O Infante Navegador: Poemeto

Alfredo Campos · Capítulo 11 de 13

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O Infante Navegador: Poemeto

Capítulo 3

Cumpre um dever o povo que pretende,

Que é pela Historia que se instrue e aprende.

 

3

Filho de Reis, podia, na grandeza,

Trazer a vida, e em ocios, regalada;

Preferiu, da Sciencia, a realeza,

Porque era d'ella uma alma enamorada,

Levando, em protegel-a, a gentileza

De, em seus Paços, a ver bem hospedada,

Que eram de illustres Sabios, grande gremio,

Sabios, que honrava e a quem dava premio.

 

4

Pelo seu coração foi mui piedoso,

Varão d'inteira Fé, de firme Crença,

Erguendo muito monumento honroso,

Que a tradição, agora, ainda incensa,

Como para attestar o caloroso,

Real valor d'essa piedade immensa,

De quem tinha, por si, segura a regra,

Que sem religião a vida é negra.

 

5

Affavel, terno, todo castidade,

Abria o seio ás afflicções dos pobres,

Que consolava ao sol da caridade,

Mudando em oiro a falta dos seus cobres,

Nos extremos do affecto e da bondade,

Taes como os dispensava aos ricos nobres,

Chegando, por impulsos desvelados

A ser chamado até—Pai dos Soldados! 6