O Infante Navegador: Poemeto

Alfredo Campos · Capítulo 4 de 13

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O Infante Navegador: Poemeto

Capítulo 6

Rodeado d'espiritos valentes,

Promptos á voz, que vinha d'um desejo,

Calando, sempre, em corações ardentes,

Cheios de brio, aspiração e pejo,

Mal dardejava ás ondas relusentes,

Os olhos, no clarão d'algum lampejo,

Ao vento desfraldavam, logo, as vélas,

Arrojadas, veleiras caravellas!

 

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Não eram ambições de vil riqueza,

De conquistas, que augmentam poderio,

Ou paixão de cubiça, de torpeza,

Para satisfazer um desvario,

Ou um capricho vão de vã fraqueza,

O que o levava á busca do gentio:

—Era mais alto e nobre o pensamento,

Que o punha firme n'esse ousado intento.

 

8

Na descoberta de regiões ignotas,

Tinha apenas um alvo, que era a Gloria,

D'avançar na sciencia das derrotas,

Para lograr, sobre outros, tal victoria,

Levando a Fé ás tribus mais remotas,

Cuja religião era irrisoria;

Não por prazer de ter móres dominios

Acalentava o Infante estes designios.

 

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