O Infante Navegador: Poemeto
Capítulo 3
Ao que, por descubril-as, tanto faz.
Leva a Ceuta os seus feitos e, no emtanto,
Sempre no seu intento firme e audaz,
Segue lançando o penetrante olhar,
As ondas do attrahente e vasto mar!
3
Diogo Gomes põe as lusas quinas,
Em Cabo Verde—essa africana porta
—Como se as hasteasse nas campinas,
Onde não houve nunca esperança morta.
Rasgam-se as nuvens densas de neblinas,
Ante o fervor, que o heroismo exhorta,
E á bahia d'Arguim o accesso expande
A maritima audacia, e ao Rio Grande!
4
Desvenda-se esse Mar, que Tenebroso,
Toda a coragem transformava em medo,
Como rendido ao susto perigoso,
Quem quer sondar o abysmo d'um segredo;
E esse campo de vagas, mysterioso,
Tão tido por feroz, insano e tredo,
Deixa de ser phantastica voragem,
Para prestar aos lusos vassalagem!
5
Levado na corrente caudalosa,
Que os animos inspira com ardor,
Dobra, n'uma derrota gloriosa,
Gil Eannes, o Cabo Bajador;
E essa tarefa rude e trabalhosa,