Humanização e educação integral: refletindo sobre rotas alternativas

Patrícia Unger Raphael Bataglia · Capítulo 3 de 20

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Humanização e educação integral: refletindo sobre rotas alternativas

Parte 1 - Contemplando horizontes

Parte 1 – Contemplando

 

horizontes

1. Uma reflexão histórica das

 

epistemologias filosóficas

 

educacionais éticas

 

Lucas Guilherme Tetzlaff de Gerone

 

A filosofia ocidental atenta-se as três grandes áreas, a metafísica, a moral, e a epistemologia. É na filosofia clássica grega surge a

Paidéia 4 5 , a Areté e a episteme . A Epistemologia conhecida como a

Teoria do Conhecimento exerce uma influência na educação 6 e na

moral 7, nos resultados e análises da relação entre o cognoscente e

cognoscível, e na reflexão ética 8 sobre a própria capacidade de conhecer, em significar e ressignificar. Portanto, a educação é um fazer epistemológico filosófico ético em que o sujeito adquire conhecimento de si, do mundo e das coisas. Tais conhecimentos são fundamentais na história da filosofia ocidental. (SANTOS, 2008). É neste contexto, que este estudo reflete historicamente as epistemologias filosóficas que abordam a educação e a ética,

entendidos como um processo de ressignificação9.

Salienta-se que este estudo é introdutório10 e abordam-se as

principais epistemologias filosóficas 11 dentro do período histórico. De acordo com Bachelard (1971) a epistemologia se constitui na era

moderna12 no século XVII em diante com estudos filosóficos de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704). Todavia, de acordo com Kohan, Leal e Ribeiro (2000) um estudo filosófico utiliza uma exegese histórica como uma parte importante da fundamentação teórica e prática, em que se recorre às obras filosóficas consagradas para discrepar ou subscrever. Portanto, mesmo que a epistemologia surge na era moderna, à filosofia pré-socrática, clássica, e média abordaram a questão do conhecimento e deram fundamentação para os estudos filosóficos na modernidade.

Dogmatismo

 

Dentro da história da filosofia, no período clássico, o

dogmatismo13 teve expressividade em Platão (348 - 347 a.C.) e Aristóteles (322 a.C.), ambos acreditavam que o conhecimento está na verdade, e o ser humano é capaz de conhecer. Para Platão o

sucessor de Sócrates (399 a.C.), “pai da ética14”, o conhecimento torna o homem virtuoso e imprescindível na hora de realizar um juízo de orientação ética e atuar com liberdade, a ideia de "Bem em si mesmo". Na teoria platônica o Bem agathós, é uma metafísica suprema em que: "a alma quando está em si mesma e analisa as coisas por si mesmas, sem se valer do corpo, encaminha-se para o que é puro, eterno, imortal, imutável […]" (PLATÃO, 1999, p. 149). Ou seja, existe um “Bem” absoluto, uma verdade, que constitui a razão última de tudo o que existe e de toda possibilidade de conhecimento.

Para Aristóteles a ética é um saber orientado para alcançar a felicidade e a vida boa, acessível ao ser virtuoso que respeita os

valores morais, a compreensão da 15 eudaimoniae Aretê. Na obra

Ética 16 a NicômacoAristóteles admite a existência de uma verdade, um valor absoluto, encontrado na ética enquanto saber. Segundo Cortina e Martínez (2005) os saberes que constituem a ética de Aristóteles são: 1) No "saber teorético", a finalidade é o próprio saber, a verdade, que existem independentemente da vontade e da ação do ser humano, encontradas nos conhecimentos da Física, da Matemática e da Metafísica. 2) O "saber teórico” é o princípio ou causa que constrói-se na finalidade de conhecer a realidade, que depende da vontade e da ação humana. 3) O "saber prático" pretende dirigir a atuação humana, o fazer humano, à capacidade de justificar as normas e valores que ajudam a ordenar a vida, viver de forma digna.

Na idade Média17, o conhecimento e a ética estão no âmbito

teológico. Destacam-se os filósofos Agostinho e Tomás de Aquino 18. Para Agostinho, a origem do conhecimento do objeto era o produto da ideia interior do sujeito cognoscente. As ideias convertem-se nos pensamentos criativos de Deus. O conhecimento, a verdade, ocorre no espírito humano que é iluminado por Deus, que direciona uma vida virtuosa, a beatitude e a felicidade (AGOSTINHO, 2000). Tomás

de Aquino, um intelectualista19, equipara a sabedoria e a virtude, insere o valor, a intensidade da vida e a essência do bem (idêntico ao ser) no ato da inteligência. Nela, surge a capacidade de conhecer o mundo em seu aspecto de ser, que corresponde à verdade e, por imediato, ao bem (ROUSSELOT, 1999).

Na Idade Moderna surge o dogmatismo racional, ou racionalismo, que acredita na capacidade da razão humana em conhecer a verdade sem examinar a potencialidade da razão em conhecer o objeto. Destacam-se Descartes (1596 -1650) e Leibniz (1646 - 1716) como principais representantes do dogmatismo racional. Descartes, na obra Discurso Do Método, o que chamou de "moral de provisão", aponta máximas para aproximar-se da verdadeira virtude: 1) a vida de cada um deve ser conforme os desígnios de Deus e as leis e costumes de seu país; 2) a "prudência" é a atitude que supriria a imperfeição; 3) deve-se procurar vencer a si mesmo, mudando os próprios desejos e não a ordem do mundo. A ética em Leibniz está na lei moral, em que o sujeito exerce o ser inteligente e livre através da razão, ao dominar o espírito, liberta a vontade, livre e autônoma, não viola as leis naturais, mas, segue um determinismo universal, escolhendo os melhores fins para atingir-se a perfeição e a felicidade (HESSEN, 2003).

 

Ceticismo

 

No ceticismo20 nega-se que o conhecimento seja possível, baseia-se que não se pode formular um juízo verdadeiro ou falso.

Destacam-se dois filósofos do período helenístico21 22 , Carnéades

(214 -129 a.C.), admitia que o homem pode conhecer, julgar o que é provável, mas não a verdade, e Pirro (360-270 a.C.), em que a única atitude cabível é a suspensão (epoqué) total do juízo, pois não pode afirmar de coisa alguma que seja verdadeira ou falsa, justa ou injusta. Esse pensamento molda a ética de Pirro. É necessário interromper a ação de juízos que são meras convenções morais, em que se prefere algo em detrimento de outra coisa. As coisas são somente convenções passageiras feitas pelos homens. Por isso, não se deve inquietar com nada no mundo, o que Pirro chama de

ataraxia 23, leva o homem à felicidade através da tranquilidade e da serenidade, indiferente ao mundo (BAZARIAN, 1994).

Durante a Idade Média, período marcado pelo dogmático cristão, o ceticismo tem pouca influência. A discussão da ética no ceticismo é uma crítica à metafísica. Destaca-se Sexto Empírico (séc. II d.C.), que sistematiza o “ceticismo justificando- o pelo profundo desacordo entre os filósofos em relação a qualquer problema e, por outro lado, pelo engano dos sentidos. Sexto Empírico considera inútil toda a investigação metafísica” (ZILLES, 2003, p. 95-96).

Os conceitos de Sexto Empírico influenciaram Montaigne (1533 -1592) e Hume (1711-1776), principais representantes do ceticismo na idade moderna. David Hume na obra “Investigações sobre o entendimento” reconhece que a Matemática é um conhecimento possível, mas nega a possibilidade do conhecimento metafísico por não derivar da experiência. É dela, e não da razão, que a consciência cognoscente retira seus conteúdos (HUME, 1999). Este

é o fundamento do empirismo24, a consciência cognoscente origina os conteúdos inteiramente da experiência. A experiência aparece na ética de Hume como capacidade "emotiva", a agir impulsionado por um "motivo", por "algo que move", ou "que causa ou dá origem a algo".

Para Montaigne, a ciência não propicia um conhecimento certo, pois seu instrumento principal, a razão abstrata, não tem maior valor que a imaginação, que está sujeita às variações das impressões sensoriais. A ética em Montaigne está centrada nas variações dos sentidos, é através deles que se busca o caminho da sabedoria para a solução dos problemas da vida, a sabedoria é saber deliberar entre o bem e o mal para viver melhor (MONTAIGNE, 1987).

O ceticismo tem grande expressividade na modernidade. De acordo com os estudos de Hessen (2003, p. 36-37) e Bazarian

(1994, p. 83-85) surgem correntes do ceticismo relativo25:

 

Quadro 1 – Ceticismos relativos

Correntes Correntes Descrição Descrição Questão ética Questão ética

Relativismo Não há verdade De acordo com Boff, todo

absoluta, ponto de vista é visto de um

universalmente ponto. Por exemplo, em válida. Toda casos da bigamia, da pena

verdade é relativa de morte etc. São e tem apenas uma considerados crimes em validade limitada. algumas culturas e países e

em outros não.

Subjetivismo Não há verdade Segundo Protágoras (século

absoluta, 5 a.C.): "o homem é a universalmente medida de todas as coisas".

válida. A verdade é Uma coisa que é certa para subjetiva, válida um, pode ser errada para o

apenas para o outro. sujeito que

conhece e julga. O

que é verdadeiro

para uns é falso

para outros. No

subjetivismo o

conhecimento

depende de fatores

que residem no

sujeito

cognoscente.

 

Fonte: Hessen (2003, p. 36-37).

Correntes Descrição Questão ética

Probabilismo O pensamento não Em Concina (1687-1756),

tem acesso à pioneiro do Probabilismo, em

verdade, mas caso de dúvida o sujeito somente as deve atentar-se à proposições, que honestidade da ação e optar

apresenta um grau por uma opinião provável mais ou menos quando escolhida entre elevado de outras tantas igualmente probabilidade ou prováveis. No Probabilismo,

de credibilidade. É o indivíduo assume a impossível um responsabilidade ética e o

conhecimento risco de suas ações, mas,

rigoroso da em contrapartida, o conforta

verdade, nunca se e o desculpabiliza. pode dizer que

esta ou aquela

proposição seja

verdadeira. A única

coisa que pode

afirmar é que ela

tem maior ou

menor

probabilidade de

ser verdadeira.

Não existe,

portanto, certeza

rigorosa, mas

apenas

probabilidades.

 

Fonte: Hessen (2003, p. 36-37).

Correntes Descrição Questão ética

Convencionalismo Os princípios Para Poincaré(1854-1912),

científicos, da fundador do Geometria e de Convencionalismo, a ciência

Mecânica, têm tem como finalidade maior a

caráter puramente busca da verdade, em que convencional. O há uma obrigação ética: a

convencionalismo busca pelo alívio dos substitui a noção sofrimentos humanos. de verdade pela

comodidade. É

erro, por exemplo,

perguntar se a

Geometria

euclidiana é mais

verdadeira que

outra; ela é apenas

mais cômoda. A

ciência é uma

"linguagem

"convencional, uma

maneira de

formular o que se

percebe dos

fenômenos, mas,

de nenhum modo,

uma explicação

decisiva do real.

 

Fonte: Hessen (2003, p. 36-37).

Correntes Descrição Questão ética

Ficcionalismo O intelecto trabalha Hans Vaihinger (1852 –

com pressupostos 1933), pioneiro do falsos – com ficcionalismo, afirma que a

ficções –, desde distinção valorativa entre que eles se verdade e a mentira não mostrem úteis passa de um “preconceito

evitais. A "verdade" Moral”. A Arte representa o é um "erro mais mundo cambiante do devir e

adequado". A da satisfação estética, ela

ficção, é uma nega diretamente tudo aquilo

representação que é considerado “real” mental, à qual devido a supostas nada corresponde necessidades intelectuais ou na realidade. éticas. A arte, como para a

vida, a aparência e a ilusão

representam o pressuposto

mais necessário. Já aqui

vem a luz a ideia de que esta

ilusão, para o homem

superior, é e deve ser uma

ilusão consciente

(VAIHINGER, 2011).

 

Fonte: Hessen (2003, p. 36-37).

Correntes Descrição Questão ética

Pragmatismo ou Em vez de Para Jeremy Bentham Utilitarismo investigar se uma (1748-1832) e John Stuart

doutrina, teoria ou Mill (1806-1873), a ética proposição é deve ser prática, viver verdadeira ou através daquilo que é útil e

falsa, o vantajoso para a vida e a

pragmatismo se sobrevivência do indivíduo,

interessa apenas ou de um grupo, ou de uma

pelos resultados classe social. práticos que ela

possa dar. Parte do

agnosticismo em

que é impossível

conhecer a

essência das

coisas e ignora o

conceito de

verdade como

concordância entre

o ser e o

pensamento.

 

Fonte: Hessen (2003, p. 36-37).

Correntes Descrição Questão ética

Fenomenalismo Não se pode Em Edmund Husserl (1859-

conhecer a 1938), fundador da essência das fenomenologia, nota-se uma

coisas em si ontologia que procura (números), mas explicitar e elucidar o sentido

somente como elas da existência do ser em se manifestam processo do vir-a-ser, de exteriormente, acontecer. como se As essências (eidos) ou apresentam significações de todas as

(fenômenos); ou realidades materiais, seja, conhece-se naturais, ideais e culturais;

"como" as coisas são descrições de são, mas não "o fenômenos. que" são na

realidade. O

fenomenalismo

não nega a

existência das

"coisas em si" fora

e independente do

sujeito

cognoscente e até

as admite

expressamente.

 

Fonte: Hessen (2003, p. 36-37).

Correntes Descrição Questão ética

Positivismo É impossível um Para Augusto Comte (1798-

conhecimento 1857) idealizador do científico da Positivismo, na ética, essência das substitui as concepções de

coisas, do númeno, mundo teológicas e da "coisa em si" e ontológicas por cosmovisão

dos problemas positiva, produto da metafísicos realidade das concepções,

transcendentais, a centrada na ideia de ciência deve Humanidade, inspirada por

limitar-se simpatia humana, dedicada

positivamente aos ao incremento do bem-estar dados, ao estudo dos indivíduos. Na dos fenômenos valorização do outro, Na imediatos da gratidão para com o passado

experiência e no humano, do sentido de descobrimento das realidade como guia da relações inteligência, da cooperação

invariáveis de social, da continuidade da

semelhanças e de cultura ao longo dos tempos, sucessão que os do reconhecimento do papel

ligam, sem indagar histórico das diferentes o "porquê" dessas concepções intelectuais e relações. instituições sociais, do

anseio pela erradicação de

toda forma de violência.

 

Fonte: Hessen (2003, p. 36-37).

Correntes Descrição Questão ética

Criticismo Põe à prova toda Para Kant (1724-1804),

afirmação da razão fundador do criticismo, a humana e nada noção de ética está na aceita consciência moral, uma inconscientemente. razão prática que contém Não é nem cético princípios racionais que os

nem dogmático, seres humanos regam a vida

mas criticamente em questões qualificativas

inquisidor – um como bom, mal, moral, meio entre a imoral etc. temeridade

dogmática e

o’desespero cético.

As questões

levantadas são:

"Será que

realmente é capaz

o conhecer?".

Quais os limites da

razão: "O que

pode-se saber?",

"O que deve-se

fazer?" e "O que é

permitido

esperar?".

Fonte: Hessen (2003, p. 36-37).

 

A pós-modernidade

 

A pós-modernidade surge a partir da segunda metade do século XX com críticas as suposições filosóficas modernistas sobre o comportamento humano, a cultura, a identidade, a história, e a linguagem, que foram desenvolvidas durante o Iluminismo do século XVIII. Dentro da epistemologia e a ética destacam-se os seguintes filósofos: Jean Baudrillard (1929 -2007) e Michel Foucault (1926-1984).

Para Foucault o ser humano não é algo dado e acabado, mas construído de acordo com as verdades de um

discurso26estabelecido em determinado contexto histórico, que se altera com o tempo e tomará outros rumos. Compreendem-se as verdades de um discurso através de um trabalho arqueológico, em que se procura a evidência do porquê de tais verdades. Este pensamento integra a ética em Foucault, no que tange as relações do sujeito consigo mesmo e com a história. Na obra “Vigiar e Punir”, Michel Foucault retrata que o ser humano está em constante mudança, onde os valores as normas, as leis e costumes se alteram. (CARDOSO, 1999).

Jean Baudrillard em sua epistemologia contradiz o discurso sobre uma verdade pressuposta na comunicação e na cultura contemporânea. Baudrillard critica a visão consumista contemporânea, o cidadão que não faz parte da cultura do consumismo não é um verdadeiro cidadão da sociedade. Baudrillard baseou seu discurso ético contra a virtualidade de uma sociedade de aparência. Em que os meios de comunicação e as massas tiram a possibilidade de escolha e a personalidade real do indivíduo. Na sociedade do consumo busca-se uma personalização do indivíduo como modelo de autoafirmação no consumo pelo qual se culturaliza. (VAZ, 1988).

 

A ressignificação da educação dentro

 

das epistemologias filosóficas éticas

 

Considera-se que em todos os períodos filosóficos, a história constitui uma epistemologia de significados e ressignificados, ao reavivar uma memória, na compreensão e entendimento de si do mundo e das coisas que fazem referências éticas, e fundamentam a

prática educativa 27de ressignificação da educação (CASTILHO, 2004).

No período pré-socrático e clássico grego, o ideal da educação era a Paidéia e a Aretê, que retratavam uma prática educativa de melhoria contínua do ser humano em seus aspectos morais e éticos, na pólis, e na busca de uma verdade como significado de vida, seja

no cosmos, na 28 physis, ou na metafísica.

No período medieval, o conhecimento e a ética são ressignificados a partir da teologia cristã. O conhecimento vem de Deus, através Dele, o ser humano encontra significado para uma vida virtuosa, o caminho certo. Este pensamento ressignificou a prática educativa medieval, o certo e o errado como um parâmetro de aprendizagem se referenciava na moral cristã, o certo agrada a Deus, o que é errado é contra os padrões de Deus.

Na idade moderna, o conhecimento e a ética são ressignificados a partir do racionalismo e o ceticismo. Apesar de epistemologias contrárias, em ambas o conhecimento e a ética ganham maior

significado humano29, ou seja, sem muita interferência teológica. Com isso, há uma emancipação e desenvolvimento na educação com o surgimento e fortalecimento das ciências sociais, humanas, naturais e exatas como áreas específicas do conhecimento, tais como, a sociologia, a pedagogia, a psicologia, a biologia, a matemática e outras que compõem os discursos éticos e epistemológicos: do Relativismo, do Subjetivismo, do Probabilismo, do Ficcionalismo, do Pragmatismo ou Utilitarismo, do Fenomenalismo e do Criticismo.

Na pós-modernidade, a influência e a crítica a modernidade ressignifica a educação, em que a ética é indispensável na prática educativa. Foucault em sua obra “Vigiar e Punir”, procura entender as instituições de ensino e os sistemas de pensamento. Para Gallo (2006, pp. 20):

 

“Foucault ajuda-nos a pensar a educação e a escola pelo menos em três dimensões: a construção do saber pedagógico na dimensão científica; as relações de poder no espaço escolar, permeado pelo disciplinamento e pelo controle; as relações do sujeito consigo mesmo, numa dimensão ética”.

 

Por fim, Baudrillard (1995) critica o sistema capitalista como uma sociedade do consumo, em que os produtos e serviços que a pessoa consome dizem algo ao seu respeito. Ballvé (2000) e Linn (2006) utilizam Baudrillard para explicar o impacto do consumismo no espaço educacional como um reflexo do consumismo da sociedade em geral. Os autores afirmam que o consumismo gera impactos ambientais, desigualdades sociais, quadro clínicos, acumulação, narcisismo e egocentrismo. Fundamentados da teoria de Baudrillard, os autores afirmam que é de responsabilidade do espaço educacional desenvolver práticas educativas de reflexão ética sobre as consequências negativas do consumismo.

 

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