
Infância dos Mortos
Pixote tem onze anos e dorme na estação de trens do Rio, sobre folhas de jornal, e se levanta antes das seis, hora em que os guardas chegam e batem em quem alcançam. Naquela manhã espera Dito, Manguito e Fumaça perto do cemitério: Cristal vai entregar a encomenda que os quatro devem levar de trem até São Paulo. Pixote carrega flores murchas para o túmulo de Estrelado e cai baleado antes de alcançar o muro; o administrador, dr. Alencar, e o vigia-geral Laerte mandam abrir um jazigo e pôr o corpo lá dentro. Os outros três seguem num vagão de carga, procuram Débora na Rua Lavapés, 1072, e acabam numa delegacia com o dr. Mauro, Caramelo e Roxão. Depois de um assalto a supermercado, Dito termina no terraço de um prédio, com Zé Inácio e os policiais subindo pela parede. A epígrafe é uma nota do Jornal do Brasil de 1976 sobre 15 milhões de menores abandonados no país.
