Histórias de Reis e Príncipes

Alberto Pimentel · Capítulo 11 de 48

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Histórias de Reis e Príncipes

Capítulo III

Disse-lhe ella córando ou com medo ou com pejo.

—«Que fazes por aqui? Esperas teu pastor

N'este ermo pinheiral?!»

—«Não espero, senhor.»

—«Como te chamas tu?»

—«O meu nome é Glycera.»

—«Que linda e que gentil! Tu és da primavera

A mais formosa irmã!...»

—«Mercê que me fazeis.»

—«Se alguem te rouba aqui?»

—«Sou pobre, bem sabeis.

Ninguem rouba á pobreza. Ella de si é escassa.»

—«Excepto quando é o rei que n'estes sitios passa...»

—«Piedade!»

E o louco rei, sem resposta volver,

Aos monteiros bradou:—«Prendei-me essa mulher,

Conduza-m'a um de vós sentada na garupa

Do cavallo. A galope! Ávante, corceis! Upa!»

E tudo se perdeu n'um turbilhão de pó

Ao longo do caminho. O pinhal ficou só.

 

III

 

Em noites de luar, noites de primavera,

Ouvia-se dizer:—«Onde estás tu, Glycera?»

N'esse ermo pinheiral, e um longo choro após.

Finda a verde estação, calou-se a triste voz,

E nunca se ouviu mais sahir d'entre os pinheiros.

Um dia, por acaso, um rancho de vaqueiros

Passou alli, e viu estendido no chão

Amyntas, o pastor. Chamaram-no em vão,

Que elle não respondeu. Era gelado, frio.

Dizem que succumbiu ao vêr chegar o estio