O Triângulo das Bermudas

Charles Berlitz · Capítulo 7 de 10 · parte 2/3

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O Triângulo das Bermudas

Tromba d'água fotografada num dia claro ao…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

outros sistemas em uso, aperfeiçoados através dos vôos espaciais do projeto Mercury e dos submarinos atômicos, que gravam automaticamente a posição e qualquer desvio sofrido por um avião ou um barco. Um novo aparelho para localizar aviões perdidos chama-se "sinal de resgate ou de queda". É um pequeno rádio-transmissor, capaz de funcionar por dois ou três dias. Ele fica localizado na cauda do avião e é ativado pela perda de corrente no sistema eletrônico. Mas novamente, se os desastres dentro do Triângulo estão ligados a sombras no rádio, é de se supor que em tais casos estes novos aparelhos seriam igualmente neutralizados.

Eletromagnetismo e defeitos de funcionamento de instrumentos de navegação são um dos mistérios que se repetem dentro do Triângulo. Hugh Auchincloss Brown, um engenheiro eletrônico e o autor de

"Cataclismos da Terra", disse recentemente: "Existem boas razões para associarmos estes incidentes aos campos magnéticos da Terra. Tem havido tremendas inversões no campo magnético em períodos diversos da história da Terra, e talvez uma outra era de mudança na situação magnética esteja se desenvolvendo, com "terremotos" magnéticos ocasionais servindo de indicação e de avisos prévios. Isto talvez possa explicar os distúrbios que têm causado a queda e o desaparecimento de aviões, quando mergulham em águas profundas. Mas isto não poderia, é óbvio, explicar o desaparecimento de navios..." Wilbert B. Smith, um técnico em eletrônica que dirigiu um projeto sobre magnetismo e gravidade para o Governo Canadense em 1950, sugeriu que estes elementos possam ser um fator para o desaparecimento dos aviões. Ele afirmou que descobriu localizações específicas, às quais se refere como "áreas de cobertura reduzida", relativamente pequenas em dimensões (aproximadamente trezentos metros de diâmetro, mas que estendem porém a uma altura considerável), e que são, na verdade, tão turbulentas que bem poderiam deixar um avião em pedaços. Os aviões não teriam desta forma um aviso sobre estas regiões invisíveis e não-registradas nos mapas de anomalias magnéticas e gravitacionais a não ser que voassem para dentro delas, com efeitos fatais. Smith escreveu, ao comentar a aparente impermanência destes locais:

"...Nós não sabemos se estas regiões de cobertura reduzida se movimentam ou simplesmente se dissolvem... Quando ficamos à

procura de uma delas durante três ou quatro meses não conseguimos descobrir nenhum traço..."

Um porta-voz do Departamento de Buscas e Salvamentos do Quartel General da Guarda Costeira especificou igualmente a importância do magnetismo e da gravidade nas investigações:

"Falando com franqueza, nós não sabemos o que anda acontecendo neste suposto Triângulo das Bermudas. Tudo o que podemos fazer a respeito destes desaparecimentos inexplicáveis é

especular.

A Marinha está tentando chegar ao âmago do mistério com um projeto chamado Projeto Magnetismo no qual técnicos estão investigando a gravitação eletromagnética e os distúrbios atmos-féricos. Alguns deles pensam que certos distúrbios podem ter desintegrado aqueles aviões em 1945. Um navio que estava na região relatou haver visto uma imensa bola de fogo nos céus o que, é lógico, poderia igualmente significar uma colisão em pleno ar... mas isto é

improvável por se tratar de cinco aviões. O fato é que nós não possuímos uma opinião segura."

O Sétimo Distrito da Guarda Costeira, e que fica mais perto do Triângulo, numa carta circular a que já nos referimos anteriormente, assume o ponto de vista que o Triângulo da Morte ou das Bermudas é

uma área imaginária e oferece a reconfortante certeza de que as muitas perdas ali ocorridas sejam simplesmente uma coincidência. A carta diz o seguinte:

"...O Triângulo do Demônio ou Triângulo das Bermudas é uma área imaginária localizada ao largo da costa sudeste atlântica dos Estados Unidos, e que é famoso pela alta incidência de perdas inexplicadas de navios, pequenas embarcações e aeronaves. Os vértices deste Triângulo são geralmente aceitos como as Bermudas, Miami, na Flórida e SanJuan de Porto Rico.

No passado, buscas extensas, porém infrutíferas, da Guarda Costeira, estimuladas pelo caso do desaparecimento de uma esquadrilha completa de Avengers TBM ocorrida logo após a decolagem de sua base em Forte Lauderdale, na Flórida, e o naufrágio sem rastros do Marine Sulphur Queen nos estreitos da Flórida aumentaram a crença popular nos mistérios e nas qualidades sobrenaturais do "Triângulo das Bermudas". Incontáveis teorias tentando explicar os muitos desapa-recimentos já foram oferecidas através de toda a história desta região. As mais práticas parecem ser as relativas ao meio ambiente e as que citam os erros humanos.

A maioria dos desaparecimentos pode ser atribuída às con-dições ambientais únicas da região. Em primeiro, o "Triângulo do Demônio" é um dos dois únicos lugares da Terra em que a agulha magnética aponta para o norte verdadeiro. Normalmente ela aponta em direção do norte magnético. A diferença entre os dois é conhecida como variação da bússola. O valor desta variação muda até de vinte graus quando se dá a volta da Terra. Se esta variação da bússola, ou erro, não for compensada, o navegador pode se encontrar completamente fora de seu ramo e num sério problema. Uma região chamada "Mardo Demônio" pelos marinheiros japoneses efilipinos, localizada ao largo da costa leste do Japão, também apresenta as mesmas características magnéticas. Da mesma forma que o Triângulo das Bermudas. ela também é famosa por seus misteriosos desaparecimentos.

Outro fator ambiental é ofeitio da Corrente do Golfo. Ela é

extremamente veloz e turbulenta e pode rapidamente apagar qualquer evidência de um desastre. O imprevisível padrão meteorológico do conjunto Atlântico-Mar das Caraíbas tem igualmente o seu lugar. Tempestades e trovoadas locais e trombas d'água muitas vezes conjuram desastres para pilotos e marinheiros. E, finalmente, a topografia do fundo do oceano varia desde os extensos baixios que circundam as ilhas a algumas das mais profundas fossas marinhas existentes no mundo. Com a ação recíproca das fortes correntezas sobre os muitos recifes, a topografia vive num estado de fluxo constante e o desenvolvimento de novos riscos à navegação é rápido. Não deve ser também abandonado o fator de erros humanos. Um grande número de embarcações de recreio navega nas águas entre a Costa de Ouro da Flórida e as Bahamas. Muitas vezes, travessias são iniciadas por barquinhos pequenos demais, com conhecimentos insuficientes dos perigos da região e falta de marinharia de seus tripulantes.

A Guarda Costeira, para resumir, não está impressionada pelas explicações sobrenaturais dos desastres no mar. Nós temos tido exemplos de que as forças combinadas da Natureza e a im-previsibilidadedaHumanidade ultrapassam até mesmo as mais fantasiosas artimanhas da ficção científica e... muitas vezes por ano..."

Quase como um Post-Scriptum, esta carta oferece uma ligeira bibliografia, aonde os leitores podem ter referências de artigos escritos por Ivan Sanderson, Leslie Licher, Vincent Gaddis e John Wallace Spencer, numa espécie de "imparcialidade" para aqueles que acreditam que o mistério do Triângulo das Bermudas não pode ser explicado assim tão facilmente. No último parágrafo da carta circular da Guarda Costeira, menciona-se o seguinte:

"...Não conhecemos nenhum mapa que delineie os contornos do Triângulo das Bermudas... (apesar de acrescentarem)... que entre os mapas Acromagnêticos da região Costeira dos Estados Unidos, Séries HO 17507 — Números 9 até 15 cobrem o Triângulo das Bermudas." Alguns diretores de companhias civis de aviação que atuam na região concordam cautelosamente com a opinião da Guarda Costeira. A Sra. Athley Gamber, presidente da Red Aircraft de Forte Lauderdale, é um dos exemplos. Athley Gamber, uma morena atraente, e um exemplo encantador das mulheres que trabalham, cheia de energia e sucesso, é a viúva de um piloto que desapareceu enquanto voava de Forte Lauderdale para as Bahamas. Ela tem estado em ação durante muitas operações de buscas a aviões desaparecidos e tem igualmente os motivos e a oportunidade de fazer conjeturas a respeito dos muitos aviões particulares que desapareceram sem deixar traços dentro da área do Triângulo.

A Sra. Gamber, de seu posto de observação na região, não acredita que exista alguma coisa misteriosamente sinistra sobre o Triângulo das Bermudas. A opinião dela é que uma das razões pelas quais muitos pilotos não tenham enviado um sinal de "Mayday" ou um simples SOS era que "eles não tinham a menor idéia que estavam em perigo", acrescentando que no instante em que você vai ficando em piores condições, o radar perde o contato". Ela ainda observa: — "Esta área é caracterizada por um desenvolvimento muito rápido de zonas quase espontâneas de baixa pressão. Uma aeronave é construída para suportar uma certa carga de pressão — quando ela é ultrapassada, se desintegra. Eu estou plenamente convencida de que a natureza humana não pode fazer frente aos elementos." Ela estima que os erros dos pilotos são responsáveis até por cinqüenta por cento dos desaparecimentos e que dos muitos aviões particulares que se perderam, pelo menos vinte e cinco por cento deles ficaram simplesmente com falta de combustível. Mas os aparelhos comerciais, de passageiros e militares que desapareceram em vôos normais com verificações constantes feitas por pilotos e mecânicos experientes, certamente não sofreram falta de gasolina, e nem todos os aviões que sumiram em esquadrilhas foram de encontro a zonas de turbulências exatamente na mesma hora e na mesma pressão, como também não existe uma explicação verossímil para dizer porque em ocasião alguma — em contraste com o que acontece em outras partes do' globo — tenha sido encontrado qualquer destroço em praias e mares com tantas perdas, ou porque eles tenham desaparecido tão abruptamente dos céus. Novamente, o que é

aplicável para aeronaves não é aplicável aos barcos, e se todas as perdas aéreas podem ser explicadas, os desaparecimentos de embarcações dentro do Triângulo das Bermudas permanecerão tão misteriosos como sempre o foram. Ao observador surge apenas o que pode ser uma correlação evidente, pelo menos na intensidade, entre os dois tipos de perdas, e cada explicação satisfatória parece trazer consigo uma ou várias perguntas a mais — algo assim parecido com a Hidra, o monstro de muitas cabeças da mitologia grega, na qual, assim que uma das cabeças era cortada, começava a crescer outra, tornando-a praticamente invencível.

Um interesse mundial no "mito" do Triângulo das Bermudas tem ocupado cada vez mais a imaginação dos moradores das praias adjacentes quando cada novo caso é relatado e discutido. Devido aos desaparecimentos freqüentes de pequenos barcos e aviões, que bem podem desaparecer devido a numerosas outras causas, não há nenhuma maneira de atribuí-los às forças suspeitas dentro do Triângulo, se bem que se associem geralmente a ele dentro da opinião pública. Robie Yonge, um conhecido disc-jóquei de Miami e comentarista de rádio, é um exemplo que ilustra até que grau este mistério tem intrigado os observadores do Sul da Flórida. Desde que começou a expressar seu interesse pelo Triângulo das Bermudas, tem recebido literalmente milhares de telefonemas, a maioria deles quando se encontra no ar, de ouvintes que têm histórias para contar ou que desejam mais informações. Robie, no momento, está interessado no lançamento de uma lancha equipada com controle remoto e aparelhos eletrônicos e com bonecos "robotizados" a bordo e com intenção de deixá-la à deriva entre a Flórida e as Bahamas bem dentro da área do Triângulo e de ficar observando o que acontece com eles através de controles eletrônicos remotos.

O desejo de esclarecer este mistério através de pesquisas pessoais já se estendeu muito mais para o norte. No final de 1974, uma organização com o nome de Centro Isis para Pesquisas e Estudos das Artes e Ciências Esotéricas, de Silver Spring, em Maryland, vai organizar um seminário em cruzeiro sobre "as fronteiras da ciência", num barco alugado, nas áreas do Triângulo das Bermudas e aonde os fenômenos mais estranhos e potencialmente perigosos foram relatados. De acordo com o presidente do Isis, Jean Byrd, os participantes do cruzeiro serão obrigados a fazer um seguro de vida especial devido ao elemento implícito de perigo. Além disto, ele pretende fazer testes psicológicos entre os membros da expedição enquanto eles navegam através das áreas de "perigo", especialmente aquelas onde existem aberrações das bússolas, ou falta de função, sinais de desvios magnéticos e outros fenômenos, para determinar se o estado mental dos participantes reflete a tensão magnética. Esta possibilidade já foi mencionada previamente como explicação sobre se as pessoas mentalmente afetadas por fortes correntes magnéticas perderiam o controle de seus aviões ou navios, causando-lhes quedas ou naufrágio, ou se simplesmente elas abandonariam os barcos sob o stress psicológico. Deve ser acentuado, no entanto, que os sobreviventes que pretendem ter encontrado as ainda não-identificadas forças presentes dentro do Triângulo, não se recordam de nenhuma aberração mental, exceto os sentimentos compreensíveis de surpresa, temor, extrema preocupação e cautela futura.

Na falta de uma explicação lógica e facilmente aceitável, pesquisadores independentes preocupados com os desaparecimentos dentro do Triângulo das Bermudas se adiantaram: — Algumas destas explicações se baseiam nas exceções das leis naturais, outras sugerem mudanças interdimensionais através de uma passagem equivalente a "um buraco nos céus" (no qual os aviões podem entrar mas de onde não podem sair), outros acreditam que os desaparecimentos são planejados por entidades de um espaço externo ou interno, enquanto outros ainda oferecem uma teoria, ou melhor, uma combinação de teorias, segundo as quais os fenômenos podem ser causados essencial-mente por poderes complexos e fabricados pelo homem {e ainda em funcionamento) que pertenceram a uma ciência consideravelmente mais antiga e muito diferente da nossa.

6 - Aberrações de Tempo-Espaço e Outros Mundos.

Investigadores dos fenômenos do Triângulo das Bermudas há

muito notaram a existência de outra área misteriosa nos mares de nosso mundo, a sudeste do Japão, entre o Japão e as ilhas Bonin, especificamente entre Iwo Jima e a ilha Marcus, com registros e uma reputação indicativa de perigos especiais para navios e aviões. Se os navios que ali se perderam foram vítimas de vulcões submarinos ou maremotos repentinos, esta área, muitas vezes chamada de "Mar do Demônio", goza pelo menos oficialmente de uma reputação ainda mais sinistra que o Triângulo das Bermudas, já que as autoridades japonesas a declararam como zona de perigo.

O "Mar do Demônio" é temido há longo tempo pelos pescadores, que acreditam que ele seja habitado por diabos e monstros que capturam os barcos desprevenidos. Aeronaves e embarcações têm desaparecido nesta região há muitos anos, porém, durante a época em que o Japão estava em paz, nove navios modernos sumiram entre o período de 1950 a 1954, com tripulações que totalizavam várias centenas de pessoas e em circunstâncias características (extensas buscas por ar e mar, falta de destroços e manchas de óleo) dos acontecimentos do Triângulo das Bermudas. O Triângulo das Bermudas e o Mar dos Demônios, por uma fantástica coincidência.apresentam ambos o mesmo fenômeno insólito. Pelo Triângulo das Bermudas passa, quase em seu limite ocidental, a 80.° de longitude oeste, uma linha onde o norte verdadeiro e o norte magnético se tornam alinhados e não se pode calcular a variação das bússolas. Este mesmo meridiano de 80.° de longitude oeste, e que muda de designação quando atravessa os pólos, se transformando em 150° de longitude leste, passa a leste do Japão e cruza o centro do Mar dos Demônios. Nesta área a agulha magnética também vai apontar para o norte verdadeiro e o norte magnético ao mesmo tempo, exatamente como acontece na parte ocidental do Triângulo das Bermudas do outro lado do mundo.

As perdas inexplicáveis neste equivalente japonês do Triângulo das Bermudas serviram para inspirar uma investigação oficial do governo em 1955. Esta expedição, com cientistas anotando dados de bordo de seu navio, o Kaiyo Maru 5, fez uma travessia pelo Mar dos Demônios e terminou de maneira realmente espetacular — o navio explorador desapareceu de repente com sua tripulação e todos os cientistas!

A existência de uma ou mais áreas de desaparecimentos nos oceanos do mundo levaram a especulações incomuns. Teorias a respeito de aberrações antigravitacionais foram formuladas, pressupondo áreas em que as leis da gravidade e de magnetismo normal de atração não funcionassem da maneira a que nós estamos acostumados. Ralph Barker, autor do livro Grandes Mistérios dos Ares, acentua que novos aperfeiçoamentos na física apontam para a "evidência da existência de partículas antigravitacionais de matéria", sugere que "a presença de matéria antigravitacional ou contra-ter-rena, de uma natureza completamente contrária àquelas que são conhecidas neste planeta... de um caráter espantosamente explosivo quando (ela) chega nas proximidades da matéria da forma comum que conhecemos... encravadas em certas áreas bem localizadas na Terra..." — Ele acha possível que esta matéria tenha vindo do espaço e se incrustado na crosta terrestre, algumas vezes por baixo da terra, porém na maioria das vezes abaixo do mar.

Esta teoria poderia explicar o não-funcionamento de aparelhos eletrônicos e magnéticos dentro de determinadas áreas, mas não explica, no entanto, inúmeras perdas de navios e aviões. Lembramo-nos, neste caso, de relatórios feitos em outras áreas de anomalias magnéticas através do mundo, aonde a força de atração úe alguma coisa por baixo das águas é maior que a do Polo Norte Magnético. Um estudo mais detalhado do Triângulo das Bermudas e de outras áreas suspeitas foi feito por Ivan Sanderson e discutido em seu artigo "Os Doze Cemitérios do Diabo em Torno do Mundo", escrito para a revista Saga. Estudando as estatísticas de desaparecimento de navios e aviões pelo mundo inteiro, Sanderson e seus associados descobriram, em primeiro lugar, que a maioria destas perdas misteriosas ocorria em seis regiões, todas elas tendo mais ou menos a forma de um losango e, coincidentemente, entre as latitudes de 30° e 40° norte e sul do Equador e que incluíam o Triângulo das Bermudas e o Mar dos Demônios.

Desenvolvendo mais ainda a sua teoria, Ivan Sanderson estabeleceu uma rede de doze "anomalias" a intervalos de setenta e dois graus em torno da Terra, centrados mais precisamente aos 36° de latitude sul e norte, sendo cinco no Hemisfério Norte, cinco no Hemisfério Sul e incluindo os Pólos. A razão do Triângulo das Bermudas ser o mais conhecido, acrescenta ele, é que é o mais atravessado de todos. Mas todos os outros, se bem que localizados em áreas menos freqüentadas, apresentam, igualmente evidências consideráveis de anomalias magnéticas de tempo-espaço.

A maioria destas áreas ativas fica a leste de massas de terras continentais aonde correntes oceânicas quentes se dirigem para o norte, colidindo com as correntes frias que vêm para o sul. Somandose a esta colisão de correntes, estas áreas representam também os pontos básicos aonde as correntes oceânicas superficiais seguem uma direção e as correntes da subsuperfície seguem outra. As grandes correntes de maré de subsuperfície se movimentam tangencialmente, e influenciadas por temperaturas diferentes, criam redemoinhos magnéticos, que afetam as comunicações por rádio, o magnetismo — talvez até mesmo a gravidade — e eventualmente em condições especiais, podem fazer com que aviões e embarcações desapareçam —

navegando ou voando para um ponto diferente no tempo ou no espaço. Uma explicação interessante sobre os fenômenos que se passam nestas áreas é sublinhado por Sanderson ao descrever as espantosas

"chegadas adiantadas" de vôos aéreos cuidadosamente controlados: alguns aviões têm chegado tão antes do horário previsto que a única explicação possível seria um vento de cauda soprando atrás deles, por exemplo, a 800 quilômetros por hora. Tais incidentes podem ser o resultado de ventos não registrados, mas eles parecem ocorrer mais freqüentemente dentro do Triângulo das Bermudas e outras áreas de turbilhões, como se os aviões que

 

houvessem encontrado esta ano-

malia tivessem sido arrebatados ou empurrados com segurança através dos "buracos no céu" que já custaram a vida de tantos viajantes.

Doze seções da Terra, vórtices de aberrações eletromagnéticas, como são sugeridas pela teoria de Ivan Sanderson. As duas áreas que não são mostradas nesta projeção estão sobre os pólos. A área a leste do Japão corresponde ao "Mar dos Demônios", o equivalente japonês ao Triângulo das Bermudas.

Um incidente envolvendo um lapso de tempo ocorreu no aeroporto de Miami há cinco anos atrás e nunca foi satisfatoriamente explicado. Passou-se com um avião 727 de passageiros da National Airlines (Aerovias Nacionais), aproximando-se por nordeste e que, sendo seguido pelo radar do Centro de Controle Aéreo, desapareceu repentinamente da tela durante cerca de dez minutos e depois tornou a aparecer. O avião aterrissou sem incidentes e o piloto e sua tripulação ficaram surpresos com a preocupação da turma de terra, já que eles não haviam notado nada de anormal. Como explicação, um dos membros da equipe do Controle Aéreo disse a um dos pilotos: —

Homem, durante dez minutos vocês simplesmente não existiram... —

Foi a esta altura que os tripulantes verificaram seus relógios e os vários indicadores de tempo de vôo do avião e descobriram que eles todos estavam uniformemente com dez minutos de atraso de acordo com o tempo real. O fato foi especialmente singular pois o avião havia feito uma verificação rotineira de horário vinte minutos antes do incidente e naquela ocasião não havia nenhuma diferença de tempo. Fazendo a ressalva que o nosso planeta opera em eletromagnetismo, Ivan Sanderson propõe uma pergunta: E se o Triângulo das Bermudas e certas outras áreas funcionando como... "imensas máquinas, gerassem ainda uma outra forma de anomalia... Será que elas poderiam criar redemoinhos para dentro ou para fora, redemoinhos nos quais objetos materiais pudessem cair ou ser repelidos para uma outra dimensão de tempo-espaço?" Pois além dos muitos desaparecimentos que já ocorreram, um número muito maior vem acontecendo nos últimos anos e através dos séculos, por todo o mundo, e que parecem continuar a acontecer apesar das negativas oficiais e do fato de que eles são logicamente "impossíveis".

Nenhum investigador dos acontecimentos dentro do Triângulo das Bermudas pode evitar a confrontação com os relatórios a respeito de OVNI (objetos voadores não-identificados). OVNIs têm sido o assunto de milhares de relatórios e investigações nos Estados Unidos desde as primeiras e confusas aparições em tempos de paz em 1947, e através de outros milhares de aparecimentos pelo mundo inteiro (dez mil apenas em 1966). Muitos milhões de pessoas pretendem ter visto OVNIs nos Estados Unidos e outros países. Eles têm sido noticiados e descritos por observadores cientificamente competentes — nas palavras do Dr. J. Allen Hyneck, antigo consultor das Forças Aéreas norte-americanas para os OVNIs: "A inteligência dos observadores e pessoas que viram os OVNIs é certamente média. Em muitos casos acima da média. Em alguns casos embaraçosamente muito acima da média."

Eles têm sido fotografados em vários graus de clareza; têm sido vistos acompanhando aviões, ocasionalmente interferindo ou mesmo destruindo aviões, e diversas vezes foram observados sobrevoando em grande número capitais importantes de nosso mundo, como Washington e Roma. O Governo dos Estados Unidos, a Força Aérea e a Marinha têm publicado circulares que atribuem a maior parte das visões à lua, halos lunares, cometas, miragens, balões, estrelas muito brilhantes, meteoros, os planetas (especialmente Vênus), aeronaves em teste, holofotes de buscas, auroras boreais, bolas de fogo, fogos de artifício, autocínese (quando um objeto que está sendo observado parece mover-se), pós-miragem (quando um objeto que está sendo observado se desvanece muito lentamente e nos dá a impressão de ainda ser visto em outro local), fogos-fátuos, mistificações, ou ilusão de massas. Entretanto, relatórios sobre OVNIs continuam a chegar e grandes associações destinadas ao estudo dos OVNIs e a proliferação de livros sobre o assunto mantêm a questão sempre em dia. Seja lá o que eles forem, nos parece quase certo que não são armas secretas pertencentes aos países conhecidos da Terra. (Cada uma das facções que lutou na Segunda Guerra Mundial pensava que as bolas de fogo luminosas que esvoaçavam em torno de seus aviões de caça fossem armas secretas de seus adversários). Desde esta época, como tem sido observado, se os OVNIs fossem armas secretas dos russos ou americanos, eles não iriam mantê-los em segredo durante tanto tempo. Ê interessante reconhecer-se que apesar da Força Aérea dos Estados Unidos afirmar que os OVNIs não podem ser explicados e, portanto, não existem, o regulamento AFR 80-17 das Forças Aéreas dá

instruções detalhadas aos pilotos sobre quais as providências a tomar se avistarem um OVNI.

Muitos dos parágrafos do regulamento AFR 80-17 dão crédito às perspectivas de investigações da Força Aérea tanto quanto à persistência dos OVNIs, tantas vezes desacreditados nos relatórios oficiais.

Os objetivos contidos no regulamento dizem o seguinte: —

..."para determinar se o OVNI é uma possível ameaça aos Estados Unidos e usar todos os dados científicos ou técnicos recolhidos dos Estudos sobre os relatórios dos OVNIs."

Enquanto o regulamento reconfortantemente afirma que: — "A maioria dos OVNIs referidos às Forças Aéreas tem sido objetos convencionais ou familiares que não apresentam nenhuma ameaça à nossa segurança", — acrescenta: — "É possível que nações estrangeiras possam aperfeiçoar veículos de configuração ou propulsão revolucionários". Existe algo paradoxal, no entanto, na afirmação que: —

"freqüentemente supostos OVNIs são confundidos com aeronaves"; logo seguida por uma outra: — "a não ser quando as aeronaves são definidas como estímulo aos relatórios sobre OVNIs, elas não precisam ser investigadas dentro dos dispositivos deste regulamento", —

pois se o observador que faz o relatório de um objeto estranho não pode ter certeza, não pode também saber se ele é uma aeronave ou não, especialmente quando ele estiver nos ares." O regulamento ainda acrescenta que: — "Cada comandante de uma base das Forças Aéreas deve estipular a possibilidade das investigações sobre os OVNIs". A maior parte do regulamento AFR 80-17 diz respeito sobretudo à cadeia de comando para os relatórios e investigações dos OVNIs e às instruções para a revelação das fotografias tomadas destes objetos. Incluídas neste regulamento estão também as instruções sobre as informações que o comandante da base pode revelar à imprensa local quando inquirido sobre os OVNIs avistados na área: — "Em resposta às perguntas locais a respeito dos OVNIs vistos nas proximidades de uma base das Forças Aéreas, o comandante da base pode transmitir informações aos noticiários locais ou ao público depois que o objeto for positivamente identificado. Se a excitação com a visão dificultar a sua identificação dentro dos níveis normais, o comandante pode afirmar que a visão está sendo investigada e que as conclusões serão liberadas pela SAF-OI depois que a investigação for completada." O

comandante pode ainda declarar que as Forças Aéreas irão rever e analisar os resultados desta investigação. Quaisquer inquéritos posteriores serão dirigidos ao SAF-OI. Isto traduzido para a nossa linguagem civil quer dizer: — Se não for um avião ou qualquer coisa parecida, diga para eles agüentarem a mão — neste meio tempo não se metam em enrascadas...

O Adendo 1 ao citado regulamento é, com efeito, uma lista de perguntas de uma meia dúzia de páginas contendo diagramas, questões e as supostas respostas para ajudarem a classificar um relatório exato a respeito dos OVNIs. A pergunta N.° 13, por exemplo, pede que a pessoa que viu o objeto responda com um "sim", ou "não", ou

"desconheço" uma das várias possibilidades a respeito da ação do pretenso OVNIs que ela viu. As questões são formuladas da seguinte maneira: — O fenômeno — movimentava-se em linha reta? — ficou parado alguma vez? — repentinamente movimentou-se a grande velocidade e desapareceu? — partiu-se em pedaços e explodiu? —

mudou de cor? — deixou escapar fumaça? — mudou de forma? —

brilhava ou piscava? — flutuava ou vacilava? — aparecia e desaparecia? — girava feito um pião? — fazia algum barulho? — mudou de brilho? — A pergunta é interessante quando se apresenta como um resumo do que os observadores têm verificado quando vêem ou pensam que vêem discos voadores, isto é, tudo a não ser os homenzinhos verdes ou outros humanóides que alguns destes observadores afirmam ter visto dentro dos discos.

A Força Aérea, talvez a entidade mais intimamente ligada aos OVNIs, contratou a Universidade do Colorado para preparar um estudo e um relatório final sobre os OVNIs e que foi produzido em 1968. Este projeto, feito sob a direção do Dr. Edward A. Condon, diretor científico do relatório final, "Estudo Científico dos Objetos Voadores Não Identificados", descobriu que a maioria dos relatórios apresentados eram explicáveis de uma forma ou de outra e que apenas uma pequena porcentagem não podia ser explicada. Foi igualmente descoberto que o tempo e o dinheiro gastos nas pesquisas não justificavam as informações científicas obtidas e com a implicação que quaisquer esforços posteriores seriam pura perda de tempo. Entre-tanto, os OVNIs continuaram a ser vistos, sozinhos ou em vôos compactos, nos céus de diferentes partes do mundo e também no espaço. Apesar das constantes negativas oficiais, uma desvantagem óbvia das pesquisas planejadas sobre os OVNIs é a leviandade geral provocada pelas informações transmitidas quando são feitos relatórios ao público. Quando aumentaram consideravelmente as referências aos OVNIs, em outubro de 1973, vistos na Louisiana, em Ohio, no Mississipi, em Minnesota, na Geórgia e na Flórida, e testemunhas que incluíam pessoas presumivelmente de alto gabarito como o Governador de Minnesota e numerosos oficiais da Polícia e da Patrulha Estadual, surgiu um interesse público suficiente para garantir relatórios freqüentes feitos pela imprensa. Assim, a CBS de Rádio ofereceu a seus ouvintes uma descrição razoavelmente detalhada das visões — mas que foi transmitida em versos/Outro relatório informativo foi fornecido pelas forças policiais da cidade de Detroit, onde se estabelece o processo para lidar-se com os ocupantes dos OVNIs, quando e se eles deveriam ser postos sob custódia, e até mesmo estabelecendo, se necessário, uma separação de sexos no caso de cativos masculinos ou femininos (sempre na hipótese de que existissem diferenças biológicas terrenas entre as centenas de milhões de planetas potencialmente habitados).

A persistência dos relatórios sobre os OVNIs e o não reconhecimento oficial diversas vezes trazem à tona sentimentos de crença similares aos descritos por F. J. Rippelt, que dirigiu uma investigação das Forças Aéreas sobre os OVNIs, em seu livro O

Relatório dos Objetos Voadores Não-Identificados:

' 'O que constitui uma prova? Será que é preciso que um OVNI desça na entrada principal do Pentágono, perto dos escritórios dos chefes do Estado-Maior? Ou já é uma prova quando uma estação de radar baseada em terra detecta um OVNI, envia um avião a jato para interceptá-lo, o piloto do jato avista o OVNI, segue-o com seu radar, apenas para vê-lo desaparecer a uma velocidade fenomenal? Será

uma prova quando o piloto do jato atira sobre o OVNI, e se apega a sua história até mesmo sob a ameaça de uma corte marcial?..." Referências sobre OVNIs na área ao sul da Flórida e nas Bahamas foram e continuam sendo muito numerosas com relação a outras de lugares diversos. Eles têm sido vistos por baixo das águas transparentes tanto quanto nos céus, indo do céu para o mar, e do mar para o céu, por muitos observadores de confiança. O número dos locais das visões deu lugar a teorias de que a presença dos OVNIs tem algo a ver com os desaparecimentos dentro do Triângulo das Bermudas, ou melhor, para sermos mais explícitos, que os OVNIs vêm seqüestrando aviões e navios há muitas gerações.

Um dos mais expressivos defensores desta teoria é John Spencer, autor de O Limbo dos Perdidos. Spencer é familiarizado com aeronaves, sendo ele mesmo um piloto veterano de dez anos de serviço nas Forças Aéreas, e é também um estudioso dos fenômenos dos OVNIs e um membro do NICAP (National Investigation Committee on Aerial Phenomena — Comitê Nacional de Investigação sobre os Fenômenos Aéreos), uma organização séria de pesquisas para o estudo dos OVNIs e que inclui entre os seus membros figurões do alto comando do Governo Norte-americano, da Marinha e das bases de foguetes. Spencer se tornou um interessado no Triângulo das Bermudas, que ele prefere chamar de "Limbo dos Perdidos", durante a época do desaparecimento do submarino atômico americano Scor-pion, que muitas pessoas ligaram, na ocasião, com outras perdas ocorridas dentro da área do Triângulo das Bermudas. A perda do Scorpion não permaneceu um mistério, pois ele foi finalmente localizado a cerca de 400 milhas dos Açores, e parcialmente graças —

na opinião de Spencer — a um prévio rastreamento feito pelos russos e gentilmente cedido à Marinha norte-americana. Ele continuou, de qualquer forma, a estudar a área do desaparecimento e, analisando as perdas relatadas sobre um mapa, concluiu que a maior parte delas ocorreu sobre a plataforma continental em frente ao Cabo May em Nova Jersey, até o fim da Flórida e mais além, continuando a leste até

o Golfo do México e o sudoeste das Antilhas, incluindo igualmente uma circunferência de 450 milhas sobre as Bermudas e todo o arquipélago das Bahamas. Spencer, que estudou o problema durante muitos anos, crê que a única explicação razoável para o desaparecimento de tantos navios e aviões, junto com seus tripulantes e passageiros, seja o de que eles tenham sido ou estejam sendo fisicamente levados dos mares e dos céus onde trafegavam. E observa que:

"Já que o desaparecimento completo de embarcações de mais de 185 metros (575 pés) em mares calmos e a cinqüenta milhas da costa ou de aparelhos comerciais se aproximando dos aeroportos não podem acontecer de acordo com os padrões terrestres e, no entanto, estão acontecendo, sou forçado a concluir que eles estão sendo levados para fora do nosso planeta."

Exames em detalhes dos diversos relatórios sobre as visões de OVNIs, não somente em nossos tempos, mas através de todos os relatos da história, levaram-no a acreditar que existem dois tipos básicos principais. Um deles seria o onipresente "disco voador" de cerca de vinte e cinco metros de circunferência, e o outro, o tremendo navio-mãe capaz de levar uma dúzia ou mais de "discos" em seu interior — ou talvez espécimes maiores de veículos — da Terra para fora. Esta gigantesca espaçonave corresponderia às formas freqüentemente citadas de um imenso cilindro ou forma oblonga (ocasionalmente citado como em formato de um charuto), vistos em diversos locais, porém não tão freqüentemente como os "discos voadores". Spencer pensa que a razão para que tantos "seqüestros" tenham sido realizados no Limbo-Triângulo seja que a oportunidade para a captura de espécimes humanos seja maior ali, pois em geral estes pretensos seqüestradores parecem evitar as operações em terra e o contato com seres humanos. A região é muito usada por viajantes de ar e mar e é fácil para eles (as entidades alienígenas) entrar e sair. O

poder funcional dos OVNIs pode ser, na opinião dele, baseada num uso sofisticado da freqüência do rádio como um meio propulsor, e que, por seu turno, explicaria a drenagem eletrônica notada na maioria dos incidentes.

A teoria de Spencer a respeito dos seqüestras espaciais em uma tal escala pode ser estudada como uma das mais estranhas e interessantes e é compartilhada por vários outros estudiosos do assunto que parecem a ela ter chegado independentemente uns dos outros. Sublinhando que entre o desconcertante número de planetas em outros sistemas solares dentro de nossa galáxia (existem aproximadamente 1021 estrelas, cada qual presumivelmente com seu próprio sistema solar!), a lei das probabilidades pressupõe a existência de civilizações altamente desenvolvidas, ele sugere a possibilidade de que as populações de outros planetas no passado tenham se auto-destruído através do uso errado da energia e se transformaram em sóis flamejantes, sem deixar qualquer espécie de vestígios de sua história, populações, ou desenvolvimentos culturais e científicos. Por esta razão, visitantes de outros mundos podem possivelmente estar interessados em preservar uma relíquia viva da Terra em algum outro planeta ou talvez queiram verificar o avanço de nossa presente civilização terrestre antes que o uso errado da energia nuclear se torne um perigo para os outros planetas. Ou talvez eles tenham outros motivos, totalmente inconcebíveis para nós.

Quem sabe se estas entidades alienígenas estejam mesmo satisfeitas em nos deixar viver a nossa maneira enquanto eles nos observam, mas querem apanhar alguns espécimes que irão preservar como um exemplo da vida na Terra antes que o planeta se autodestrua, e que, no caso dos outros planetas, eles não tenham conseguido realizar esta tarefa a tempo?

O exame detalhado dos muitos relatórios sobre o que tenham sido os OVNIs antes da idade dos aviões nos dá a impressão de que a Terra há muito se encontra sob a observação de outros mundos e outras civilizações. No entanto, já que através de toda a sua história o homem sempre olhou para os céus à procura de sinais e presságios (e quase sempre os encontrou) é por vezes difícil diferenciarmos entre os OVNIs atuais (se eles existem mesmo) e os muitos e ardentes presságios vindos dos céus e que foram variadamente interpretados como avisos, incentivos ou profecias. Um trecho dos anais de Tutmés III, um faraó egípcio da 18.a dinastia, identificado no Museu Egípcio do Vaticano, talvez venha a ser o primeiro relato por escrito de um OVNI visto na antigüidade. Ao contrário das narrações visionárias dos séculos posteriores, ele descreve a aparição estranha com uma independência de julgamento louvável: No ano 22, do terceiro mês do inverno, na sexta hora do dia, o escriba da Casa da Vida... reparou que um círculo de fogo estava chegando dos céus... seu corpo tinha um rod (rod: medida antiga egípcia de comprimento equivalente a 5 metros) de largura... eles pousaram sobre o ventre... (então) foram dizer ao Faraó o que estava acontecendo... Sua Majestade estava meditando sobre o que estava sucedendo aqui... estas coisas foram se tornando muito mais numerosas nos céus do que antes... elas brilhavam mais intensamente do que brilhava o sol e se estendiam além dos limites dos quatro pilares dos céus.

O exército do Faraó foi ver o que era... e ele foi junto. Foi depois da refeição da tarde que aqueles círculos de fogo subiram muito alto nos céus e seguiram em rumo sul.

O Faraó ordenou que se queimasse incenso para restabelecer a paz sobre a terra e ordenou que o que acontecera fosse escrito nos anais da Casa da Vida... para que fosse lembrado para sempre... Nota-se que o faraó manteve o seu autodomínio sob a tensão, portando-se como um deus, como ele era considerado, e que provavelmente se considerava que fosse, apesar de um tanto ou quanto mistificado por esta manifestação de outros deuses, superiores. A prosa épica gilgâmica da antiga Babilônia, provavelmente herdada da pré-civilização da Suméria, descreve o herói Etana como tendo sido levado pelos ares por deuses e que ele andou por sobre a Terra até que ficou tão longe que à sua vista o mar parecia uma tina d'água e a terra tinha a aparência de uma tijela de mingau, mais ou menos se ele estivesse observando o Mar Vermelho, o Golfo Pérsico e as terras adjacentes de uma grande (ou mesmo orbital) altura. A flamejante visita vista por Ezequiel — "O redemoinho que veio do norte... envolto em fogo... e saindo do meio da neblina apareceram quatro criaturas vivas..." — tendo sido freqüentemente citado como um OVNI, que aterrissou e levou Ezequiel a bordo como passageiro. Esta visão celestial, talvez a de uma nave espacial, teve lugar no século VII antes de Cristo, e é o assunto da maior parte do Livro de Ezequiel na Bíblia. Foi recentemente o motivo de uma investigação invulgar no livro alemão Da TatSich DerHimmelAuf(Os Céus Eram Abertos), e recentemente publicado em inglês como As Espaçonaves de Ezequiel. Foi escrito por Joseh Blumrich, um engenheiro de foguetes e desenhista espacial, atualmente trabalhando na NASA em Huntsville, no Alabama.

O Dr. Blumrich começa o seu livro com a intenção de desmascarar a teoria muitas vezes expressa de que a visão de Ezequiel tenha sido na realidade uma espaçonave. Ao aprofundar-se no assunto, entretanto, e ao reparar nas detalhadas descrições e referências feitas por Ezequiel da aparição que ele vira, sentiu que fazia um sentido perfeito se as "rodas dentro de rodas" fossem aplicadas à propulsão de um helicóptero que capacitaria a espaçonave principal a flutuar por cima da terra, e que os corriqueiros (hoje) fenômenos de um foguete aterrissando e decolando eram claramente descritos por Ezequiel, tanto na mudança de colorido de acordo com a velocidade, o sopro de vento, a aparelhagem de pouso, e até mesmo a vestimenta semelhante ao asbestos de seu ocupante. Tudo isto fez com que o Dr. Blumrich mudasse o seu ponto de vista. Ele escreveu então um livro diametralmente oposto ao que iniciara, estabelecendo através de referências bíblicas não somente o fato de que Ezequiel repetidamente vira espaçonaves como também que o Ser descrito por Ezequiel como o Senhor era simplesmente o capitão do foguete!

A narrativa de Ezequiel é apenas uma de uma longa série de narrativas históricas do que talvez possam ter sido OVNIs da antigüidade e da Idade Média, da Renascença, e do princípio dos Tempos Modernos. As diferentes maneiras com que os vários observadores os têm descrito através dos séculos são fantasiosas, variadas e, muitas vezes, divertidas. Mas as suas próprias variações podem fornecer um encadeamento de relatórios confirmatórios quando consideramos que aqueles que os viram os descreveram com o vocabulário que lhes veio mais naturalmente às mentes estupefatas. Podemos supor que Ezequiel, por exemplo, usou termos como "leão", "boi" e "águia" para descrever as formas do foguete, e algo parecido com o que podia ser parte do trem de pouso como sendo uma pata de bezerro (aliás uma descrição bastante acurada) já que ele, pertencendo a uma economia pastoril, era familiarizado com estes animais domésticos e selvagens. Alexandre, o Grande com seu exército, sendo por seu turno familiarizado com as operações de guerra, comparou-os a "grandes escudos prateados e brilhantes", quando descreveu um OVNI que fez uma incursão no ano 329 A.C. e que interferiu com a passagem do exército grego quando este avançava sobre o rio Jaxartes na índia. Aristóteles (384-322 a. C.) conhecendo bem os lançamentos de discos feitos pelos atletas gregos, qualificou os objetos que ele viu no céu de discos celestiais. Os romanos, mais belicosos, como Alexandre, classificaram-nos de escudos ou dardos flamejantes ou ainda, de esquadras de navios. Plínio, no Volume II de sua História Natural (100

A.C), escreveu: — "Quando Lucius Valcrius e Gaius Valerius eram cônsules, um escudo chamejante espalhando centelhas correu através dos céus durante o ocaso do sol, de leste para oeste." — Os havaianos descreveram os objetos que têm visto e relatado há mil anos como os

"akuatele" — espíritos voadores. Na religiosa Idade Média da Europa os objetos que se movimentavam pelas noites se pareciam a cruzes. (Poderia a cruz-que-mudou-a-história vista por Constantino ter sido uma destas?) E, algumas vezes, como em Ezequiel, eles foram descritos como rodas que giravam e faiscavam.

Durante a era dos descobrimentos e das explorações os viajantes celestiais assumiram, aos olhos de seus observadores, a forma de barcos e, um pouco mais tarde, depois que os balões foram inventados, os objetos voadores eram descritos na França como "brilhantes balões flamejantes". Em Vermont, no século dezenove, os observadores, que eram em sua maioria tecelões, chamaram o que viam de "rocas voadoras".

Enquanto pessoas de cada período sucessivo tinham a tendência de batizar os objetos voadores com os nomes que mais prontamente lhes vinham aos lábios em momentos de tensão, ficou para a nossa cultura atual chamá-los primeiro de "discos voadores" ou "objetos em forma de charuto". Como uma informação interessante, na ocasião dos primeiros dois dias de visões em massa nos Estados Unidos em 1947, primeiro sobre o estado de Iowa e depois sobre o Monte Rainier em Washington, os OVNIs foram primeiro chamados de "pratos" e logo depois de "formas de tortas", para depois se transformarem em

"discos".

Frank Edwards, observador há longos anos de fenômenos inexplicáveis, pensa que a tremenda explosão que ocorreu na Sibéria, em 30 de junho de 1908, numa região deserta ao longo do Rio Yenisei e perto do lago Baikal (apenas renas foram vitimadas), apesar de ter sido considerado como o resultado do impacto de um meteorito contra a terra, foi realmente uma explosão atômica causada pela desintegração de uma espaçonave. Ele cita o cientista e escritor russo Alexander Katzenev, que afirmou que os danos, examinados recentemente, são idênticos aos produzidos por explosões atômicas provocadas pelos homens sob condições similares, com radioatividade remanescente e a fusão de metais. Nenhum fragmento de meteoro, pois, é lógico, que eles deviam estar muito mais profundamente encravados na terra, foi recuperado. Edwards conclui: — "Na catástrofe às margens do rio Yenisei em 1908 nós perdemos um hóspede do espaço." M. K. Jessup, um pesquisador de OVNIs de considerável preparo científico e disciplinar, sendo inclusive astrônomo e selenógrafo especializado (técnico sobre assuntos lunares), era de opinião em seu livro, O Caso dos OVNIs, que os famosos desaparecimentos de navios e os mistérios dentro do Triângulo das Bermudas, inclusive o do Freya, do Mary Celeste, do Ellen Austin, e de muitos outros, foram causados por atividades dos OVNIs. Ele se adianta mais ainda e além do Triângulo, ao descrever o desaparecimento da tripulação inteira do Seabird, um imenso veleiro, que sumiu depois de saudar um barco de pesca perto de seu porto de origem de Newport, em Rhode Island, em 1950, com uma anotação no diário de bordo feita a duas milhas do porto e com uma refeição preparada e intata sobre a mesa do refeitório. O Seabird, aparentemente continuou sem a tripulação no rumo do porto e encalhou sobre uma praia muito alto, — "como se houvesse sido levantada por mãos de gigante" — e então, apesar de firmemente pousado sobre as areias, desapareceu durante a noite em uma tempestade. Ao examinar estes incidentes com tantos navios, Jessup conclui que tais desaparecimentos são "quase impossíveis de serem explicados, a não ser o que o barco tenha sumido para cima... Alguma coisa operando lá de cima, com poderes grandes e decisivos, rapidez de ações..." Ele comenta e sugere: — "escolha impiedosa", "algo de evasão ou discrição...", acrescentando: — "Tudo isto são atributos de seres inteligentes".

Jessup era de opinião que o desenvolvimento de nossa época aérea "é de grande interesse para nossos vizinhos espaciais" e esta bem pode ser a explicação para o número crescente de OVNIs que foram vistos nos anos mais recentes, concentrados numa extensão bem delimitada dentro do Triângulo ao largo das costas da Flórida e em torno de Cabo Kennedy. Em uma ocasião determinada, em Cabo Kennedy, no dia 10 de janeiro de 1964, um OVNI foi descrito como tendo-se movimentado velozmente dentro do raio de ação da trajetória de um míssil Polaris durante o seu lançamento e por quatorze minutos o radar seguiu o seu curso antes de voltar a focalizar o míssil. Apesar de muito comentado por aqueles que estavam presentes na ocasião, este relatório não apareceu na imprensa — possivelmente porque mistérios não são propícios à confidencia do público. A teoria de Jessup sobre o "interesse" dos OVNIs em nossa era aérea — e que foi, após a sua morte em 1959, escalada para a era espacial — foi consideravelmente reforçada por desenvolvimentos muito recentes. OVNIs têm sido observados durante vários lançamentos espaciais, notadamente os das cápsulas Gemini IV e VII. Na Gemini IV, os astronautas McDivitte Borman observaram um "fantasma" progredindo paralelamente a eles e pensaram, durante algum tempo, que talvez fosse necessário iniciar uma ação de fuga. Outro "fantasma" foi visto seguindo a Gemini VII. A cápsula Apoio XII, em seu vôo para a Lua, foi, durante um certo tempo, a 211.000 quilômetros de distância da Terra, "escoltada" por dois OVNIs, um na frente e outro na retaguarda. O astronauta Gordon observou que eles eram "muito brilhantes e pareciam piscar para nós", e, mais tarde, ao comunicar-se com o Centro Espacial de Houston, disse: — "Nós calculamos que eles fossem amigáveis." Apesar de não ter havido confirmação por parte do Centro Espacial de Houston ou da NASA, estas luzes foram também percebidas por observatórios europeus. Posteriormente, neste mesmo vôo, outra luz brilhante, descrita pelos astronautas como sendo "do tamanho de Vênus", ficou visível para a cápsula e entre ela e a Terra por cerca de dez minutos e depois desapareceu.

Continuar: parte 3 de 3