O Mundo Perdido

Arthur Conan Doyle · Capítulo 5 de 12

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O Mundo Perdido

Capítulo IV · A Coisa Mais Espantosa Deste Mundo

 

Tão logo o professor entrou, a Sra. Challenger preci-pitou-se em direção a ele totalmente furiosa, como uma galinha cacarejando contra um buldogue. Ela não percebeu que eu havia retornado à casa.

— Seu bruto! Criatura impossível! Você feriu aquele pobre moço tão elegante...

Ele apontou-me com o polegar, mostrando a ela que eu estava logo atrás.

— Aqui o tem, são e salvo.

— Oh! — exclamou ela, corando. — Desculpe, eu não o tinha visto. Mas não importa, George, você é um bruto, deixou o rapaz com um olho roxo! Não há um dia em que não escandalize a vizinhança com um disparate destes. Você torna-se ridículo e odiado por todo o mundo.

— Bom, bom... Acabemos com isto.

— Não. Você é insuportável e eu hei de...

— Ah! É assim? — cortou ele. — Então vai ficar de castigo.

Curvou-se, segurou-a pela cintura e, levando-a com os braços estendidos como se fosse uma boneca, foi colocá-la sentada sobre uma coluna de mármore, que estava a um canto do salão — uma coluna com metro e meio de altura, c tão estrita que ela precisava manter-se em absoluta imobilidade para conservar o equilíbrio. Era a coisa mais absurda e mais curiosa vê-la assim, como se estivesse em exposição, com o rosto convulsionado pela cólera e o corpo imóvel para não cair.

—Desça-me daqui — gemia ela.

—Peça-me por favor.

—Bruto! Mal-educado! Desça-me daqui imediatamente.

—Entre no meu escritório, Sr. Malone.

—Oh, professor!... Mas deixar assim sua senhora...

—Vê? O Sr. Malone intercede por você. Peça por favor e eu lhe coloco no chão.

— Bruto! Por favor, por favor — murmurou a Sra. Challenger, quase chorando de raiva.

Ele segurou-a com uma só mão, pousando-a no assoalho, como a um passarinho. Depois disse:

— Jessie, querida, você precisa se comportar melhor. Imagine se o Sr. Malone resolve publicar, no pasquim dele, uma matéria sobre a nossa vida doméstica. Os vizinhos iriam adorar e, certamente, esgotariam a edição. O Sr. Malone, e todos da raça dos jornalistas, é como um urubu, gosta de se alimentar de porcarias. Ah, talvez fosse melhor compará-los aos porcos, não é Sr. Malone?

— O senhor é realmente intolerável — respondi, agastado.

Ele emitiu uma gargalhada tonitruante. Em seguida, virando-se para a esposa e pondo as mãos gigantescas em seus ombros, disse em voz surpreendentemente doce:

—Você está certa, meu anjo. Caso eu seguisse os seus conselhos, eu seria um homem muito melhor, mas não se ria mais George Edward Challenger. Nesse mundo, há muitos homens bons, mas apenas um único G.E.C.. Assim, aproveite-o da melhor maneira possível.

Após dizer isso, deu-lhe um beijo tão barulhento que a deixou ainda mais embaraçada.

Eu e ele seguimos para o escritório de onde, pouco antes, havíamos saído tão desastrosamente. O professor fechou a porta com cuidado, fez-me sentar em uma poltrona confortável, pôs ao alcance de minha mão uma caixa de excelentes charutos e começou.

— Agora preste atenção e, pense o que pensar, guarde suas reflexões para mais tarde. Eu o trouxe novamente aqui, depois de o ter posto na rua com todo o direito — e ergueu a barba com um ar agressivo para ver se eu protestava —, por causa da resposta que deu ao policial. A lealdade com que reconheceu também ter culpa no cartório mostrou-me que possui alguns sentimentos de dignidade. Em geral os indivíduos da subespécie humana a que pertence julgam-se com todos os direitos, inclusive o de penetrar na casa alheia e aborrecer um homem livre, contra sua vontade. Se eu os ponho na rua consideram-se agredidos. O senhor, ao menos, é leal e por isso concordei em satisfazer sua curiosidade, com uma condição: o que eu contar é só para seu conhecimento pessoal e não pode ser publicado.

Era duro, mas que fazer? Concordei. Ele voltou-se para uma estante ao lado, tirou dela um livro, que me pareceu um álbum de croquis e prosseguiu:

— Dê-me sua palavra? — assenti, novamente sem ter outra opção. — Muito bem. Vou lhe falar da América do Sul e desde já o previno que minha exposição será muito incompleta: conterá apenas algumas indicações. Decerto, já sabe que eu fiz ali uma viagem destinada a ficar clássica nos anais da ciência. Propunha-me apenas verificar umas tantas conclusões de Wallace e de Bates*; mas aconteceu-me lá um incidente, que abriu novas perspectivas às minhas pesquisas. O senhor sabe — ou não sabe, porque os jornalistas são sempre de uma ignorância calamitosa — que algumas regiões do Baixo Amazonas são ainda completamente desconhecidas. Pois foi uma destas regiões que eu visitei, encontrando em sua fauna material para vários capítulos de uma obra monumental de zoologia, que será a consagração de minha carreira. Voltando dessa excursão, que já considerava tão feliz, passei uma noite em uma aldeia de índios, no ponto em que um afluente deságua no Amazonas.

— Os índios da tribo eucana são hospitaleiros, mas estúpidos. Contudo, menos ignorantes do que qualquer jorna lista de Londres. Durante a viagem, eu havia curado alguns dos índios com quinino, aspirina e óleo de rícino, e, por isso, ao chegar à aldeia, minha fama de médico era tal que o próprio cacique veio buscar-me para atender a um doente. Quando, porém, cheguei à taba, o pobre coitado tinha acabado de morrer e qual não foi o meu espanto ao ver que o falecido não era um índio, mas um homem branco, com o corpo ainda semi-envolvido em restos de roupa civilizada. Procurei informar-me. Os índios não o conheciam. Sabiam apenas que ele chegara ali uma semana an-tes, arrastando-se, já muito mal.

— A maltratada mochila do morto estava a seu lado e tive a curiosidade de examiná-la. Dentro, ele havia colado uma etiqueta com seu nome e endereço: Mapple White, Lake Avenue, Detroit, Michigan. Tome bem nota deste nome: Mapple White. Não exagero ao dizer que a importância deste homem estará na mesma dimensão que a minha, quando a posteridade nos fizer justiça. Um exame atento de suas bagagens levou-me a concluir que ele era poeta e pintor, pois encontrei trechos de poemas e muitos desenhos entre seus papéis. Tinha também algumas caixas de tinta e de giz colorido, um livro sobre mariposas e borboletas, além de um revólver imprestável. Mas foi no bolso interno de seu casaco que encontrei uma maravilha — este álbum — , contendo a revelação da mais prodigiosa das viagens. As primeiras páginas mostram, como vê, desenhos banais: paisagens, tipos de índios... Mas de repente... Veja!

• Alfred Russel Wallacel 1823-1913) e Henry V/alter Bates (1825-1892) — Ambos viajantes e naturalistas britânicos, empreenderam, entre 1848 e 1852, a exploração da Bacia Amazõnica, colhendo e classificando vasto material botânico e zoológico. Wallace concebeu, ao mesmo tempo que Darwin, o princípio da seleção natural das espécies. (N. do E.)

Olhei para a página que ele me apresentava, sem conseguir compreender o que via. Parecia um desses esboços com que os paisagistas preparam suas telas: ondas

de vegetação no primeiro plano e, ao fundo, um paredão interminável de rocha vermelho-escura em gomos quase regulares. Por cima um céu tropical.

— Então? — perguntou o professor Challenger.

— Parece-me que há aqui um caso curioso de formação rochosa, mas não sou bastante forte em geologia para...

— Um caso curioso! — mugiu Challenger. — Pode dizer um caso único, quase incrível. Quem poderia imaginar semelhante portento? Mas isso não é nada. Veja a página seguinte.

Olhei. Era um desenho de página inteira, que parecia ter sido feito por alguém sob a influência de ópio, pois se tratava de uma visão delirante, a coisa mais espantosa do mundo! Estava ali aquarelado um animal fantástico, inve-rossímil: com cabeça de ave de rapina, corpo de lagarto e a espinha dorsal ornada com pontas como esporões de galo. Diante desse animal, um homem muito pequenino parecia contemplá-lo estupefato.

— Que diz a isso? — exclamou o professor, esfregando as mãos com evidente júbilo.

— Parece-me uma fantasia.

— Pois eu afirmo-lhe que esse animal existe.

Fitei-o com assombro mas, fiel a minha promessa, abstive-me de qualquer manifestação.

— E repare a figura do homem — continuou o professor, com a voz vibrante de entusiasmo. — Se fosse um índio, atestaria a existência de uma raça de pigmeus; mas note que é branco. Por que estará assim, tão pequeno?

— Talvez seja um anão — arrisquei.

O professor franziu as narinas como um búfalo em cólera.

— Admirável. O senhor toca os limites da paralisia cerebral e da inércia mental. Essas árvores, essas palmeiras... também são anãs?

De fato, havia no quadro árvores de várias espécies desenhadas em proporção ao homem, mas parecendo minúsculas em relação ao animal.

— Como! — exclamei por minha vez. — Então pode haver um animal deste tamanho?

Challenger levantou-se, apanhou em outra estante um livro enorme e, abrindo-o, disse simplesmente:

— Há aqui, na obra indiscutível do mestre Ray Lankester, uma gravura que pode interessá-lo. Vou ler a legenda: "Aspecto provável do Stegosaurius dinosauriano jurassico."

— Somente a pata desse animal tem duas vezes o tamanho de um homem adulto. Que diz a isto?

Fiquei pasmado ao olhar para a página. Aquela reconstituição do monstro pré-histórico era extremamente semelhante ao desenho do artista.

— É curioso... — murmurei afinal.

— Não lhe parece também concludente? Bem, não falemos mais nisso, mas veja este osso.

Apresentava-me um osso com um palmo de comprimento e uma polegada de largura, conservando ainda nas extremidades restos de cartilagem.

— Que osso é este? — perguntou a voz reboante do professor.

— Dir-se-ia uma... uma clavícula humana.

O professor teve um gesto de desprezo.

— A clavícula humana é curva; este osso é reto e com um sulco no qual devia se alojar um tendão... Será que existe um jornalista que sabe algo de anatomia?

Tirou de uma gaveta um osso minúsculo, pouco maior do que um grão de milho e apresentou-me, continuando:

— Isto sim; isto é um osso humano e observe que é quase perfeitamente igual ao outro, com uma só diferença: o tamanho. Portanto, calcule o tamanho que devia ter esse animal... E note que não se trata de um osso fóssil e sim de um osso moderno; ainda há nele pedaços de cartilagem... Portanto, esse animal monstruoso existiu há pouco tempo na região ainda inexplorada do Brasil. É fácil compreender que, tendo encontrado tão estranhos indícios, eu não podia deixar as florestas amazônicas sem fazer um inquérito. Atirei-me a ele com paixão e soube logo que entre todas as tribos de índios dos arredores havia uma tradição muito antiga, falando de um país extraordinário e terrível e do Curupira...

— Curu... o quê?

— Curupira. Os índios do Amazonas dão esse nome a um espírito dos bosques, maléfico e terrível, que vive lá para o sul... E mostravam a direção de onde viera o norte-americano.

— E o senhor atreveu-se a ir para esse lado?

— Como não? O mais difícil foi vencer o terror dos índios, que não queriam servir-me de guia. Tive que me arruinar em facas de mato e colares de contas para conseguir que dois deles me conduzissem pela floresta que, segundo as lendas, vai dar nos domínios Curupira. E cheguei afinal a avistar o panorama observado pelo norte-america-no; avistar e fotografar. Veja isto.

Mostrava-me uma prova fotográfica muito pálida, manchada, explicando:

— Está muito ruim, porque, deixando o rio, nosso bote virou e a caixa, que continha as películas ainda não reveladas, partiu-se, estragando quase todas. Foi uma perda irreparável, que me causou verdadeiro desespero. Essa é uma das poucas que restou, mesmo assim avariada. Por causa disso apareceram por aí uns idiotas dizendo que estas fotografias são falsificadas. Eu nem me digno a discutir semelhante infâmia.

De fato, a fotografia estava bem desbotada, de tal forma que era perfeitamente possível considerá-la uma falsificação. Mas, de modo geral, podia-se ver ali uma paisagem, onde, observando bem, distinguia-se ao fundo, acima das árvores, a linha de um imenso platô com encosta a pique, dando a impressão de uma imensa catarata.

— Sim... — murmurei. — De fato, o lugar parece ser o mesmo que Maple White desenhou.

— É o mesmo; posso afirmar-lhe que é o mesmo porque encontrei restos do acampamento do artista. Agora, veja isto.

Apresentava-me outra fotografia da mesma paisagem, vista de mais perto; e, embora a prova fosse também ruim, via-se nitidamente nela a agulha rochosa coroada por uma árvore.

— Oh! — exclamei. — Desta vez não há dúvida.

— Ora, ainda bem! — mugiu Challenger, recostando-se na cadeira com prazer evidente. — E repare bem. Sirva-se dessa lente e observe a árvore... Não vê nela alguma coisa?

— Sim, sim... Parece-me um pássaro... um pelicano... um grande pássaro, com bico enorme... Certamente, uma espécie de pelicano.

— Não é um pelicano — disse o professor. — Não é nem mesmo uma ave. É um animal pré-histórico, que eu consegui matar e apanhar, mas tive a desgraça de perdê-lo quando o meu bote virou no Amazonas... Ah! Não imagina o quanto lutei para salvá-lo; deixei-me arrastar pelas águas para não o largar; porém, quando finalmente a correnteza atirou-me sem sentidos numa margem do rio, eu tinha nas mãos apenas uns miseráveis restos do bicho, que lhe apresento aqui.

Colocou sobre a mesa um osso curvo com dois palmos de comprimento e do qual pendia uma membrana.

— Parece a asa de um morcego gigantesco.

— Sim, parece — disse o professor em tom complacente. — Pode parecer aos olhos de um ignorante. Mas a asa de um morcego é formada com dedos. Para ter ossos dessa força nas asas somente se fosse um pássaro, mas os pássaros não têm membranas. Portanto...

— Portanto... — repeti, sem saber o que dizer.

O professor Challenger abriu outra página do grande livro e mostrou-me uma gravura.

— Portanto essa asa só pode ser a de um pterodáctilo, ou dimadorfon, que viveu no período jurássico. E encontrei-o vivo, matei-o, apanhei-o...

Eu estava atónito e esmagado pela evidência. Tudo se encaixava perfeitamente: a narrativa, a gravura e aquela prova irrefutável.

— Oh! — exclamei, não podendo mais conter o meu entusiasmo. — Mas isso é uma maravilha. Como um novo Cristóvão Colombo, o senhor descobriu um mundo perdido...

O professor ronronava de satisfação, como um gato a quem se acaricia o dorso.

— E depois, o que fez? — continuei.

— Começava a estação das chuvas e minhas provisões estavam quase no fim. Durante um dia inteiro caminhei ao longo da gigantesca encosta com a esperança de encontrar um ponto acessível. Mas não encontrei. A rocha em forma de pirâmide de onde abati o pterodáctilo me pareceu mais acessível. Como tenho prática de alpinismo, logrei chegar até a metade do caminho ao cume. Depois, somente as lascas rochosas me ofereciam asperezas capazes de permitir a escalada. Subi, finalmente, e lá de cima consegui lançar um olhar sobre o misterioso planalto. Pareceu-me muito extenso, com imensas áreas de floresta. Embaixo, a muralha natural é cercada por pântanos, onde as serpentes, os mosquitos e as febres formam uma barreira tão temível, que explica o isolamento em que se manteve o platô.

— E o pterodáctilo foi a única forma viva que o senhor conseguiu encontrar?

— A única, embora estivéssemos há uma semana acampados junto à barreira e ouvíssemos barulhos muito estranhos vindos do alto do platô.

— E o animal desenhado por Mapple White?

— Suponho que ele só o poderia ter encontrado no planalto; portanto, arranjou um meio de ir até lá. Mas se há um caminho, deve ser de dificílimo acesso, pois do contrário esses monstros tomariam conta da região em volta.

— Mas como explicar que esses animais tenham continuado a viver e reproduzir-se somente naquele lugar, desde a época jurássica?

— Eu só vejo uma explicação, e muito simples. A América do Sul é um continente granítico. Provavelmente, aquele lugar surgiu de ura movimento sísmico, com uma convulsão vulcânica, em uma época muito remota, isolan-do-o com tudo o quanto continha. Como o terreno é basáltico, o platô ficou separado do resto do continente, protegido por precipícios perpendiculares. Com o isolamento completo, as condições de vida mantiveram-se iguais e constantes, e as leis normais da natureza foram suspensas. Por isso, apenas ali sobreviveram aquelas espécies, que no resto do mundo se modificaram ou, simplesmente, foram extintas.

— Mas — acrescentei abismado —, como se explica que o senhor, tendo feito um tão sensacional descobrimento, não o comunique à humanidade?

O professor esboçou um sorriso amargo e, depois, bufou como um touro que está para avançar na arena. Deu um murro na mesa, e declarou:

— Tive a ingenuidade de tentar fazê-lo, mas logo nas primeiras palavras esbarrei com as piores pragas existentes na face da Terra: a incredulidade, a estupidez e a inveja. Ora, eu não gosto de ser obrigado a jurar acerca daquilo que declaro e não admito que se ponha em dúvida a minha palavra. Por isso, resolvi conservar somente para mim este segredo. Hoje, não sei por quê... talvez a sua teimosia, e indícios de uma lealdade rara, fizeram-me consentir em desvendar-lhe o mistério. E vou fazer mais. Tome isto.

Entregou-me um cartão de convite do Instituto Zoológico.

— Como vê, o Dr. Percival Waldron, o famoso naturalista, fará hoje, às oito horas, uma conferência sobre o tema "Épocas terrestres". Pediram-me para figurar na mesa e apresentar uma moção de agradecimento ao conferencista. Aproveitarei a oportunidade para fazer algumas alusões a meu descobrimento, mas tomarei o cuidado de apresentar, discretamente, sem agressividade, algumas informações que talvez despertem entre os mais argutos o desejo de conhecerem melhor o caso.

— Posso ir a essa conferência?

— Claro — respondeu com cordialidade.

Ele mostrava agora uma jovialidade, uma alegria comunicativa muito distante da ferocidade e desconfiança que, antes, pareciam os traços irremovíveis de seu temperamento.

— Esteja lá, pois será para mim agradável saber que na platéia encontra-se um aliado, ainda que ignorante no assunto. Creio que haverá muita gente, pois Waldron é bastante popular, embora não passe de um grande impostor. Mas o senhor não deve se esquecer de uma coisa: nada do que foi tratado aqui pode ser utilizado publicamente sem a minha autorização.

— Mas o Sr. McArdle, meu editor-chefe, vai querer saber a respeito de nossa conversa.

— Invente o que quiser e não se esqueça de lhe dizer que se enviar algum colega seu, este será recebido a chicote... Lembre-se que tem a esse respeito um compromisso formal comigo.

Despediu-se num gesto decidido. Saí e, já na rua, ainda conservava nos olhos a visão daquelas bochechas vermelhas, barbas revoltosas e um olhar tolerante.