Geografia e Ensino: Dimensões Teóricas e Práticas para a Sala de Aula

Os professores de geografia ensinando a pesquisar na escola

Os professores de geografia

 

 

ensinando a pesquisar na

 

escola

 

Rita Jaqueline Nogueira Chiapetti

 

A última frase do texto do professor Gilmar será a minha primeira frase: “[…] um professor, em qualquer nível de ensino, jamais deixa de estudar, jamais abandona seu espírito inquieto de pesquisador”, ou seja, todo pesquisador é inquieto, curioso, cheio de dúvidas, de perguntas… Portanto, todo professor deve ser um pesquisador, no sentido da curiosidade, de fazer perguntas, de procurar, de pensar, de refletir, de buscar continuamente o saber.

Bem sei que para pesquisar é preciso conhecimento sobre pesquisa, tempo, criatividade e condições materiais (biblioteca, computador com acesso à internet, etc.), mas também sei que é imprescindível que o professor do ensino fundamental e do médio tenha o hábito de pesquisar, para que na sua prática não reproduza somente o livro didático, ou não seja meramente um professor transmissor ou repassador de informação ou, ainda, seja um simples usuário do produto do conhecimento científico.

Para Demo (1996, p. 14) é preciso desmistificar a pesquisa, no sentido da separação do ensino e da pesquisa, pois,

 

Quem ensina carece pesquisar; quem pesquisa carece ensinar. Professor

que apenas ensina jamais o foi. [Professor] -Pesquisador que só pesquisa é

elitista explorador, privilegiado e acomodado.

 

Pois bem, o que é pesquisa, então? E pesquisa escolar? A pesquisa escolar é diferente da pesquisa científica? É necessário planejar a pesquisa escolar? É possível ensinar os alunos a fazerem pesquisa escolar? A pesquisa escolar pode ser uma metodologia de ensino de Geografia? Pode-se aprender Geografia com pesquisa escolar? Como pode ser feita a avaliação, no caso do ensino de Geografia através da pesquisa?

São tantas as questões! Algumas podem ser respondidas, pesquisando-se; outras na prática, ensinando… Nesse texto não tenho a intenção de responder a todas essas perguntas, mas gostaria que elas fossem um incentivo, para aqueles professores que o lerem, ficarem curiosos e procurarem as respostas pesquisando… e ensinando seus alunos a pesquisar na escola.

Conforme Marcos Bagno, professor e escritor de uma obra dedicada aos professores a respeito do que é e como se faz pesquisa na escola, pesquisa é uma palavra que veio do espanhol, o qual a herdou do latim, do verbo perquiro, que significa: “Procurar; buscar com cuidado; procurar por toda parte; informar-se; inquirir; perguntar; indagar bem; aprofundar na busca” (BAGNO, 2001, p. 17).

Então, quando se pesquisa se está sempre buscando algo, mesmo que seja alguma coisa do cotidiano, como, por exemplo, algum programa na TV ou um jogo grátis para baixar da internet. Mas, não é a esse tipo de pesquisa que vou me referir nesse texto, e, sim, àquela pesquisa que pode ser ensinada/feita na escola (pesquisa escolar), para que os alunos construam seu conhecimento e aprendam, nesse caso, Geografia.

Demo (1998, p. 78) afirma que, “A rigor, ensinar é algo decorrente da pesquisa”. Por isso, na universidade, os professores fazem pesquisa (ou deveriam fazer). Mas, nesse nível de ensino se faz pesquisa científica, a qual é uma construção técnica do conhecimento, sendo que ela é, ao mesmo tempo,

 

Princípio científico e educativo. Sem pesquisa, não há vida acadêmica, a

menos que a reduzamos a uma tática incolor de repasse copiado (DEMO,

1998, p. 78).

 

Minayo (1993), dentro de um cunho mais filosófico, considera a pesquisa como atividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. A autora escreve, também, que a pesquisa é uma atitude e uma prática teórica de constante busca, que define um processo intrinsecamente inacabado, permanente e que nunca se esgota. A pesquisa é, portanto, uma atividade que busca a aproximação com a realidade, além de combinar teoria e dados.

No contexto da educação básica, os professores também podem ser pesquisadores e ensinar seus alunos a fazerem pesquisa escolar (ou deveriam ensinar), segundo Demo (1998), como princípio educativo ou um modo de educar, de ensinar. O professor deve ser um profissional da educação pela pesquisa, desenvolvendo a capacidade do aluno pesquisar.

A pesquisa escolar tem a mesma importância da pesquisa científica, pois vai contribuir na promoção da autonomia do aluno, tornando-o capaz de: desenvolver sua criticidade e curiosidade; aprender a fazer perguntas e de refletir sobre elas; selecionar as informações relevantes à sua pesquisa; refletir sobre os resultados obtidos pela pesquisa; compreender os conceitos envolvidos na pesquisa; etc.

Cabe enfatizar que a pesquisa está proposta nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de todas as disciplinas do currículo do ensino fundamental e do médio. Naquele documento lê-se:

 

Considerando a formação mais ampla dos alunos e a importância de

desenvolverem atitudes de autonomia em relação aos seus estudos e

pesquisas, é necessário que o professor, por meio de rotinas, atividades e

práticas, os ensine como dominar procedimentos que envolvam

questionamentos, reflexões, análises, pesquisas, interpretações,

comparações, confrontamentos e organização de conteúdos. Nesse sentido,

o professor deve considerar, cotidianamente, a participação dos alunos nas

decisões dos encaminhamentos das diferentes atividades […] (BRASIL,

2000, p. 76).

 

Portanto, verifica-se a importância da pesquisa escolar como um método de ensino mais amplo, com a participação dos alunos em diferentes atividades, o que pode ser alcançado com a prática da pesquisa. O professor mediará o percurso da pesquisa, propiciando momentos para os alunos questionarem, auxiliando-os na elaboração de argumento crítico a partir do aprendizado que eles próprios irão buscar.

Utilizar a pesquisa como metodologia de ensino, segundo Martins (2005, p. 37):

É criar condições para que o estudante mostre os saberes prévios que

possui sobre o assunto a ser investigado, como também é lhe dar

oportunidade de se mobilizar na busca e na construção de conhecimentos

novos, exercitando, para isso, a desenvoltura, a criatividade e as próprias

competências na utilização dos procedimentos do método científico pelo

crescimento de sua autoestima e confiança.

 

Para Inácio Filho e Nunes (1999), a finalidade da pesquisa escolar é a de ampliar e enriquecer o conhecimento dos alunos. Contudo, para que isso aconteça, é preciso desmistificar a pesquisa escolar e pontuar algumas orientações necessárias a serem conduzidas em sala de aula ou fora dela, visto que, ao utilizá-la como metodologia de ensino, os professores precisam, antes de tudo, saber fazê-la e ter a clareza de que pesquisar não é uma atividade fácil para os alunos, os quais podem acabar fazendo somente cópia dos textos consultados em livros ou sites da internet.

Sobre objetivos da pesquisa escolar, Antonio (2010) cita objetivos bastante amplos que podem ser alcançados através da sua prática:

- Desenvolver atitudes autônomas de busca de informações.

- Desenvolver a habilidade de usar diferentes meios de pesquisa (livros, revistas, entrevistas, observações, internet, etc.).

- Desenvolver a habilidade de leitura e interpretação de textos.

- Expandir o universo textual dos alunos, colocando-os diante de diferentes formas de linguagem (textos com diversas formas de linguagem, figuras, gráficos, ilustrações, imagens, filmes, etc.).

- Desenvolver a capacidade de análise e síntese das informações (respeitado o nível de desenvolvimento cognitivo e faixa etária dos alunos).

- Desenvolver habilidades artísticas relativas à apresentação gráfica dos trabalhos de pesquisa produzidos, fazendo uso de imagens e ilustrações diversas, bem como de programas e instrumentos de produção artística.

- Desenvolver a habilidade de escrita, reescrita e produção textual.

- Desenvolver habilidades de comunicação, ao apresentar a pesquisa.

- Desenvolver habilidades de trabalho colaborativo (pesquisando-se em grupos e contando com o apoio do professor).

Pode-se ensinar a fazer pesquisa escolar em todo o ensino fundamental e no médio, entretanto, é imprescindível que, mesmo que o professor saiba fazer pesquisa, por isso pode ensinar a fazê-la, não perca sua ânsia de sempre aprender, sobretudo de aprender interagindo com os alunos, pois, segundo Freire (1996, p. 23): “Não há docência sem discência, as duas… quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Para esse autor, a capacidade de o professor aprender com o aluno faz parte de uma relação democrática e, por isso mesmo, pedagógica.

Para Pontuschka; Paganelli e Cacete (2007, p. 98), “Ensinar a pesquisar requer criar situações e condições didáticas que estimulem a curiosidade e a criatividade” dos alunos. Se a escola tiver uma boa biblioteca ou uma sala contendo computadores com acesso à internet, isso se torna mais fácil. Mas, se a escola não oferecer condições adequadas para os alunos pesquisarem, o professor precisa, ele mesmo, ser criativo e preparar o material de pesquisa a ser utilizado em sala de aula ou levado para casa.

A perspectiva de trabalhar com o ensino da pesquisa na disciplina de Geografia, ou com a pesquisa como metodologia no ensino fundamental e no médio,

 

Pressupõe uma mudança de atitude perante o conhecimento. Significa

ultrapassar a visão da prática pedagógica como simples transmissão de um

conhecimento pronto e acabado […] (PONTUSCHKA; PAGANELLI;

CACETE, 2007, p. 96).

 

No entanto, para ensinar Geografia através da pesquisa, o professor precisa ter aprendido na universidade e deve ser capaz de dominar a habilidade de produzi-la.

Para Callai, Helena e Callai, Jaemes (1998, p. 62), “O aluno tem que ser considerado em sua plenitude e não apenas como uma criança que está à disposição do professor e da escola para ser ensinado”. Por isso ele deve ser visto como um cidadão que vive em sociedade. Nesse sentido, a aprendizagem pela pesquisa pode ser uma metodologia de ensino que contribui para que os alunos sejam verdadeiros cidadãos, já que podem construir seu próprio conhecimento e intervir na realidade do mundo. Se o professor de Geografia assim o fizer, ou seja, se der a chance de seus alunos se descobrirem enquanto cidadãos por meio da pesquisa, além de superar as formas convencionais de ensino, ele estará, de fato, ensinando Geografia, aquela que, “[…] afinal de contas, está em toda parte” (COSGROVE, 2004, p. 96).

Se a Geografia está em toda parte, ou se aprender Geografia é conhecer o mundo, compreendendo porque ele é assim e não de outra forma, o ensino da Geografia, de acordo com os PCN, deve oferecer:

 

Instrumentos essenciais para compreensão e intervenção na realidade

social. Por meio dela [Geografia] podemos compreender como diferentes

sociedades interagem com a natureza na construção do seu espaço, as

singularidades do lugar em que vivemos, o que o diferencia e o aproxima de

outros lugares e, assim, adquirirmos uma consciência maior dos vínculos

afetivos e de identidade que estabelecemos com ele. Também podemos

conhecer as múltiplas relações de um lugar com outros lugares, distantes no

tempo e no espaço, e perceber as marcas do passado no presente (BRASIL,

2000, p. 99).

 

Assim, na disciplina de Geografia os alunos devem ter a capacidade de identificar e refletir sobre diferentes aspectos da realidade do mundo, compreendendo a relação sociedade-natureza. Os PCN, por sua vez, referem-se aos professores de Geografia, os quais devem envolver, em sua prática,

 

Procedimentos de problematização, observação, registro, descrição,

documentação, representação e pesquisa dos fenômenos sociais, culturais

ou naturais que compõem a paisagem e o espaço geográfico […] (BRASIL,

2000, p. 115).

 

Esses procedimentos podem ser cumpridos ou alcançados via pesquisa, já que, no ensino da pesquisa escolar, o professor de Georafia pode trabalhar qualquer assunto geográfico através da sua problematização, observação, etc.

A pesquisa escolar, então, é um método de ensino que pode ser aplicado no ensino de Geografia. Mas, como se trata de ensinar a pesquisar, necessariamente, além de a aula ser planejada (plano de ensino), a pesquisa também deve ser, ou seja, deve-se planejar a pesquisa, ou ensinar a partir do ensino de um projeto de pesquisa, já que ele é uma etapa imprescindível, ou o primeiro passo para a realização de uma pesquisa.

Contudo, esse projeto não é o mesmo da pesquisa na universidade, já que precisa ser adaptado ao ano escolar e à faixa etária dos alunos. O professor deve iniciar a aula sobre pesquisa escolar em Geografia explicando sobre o planejamento de uma pesquisa. Com este planejamento os alunos devem aprender sobre a importância de se planejar uma pesquisa, antes de desenvolvê-la. O professor pode falar, por exemplo, do dia a dia dos alunos, quanto aos seus estudos diários, enfatizando a importância de “planejarem” o horário, onde e como farão a tarefa (ou para casa), a revisão das aulas, etc.

Mas, o que é planejar uma pesquisa? Planejar uma pesquisa significa antever suas etapas, refletindo sobre ela, mesmo antes de iniciá-la. Então, elaborar seu planejamento é escrever sobre cada etapa da pesquisa, sobre tudo o que é necessário pensar antes de começar, de fato, a fazê-la, ou seja, deve-se elaborar um projeto.

Todo projeto de pesquisa deve ter um tema/assunto a ser abordado. No caso da pesquisa escolar em Geografia, esse assunto deverá ser um conteúdo da disciplina que os alunos irão aprender através da pesquisa.

É importante que o professor de Geografia inicie esta aula com a participação dos alunos, desde a escolha do assunto/conteúdo geográfico e a discussão da importância de saber pesquisar, passando por todas as suas etapas. O professor, como mediador da aprendizagem, deve instigar os alunos com perguntas que os ajudem a pensar sobre aquele assunto geográfico escolhido, até que cheguem à formulação do problema ou à principal pergunta sobre a qual a pesquisa deverá se desenvolver. Esse é o primeiro item do projeto de pesquisa.

Assim, o professor vai mediando a construção coletiva de um projeto de pesquisa em Geografia. Essa construção pode envolver a turma toda (mediada pelo professor), construindo-se um único projeto, ou pode ser feita em grupos de alunos, construindo-se dois ou mais projetos ou, ainda, individualmente, construindo-se muitos projetos. Essa decisão deve ser do próprio professor, devido ao ano escolar envolvido, ao perfil e às características de cada turma. Entretanto, na primeira vez que o professor adotar essa metodologia é aconselhável que seja elaborado somente um projeto e que o próprio professor escreva no quadro item por item, para os alunos os copiarem em seus cadernos.

Quero enfatizar aos professores que essas aulas de Geografia através da pesquisa devem ser planejadas como qualquer outra, utilizando a metodologia e os recursos de ensino que considerarem necessários. Quanto ao tempo ou as aulas necessárias para alcançar êxito com relação ao aprendizado dos alunos, isso dependerá do ano escolar envolvido, da característica de cada turma e, principalmente, da metodologia de pesquisa definida para o assunto/conteúdo a ser pesquisado.

De certa maneira, o projeto da pesquisa elaborado na escola trará alguns elementos comuns de um projeto desenvolvido na universidade, quais sejam: O que pesquisar? Qual é a principal pergunta/questão da pesquisa? Para que ou por que pesquisar? O que se quer fazer ou alcançar com a pesquisa? Como será feita a pesquisa? Onde pesquisar?

Em outras palavras:

 

O que pesquisar: escolha do assunto/conteúdo a ser pesquisado pelos alunos, ou seja, o tema da pesquisa. De acordo com o ano escolar, o professor deve selecionar assuntos do conteúdo da Geografia que os alunos devem aprender, e junto com eles escolher aquele mais votado ou aquele que eles próprios demonstraram maior interesse em aprender.

Questão ou pergunta principal da pesquisa: definição do problema da pesquisa (dentro do assunto/conteúdo geográfico escolhido). Esse é o primeiro item do projeto de pesquisa, já que toda pesquisa sempre se inicia com um questionamento. Essa pergunta vai nortear o desenvolvimento da pesquisa, pois os alunos terão que respondê-la ou, pelo menos, procurar/encontrar respostas para ela, pesquisando. Justificativa da pesquisa: esse item deve explicar por que tal assunto/ conteúdo geográfico foi escolhido ou qual é a sua importância dentro do contexto em que os alunos vêm

estudando Geografia; além de explicar por que os alunos devem aprender sobre esse assunto.

Objetivos da pesquisa: são as ações da pesquisa, o que se quer fazer ou o que se quer alcançar com ela. Pode-se criar um (principal ou geral) ou mais objetivos (específicos), mas o objetivo principal deve sempre estar de acordo com o problema, pois, afinal, ele é a ação a ser cumprida para se responder a pergunta inicial.

Metodologia da pesquisa: esse item deve explicar como a pesquisa deverá ser feita pelos alunos. Por exemplo: através de leituras de livros, revistas, documentos, através da busca em sites confiáveis da internet; através da aplicação de entrevista ou questionário a algumas pessoas, através da análise de fotografias, de desenhos, de imagens de paisagens; através da observação da realidade, etc. Como em uma pesquisa a metodologia é sempre uma etapa muito importante, o professor terá que explicá-la com muito esmero, definindo a mais adequada à maturidade de seus alunos, para que o aprendizado aconteça de forma mais leve e prazerosa, já que uma pesquisa sempre é uma atividade que requer mais trabalho, portanto, mais tempo e empenho dos alunos. Na metodologia também se deve explicitar o tempo que os alunos levarão para desenvolver a pesquisa, se ela ocorrerá em sala de aula, na biblioteca da escola (se tiver), na sala de informática (se a pesquisa necessitar de internet), ou se os alunos a farão em casa ou em outro lugar que não seja a escola. Dentro da metodologia definida se pode incluir a participação de pessoas (chamados de sujeitos da pesquisa). Nesse caso, o instrumento de coleta das informações (questionário, por exemplo) deverá ser elaborado em sala de aula, orientado pelo professor, para que possa auxiliar os alunos na elaboração das perguntas, pois só deve ser perguntado o que for necessário sobre o assunto que se está pesquisando, e utilizando-se de linguagem adequada aos sujeitos participantes da pesquisa. Onde pesquisar, ou onde buscar conhecimento sobre o assunto/conteúdo geográfico a ser pesquisado: é a descrição das fontes em que os alunos deverão pesquisar: livros, revistas,

textos, documentos, imagens, sites da internet ou qualquer outro material de pesquisa. Na pesquisa escolar é necessário que o professor forneça essas fontes (bibliografia) ou dê suas referências (a depender da idade dos alunos) e discuta a necessidade de sempre registrar as fontes consultadas para desenvolver qualquer trabalho de pesquisa, em qualquer nível de ensino.

Como última etapa do projeto de pesquisa, deve-se dar um título para ele. Geralmente, os alunos são sempre muito criativos quando o professor pede que criem um título para o assunto a ser pesquisado.

 

Um projeto de pesquisa na escola não deve ultrapassar duas páginas. Cada item ocupará, portanto, poucas linhas, pois o importante não é o seu tamanho, mas sim que os alunos aprendam sobre a necessidade de planejar uma pesquisa, já que essa etapa é tão importante quanto a própria pesquisa que, se bem planejada, ficará fácil de ser desenvolvida, e ainda que eles, como alunos-pesquisadores, sejam autores principais nesse processo de aprender a fazer pesquisa escolar e construam seu próprio conhecimento geográfico, desenvolvendo autonomia e criatividade em seus estudos escolares.

Depois de cumprida essa importante etapa, a da elaboração do projeto de pesquisa, os alunos tomam consciência de que pesquisar pode ser prazeroso, mas para isso precisam se envolver, dedicar-se, ler muito e ser criativos; só assim o professor pode passar para a etapa da aplicação do projeto de pesquisa, ou seja, a do desenvolvimento da pesquisa que foi planejada. Nesta nova etapa os alunos entenderão a importância do projeto de pesquisa, pois agora terão que “seguir” esse projeto para desenvolverem a pesquisa. É importante que, sempre que os alunos tiverem qualquer dúvida, o professor os oriente a recorrer ao projeto de pesquisa.

A pesquisa escolar, então, deve ser desenvolvida por todos os alunos, individualmente ou em pequenos grupos, de dois ou três, com produção de material escrito, como texto, painel, cartaz, etc., explorando a elaboração de gráficos, desenhos e, também, a interpretação de paisagens e imagens diversas. Se possível, a pesquisa deve ser apresentada oralmente, em sala de aula, ou através de outra forma de socialização, como em qualquer outra atividade escolar.

Quanto à avaliação da aprendizagem, dentro da metodologia do ensino pela pesquisa, ela deve acontecer em torno da própria produção da pesquisa pelos alunos, e não consistir em uma prova escrita sobre o assunto/conteúdo geográfico desenvolvido na pesquisa. Como exemplo, se a pesquisa for socializada oralmente, essa apresentação pode ser uma forma de avaliação, deixando previamente bem claros os critérios que serão avaliados.

Para encerrar esse texto, como contribuição, seguem alguns exemplos de assuntos/conteúdos que poderão ser tema de pesquisa escolar em Geografia:

 

a. Conceitos básicos da Geografia – pesquisa sobre a paisagem

do bairro da escola. Problema: Que aspectos da globalização estão fortemente marcados na paisagem do bairro da escola?

b. Conceitos básicos da Geografia – pesquisa sobre “o meu

lugar”, ou seja, os alunos irão pesquisar sobre algum lugar da cidade ou do município que consideram como sendo “seu lugar”. Problema: Que lugar da cidade é o meu lugar? Ou por que ele é o meu lugar?

c. Setor terciário da economia municipal: pesquisa sobre algum

aspecto do comércio da cidade, tendo como metodologia a aplicação de um questionário aos comerciantes. Problema: De onde vêm os principais produtos comercializados em nossa cidade?

d. Geografia Física do município – pesquisa sobre as formas do

relevo do município. Problema: Como podemos representar o relevo do nosso município?

e. População do Estado – pesquisa sobre a caracterização do

contingente populacional do Estado em que vivem os alunos. Problema: Quem são as pessoas que vivem em nosso Estado? Pode-se pesquisar no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), explorando as tabelas sobre população.

Referências

 

ANTONIO, J. C. Pesquisa escolar na internet: Ctrl+C & Ctrl+V versus cópia manuscrita, professor digital, 31 jan. 2010. Disponível

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FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

 

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PONTUSCHKA, N. N.; PAGANELLI, T. L.; CACETE, N. H. Para ensinar e aprender Geografia. São Paulo: Cortez, 2007.