Histórias de Reis e Príncipes

Alberto Pimentel · Capítulo 10 de 48

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Histórias de Reis e Príncipes

Capítulo II

Vamos ambos colhêr jasmins e folhas de hera.

Sim!... Tu não serás de outro? É minha a tua mão?

De mais ninguem será?»

—«Eu te juro que não.»

—«Agora sou feliz! Vou dar-te, porque és minha,

Aquella ovelha branca, ess'outra malhadinha

Que valem um milhão! Iguaes inda não vi!

Mas, porque tu és minha, eu dou-t'as para ti.

Olha, que lindas são! Valem um bom rebanho

Na côr, na timidez, no pello e no tamanho!

Só teu, de mais ninguem, é o fresco laranjal,

Que dá tão dôce sombra ao meu... ao teu casal.

Dou-te do meu redil os dois novilhos bravos,

E as colmêas que tenho, e todo o mel dos favos,

As arcas, o bragal, peculio do pastor,

E, acima d'isto tudo, o meu eterno amor.»

E, sorrindo enlevada, a formosa Glycera

Alternava jasmins com verdes folhas de hera.

 

II

 

Era o rei James V um joven rei feliz,

Que de lendas de amor encheu todo o paiz

Da sua bella Escocia, alcantilada e fria,

Onde o seu coração a neve derretia.

Soam trompas de caça, e em célere tropel

Passa o rei cavalgando o seu veloz corcel

Entre nuvens de pó; e seguem-no monteiros

E pagens de libré e mastins e rafeiros.

Do freixo á verde sombra, assentada no chão,

Glycera, de medrosa, ouvia o coração.

—«Bons dias, pegureira.»

—«Os mesmos vos desejo.»