O Triângulo das Bermudas

Charles Berlitz · Capítulo 7 de 10 · parte 3/3

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O Triângulo das Bermudas

Tromba d'água fotografada num dia claro ao…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

Quando levamos em consideração que os OVNIs podem ser algo não-identificável, inclusive pedaços de foguetes auxiliares de empuxo e outros destroços do espaço, as atividades de tais OVNIs, assim como a sua capacidade de aparecer e desaparecer, parece indicar uma direção independente e não-orbital.

A respeito das visões de supostos OVNIs pelos astronautas em vôos espaciais, o Dr. Franklin Roach observou no Condon Observer que as "condições sob as quais os astronautas fizeram as suas observações são similares àquelas encontradas por uma ou duas pessoas sentadas no assento dianteiro de um carro muito pequeno sem janelas laterais ou traseiras e com pára-brisas parcialmente coberto e muito empoeirado" — um comentário que, trocado em miúdos, nos faz chegar à conclusão que nada que os astronautas tenham visto através de observação visual possa ser digno de crédito.

Como tem sido o caso de vários outros investigadores dos OVNIs e dos acontecimentos dentro do Triângulo, Jessup ficou convencido que uma censura dissimulada vinha encobrindo muitos relatórios importantes e seus desenvolvimentos. Seu último livro, escrito pouco antes de sua morte, era sobre referências bíblicas, a

"discos voadores", e ele estava igualmente preocupado com a questão de como o magnetismo controlado pudesse produzir a invisibilidade, um desenvolvimento da "teoria do campo unificado" de Einstein, e que Jessup considerava como a tecla fundamental tanto para as repentinas aparições e desaparecimentos de OVNIs, como também de navios e aviões. Ele estava em Miami quando faleceu no dia 29 de abril de 1959. De acordo com o Dr. Manson Valentine, seu amigo de longa data e uma das últimas pessoas com quem falou, Jessup se encontrava num estado mental muito depressivo. O Dr. Valentine o havia convidado para jantar na noite de 20 de abril. Jessup aceitara o convite mas não comparecera. Ele morreu em sua caminhonete estacionada

no

Parque

Dade

Country,

vitimado

por

um

envenenamento de monóxido de carbono, pois o cano de descarga havia sido ligado para dentro do carro por uma mangueira de borracha. Provavelmente devido à insistência com que Jessup falava sobre certos aspectos de uma intervenção nos negócios de nosso mundo por entes de outros mundos, houve aqueles que consideraram que a sua morte não foi auto-induzida e que este incidente era uma indicação dos perigos de uma pesquisa mais profunda neste sentido. O Dr. Manson Valentine, um zoólogo, arqueólogo e

oceanógrafo, estudou durante várias décadas os acontecimentos singulares do Triângulo das Bermudas de dentro do próprio Triângulo

— Miami, as Bahamas e várias outras ilhas. E, in situ, ele é um investigador que nos fornece uma excelente fonte de confirmações de que o que aconteceu ali no passado está acontecendo também no presente. Muitas

das informações que ele tem à sua disposição, especialmente aquelas que ele lembra de suas últimas palestras com Jessup, são tão surpreendentes que devem ser transmitidas nas próprias palavras do Dr. Valentine, da mesma forma com que ele respondeu às seguintes perguntas:

PERGUNTA: — A quanto tempo o senhor vem observando os fenômenos do Triângulo das Bermudas?

RESPOSTA: — Há mais de vinte e oito anos, desde o de-saparecimento dos PBM em 1945, que eu venho juntando dados sobre o assunto, entrevistando os sobreviventes de incidentes ocorridos, e tomando notas das aparições de OVNIs na área e na ocasião destes desaparecimentos. PERGUNTA: — Houve um aumento de aparições de OVNIs na região desde aquela ocasião?

RESPOSTA: — Tem havido mais aparições nesta área do que em qualquer outra região. Temos tido muitas aparições recentes de aeronaves que nós sabemos que não são aviões e de embarcações submarinas que sabemos que não são submarinos comuns. Uma aparição recente desta última variedade foi vista pelo Capitão Dan Delmonico, em abril de 1973. Ele è marinheiro toda a vida e um observador calmo e de excelente reputação. Ele viu duas aparições quase idênticas de um objeto não-identificado sob as águas muito

transparentes

da

Corrente

do

Golfo

— ambas

aproximadamente na mesma área — cerca de um terço de distância entre o Farol de Great Isaac, ao norte de Bimini, onde as águas da Corrente do Golfo são muito profundas. Ambas as visões foram por volta de quatro horas da tarde, com a superfície do mar muito tranqüila, uma ondulação normal e excelente visibilidade. Em ambos os casos foi um objeto branco-acinzentado, liso e com o formato, como ele disse "de um charuto grosso com as pontas arredondadas", e que passou a toda velocidade por baixo da proa de seu barco. Delmonico calculou o tamanho do objeto em pelo menos cinqüenta e sessenta e cinco metros de comprimento e sua velocidade no mínimo, sessenta a setenta milhas por hora. Quando Delmonico viu aquele objeto submarino se aproximando, pareceu-lhe que ele iria colidir com o seu barco que estaria prestes a vir à tona mesmo à sua frente. Aparentemente o objeto percebeu a sua presença, pois

mergulhou e desapareceu depois de passar diretamente por baixo de sua embarcação. Não houve nenhuma turbulência e nenhuma esteira visíveis. Ele não tinha leme de profundidade, estabilizadores verticais ou qualquer outra coisa que interrompesse a sua superfície lisa e inteiriça, e nenhuma escotilha.

 

OceanofPDF.com

Desenhos de dois dos quatorze OVNIs vistos pelo Dr. Valentine. A aparição da esquerda foi feita à meia noite do dia 21 de agosto de 1963. perto de Ashton. ao sul de Orlando, na Flórida. O objeto aparentemente estava apanhando água de um lago. A distância do observador foi estimada em cerca de setenta e cinco metros do objeto. O O VNI du direita foi observado sobre árvores ao lado de uma estrada, a Rodovia Federal ■W/. alguns quilômetros ao sul de Pearson. na Geórgia, às margens do pântano de Okefenokee. às três horas da manhã. Ele parecia ter luminescência e pulsava com uma luz azulada. A distância do observador, era de aproximadamente 35 metros.

 

OVW observado pelo Dr. Valentine às duas da madrugada do dia 6 de dezembro de 1952, entre Douglas e Fargo, na Geórgia. Na opinião do Dr. Valentine. o centro escuro do vórtice afunilado mostra o que talvez possa ser uma torrente de emissão de nêutrons indicando umafusão atômica ao invés de umafissão (desintegração), um possível método não-poluidor de converter-se átomos em energia. Tal fusão criaria um campo magnético que propulsaria o OVNI a velocidades incríveis e possivelmente arrastaria para dentro deste mesmo campo outros objetos móveis nas vizinhanças imediatas.

OVNIS nos céus têm sido vistos tão freqüentemente no Triângulo por pilotos de aviões e tripulantes de navios que eles até já

se tornaram um lugar-comum, especialmente sobre a Língua do Oceano. O que é mais curioso é a presença de OVNIs flutuantes e vistos por guardas e também por mim, sobre a copa das árvores do pântano de Okefenokee. No centro da Flórida eu vi um deles com um facho de luz azul apontado para as águas de um lago. Talvez eles estivessem pegando água, ou até mesmo espécimes da fauna local para estudos. Na ocasião em que houve o escurecimento total no sul da Flórida em abril de 1973, luzes azul-esverdeadas e rastos de luz azul foram vistos nos céus, especialmente na Ponta Turkey — onde fica o reator atômico. No grande escurecimento incidental em Eastern Seabord há alguns anos atrás, uma esquadrilha de uns doze OVNIs foi igualmente vista.

PERGUNTA: — O senhor tem alguma teoria sobre a força propulsora dos OVNIs?

RESPOSTA: — Existem várias teorias possíveis. Uma delas, válida somente dentro de nossa atmosfera, seria a de um aparelho em forma de disco e que tivesse um perímetro de geradores de raios catódicos que podem movimentar-se rapidamente em qualquer direção simplesmente pela operação destes geradores na borda direcional ou do lado do movimento desejado. Desta forma os geradores iriam ionizar o ar em frente ao veículo, causando assim um vácuo no qual o aparelho se movimentaria. Bolsões de ar ionizado deixados por OVNIs poderiam ser a causa das turbulências com ar claro experimentadas por tantos pilotos... Outro sistema de propulsão seria similar à do jato, porém infinitamente mais rápido e teoricamente bem próximo da velocidade da luz. Os reatores de força iriam produzir uma fusão atômica, em vez da conhecida fissão (ou

desintegração). Tudo o que é necessário é um material capaz de se fundir em água. Isto poderia explicar os OVNIs que foram vistos

"retirando" água de lagos internos.

Ainda uma outra teoria envolve a mudança de dimensão e de aberrações de tempo baseadas em campos magnéticos especiais. PERGUNTA: — O Dr. Jessup pensava haver uma certa conexão entre os OVNIs e o Triângulo das Bermudas?

RESPOSTA: — Ele tinha uma teoria de que a força dos campos magnéticos podia transformar e transportar matéria de uma dimensão para outra... Que os OVNIs podiam entrar em nossa dimensão e sair novamente levando consigo homens e outros espécimes. Ele pensou um pouco mais tarde que alguns dos acidentes foram causados pelos raios catódicos que criaram um vácuo que desintegrou os aviões quando entraram dentro do campo: Foi isto provavelmente que sucedeu a Mantel. Ele voou perto demais do disco, dentro de seu campo de ionização. Seu avião explodiu em tantos pedaços que não sobrou nada mais do que um punho. Todos os pedaços localizados estavam perfurados como se pequenos vermes tivessem passado por dentro deles.

Isto talvez tenha acontecido igualmente ao Constellation que Bob Brush (um piloto de avião comercial) viu explodir perto de Great Inagua, nas Bahamas, em outubro de 1971. Bob estava pilotando um DC-6 e captou o Constellation em seu radar, voando baixo e possivelmente com problemas. De repente ele explodiu com um clarão que iluminou os céus de um lado a outro do horizonte. A explosão foi tão brilhante que chegou a lhe ferir os olhos — absolutamente anormal. Um barco que passava perto no momento recuperou um manual de vôo e quando Bob examinou-o mais tarde viu que estava crivado de pequenos furos, exatamente como os destroços do avião de Mantel.

Os OVNIs, sejam lá o que forem, parecem um redemoinho magnético temporário, uma forma de ionização que pode causar a desintegração e o desaparecimento de navios e aviões. Jessup, antes de morrer, acreditava estar à beira da descoberta das bases científicas para o que estava acontecendo, e que ele considerava explicável através da "teoria do campo unificado" de Einstein.

PERGUNTA: — O senhor pode nos oferecer uma explicação simplificada desta teoria do campo unificado?

RESPOSTA: — A sua base é que todos os nossos conceitos estanques de tempo-espaço e matéria-energia não são entidades separadas e sim efeitos transmutáveis sob as mesmas condições de distúrbios eletromagnéticos. Na realidade, a teoria do campo unificado ainda oferece uma outra teoria de como os OVNIs podem se materializar e desaparecer repentinamente.

Na prática ele diz respeito aos campos elétricos e magnéticos da seguinte maneira: um campo de eletricidade criado por um turbilhão induz um campo magnético a ângulos retos em primeiro, cada qual representando um plano de espaço. Mas como existem três planos de espaço, deve existir um terceiro campo, possivelmente um campo gravitacional.

Obrigando

os

geradores

eletromagnéticos

a

produzirem uma pulsação magnética, talvez seja possível produzir-se este terceiro campo através do princípio da ressonância. Jessup contou-me

que

pensou

que

a

Marinha

Norte-americana

inadvertidamente

descobriu

isto

casualmente

durante

uma

experiência realizada em tempo de guerra com um destróier e que foi chamada de "A Experiência da Filadélfia". PERGUNTA: — O que era a Experiência da Filadélfia? RESPOSTA: — De acordo com Jessup, a Experiência da Filadélfia foi uma experiência secreta efetuada pela Marinha dos Estados Unidos no mar, na Filadélfia. Seu objetivo era o de testar os efeitos de um forte campo magnético sobre uma embarcação tripulada. Isto seria realizado através de geradores magnéticos Degausseurs (os dispositivos usados para protegerem os navios contra as minas magnéticas). Geradores vibratórios e nõo vibratórios foram usados para criarem um tremendo campo mag-nético sobre e em torno do barco parado. Os resultados foram tão espantosos quanto importantes, apesar dos efeitos posteriores e infortunados sobre a tripulação. Quando a experiência começou a se realizar, uma luz esverdeada e indistinta surgiu, algo parecido com os relatórios feitos pelos sobreviventes de incidentes dentro do Triângulo e que falam de uma neblina luminosa esverdeada. Logo o barco inteiro ficou coberto por esta névoa verde e, junto com seus tripulantes começou a desaparecer das vistas daqueles que haviam ficado no cais, até que apenas a sua linha dágua era visível. O

destróier, segundo foi noticiado, teria aparecido e desaparecido em Norfolk, na Virgínia, o que bem pode ter sido o resultado de um teste de invisibilidade, envolvendo uma conexão com um fenômeno de aberração de tempo.

Foi dito por um dos membros da tripulação que a experiência foi um sucesso no mar, com um campo efetivo de invisibilidade deforma esférica que se estendia a cerca de cem metros de cada extremidade, e que apesar de mostrara depressão feita nas águas pelo navio, não o deixava visível. Quando a força do campo magnético aumentou, alguns membros da tripulação começaram a desaparecer e tinham de ser redescobertos por contato manual e restaurado à

visibilidade por uma espécie de técnica de imposição de mãos. Outros foram removidos para tão longe de suas dimensões materiais originais que só podiam ser encontrados e trazidos de volta à

normalidade por um aparelho eletrônico especialmente construído. Em tais casos, quando um marinheiro não podia ser visto nem

"sentido", a tripulação criou uma expressão original: estar "preso dentro do melado". Na verdade era um estado de suspensão animada do qual a recuperação total podia ser um problema sério. Correram boatos que muitos foram hospitalizados, alguns morreram, e outros foram calamitosamente afetados mentalmente. A habilidade psíquica parecia de um modo geral ficar mais aguçada, enquanto que outros guardaram os efeitos da transmutação sofrida durante a experiência, desaparecendo e reaparecendo temporariamente, tanto em casa, como andando no meio da rua ou sentado em bares e restaurantes, para a consternação dos vizinhos e dos garçons. Por duas vezes a bitácula do navio irrompeu repentinamente em chamas, quando estava sendo levado para terra, com resultados desastrosos para a embarcação.

PERGUNTA: — Jessup testemunhou esses incidentes?

RESPOSTA: — Não sei dizer o que ele testemunhou pes-soalmente das coisas que me contou, mas posso garantir que pes-quisou-as profundamente. Vocês devem se lembrar que ele não era um escritor "excêntrico"' e sim um cientista famoso e um astrônomo de renome. Ele dirigiu um observatório com um dos maiores telescópios de refração do Hemisfério Sul, coordenou diversos projetos sobre eclipses, foi o descobridor de estrelas duplas e tinha um brilhante registro científico. A razão pela qual ele se envolveu com a Experiência da Filadélfia foi que um homem que se dizia um dos sobreviventes da experiência, chamado Carlos Allende (ou Carl Allen), escreveu para Jessup em 1956 sobre seu livro 0 Caso dos OVNIs devido a similaridade da teoria básica. Allende iniciou uma troca de correspondência com Jessup, que naturalmente respondia como qualquer escritor responde a um admirador. Algum tempo depois do início da correspondência, Jessup foi chamado a comparecer a Washington pelo Departamento de Pesquisas Navais. Ê

necessário lembrar-se que a censura havia encoberto a Experiência da Filadélfia, a não ser por um único e lacônico artigo em um jornal da Filadélfia. Em Washington mostraram a Jessup um exemplar de seu livro com anotações escritas a mão e que aparecerá

misteriosamente no Departamento de Pesquisas Navais, com anotações volumosas se referindo às suas teorias, à experiência e à

atividades dos OVNIs. Perguntaram a Jessup se ele reconhecia a escrita, aparentemente

feita por três pessoas diferentes, cada uma das quais identificou o que escrevera com suas iniciais. Ele pensou reconhecer um dos trechos e a respectiva assinatura de Allende e submeteu as cartas de Allende ao exame do Departamento de Pesquisas Navais. Em conseqüência disto, o Departamento mandou que reproduzissem no Texas, eu creio, vinte e cinco cópias exatas do livro marcado e com as anotações impressas em vermelho. Jessup, que recebeu três destas cópias, foi avisado que isto era apenas para circular no alto comando dentro do Departamento. A Marinha nunca admitiu oficialmente alguma coisa a respeito da Experiência, mas eles, com toda a certeza, ficaram interessados no livro. Jessup me contou também que a Marinha tentará entrar em contato com Allende pelo endereço remetente de suas cartas, mas nada conseguira, nem tampouco identificar os outros autores dos comentários escritos sobre o livro de Jessup.

PERGUNTA: — Por que Jessup se matou?

RESPOSTA: — Se ele se suicidou, foi provavelmente devido a uma extrema depressão nervosa. Ele fora procurado pela Marinha para continuar a trabalhar sobre a Experiência da Filadélfia ou em projetos similares, mas recusara — estava preocupado com as perigosas ramificações existentes. Ele estava igualmente desalentado pelas críticas dirigidas contra seu livro pelo mundo acadêmico e científico.

PERGUNTA: — O senhor disse "se ele se suicidou". Existe alguma razão para acreditarmos que ele foi assassinado?

RESPOSTA: — Houve alguns comentários — algumas pessoas pensaram que sim — que talvez ele ainda pudesse ter sido salvo. Ele ainda estava vivo quando foi encontrado... talvez deixaram-no morrer... Suas teorias eram muito avançadas e talvez existissem pessoas ou influências que quisessem prevenir a sua expansão. Ê

curioso que a própria edição de Jessup do livro anotado da Marinha assim como uma cópia que ele dera a Briant Reeves (outro escritor sobre OVNIs) desapareceu no correio quando foi enviada a outras pessoas.

PERGUNTA: — O senhor concorda com as teorias de Jessup?

RESPOSTA: — Em princípio, sim. O complexo problema do magnetismo ainda é um mistério. Se nós desenvolvermos o corolário da teoria do campo unificado de Einstein, que induziu os campos gravitacionais e eletromagnéticos, dentro da teoria espaço-tempo, campos magnéticos, etc, concluiremos que se forem suficientemente fortes serão capazes de causar mudança efetiva de dimensões, tornando-se por este motivo, invisíveis. A resposta às perguntas sobre o Triângulo das Bermudas pode perfeitamente ser encontrada nas aberrações eletromagnéticas ou "controles", que se tornam evidentes em certas ocasiões, quando são ativados ou por acaso ou propositadamente, e me parece plausível que a presença dos OVNIs possa criar a carga necessária de energia.

PERGUNTA: — O senhor tem alguma idéia do motivo para esta maior concentração de incidentes dentro do Triângulo?

RESPOSTA: — Eu acredito que seja possível que seres in-teligentes comandem os OVNIs, que estão não somente coletando espécimes, verificando nosso progresso científico, como já foi verificado por seu interesse em Cabo Kennedy e em nossas sondagens espaciais, mas também retornando ao que deve ter sido a localização de antigas cidades sagradas, talvez centrais de energia ou de força que estão agora cobertas pelas águas. Foram descobertos nos últimos anos, perto de Bimini e de outros lugares nas Bahamas, grandes complexos de edifícios no fundo do mar, indicando que um alto grau de civilização já existia ali há muitos milhares de anos atrás. Ê mais do que uma simples coincidência que tantos acidentes aconteçam nesta área e que tantos OVNIs sejam vistos não apenas nos céus mas igualmente entrando e saindo do oceano.

PERGUNTA: — O que podemos fazer acerca dos OVNIs e sua ameaça potencial?

RESPOSTA: — Não há nada que possamos realmente fazer nos dias de hoje. Não creio que exista muito perigo para a maioria dos viajantes e talvez as pessoas que desapareceram ainda estejam vivas, em outro local ou em outra dimensão. Penso, no entanto, que é

importante reconhecermos a situação e tentar alguma forma de comunicação com eles — e é isto que tantos dentre nós estamos tentando fazer.

Em vista do que eles evidentemente são capazes de fazer, nós podemos nos considerar afortunados pelo fato de suas atividades terem sido até agora benevolentes, apesar de sempre existir a possibilidade de quês estes visitantes não venham todos do mesmo lugar do espaço externo ou interno, e que nem todos compartilhem as mesmas posições "conservacionistas" sobre o nosso planeta e seus habitantes.

Se espaçonaves foram propositada ou inadvertidamente res-ponsáveis por nossas maiores falhas de energia, ê um fato ex-traordinário que nem um só acidente envolvendo injúrias pessoais possa ser atribuído à falta de energia durante aqueles períodos. Ê singular que em ambas as grandes falhas de energia, no Nordeste em 1965 e em Miami, em 1973, seguiram-se aparições locais de OVNIs. Durante o escurecimento do Nordeste, visões de uma bola vermelha flamejante de trinta metros de diâmetro foram relatadas em Syracuse por observadores entre os quais se encontrava o representante da Agência Federal de Aviação. Outros OVNIs foram avistados sobre Nova Iorque, Newark e Filadélfia, e em inúmeros outros locais em Massachusetts, Rhode Island e o estado de Nova Iorque. Um curioso efeito colateral, defeito nos motores dos automóveis próximos aos OVNIs avistados, tem um ponto em comum com as falhas de eletricidade e de rádio associadas à sua presença e relatada por tantos pilotos de aviões e navios dentro da área do Triângulo das Bermudas. É evidente, entretanto, que muitos indivíduos, tendo opinião preconcebida de que a falha de energia é

uma prova de que a presença dos OVNIs cria distúrbios no campo magnético da Terra e nas comunicações e instalações elétricas, estavam mais a espreita de visitantes celestiais nestas ocasiões específicas, especialmente porque não havia luzes que causassem interferências e as condições para examinar-se os céus eram ótimas. De qualquer forma, enquanto se confirmava que o que causou o Grande Blecaute de 1965 foi uma falha na Comporta N.° 2 Sir Adam no rio Niágara, a causa inicial não chegou a ser explicada e uma avaliação feita após a investigação é essencialmente verdadeira: — "A falha de energia causada pelo defeito na rede de força do nordeste criou um dos maiores mistérios da civilização moderna". Vários dos mais persistentes observadores do Triângulo das Bermudas, concordam que não existe nenhuma explicação terrena para o desaparecimento de tantas embarcações, e que a única explicação possível pode muito bem não ser deste mundo — remoção de navios, aviões e pessoas através do engenho dos OVNIs. Para fortalecer esta teoria, a maioria das aparições dos OVNIs foi seguida de luzes de cores diferentes e de muita intensidade, principalmente à noite, e muitos dos desaparecimentos espetaculares de aviões foram caracterizados por luzes estranhas que surgiram no céu noturno. Isto aconteceu na ocasião do incidente com o Vôo 19 e novamente no caso do Star Anel. Entretanto, apesar de todos estarem de acordo sobre a ação dos OVNIs nos desaparecimentos de navios e aviões, não existe nenhuma concordância sobre o local de onde eles estão vindo. Algum lugar no espaço exterior, com seus bilhões de possibilidades de planetas habitados, seria uma fonte plausível de visitas a não ser pelo problema do tempo de viagem, se for calculado em anos-luz, e que tomaria uma boa parte de uma existência, ou de Muitas existências. (A viagem à estrela mais próxima — nosso próprio Sol —

levaria apenas oito minutos se calculada em anos-luz, porém a outra estrela mais próxima, está a 4,3 anos-luz de distância.) Mas é possível que a duração de uma vida inteira como nós a conhecemos seja consideravelmente diferente daquela conhecida em outros planetas de estrelas distantes. Além disso, novas teorias foram criadas nos últimos anos a respeito dos limites da velocidade — a velocidade da luz, a curvatura do espaço, e a relação de tempo/matéria e energia que pode eventualmente modificar nosso conceito de tempo necessário para viajarmos para outras galáxias.

Alguns teóricos sugerem que a fonte das visitas possa ser mais próximo da Terra, Talvez até dos oceanos da própria Terra. Ivan Sanderson, em seu livro Residentes Invisíveis, baseado no fato de que quase três quartos da superfície da Terra está abaixo d'água (170.000.000 milhas quadradas de água contra apenas 60.000.000

milhas quadradas de terra) e de que os seres que respiram o ar vivem muito perto da superfície da terra, enquanto que os seres que respiram na água não se limitam ao fundo dos mares e da hidrosfera, tendo por isto um volume cúbico tremendamente maior no qual podem operar e se desenvolver, sugere a seguinte possibilidade:

"...que pode existir uma "civilização" (ou civilizações) sub-marina neste planeta, que ela esteja ali há muito tempo e que haja mesmo se desenvolvido ali, e/ou que ela comporte seres inteligentes que tenham vindo para cá e sejam provenientes de outros lugares... que preferem usar o fundo da hidrosfera, e possivelmente as suas camadas de superfície na litosfera abaixo dela, e sobre ou dentro dela residam e de onde operem."

Ele observa ainda que, se uma tal civilização se desenvolveu em baixo d'água, ela pode ser consideravelmente mais adiantada que a civilização da superfície e ter-se desenvolvido pelas formas de vida que deixaram o mar pela terra há tantos bilhões de anos atrás, visto que permanecendo no mar elas já teriam um bom avanço em seu meio ambiental original e continuariam a se aperfeiçoar através das idades sem se preocuparem, ou se preocupando muito pouco, com os acontecimentos em terra firme. A presença de tais entidades desenvolvidas e suas atividades tecnológicas por baixo dos mares do mundo talvez tenha dado origem a muitas lendas marinhas contadas através de toda a nossa história e até

mesmo nos dias de hoje, quando ocorrências singulares são verificadas e relatadas com uma precisão infinitamente mais apurada que nos tempos antigos. Isto explicaria os OVNIs do ar-ao-mar vistos no Triângulo das Bermudas assim como o interesse particular dos OVNIs pelos aperfeiçoamentos técnicos na região da Flórida e sobre as águas adjacentes'. Quanto a descobrir a verdade acerca de sua existência, talvez seja uma questão não somente deles nos descobrirem como de nos verem como uma possível fonte de perigo a seu próprio meio ambiente.

Temos ainda a sugestão de que os OVNIs voam de uma para outra dimensão e raptam aviões, navios e pessoas para fora da nossa. A teoria de outras dimensões coexistentes, com toques da teoria da matéria negativa, uma Terra negativa, e mundos coexistentes, é de qualquer forma menos fantasiosa hoje do que o era quando foi proposta várias décadas atrás.

O aviador e explorador famoso, o Almirante Richard Byrd, que empreendeu vôos sobre os intensos campos magnéticos tanto do Pólo Norte como do Pólo Sul, fez uma incrível transmissão em 1929, enquanto voava sobre o Pólo Sul. Ele contou que depois de atravessar uma neblina iluminada passou para uma região de terras verdes com lagos sem gelo e disse que estava vendo grandes animais parecidos com bisões e outros seres que se assemelhavam a homens primitivos. A irradiação saiu imediatamente do ar e o relatório do Almirante Byrd foi atribuído a uma exaustão nervosa temporária ou a uma alucinação. Tanto a exploração como o relatório foram "vedados à publicidade", e o fato de Byrd ter feito a transmissão não fez nenhum bem à sua reputação nos meios científicos. Por mais estranho que pareça, um bom número de pessoas que freqüentavam os cinemas nos anos vinte tem a certeza de lembrarem um jornal da tela sobre o vôo de Byrd, junto com vistas das "terras além do Pólo", apesar de ser possível que elas tenham lido a respeito do incidente e tenham feito confusão com outros jornais da tela mostrando as explorações do Almirante Byrd. O

incidente mesmo foi relegado ao mundo das lendas e dificilmente é

referido a não ser pelos crentes de uma "terra oca", que calculam que o Almirante voou para dentro de um buraco na própria terra, mais do que um buraco para uma outra dimensão como tem sido sugerido para explicar os desaparecimentos dentro do Triângulo das Bermudas. De qualquer forma deve mesmo haver uma similaridade entre a força dos campos magnéticos, tais como as supostamente criadas na Experiência da Filadélfia, e as condições acima dos próprios Pólos, sempre imaginando que o vôo polar do Almirante Byrd foi feito em circunstâncias normais e ele no domínio perfeito de suas faculdades. Considerando a ampla escolha de explicações estranhas defendidas por tantos e tão sérios e capazes investigadores dos incidentes dentro do Triângulo das Bermudas, lembramo-nos do epigrama de Haldane: — "O Universo não é apenas mais estranho do que nós imaginamos, ele é ainda mais estranho do que nós podemos imaginar". Entre as várias razões para o encadeamento dos desaparecimentos inexplicados que acabamos de examinar, temos a captura seletiva de seres humanos por entidades de um espaço externo/interno, um buraco dimensional nos céus no qual os aviões podem entrar mas não conseguem sair — ou o que já foi chamado de "um rasgo magnético na cortina do tempo", e redemoinhos magnéticos que causam o desaparecimento de embarcações ou talvez o seu transporte para outras dimensões.

Estas teorias não são mais nem menos fantásticas que uma outra que defende a existência de vastos complexos de força, máquinas antigas ou fontes de energia de antigas civilizações, jazendo no fundo do oceano dentro da área do Triângulo e que possam ser ocasionalmente ativadas por aviões passando por cima, criando redemoinhos magnéticos e causando defeitos na aparelhagem magnética e eletrônica. Os aviões que as sobrevoassem causariam, de certa maneira e em certas ocasiões sob determinadas condições, que elas fossem ativadas, gerando inconscientemente a sua autodestruição. Mas enquanto esta teoria é talvez a mais inacreditável (dentro de nossas normas de aceitação) de todas as sugeridas neste e nos demais capítulos, certos aspectos naturais e anormais da região em questão e da história geológica da área apontam uma certa conexão com várias das outras teorias citadas.

Para estudarmos esta nova teoria nós precisamos recuar dentro do tempo — no tempo da vida do oceano e das civilizações humanas.

7 - Uma Sugestão do Passado do Oceano.

Considera-se como coisa provada que grandes partes da superfície da Terra já estiveram sob as águas, enquanto outras que atualmente estão por baixo d'água já foram terras alguma vez. Isto já fora notado pelos naturalistas dos tempos antigos, quando encontraram exemplares de vida fóssil nos desertos, assim como os naturalistas modernos descobriram esqueletos de baleias em regiões tão distantes do mar como Minnesota e até mesmo nas montanhas do Himalaia, ao mesmo tempo que encontramos amplas evidências de que o Saara foi outrora um mar interior. Ao mesmo tempo que existe um acordo geral a respeito das vastas mudanças de terra e mar através do mundo inteiro, a questão do tempo torna-se especialmente importante quando se leva em conta as mudanças dos níveis de terra e dos mares dentro do Triângulo das Bermudas, em uma era geológica comparativamente recente.

Sabemos que, durante a Idade Glacial, um imenso volume de águas oceânicas ficou congelado dentro das geleiras de vários quilômetros de profundidade que recobriam grandes regiões do Hemisfério Norte. Há cerca de 12.000 anos, quando as geleiras começaram a derreter em virtude das mudanças climáticas, cujas causas até hoje não são muito claras, o nível das águas no mundo começou a elevar-se, engolindo as terras costeiras e as ilhas, transformando istmos em estreitos e ilhas imensas em planaltos submarinos. O nível das águas oceânicas na Terra, naquela ocasião, quando a Terceira Era Glacial entrava na sua última fase, é estimado em 200 metros ou até mesmo mais baixo que os níveis atuais. Além disso, muitas terras que estavam por cima d'água podem estar muito mais profundas do que o normal, devido a atividades vulcânicas na ocasião ou depois, da grande inundação, ou para usarmos a nomenclatura bíblica que talvez tenha descrito estes fenômenos — o Dilúvio.

Quase todas as tribos e raças do mundo preservam vividas narrativas sobre a destruição universal pelo fogo, pela água, terremotos, explosões, ou avalanches que abalariam a Terra inteira. Na maioria dos casos, apenas um único sobrevivente, junto com sua família e alguns animais selecionados, foi tradicionalmente poupado para iniciar uma nova vida, como fez Noé, num mundo novo, quando os distúrbios tiverem cessado ou as águas se acalmado. Mas Noé foi apenas um dos sobreviventes — o que é conhecido dos herdeiros das tradições religiosas judaico-cristãs. Existem numerosos outros sobreviventes da mesma ou de catástrofes similares, inclusive Deucalião, dos mitos gregos, que repopulou a Terra atirando pedras; Baisbasbata, o sobrevivente de uma inundação, contada no Mahabharata indiano; Utnapishtim, das lendas babilônicas, cuja história muito se assemelha à

de Noé; Yima, do Irã; Coxcox, do México antigo, que escapou da inundação com uma jangada feita de um imenso cipreste; Tezpi, de outra raça mexicana, mais desenvolvida, e que tinha uma espaçosa embarcação às suas ordens, que ele carregou com cereais e animais; Bochica, das lendas chibchas da Colômbia, que finalmente conseguiu verse livre das águas abrindo um buraco na terra (como fez o grego Deucalião); Tamandaré, o "Noé" guarani do sudeste da América do Sul, que saiu boiando num enorme tronco de árvore até o alto de uma montanha, conseguiu sobreviver; e muitos outros pelo mundo afora. Em cada caso os animais que eles salvaram são um reflexo da fauna local com referências gerais a respeito dos animais levados na Arca por Noé, exoticamente suplementados nas lendas americanas pela menção específica de tais animais como lhamas, jaguares, antas, búfalos, coiotes e urubus, salvos por seus antigos conterrâneos americanos.

Com uma lenda assim tão específica — até mesmo a duração da inundação varia apenas ligeiramente, geralmente entre quarenta e sessenta dias — nos parece plausível aceitar que realmente ocorreu uma catástrofe de âmbito mundial, deixando um trauma profundo nas memórias raciais, e que esta catástrofe estava intimamente ligada aos mares, mudanças conseqüentes de terrenos e do nível das águas através da Terra inteira.

Vestígios desta ou destas catástrofes são encontrados não somente na memória do homem como evidenciadas pelo testemunho dos grandes soerguimentos, afundamentos e nas curvaturas da terra e do fundo dos mares, tais como as praias de areia a centenas de metros de profundidade em torno dos Açores e as praias costeiras encravadas a centenas de metros acima do nível da costa, especialmente na Groelândia, Califórnia do Norte e Peru (onde objetos feitos pelo homem foram encontrados perto do fundo de antigas camadas geológicas estriadas, depois de um levantamento). Os próprios Andes geologicamente muito recentes, parecem ter sido soerguidos ou forçados para cima, levando talvez consigo cidades como Tiahuanaco, enquanto outras regiões costeiras da América do Sul afundaram no oceano dentro da Fossa Nasça. A mesma catástrofe talvez haja causado o degelo das geleiras, que por sua vez inundaram os planaltos das ilhas do Atlântico e grandes porções do próprio continente, que estavam anteriormente acima do nível das águas. Na mesma ocasião, mudanças climáticas ocorreram através de todo o mundo, provavelmente com uma rapidez surpreendente. Na Sibéria, corpos congelados de mamutes são encontrados até nos dias de hoje, congelados tão rapidamente que a carne ainda pode ser aproveitada, primeiro por cães e mais tarde por cientistas soviéticos, em caráter experimental. Estes mamutes, rinocerontes pré-históricos e outros animais que normalmente não são associados ao clima da Sibéria, foram aparentemente presos em torrentes de lama gelada (ou de lama que posteriormente se congelou) e preservados tão rapidamente, que plantas e alimentos não digeridos (sobretudo plantas que já não são nativas da Sibéria) foram encontradas em seus estômagos.

Regiões do norte da Sibéria, Alasca e Canadá estão literalmente cobertas por ossos de grandes animais que morreram repentinamente (novamente em uma data estimada entre 10.000 e 11.000 anos atrás), que algumas ilhas ou pontos mais altos de montanhas, aonde eles foram à procura de refúgio, são feitas inteiramente de seus ossos. Outros locais de sobrevivência são completamente diferentes e espécies inimigas se agruparam em busca de abrigo e morreram em grandes quantidades tendo sido encontradas por toda a Europa Setentrional, a Ásia Central e a China, como se toda a crosta terrestre houvesse experimentado uma mutação climática rápida e inesperada ao mesmo tempo. Entretanto, em outros hemisférios igualmente existem indicações de uma dizimação simultânea das espécies, como o imenso cemitério de elefantes nos Andes colombianos, e até mesmo por baixo d'água, como no caso de enorme cemitério de elefantes ao largo das costas da Geórgia. Nenhum destes animais tem seu habitat natural nos locais onde encontraram a morte em grande número na repentina mudança climática de 12.000 anos passados.

Antigas áreas terrestres deste período, que agora estão cobertas de água, incluem parte do Mediterrâneo, inclusive trechos de terra entre a África e Gibraltar e da Sicília à Itália, uma grande parte do Mar do Norte, as plataformas continentais da Irlanda, França e península Ibérica, e a África, os planaltos submersos dos Açores, das Canárias e da ilha da Madeira, assim como a cordilheira submarina AçoresGibraltar e a cordilheira do Atlântico Norte, as plataformas continentais das Américas do Norte e do Sul e, especialmente, os amplos baixios das Bahamas, que, antes de serem submergidos, cobriam uma área de vários milhares de milhas quadradas.

Existem provas abundantes de que estas áreas já estiveram acima do nível do oceano, há uns dez ou doze mil anos atrás. Uma expedição russa ao norte dos Açores apanhou recentemente pedras a uma profundidade de 2.200 metros que provaram ter sido formada na pressão atmosférica há cerca de 17.000 anos atrás, enquanto que uma operação de dragagem realizada no século 19, ao reparar uma ruptura num cabo transatlântico nas vizinhanças dos Açores, trouxe à tona pedaços de taquilito, uma espécie de lava vitrificada que se forma acima das águas, sob pressão atmosférica. Os exemplares tiveram sua idade estimada em cerca de 12.000 anos. (Este incidente foi muito comentado na ocasião, e a razão da ruptura do cabo é de interesse especial como um exemplo dos movimentos do fundo do oceano — um soerguimento repentino de cerca de 1.300 metros causou sua ruptura.) Um projeto de nossos dias (1973-74) realizado nos Açores pela Universidade de Halifax para a investigação de energia geotermal, teve como resultado indireto a afirmação de que os primeiros oitocentos metros de substâncias pétreas perfuradas abaixo do nível do mar haviam sido formadas acima do nível das águas, indicando que grandes áreas em torno dos Açores atuais estiveram, em determinada época, acima do nível do oceano.

Outras descobertas bastante recentes parecem confirmar que a mais recente submergência de grandes áreas de terra no oceano Atlântico ocorreu há 12.000 anos, o que coincidiria com a época estimada da Terceira Era Glacial. Em 1956, os Drs. R. Malaise e P. Kolbe, do Museu Nacional de Estocolmo, sugeriram que os esqueletos de diatomáceas de água doce que o Dr. Kolbe retirou de uma amostra de minério pescada a 4.000 metros de profundidade perto da Cordilheira Atlântica, tivessem sido originalmente depositados num lago de água doce, sobre uma superfície de terras hoje afundadas no meio do oceano. A idade destas diatomáceas de água doce foi estimada entre 10.000 e 12.000 anos. Estes números coincidem estranhamente com as referências de Platão à Atlântica em seu diálogo de Timeus, no qual ele se refere ao grande continente que existira no oceano exterior há "9.000 anos atrás" — ou seja, 11.400 anos antes de nossa época atual. Ao passo que as datas destas lendas são suspeitas e até mesmo pressupostas, por virem de segunda e terceira mão, já que Platão recebeu esta informação indiretamente de Solon, que, por sua vez, apreendeu-a originalmente durante uma viagem que fez a Sais no Egito, é de qualquer forma singular que este cálculo de tempo apareça com tanta freqüência em outros campos quando interligados a terras submersas.

Mas existem ainda outras indicações de que grandes partes do Atlântico Ocidental estiveram acima do nível do mar. Praias de areia, por exemplo, não são formadas no fundo dos mares, e sim pela força das ondas que se quebram nas margens dos oceanos. No entanto, praias de areia foram descobertas em profundos planaltos submarinos em torno dos Açores. Rios fazem desfiladeiros sobre as terras; e entretanto, o desfiladeiro do rio Hudson continua por baixo d'água por centenas de milhas mar a dentro. Outros desfiladeiros de outros rios se estendem da mesma maneira, na Europa, África e América do Sul, entrando no mar.

Ossos humanos e de mastodontes têm sido encontrados no fundo do Mar do Norte, junto com ferramentas pré-históricas, indicando um certo grau de progresso e a probabilidade de um desenvolvimento cultural na era Pleistocena (anterior a 11.000 anos A.C.). Porém talvez o mais surpreendente de todos os indícios do afundamento de vestígios culturais de povos pré-históricos desde a época do degelo das geleiras sejam os edifícios submersos, as muralhas, estradas pavimentadas e trilhas encontradas agora com mais freqüência sob as águas das costas ocidentais da Europa e do sul da África e das costas a sudeste da América do Norte. A última inclui construções submarinas, muralhas e estradas de pedra que levam a leste das costas de Iucatán e Honduras, estradas que provavelmente se ligariam a outras cidades submersas ainda mais a leste do oceano. Existe até mesmo uma "muralha" submersa de dez metros de altura por cem milhas de comprimento que se dirige para o oceano partindo das costas da Venezuela na altura da foz do Orenoco. Pensou-se, a princípio, que se tratasse de uma formação natural, porém suas linhas retas e sua composição tendem a desmentir esta primeira impressão.

Existem fortes indicações de que havia uma grande massa continental no meio do Mar das Caraíbas, da qual as ilhas e as elevações das Antilhas talvez possam ser os picos sobreviventes das montanhas. Em 1969 uma expedição de pesquisa da Universidade Duke estudou a área do fundo do mar das Caraíbas e realizou operações de dragagem ao longo da cordilheira Aves, uma cadeia de montanhas submersas que corre paralela à margem ocidental da grande bacia oceânica venezuelana, entre a Venezuela e as ilhas Virgens. Em cinqüenta ocasiões, rochas graníticas (magmáticas) foram trazidas à superfície. Normalmente este tipo de rocha é encontrado somente nos continentes. Um famoso oceanógrafo, o Dr. Bruce Heezen, ao comentar este fato, observou: — "Até hoje, os geólogos acreditavam que o granito claro ou as rochas graníticas magmáticas eram confinadas aos continentes e que a crosta terrestre sob os mares era composta de rochas basálticas escuras e mais pesadas... Assim, a descoberta de rochas graníticas de cor clara pode vir a servir de suporte a uma velha teoria de que existia antigamente um continente na região oriental do Mar das Caraíbas e que estas rochas podem representar o âmago de um continente perdido que se afundou." Ê no Planalto Submerso das Bahamas, entretanto — a área onde mais ocorreram incidentes dentro do Triângulo das Bermudas — que as mais surpreendentes descobertas de vestígios submersos foram feitas, muitas delas a uma profundidade de apenas algumas braças. As formações submarinas calcáreas dos Baixios das Bahamas estavam folgadamente acima do nível das águas, há 12.000 anos atrás. Esta imensa área de terreno compreendia baías e canais interiores que são hoje em dia evidentes nos mapas das partes mais profundas do oceano em torno e ao lado das Bahamas. Esta região considerável de terras formava, em épocas anteriores ao soerguimento do mar, uma grande ilha ou várias ilhas que, se acreditarmos nos vestígios submersos, mantinham uma cultura bastante complexa.

De 1968 até hoje, descobertas submarinas têm sido feitas, especialmente perto de Bimini, do que parecem ter sido maciças construções de pedras no fundo atual do oceano, imensos blocos de pedra colocados lado a lado e formando estradas, plataformas, portos ou muralhas caídas. Eles se assemelham estranhamente aos trabalhos préincaicos em pedra no Peru, aos pilares de Stonehenge ou às muralhas ciclópicas de Minoan, na Grécia. A idade destas pedras é incerta, se bem que raízes fossilizadas de mangais que cresceram por cima das pedras, tenham dado testes de carbono 14, datando de cerca de 12.000

anos.

A mais famosa de todas as descobertas foi a "Estrada" de Bimini ou a "Muralha", descoberta em 1968 pelo Dr. Manson Valentine junto com os mergulhadores Jacques Mayol, Harold Climo e Robert Angove. Vistas primeiras de bordo de um barco, quando o mar estava excepcionalmente transparente e sem ondulações na superfície, elas eram, nas palavras do Dr. Valentine, — "um extenso pavimento de pedras chatas retangulares e poligonais de vários tamanhos e espessuras, obviamente talhadas e cuidadosamente alinhadas para formarem