O Infante Navegador: Poemeto

Alfredo Campos · Capítulo 7 de 13

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O Infante Navegador: Poemeto

Capítulo 3

Ao que, por descubril-as, tanto faz.

Leva a Ceuta os seus feitos e, no emtanto,

Sempre no seu intento firme e audaz,

Segue lançando o penetrante olhar,

As ondas do attrahente e vasto mar!

 

3

Diogo Gomes põe as lusas quinas,

Em Cabo Verde—essa africana porta

—Como se as hasteasse nas campinas,

Onde não houve nunca esperança morta.

Rasgam-se as nuvens densas de neblinas,

Ante o fervor, que o heroismo exhorta,

E á bahia d'Arguim o accesso expande

A maritima audacia, e ao Rio Grande!

 

4

Desvenda-se esse Mar, que Tenebroso,

Toda a coragem transformava em medo,

Como rendido ao susto perigoso,

Quem quer sondar o abysmo d'um segredo;

E esse campo de vagas, mysterioso,

Tão tido por feroz, insano e tredo,

Deixa de ser phantastica voragem,

Para prestar aos lusos vassalagem!

 

5

Levado na corrente caudalosa,

Que os animos inspira com ardor,

Dobra, n'uma derrota gloriosa,

Gil Eannes, o Cabo Bajador;

E essa tarefa rude e trabalhosa,