O Infante Navegador: Poemeto
Capítulo 6
Rodeado d'espiritos valentes,
Promptos á voz, que vinha d'um desejo,
Calando, sempre, em corações ardentes,
Cheios de brio, aspiração e pejo,
Mal dardejava ás ondas relusentes,
Os olhos, no clarão d'algum lampejo,
Ao vento desfraldavam, logo, as vélas,
Arrojadas, veleiras caravellas!
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Não eram ambições de vil riqueza,
De conquistas, que augmentam poderio,
Ou paixão de cubiça, de torpeza,
Para satisfazer um desvario,
Ou um capricho vão de vã fraqueza,
O que o levava á busca do gentio:
—Era mais alto e nobre o pensamento,
Que o punha firme n'esse ousado intento.
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Na descoberta de regiões ignotas,
Tinha apenas um alvo, que era a Gloria,
D'avançar na sciencia das derrotas,
Para lograr, sobre outros, tal victoria,
Levando a Fé ás tribus mais remotas,
Cuja religião era irrisoria;
Não por prazer de ter móres dominios
Acalentava o Infante estes designios.
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