O Infante Navegador: Poemeto

Alfredo Campos · Capítulo 3 de 13

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O Infante Navegador: Poemeto

Capítulo 3

Não, porque da ambição fosse vil presa,

Mas para dar á Fé maior grandeza!

 

3

Varão de largo estudo e são talento,

Em vez de braço inerte na indolencia,

Nos prazeres da côrte, e luzimento

D'uma banal e inutil existencia;

Em vez dos galanteios de momento,

Que passam, como as nuvens d'uma essencia,

Votou a vida, desde a florea edade,

Ao trabalho, com honra e lealdade.

 

4

Foi de Sagres, nos sonhos radiosos,

Embalados, do mar, nas harmonias,

Quando o mar, nos anceios carinhosos,

Ia, meigo, beijar-lhe as penedias,

Como para attrahil-o aos gloriosos,

Altos projectos de futuros dias,

Que concebeu os planos de conquista,

Lançando, ao longe, a penetrante vista.

 

5

Ninguem, como elle, ousára ainda tanto,

Abrir caminho certo a essas paragens,

Onde a noite é mortal, o sol quebranto,

Os habitantes negros e selvagens;

Porque ninguem sentira o doce encanto

De lograr tão esplendidas miragens;

Porque ninguem, como elle, decifrava

Os enigmas, que o mar apresentava.