Obras Completas de Adolfo Bioy Casares: Volume I
Sabe-se que, contrariando a obstinada desordem de sua etapa vanguardista, Adolfo Bioy Casares adotou, desde o final da década de
Sabe-se que, contrariando a obstinada desordem de sua etapa vanguardista, Adolfo Bioy Casares adotou, desde o final da década de 1930, os preceitos de uma literatura deliberada em cada um de seus meios e efeitos. Essa poética neoclássica manifestou-se primeiro em tramas rigorosas, apoiadas em complexos argumentos com cuidadosa antecipação. Testemunhos dessa deliberação e dessa reflexão são os rascunhos e as versões preliminares que se conservam de narrativas escritas entre o final dos anos 1930 e meados dos 1950.
Nos dois primeiros apêndices é possível ler dois textos extraídos de Luis Greve, muerto, publicado em 1937. Embora o livro logo tenha sido tirado de catálogo pelo autor, ambos os contos representam suas primeiras tentativas bem-sucedidas de inventar e elaborar tramas interessantes. Assim o entendeu o próprio Bioy Casares, que aproveitou seus temas como matéria de narrativas posteriores: “Os namorados em cartões-postais”, como germe de A invenção de Morel; “Como perdi a visão”, como precursor de “A serva alheia”.
Os apêndices seguintes, em compensação, reúnem os esboços ou planos iniciais dos contos “Em memória de Paulina”, “Dos reis futuros”, “O outro labirinto”, “O perjúrio da neve”, “As vésperas de Fausto”, “História prodigiosa”, “Chave para um amor” e “A serva alheia”, todos conservados no arquivo do autor e que permaneciam inéditos até a presente compilação.
Daniel Martino