O Mundo Perdido

Arthur Conan Doyle · Capítulo 10 de 12

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O Mundo Perdido

Capítulo XII · Apavorantes Trevas

 

Tudo aquilo encheu-me de orgulho. Graças à minha cooperação naquela aventura prodigiosa, pude fazer o nome de Gladys integrar uma das mais sensacionais obras científicas de nosso tempo. Também o fato de ter sido elogiado por três homens tão importantes, como meus companheiros de empreitada, deixou-me entusiasmado. Eu era o mais jovem do grupo, e esse fato, aliado à minha natural falta de experiência em relação aos outros, havia-me colocado, por assim dizer, numa situação subalterna. Agora, contudo, sentia-me no mesmo nível deles, e não percebi que todo aquele orgulho e auto-satisfação conduziria-me a uma terrível experiência. Infelizmente, pude compreender por que popularmente se diz que "quanto maior a altura, pior a queda".

Estava eu excitado a tal ponto com aqueles acontecimentos que fiquei por muito tempo deitado sem poder dormir. O turno de guarda cabia a Summerlee e eu via-o, anguloso e desajeitado, sentado junto à fogueira, com o rifle atravessado entre os joelhos.

O luar estava esplêndido e o sono teimava em não chegar... Veio-me a tentação de fazer um passeio até o lago.

Havíamos decidido que partiríamos no dia seguinte e eu não queria abandonar aquela terra misteriosa sem informações mais seguras sobre o lago Gladys. Que perigo poderia ameaçar-me nessa exploração? O luar tornava tudo tão visível como em pleno dia... Além disso, eu levava meu rifle. Enchi os bolsos de cartuchos e esgueirei-me fora do acampamento, sem que Summerlee — a mais distraída das sentinelas — desse por conta disso. Na minha cabeça ressoavam as palavras de Gladys: "O mundo está cheio de possibilidades de heroísmo." Lembrei-me também de McArdle e das glórias que colheria ao ver meu artigo consagrado nas páginas do jornal.

Porém, havia caminhado apenas uns cem metros e já começava a deplorar minha imprudência. Eu sou demasiadamente imaginativo para poder ser, de fato, o que chamam de um homem corajoso. Tenho coragem para fazer frente aos acontecimentos que se apresentam; mas diante do desconhecido minha imaginação e fantasia aumentam a pressão nervosa a tal ponto que duplicam os riscos possíveis. Mas o brio, o medo de mostrar que tinha medo impeliu-me para diante, com o coração apertado no peito.

O aspecto da floresta era de enregelar. Em alguns lugares, as árvores eram tão juntas que a folhagem não deixava passar um só raio de luz. Eu caminhava no meio da mais completa escuridão e recordava os gritos horrendos do iguanodonte estrangulado e despedaçado na noite anterior; pensava no focinho pustulento, que vira à luz do archote de lorde Roxton. Andaria ele por ali também hoje? Por que não acreditá-lo? E eis que, fazendo o gesto instintivo de engatilhar a arma, verifiquei que, em vez de um rifle, trouxera a espingarda de caça.

Senti de novo e furiosamente a tentação de voltar; mas a vaidade não me consentiu.

Cheguei afinal ao limite da floresta e, então, a planície dos iguanodontes, toda enluarada, pareceu-me ainda mais temível. Oculto atrás de um arbusto atarracado, observei prudentemente o espaço deserto. Não havia ali agora um só animal. Teriam todos procurado outro abrigo após o drama em que um deles fora a vítima?

Enfim, como nada se movia ali, tomei ânimo e atravessei rapidamente a clareira indo encontrar do outro lado, em um bosque ralo, o riacho que me servia de guia. Era bastante seguir o curso dessa água cantante para alcançar o lago.

O bosque rareava cada vez mais e era substituído por um prado de ervas como eu nunca vira tão altas. Um pterodáctilo passou sobre mim em vôo bastante baixo, mas não deu por minha presença. Ainda assim, eu me deitei entre a relva e fiquei seguramente um quarto de hora sem ousar erguer-me.

Quando recomecei a andar, ouvi um ruído singular de chaleira que ferve. A proporção que me adiantava esse ruído tornava-se mais distinto; portanto devia partir de uma causa fixa e era evidente que eu me aproximava dessa causa.

Não tardei a encontrar a fonte desse ruído. Era de fato uma fonte — não muito maior que a bacia do chafariz de Trafalgar Square* —, uma espécie de geyser, que expelia um líquido negro e lamacento. Tinha eu ali uma prova de que as forças vulcânicas, que haviam criado aquele platô, ainda não estavam totalmente extintas. Da fonte emanavam fortes ondas de calor e o solo estava tão quente que eu mal aguentava apoiar nele a minha mão. Como mais uma evidência da presença de atividade vulcânica, percebi, em vários pontos, rochas enegrecidas e pequenos montes de lava, parcialmente encobertos pela vegetação. Aquele poço de asfalto — era asfalto, como pude constatar — era um sinal efetivo de que havia atividade vulcânica na velha cratera, sem sombra de dúvida. Contudo, interrompi minhas investigações, pois tinha de voltar para o acampamento antes do amanhecer.

Segui por outra clareira, que atravessei trêmulo e apressado, esgueirando-me pelas raras linhas de trilhas e por vezes rastejando... Por todos os lados andavam sombras, que pareciam tão assustadas como eu. Naturalmente a proximidade do lago atraía todos os habitantes vivos do platô... Meu relógio marcava uma hora quando, afinal, vi a cintilação da água diante de meus olhos. Mais uns vinte minutos de marcha precipitada e cheguei aos juncos que emolduravam o lago.

Extenuado pela longuíssima caminhada, deitei-me e bebi grandes goles daquela água que era doce e fresca. Mas uma larga pista, coberta de pegadas, mostrou-me que aquele era o caminho habitual de muitos animais e tratei logo de me afastar, subindo para um bloco isolado de lava. Instalado nesse pedestal eu podia contemplar um amplo horizonte em torno de mim. E a primeira coisa que avistei, encheu-me de assombro.

Já disse que do alto da árvore eu vira um paredão de basalto, com pontos escuros, que pareciam entradas de grutas. Agora, olhando para esse paredão, eu via todos aqueles orifícios iluminados... Sim, iluminados, como as escotilhas de um transatlântico. Por um instante julguei que aquilo fosse reverberações de lava ardente; mas, reparando bem, reconheci que se tratava de fogos; uns maiores, outros menores, com chamas que se moviam. Havia, pois, nessas cavernas, fogueiras que só podiam ter sido armadas e ateadas por mãos humanas. Existiam então habitantes humanos naquele planalto?... Sim, eram homens... Que justificação gloriosa para a expedição!... Eu já via, inclusive, a manchete estampando a minha matéria no jornal, e aqueles acontecimentos repercutindo em toda Londres!

Fiquei ali por muito tempo contemplando aquelas luzes que vacilavam. A despeito da distância em que me achava delas, distingui que muitas vezes se empanavam por instantes como se alguém passasse diante da abertura da caverna. Que não daria eu para me aproximar e surpreender o aspecto daquela gente, seus costumes, o modo como vivia.

* Importante praça no centro de Londres. (N. do E.)

O lago Gladys, a meu lado, refletia a Lua. Era pouco profundo, pois em muitos pontos emergiam dele bancos de areia. Contudo, parecia cheio de vida, pois, a cada momento, desenhavam-se em sua superfície círculos e rugas certamente causadas por seus habitantes aquáticos. Sobre um dos ilhotes de areia andava uma espécie de cisne enorme. De súbito surgiram em terra, bem próximo de mim, dois outros animais; pareciam tatus do tamanho de carneiros. Chegaram à borda do lago e começaram a beber; mas, de repente, com mostras de grande susto, fugiram. Voltei-me para ver quem os teria assustado e percebi um novo animal, que descia a trilha.

Tive logo a impressão de que já vira aquela forma anteriormente, com o dorso eriçado de lâminas triangulares e uma cabeça de pássaro quase tocando o solo. Depois recordei-me; era o estegossauro, o animal que Mapple White desenhara em seu álbum. O solo tremia sob seu peso e o resfolegar de suas goelas ressoava no silêncio da noite. Durante cerca de cinco minutos a criatura esteve tão perto de mim que eu poderia tocá-la caso estendesse o braço. Depois afastou-se e desapareceu.

Olhei para o relógio e vi que já passava das duas e meia. Precisava voltar ao acampamento. Não teria dificuldades com o itinerário, pois durante todo o tempo eu me mantive próximo do riacho que me conduzia, inapelavel-mente, ao nosso acampamento. Desse modo, parti refletindo que, até então, poucos homens tinham, numa só noite, acumulado tão grande quantidade de informações e uma contribuição fundamental ao saber humano.

Mas quando eu entrava no bosque ralo, antes de chegar à clareira dos iguanodontes, a Lua desapareceu entre nuvens e, quase no mesmo instante, ouvi atrás de mim um rumor insólito e medonho... Era um ronco ou grunhido, abafado mas possante, traindo a presença de um animal temível. Apressei o passo, mas o ruído persistia cada vez mais próximo e ameaçador. O animal, fosse qual fosse, pa-recia perseguir-me. Senti o coração deter-se, as carnes gelarem, os cabelos se eriçarem. Que poderia eu fazer contra os monstros espantosos daquela região maldita? Lembrei-me do sapo apocalíptico que lorde Roxton afugentara na véspera. Meus joelhos entrechocavam-se; mas tudo me pareceu preferível ã incerteza. Detive-me e voltei-me. Não vi coisa alguma. Nada se movia no horizonte levemente prateado pelo luar; mas o grunhido sinistro fez-se ouvir uma terceira vez e ainda mais próximo. Não havia dúvida; eu estava sendo perseguido e meu perseguidor ganhava terreno sobre mim.

Fiquei imóvel, esperando e, de repente, vi... um grupo de árvores abrir-se e um grande vulto aparecer saltitando... Vinha de pé sobre as patas traseiras, como um canguru, e tinha o tamanho de um elefante. Pela forma geral, pareceu-me a princípio um iguanodonte mas, quando lhe vi a cabeça larga e achatada, reconheci o animal horrendo que, na véspera, tentara forçar nosso reduto. Ademais, seus gritos ferozes e a insistência com que me seguia denunciavam claramente um dos grandes dinossauros carnívoros que habitavam aquele platô. Enquanto avançava, ia farejando meu rastro, encostando o enorme focinho no chão a cada vinte ou trinta metros. Por vezes, perdia a minha direção, mas ao sentir o cheiro vinha novamente pulando veloz atrás de mim.

Ainda hoje, sinto um suor gelado correr pelo meu rosto toda vez que recordo esse momento. Que podia eu fazer? Eu tinha nas mãos apenas uma espingarda de caça, arma inútil contra aquela criatura espantosa. O fato é que, na fuga, olhava desesperadamente em volta, à procura de alguma pedra ou árvore sólida o bastante para me servir de abrigo... Mas estava numa planície coberta de arbustos raquíticos. .. Vencer aquele animal em uma corrida? Seria loucura tentá-lo sequer; mas, como não havia outro recurso, atirei-me por uma trilha aberta entre as ervas soltas, aban-donando a espingarda para ter os movimentos mais livres. Corri como nunca havia corrido em toda a minha vida, espicaçado pelo tropel da fera, que me perseguia. Esse tropel aproximava-se... Eu estava perdido. Com um alarido desatinado de pavor, ganhei novo ímpeto e, de súbito, o solo estalou sob meus pés e senti-me cair no vácuo e na escuridão.

Quando voltei do ligeiro desmaio que se seguiu à minha queda, a primeira sensação que me dominou foi a de um odor fétido. Estendi as mãos na sombra absoluta que me rodeava. Uma delas bateu sobre um osso e a outra sobre não sei o quê, de mole e viscoso, devia ser carne em putrefação. Acima de mim havia uma abertura quase circular pela qual eu via o céu estrelado.

Era noite ainda: portanto meu desmaio devia ter durado apenas alguns minutos. Compreendi a situação. Em minha correria alucinada eu caíra bruscamente em uma cavidade do solo, cavidade na qual, antes de mim, um animal qualquer caíra e morrera. Ergui-me vagarosamente. Tinha o corpo dolorido dos pés à cabeça; não havia em mim um só músculo que não estivesse esgotado pela fadiga. Olhei para cima, receando ver a cabeça do monstro, à minha espera. Mas não... O orifício da cova recortava-se nitidamente no azul do céu. Também não ouvia rumor algum. O animal perdera minha pista ou desviara-se perseguindo outra presa mais fácil.

Então, mais tranquilo, comecei a dar voltas em minha prisão improvisada. Era uma cova redonda, com paredes lisas e estava cheia de restos de carne em adiantado estado de putrefação. O lugar todo era de uma horrenda e venenosa insalubridade. Tateando naqueles despojos infectos encontrei um poste tão alto que minhas mãos não lhe alcançavam a extremidade.

Lembrei-me de que tinha no bolso uma caixa de fósforos. Risquei um e, através de sua luz vacilante, pude compreender em que espécie de cova havia caído. Sem dúvida alguma, aquilo era uma armadilha feita por mãos humanas, com inteligência humana. No meio da cova havia um poste com três metros de altura e ponta cuidadosamente acerada. Todo o poste estava negro do sangue dos animais que já nele se tinham empalado. Lembrei-me de Challenger ter afirmado que o homem não sobreviveria naquele platô porque não poderia resistir aos animais gigantescos e formidavelmente armados que o infestavam. Pois bem, aquele fato demonstrava o contrário: mais fraco e sem armas naturais, o homem tinha o desenvolvimento cerebral que lhe permitia dominar os monstros, por mais fortes e ágeis que fossem.

Mas que fim havia levado o que me perseguira? Os dois professores afirmavam que aqueles brutos eram quase desprovidos de cérebro; talvez aquele tivesse continuado a correr estupidamente, perdendo a minha pista.

Assim era, com efeito. Agarrando-me a restos de raízes e asperezas, consegui subir até a beira do buraco e verifiquei, aliviado, que os arredores estavam completamente desertos. Pus então os pés no solo, mas sabe Deus em que estado! Imundo e arrastando-me. Fiquei ainda por algum tempo imóvel, de ouvido alerta e pronto a saltar de novo para a cova, caso ouvisse algum rumor suspeito. Depois, tranquilizado pelo silêncio, esgueirei-me pela vereda que me trouxera até ali. Tive a sorte de encontrar minha espingarda, apanhei-a e retomei o caminho para o acampamento.

O estampido de um tiro ao longe deteve-me de súbito. Nada mais ouvi. Que novo perigo ameaçaria meus companheiros?

Era dia já claro. Talvez eles estivessem simplesmente caçando. Mas nesse caso já tinham dado por minha ausência e eu devia apressar-me para que eles não me julgassem perdido ou morto. Talvez o tiro tivesse apenas o intuito de atrair-me. Mas, tendo lorde Roxton aconselhado que evitássemos os tiros, decerto só lançaria mão da arma em circunstância muito grave...

Não sabendo o que pensar, precipitei os passos. Fatigado, porém, como estava, não conseguia correr. Mas, enfim, atravessei a floresta que me separava do acampamento e soltei um grito vigoroso para prevenir lorde Roxton. Não tive resposta e, chegando à borda do platô, em vão os procurei. O acampamento estava tal qual eu o deixara; mas a porta estava aberta; todas as nossas bagagens espalhadas na maior confusão e, junto às cinzas ainda quentes de nossa fogueira, estendia-se uma larga poça de sangue. Fiquei um instante atordoado de surpresa e horror. Depois atirei-me novamente para o bosque, com gritos e gestos de um louco. Que teria havido, santo Deus? Que fim teriam tido meus companheiros? E que ia ser de mim, abandonado e só naquela região fantástica? Ao fim de certo tempo, minha exaltação foi substituída por um desânimo absoluto e sen-tei-me a refletir.

Evidentemente meus amigos tinham sido atacados de surpresa, pois só houvera tempo para disparar um tiro e os rifles tinham ficado ali, caídos no solo. Todos os demais objetos estavam em desordem, amassados ou partidos; mas estavam ali todos, com exceção das munições de boca. Portanto, o ataque devia ser atribuído a animais. Homens teriam levado também objetos. Mas eu refletia que um animal tê-los-ia massacrado ali mesmo... E só havia ali uma mancha de sangue. Um monstro como o que me atacara teria talvez levado um dos exploradores; mas nesse caso os outros tê-lo-iam perseguido e por isso teriam levado os rifles. Quanto mais eu refletia mais me parecia difícil encontrar uma explicação plausível. Examinei a parte do bosque mais próxima do acampamento, mas não descobri indício algum. E assim, durante uma hora, andei às tontas, sem ânimo para tomar uma decisão.

Depois, a lembrança de Zambo veio trazer-me novo alento. Não! Eu não estava inteiramente só naquele recanto do mundo. A meu primeiro apelo da borda do platô, o bom negro acudiu com todos os dentes a mostra, acompanhado por um índio. Esperei que ele subisse a agulha rochosa e, quando o tive ao alcance de minha voz, relatei-lhe o desaparecimento de lorde Roxton e dos dois professores.

— Foi Curupira que levou eles — gemeu Zambo, chorando copiosamente. — Essa terra é enfeitiçada. Também precisa fugir daí, senão Curupira o leva também.

— Mas fugir como? — perguntei desolado. — Como eu vou descer?

— Corte cipó no mato e amarre uns nos outros até chegar ao chão.

— Já andei a procura disso; mas os cipós que encontrei são muito fracos, não me aguentam...

— Mandarei buscar cordas, Sr. Malone.

— Como assim? Onde?

— Na aldeia dos índios, senhor. Há muita corda de couro por lá. O índio pode buscar.

— Quem é ele? — perguntei.

— Um dos que estavam com a gente. Os outros bateram nele e lhe roubaram o dinheiro. Ele voltou e está pronto para ajudar...

— Espere... creio que ele poderia levar uma carta.

Foi o que pensei no momento: o índio poderia levar uma carta com meu pedido de socorro. Mesmo que ninguém viesse nos ajudar, ao menos não morreríamos em vão e a Inglaterra e o mundo não ficariam privados de informações sobre a epopéia magnífica que havíamos experimentado. Eu tinha duas, já prontas, narrando acontecimentos anteriores ao dia de hoje. Entreguei-as a Zambo, junto com alguns dobrões de ouro, para que os mostrasse ao índio dizendo que seriam dele caso retornasse. Como o índio deveria voltar com as cordas ao anoitecer, sentei-me imediatamente para escrever uma terceira carta em que relataria os acontecimentos até aquele instante.

Faço essa narração, caro Sr. McArdle, para que possa entender como esta carta lhe chegou às mãos, bem como para que o senhor possa conhecer tudo o que até agora desvendamos sobre este mundo perdido. Esta pode ser a última comunicação deste seu infeliz correspondente.

Sinto-me sem energias para pensar, para estabelecer alguma estratégia. Amanhã, quem sabe, estarei melhor e poderei tentar descobrir algum indício do paradeiro de meus desafortunados companheiros de aventura.