "todos" os lugares. [...] Hoje, deparamos com

uma singularidade de costumes. Calças jeans, sapatos, tênis,

jaquetas, casacos, fast-food, bebidas e comida industrial

denotam a imanência de um padrão civilizatório mundializado.

(Ortiz, 2003, p.40)

Nesse sentido, os estilos brega e tecnobrega criados em Belém do Pará estão em sintonia com o universo da "modernidade-mundo", apontado pelo estudioso. São transformações e costumes que se remodelam a partir das referências da cultura tradicional, como a nomenclatura Tupinambá, por exemplo, que identifica a aparelhagem de som mais famosa e potente do estado. Porém, não se trata apenas de um nome típico, mas também de uma referência e identificação com os povos da floresta. Ou seja, o termo é uma expressão de convívio com a cultura dos povos locais, seus irmãos indígenas, retratada por meio de objetos como o arco e flecha e o cocar, utilizados como adornos pelo DJ principal (DJ Dinho) e seus seguidores durante a festa de aparelhagem e em apresentações públicas.

Essa singularidade se expressa por meio da música e da dança tradicionais (o carimbó) e o estilo brega, que, refeitos sob os incrementos dos arranjos eletrônicos, configuram-se em uma nova modalidade: o tecnobrega. Em outras palavras, tem-se uma cabana eletrônica, haja vista que, na logomarca da Aparelhagem Tupinambá, o destaque está em ser o guerreiro da Amazônia. Percebemos um orgulho explícito por parte dos apreciadores desse estilo musical em comparar-se com seus antepassados. Assim sendo, poderíamos dizer que a exaltação em torno da expressão guerreiro seria uma espécie de representação imaginária, isto é, uma louvação aos rituais indígenas, quando se pintam e dançam noite adentro, preparando-se para enfrentar o inimigo.

Vale dizer que a Aparelhagem Tupinambá usa, com bastante propriedade, palavras e gestos que são corriqueiros na linguagem dos povos da Amazônia e na cultura popular paraense, tais como "seus arcos e flechas", "o guerreiro que veio salvar sua tribo", "a noite da tribo", "DJ Dinho, Toninho fazem a tribo estremecer" etc. Esse jogo de palavras sintetiza e caracteriza o estilo tecnobrega que, entre outras particularidades, transforma a batida do pé e a dança indígena em uma manifestação musical popular contemporânea. Podemos, então, afirmar que estamos diante de uma festa urbana travestida de um ritual tradicional que se caracteriza pelo uso de recursos tecnológicos.

Ao nos apropriarmos da expressão modernidade-mundo, verificamos que, nesse universo, existem dois fatores relevantes: um refere-se à desterritorialização, em que o sujeito torna-se conhecido e conhece novos costumes e lugares sem precisar sair de seu local. O outro diz respeito à reterritorialização, sendo que "uma cultura mundializada só faz sentido quando enraizada em nossos hábitos mais prosaicos" (Ortiz, 2003, p.42).

Nesse sentido, o espaço está além das fronteiras físicas. Ele envolve outras culturas e povos, ou seja, brega e tecnobrega, em primeira instância, conectam-se com a cultura caribenha - que se integra com a batida da música eletrônica oriunda de outras partes do mundo, porém, não abandona os aspectos da cultura regional.

 

Referências bibliográficas

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________.Festa na cidade: o circuito bregueiro de Belém do Pará. Tese (Doutorado em Antropologia) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

LEMOS, R., Castro, O. Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2008 (Tramas urbanas; 9).

ORTIZ. R. Um outro território: ensaios sobre a mundialização. São Paulo: Olho-d'Água, 2003.

SILVA, E. L. Do bordel às aparelhagens: a música brega paraense e a cultura popular massiva. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.

VIANA, H. Tecnobrega consolida uma nova cadeia produtiva, amparada em bailes de periferia, produção de CDs piratas e divulgação feita por camelôs. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 out. 2003.

________.Tecnobrega: a música paralela. Disponível em:

www.bregapop.com/historia/index_hermano.asp. Acesso em: 6 ago. 2005.

1 Doutor em Ciências Sociais/Antropologia, autor do livro Forró no asfalto: mercado e identidade sociocultural. São Paulo: Annablume, 2003

2 Brega tradicional refere-se à junção das canções de bolero com os ritmos regionais, denominada popularmente como música dor de cotovelo.

3 Pororoca é um fenômeno natural caracterizado por grandes e violentas ondas que são formadas a partir do encontro das águas do mar com as águas do rio. No Brasil, a pororoca mais importante ocorre na Amazônia, quando as águas do rio Amazonas encontram-se com as águas do oceano Atlântico na foz deste rio. Ocorre um forte barulho e a força do fenômeno provoca a derrubada de árvores e alterações nas margens do rio. Durante o fenômeno, formam-se ondas que podem atingir até 3 metros de altura e velocidade de até 20 km/h.

4 Disponível em: <http//www.muitamusica.com.br/...brega-do-

principe-negro/letra/> Acesso em: 23 de junho de 2009.

5 Disponível em: <http://letras.terra.com.br/ar-15/1210809>. Acesso em: 13 de junho de 2009.

6 Hermano Vianna. Disponível em:

<http://www.overmundo.com.br/download_banco/paradas-do-

sucesso-periferico>. Acesso em: 13 de junho de 2009.