O Infante Navegador: Poemeto
Capítulo 10
Tal como o mar, que um dia é bonançoso,
Beijando docemente a costa, a praia,
E no outro dia é já tempestuoso,
Em mortalha mudando a alva cambraia,
Da fina espuma do seu dorso airoso,
Para melhor colher o que desmaia,
Hoje, sereno, amante peregrino,
Mau, amanhã, terrivel e tigrino.
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Assim o espirito do Infante, ás vezes,
Calmo sorria ao fim d'alguma empreza,
Triumphante de todos os revezes;
Mas enchia a sua alma de tristeza
Quando a sorte feria os portuguezes,
Porque ante a sorte ha força que é fraqueza,
E nem sempre volviam gloriosas,
Essas expedições audaciosas!