O Infante Navegador: Poemeto

Alfredo Campos · Capítulo 5 de 13

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O Infante Navegador: Poemeto

Capítulo 10

Tal como o mar, que um dia é bonançoso,

Beijando docemente a costa, a praia,

E no outro dia é já tempestuoso,

Em mortalha mudando a alva cambraia,

Da fina espuma do seu dorso airoso,

Para melhor colher o que desmaia,

Hoje, sereno, amante peregrino,

Mau, amanhã, terrivel e tigrino.

 

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Assim o espirito do Infante, ás vezes,

Calmo sorria ao fim d'alguma empreza,

Triumphante de todos os revezes;

Mas enchia a sua alma de tristeza

Quando a sorte feria os portuguezes,

Porque ante a sorte ha força que é fraqueza,

E nem sempre volviam gloriosas,

Essas expedições audaciosas!