Meu Emprego Sumiu!: O mercado de trabalho está mudando e o seu emprego pode desaparecer
Uma nova revolução?
Provavelmente a revolução digital não seja a única fonte
responsável por sua angústia na sua carreira profissional, mas
tenho certeza que ela impacta fortemente, mesmo você
afirmando que não trabalha com tecnologia.
Você está lendo este livro através de uma cópia física adquirida em uma livraria? Ou quem sabe você comprou pela Internet, em um site de comércio eletrônico que fez todo o serviço de logística e o entregou diretamente na sua casa?
Também é possível que você esteja lendo este livro através de um dispositivo eletrônico. São os famosos eReaders como o Kindle da Amazon ou o iPad da Apple. Através deles você sequer precisou de uma cópia física. Bastou entrar em uma loja virtual, clicar sobre o livro, efetuar a compra e pronto, ele está disponível imediatamente para sua leitura.
Nos três cenários descritos acima, o objetivo sempre foi o mesmo: Adquirir conhecimento através da leitura. Porém a forma de acesso e distribuição foram totalmente diferentes Para que o meu livro chegasse até a sua mão através destes diferentes canais de venda, uma peça da cadeia de suprimentos sofreu forte impacto financeiro e, em alguns casos, até deixou de existir!
Vamos analisar isso melhor!
No primeiro cenário, você adquiriu o livro através de uma livraria. Para que isso fosse possível, uma cadeia de fornecedores foi envolvida e participou financeiramente desta distribuição, por exemplo:
O Autor (neste caso EU), precisei estudar, colher informações, pesquisar, organizar e colocar toda a minha experiência e história vivida neste tema em palavras através de um editor de textos.
A Editora precisou acreditar no trabalho e me ajudar a transformar este texto corrido em um livro, fazendo toda a revisão do texto, diagramação do livro, capa, registros de propriedade intelectual e distribuição.
- A Gráfica, de posse do material revisado e diagramado, efetuou toda a impressão e encadernação.
A Distribuidora ou Transportadora foi responsável por distribuir todo estoque de livros impressos pela gráfica para todas as livrarias.
A Livraria recebeu o pacote de livros, desembrulhou e colocou a venda em sua prateleira para que um dia você possa entrar na loja, encontrar o livro e adquiri-lo.
Em resumo, no cenário 01 temos: o Autor>> a Editora>> a Gráfica >> a Distribuidora>> a Loja>> o Cliente!
No cenário 02 você adquiriu meu livro através de um site eletrônico, então temos a seguinte cadeia:
O Autor >> a Gráfica >> a Distribuidora>> o Site >> o Cliente!
No cenário 03 você adquiriu meu livro em formato digital, neste cenário temos:
O Autor >> a Loja Virtual >> o Cliente!
Em um exemplo bem simples, saímos de uma cadeia tradicional que envolvia ao menos 06 participantes para uma cadeia digital com apenas 03 participantes!
Este é um exemplo claro e simples do que a revolução digital está causando no mercado de trabalho. Será que isto acontece somente com livros? De forma alguma, existem milhares de exemplos em diversos segmentos de mercado.
O Spotify revolucionou a indústria da música; o Netflix mudou completamente o mercado de filmes e séries televisivas; o Booking complicou a vida das agências de turismo; o Google faliu com as listas amarelas; a Wikipédia sumiu com as enciclopédias; o Airbnb está complicando a vida dos hotéis; o Whatsapp reduziu em mais de 30% a receita das operadoras de telefonia; o Uber mudou a vida dos taxistas e usuários de transportes coletivos.
Bem, eu poderia citar mais de 50 casos disruptivos que mudaram a forma como clientes e empresas se relacionam, sumindo literalmente com mercados que no passado faturaram milhões, e tudo isso em menos de 10 anos!
E não para por aí! Neste exato momento, em algum lugar do mundo, alguém esta criando um serviço que nos próximos anos será totalmente disruptivo.
A revolução digital, foca em atender a experiência do cliente final. Dessa forma, visa eliminar o máximo possível a cadeia necessária para que este cliente tenha acesso ao serviço ou produto desejado, quebrando com padrões e segmentos de mercados atualmente existentes que geravam milhões de empregos.
Vou explicar melhor, passando a chamar este fenômeno de “Desmaterialização Digital”.
Antes o cliente comprava um produto para atender a necessidade de uma experiência por que não podia adquirir a experiência em si.
Por exemplo, na indústria da música o maior objetivo do cliente é ter a experiência de ouvir a música. Para tal, ele precisava ir até uma loja, adquirir um aparelho reprodutor de música, encontrar o CD, Fita ou Disco com a música de sua preferência, comprar este dispositivo, levar para casa e colocar para tocar no seu aparelho reprodutor. Um tempo e investimento enorme para ter a experiência de ouvir uma música de sua preferência no momento que lhe fosse agradável.
Hoje, com a revolução digital, basta ter a assinatura de um serviço de música em streaming como Spotify, Google Play ou Apple music, que este mesmo cliente passa a ter acesso a um catálogo imenso de artista, álbuns e músicas disponíveis para ouvir ali mesmo no seu aparelho celular ou qualquer outro dispositivo ligado a Internet sem a necessidade de se deslocar até uma loja, investir em um dispositivo específico e comprar um CD, Vinil ou Fita Cassete. Tudo isso com um preço infinitamente menor, com uma qualidade e experiência superior e com muito mais economia de tempo!
Sim, a revolução digital neste exemplo, além de diminuir toda a cadeia de distribuição de músicas, também quebrou negócios importantes que viviam ao redor deste mercado. Grandes indústrias que produziam equipamentos de som, rádios tocadores de CD, Vinil, bem como tocadores de fita cassete, sem contar na produção e distribuição das mídias aqui descritas.
A revolução digital tem a capacidade de “sumir” com o produto físico e, mesmo assim, continuar entregando uma experiência de qualidade superior com um custo menor ao consumidor final.
Existem outros exemplos? Claro!
O Uber criou uma das maiores empresas de transporte no mundo sem ter um carro no estoque. O Airbnb é uma das maiores redes de hospedagem e nunca construiu um hotel. A Netflix tirou os clientes das locadoras de vídeo e até dos cinemas sem precisar construir nenhum produto físico.
Existem exemplos para quase todas as indústrias e este é, na minha opinião, o grande impacto da Revolução Digital. Ou seja, a quebra do paradigma de um modelo de negócio existente, robusto e validado, em troca de uma melhor experiência ao cliente final através de um novo modelo com um custo imenor.
Quando uma nova empresa encontra um meio de entregar a mesma experiência através de um novo canal digital (e na maioria das vezes toda a cadeia anterior vai sumir ao longo do tempo), fica praticamente impossível competir neste mercado.
E porque a revolução digital impactará o meu emprego?
Provavelmente a revolução digital não seja a única fonte responsável pela sua angústia existencial na carreira profissional, mas tenho certeza que ela o impacta fortemente, mesmo você afirmando que seu trabalho nada tenha a ver com tecnologia ou com as empresas citadas até agora.
Ao longo da história ocorreram diversas revoluções que impactaram a vida dos humanos e a forma como eles trabalhavam.
Analisar estes acontecimentos ajuda a entender o que estamos vivendo agora, na era da revolução digital.
A Revolução Agrícola
Uma das primeiras revoluções que impactaram a vida dos humanos quanto a sua forma de trabalhar foi a revolução agrícola.
Estudos apontam que ela aconteceu há aproximadamente 10 mil anos A.C.
Antes disso os humanos viviam em grupos menores, eram nômades e se alimentavam colhendo plantas silvestres e caçando animais selvagens. Por que fazer outra coisa se seu estilo de vida fornecia alimento abundante e sustento para o grupo?
Aproximadamente cerca de 10 mil anos atrás, quando provavelmente ocorreu a descoberta do fogo, os humanos devastaram enormes faixas de terra para encurralar animais, facilitando a caçada e ao mesmo tempo destruindo enormes campos de alimentação vegetal.
Estas terras queimadas ao longo do tempo refloresciam e os humanos aprenderam que era possível dedicar um esforço menor manipulando espécies de plantas e pequenos animais para sua alimentação sem a necessidade de grandes deslocamentos, grandes esforços para caçar, além, claro, da enorme redução de risco a sobrevivência na luta de lugares não explorados com espécies selvagens a toda volta.
Este trabalho que despendia um esforço diferente lhe rendia mais frutas, grãos e carne em troca de um esforço menor. Foi uma grande revolução na vida dos humanos - a Revolução Agrícola.
Esta revolução trouxe um impacto tão grande na vida dos humanos que mesmo hoje, com toda nossa tecnologia avançada, mais de 90% das calorias que alimentam a humanidade vêm de plantas e animais dos quais nossos ancestrais domesticaram durante esta revolução.
A revolução agrícola traz impactos imensuráveis até os dias de hoje. Acadêmicos declaram que foi um dos maiores saltos para a humanidade e seu intelecto.Aos poucos a revolução agrícola produzia humanos cada vez mais inteligentes a ponto de decifrarem os segredos da natureza, o que lhes permitiu o cultivo do trigo e a domesticação de pequenos animais silvestres, como ovelhas.
O cultivo do trigo e a criação de animais silvestres trouxeram muito mais alimento aos humanos. Dessa forma, permitiu que o ser humano se multiplicasse exponencialmente, passando a viver em grupos bem maiores.
Antes da revolução agrícola, nossos ancestrais se alimentavam coletando frutas e caçando animais silvestres, andavam em bandos ou grupos de até 100 indivíduos. Com a revolução agrícola, estes grupos aumentaram e no mesmo território, começaram a viver mais de 1.000 indivíduos em conjunto.
Mas não foram somente coisas boas que chegaram com a revolução agrícola.
A explosão e acúmulo de seres humanos no mesmo grupo criou e prosperou a distribuição de doenças e pestes, e aquele ser humano forte que utilizava seu corpo para caçar, agora passou a ser muito mais fraco e se alimentar de trigo e carne de animais pequenos, ou seja a quantidade de vitaminas e proteínas que este corpo consumia já não era mais a mesma.
O conhecimento do plantio também era muito pequeno e qualquer alteração da natureza poderia colocar em risco toda uma safra por falta de chuva, pestes, fogo ou falta de conhecimento da área, que muitas vezes poderia abrigar alagamentos ou desmoronamentos de terras.
Os humanos, por sua vez, também passaram por uma forte transformação. Os caçadores que antes eram os mais fortes e corajosos líderes do grupo, agora já não possuíam tal valor.
Humanos que conheciam melhor as terras, dominavam grupos e criavam estruturas para o plantio e também para a distribuição de alimentos.
Sim! O trabalho dos caçadores diminuiu e a procura por especialistas em plantio aumentou!
Historicamente as revoluções afetam diretamente o mercado de trabalho da sua época. Se por um lado uma lista de empregos e habilidades deixaram de ser importantes, sempre haverá uma outra lista de empregos e novas habilidades surgindo rapidamente e com uma procura enorme por novos profissionais!
Então não acabam os empregos e uma revolução não afeta o mercado?
Definitivamente não! Esta balança de desqualificação e procura por novos profissionais não respondem na mesma velocidade. Ou seja,acabam a procura pelos caçadores e surge imediatamente a procura por especialistas em plantio. Mas infelizmente eles ainda não existem e estamos passando por uma época de escassez de habilidades profissionais.
É exatamente este processo que gera o impacto na economia e no mercado de trabalho até hoje.
A Revolução Industrial
A revolução industrial foi um conjunto de mudanças que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX.
Por volta do século XVIII e XIX, o homem começou a substituir o trabalho artesanal pelo uso de máquinas (máquina de fiar, tear mecânico, a máquina a vapor, etc.), através do uso de fontes modernas de energia (carvão e o petróleo) e o aperfeiçoamento das técnicas de produção a partir do avanço tecnológico e científico.
Até o final do século XVIII a maioria da população vivia no campo e produzia o que consumia. De maneira artesanal o produtor dominava todo o processo.
Com o avanço da Revolução Industrial, muitos empresários ambicionando um lucrar maior, redesenharam sua esteira de produção incluindo máquinas e energias, desta forma o trabalhador perdeu o conhecimento de todo o processo da técnica de fabricação passando a executar apenas uma etapa.
O operário era explorado e forçado a trabalhar até 15 horas por dia em troca de um salário baixo, além disso, mulheres e crianças também eram obrigadas a trabalhar para sustentarem suas famílias.
A demanda por profissionais especialistas em determinados processos de industrialização bem como conhecimento no manuseio e utilização de máquinas cresceu muito.
Em contra partida, assim como na revolução agrícola grande parte da população, principalmente os artesões, que estavam acostumados a produzir de maneira artesanal e conceber todo o processo de fabricação ficou sem utilização até se especializarem.
Outras profissões surgiram, especialistas em energias renováveis como vapor e petróleo, começaram a surgir grandes produções de máquinas e especialistas em manutenção das mesmas.
Diante disso, alguns trabalhadores se revoltaram com as péssimas condições de trabalho oferecidas, e começaram a sabotar as máquinaso, outros movimentos também surgiram nessa época com o objetivo de defender o trabalhador, o que mais tarde veio a criar necessidade do governo leis específicas para defender o operário e empresário, nesta época também surgiram os sindicatos especializados.
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