Obras Completas de Adolfo Bioy Casares: Volume I

Notas

[1] Em inglês, no original. Em tradução livre: “Eu já estive aqui antes,/ Mas quando ou como eu não posso dizer:/ Eu conheço a grama além da porta,/ O aguçado perfume doce,/ O som suspirante, as luzes em torno da costa...”. (n. t.)

[2]As forças estranhas é um livro de contos de Leopoldo Lugones (1874-1938), jornalista e escritor argentino, como Santiago Dabove (1889-1951), dois dos autores por quem Borges e Bioy nutriam grande admiração. (n. t.)

[3]Duvido. O narrador fala de um morro e de árvores de várias espécies. As ilhas Ellice — ou das lagunas — são baixas e não têm nenhuma árvore além dos coqueiros arraigados no pó de coral. (nota do editor)

[4]Viveu, sem dúvida, sob coqueiros carregados. Não menciona os cocos. Será possível que não os tenha visto? Ou será que, atacados pela peste, os coqueiros não davam cocos? (nota do editor)

[5]Está enganado. Omite a palavra mais importante: geminato (de genimatus, geminado, duplicado, repetido, reiterado). A frase é: … tum sole geminato, quod, ut e patre audivi, Tuditano et Aquilio consulibus evenerat; quo quidem anno P. Africanus sol alter extinctus est: … Tradução de Menéndez y Pelayo: Los dos soles que, según oí a mi padre, se vieron en el Consulado de Tuditano y Aquilio; en el mismo año que se extinguió aquel otro sol de Publio Africano (183 a. C.) [Os dois sóis que, segundo ouvi de meu pai, se viram no Consulado de Tuditano e Aquílio; no mesmo ano em que se extinguiu aquele outro sol de Públio Africano (183 a.C.)]. (nota do editor)

[6]Para maior clareza, pareceu-nos conveniente pôr entre aspas o que estava escrito à máquina nessas páginas; o que vai sem aspas são anotações à margem, a lápis, e com a mesma letra em que está escrito o resto do diário. (nota do editor)

[7]A omissão do telégrafo parece-me deliberada. Morel é autor do opúsculo Que nous envoie Dieu? (palavras da primeira mensagem de Morse); e responde: Un peintre inutile et une invention indiscrète. Não obstante, quadros como Lafayette e Hércules moribundo são indiscutíveis. (nota do editor)

[8]Sempre: sobre a duração de nossa imortalidade; suas máquinas, simples e de materiais selecionados, são mais incorruptíveis que o Metro, conservado em Paris. (nota de morel)

[9]Sob a epígrafe de

Come, Malthus, and in Ciceronian prose

Show what a rutting Population grows,

Until the Produce of the Soil is spent,

And Brats expire for lack of Aliment.

o autor se espraia em uma apologia, eloquente e com argumentos pouco novos, de Thomas Robert Malthus e de seu Ensaio sobre o princípio da população. Por razões de espaço, optamos por suprimi-la. (nota do editor)

[10]A divisa não encabeça o manuscrito. Devemos atribuir essa omissão a um lapso? Não sabemos; como em toda passagem duvidosa, preferimos o risco das críticas, a fidelidade ao original. (nota do editor)

[11] A hipótese da superposição de temperaturas não me parece necessariamente falsa (um pequeno aquecedor é insuportável em um dia de verão), mas creio que a verdadeira explicação é outra. Estavam na primavera; a semana eterna foi gravada no verão; ao funcionar, as máquinas refletem a temperatura do verão. (nota do editor)

[12] Resta o mais inacreditável: a coincidência, em um mesmo espaço, de um objeto e de sua imagem total. Esse fato sugere a possibilidade de que o mundo seja constituído, exclusivamente, de sensações. (nota do editor)

[13]Une Saison en enfer. (n. a.)

[14]Os versos não são de Enrique Nevers; são de Paul Verlaine. (nota do editor)

[15]15 Tampouco encontrei reedições de boa parte dos livros de George Moore, nem de quase nenhum de Andrew Lang; quanto a Eden Phillpotts, talvez só sobreviva em versões ao espanhol publicadas em Buenos Aires. (n. a.)

[16] Glew é um subúrbio, na Grande Buenos Aires, habitado pela classe média baixa. O oxímoro causado pelo contraste entre maison de plaisance e o subúrbio é uma divertida maneira de apontar o esnobismo do narrador. (n.t.)

[17] Fazenda: em português, no original. (n. t.)

[18]Gomina: brilhantina. (n. t.)

[19]Espécie de “batida” no truco, jogo de cartas popular na Argentina. (n. t.)

[20]Licor de ginja. (n. t.)

[21] Hueya (huella): baile folclórico argentino. (n.t.)

[22] Além de significar cantar sem acompanhamento, a expressão en seco também se refere à masturbação. (n.t.)

[23]Para Ti: naquela época, a principal revista feminina da Argentina. (n.t.)

[24] Vinhos baratos, de consumo popular na época. (n.t.)

[25]“É a boemia/ que eu canto ,/ a triste vida/ que eu passei/ quando passeava/ meu bem querido/ pelo Rosario/ de Santa Fe.” (n. t.)

[26]Na Argentina e no Uruguai, música para violão e canto “de caráter evocativo e espírito melancólico”, segundo o Diccionario de la Lengua da Real Academia Española. (n. t.)

[27]Versos do tango “Adiós muchachos”. Em tradução livre: “ninguém manda no destino”. (n. t.)

[28] Denominação popular do Hospício das Mercês, localizado na rua Vieytes, 555. (n.t.)

[29] Postre de vigilante [sobremesa de guarda]: denominação popular de uma porção de queijo e doce. (n.t.)

[30]Da banda oriental, ou seja, o Uruguai. (n. t.)

[31]Além da primeira acepção de “natural da Galícia”, em alguns países da América hispânica gallego designa, pejorativamente, o espanhol ou filho de espanhol. (n. t.)

[32]No contexto, criollo designa o nativo da América hispânica, particularmente o argentino. (n. t.)

[33] Em tradução livre: “Se não te comportares no vestir,/ Se provocas olhares de atrevimento,/ Do Cristo sangram todos os ferimentos,/ E Belzebu, triunfante, se desata a rir”. (n. t.)

[34] Em tradução livre: “No verão e no inverno/ Cobre com meias as pernas,/ Do contrário essas carnes tenras/ Serão tostadas pelo diabo no inferno”. (n. t.)

[35] Em tradução livre: “Os louros que abraçam as têmporas/ Chamam o raio que evita, e perigosas/ E coroadas ainda assim as mantêm.” (n. e.)

[36] Paroníquia: em espanhol, panadizo, palavra que provoca uma relação com pan (referência tanto para pão, um dos temas centrais do relato, como para o deus Pan). (N. T.)

[37]“Cruz e Fierro”: referência aos dois heróis de Martín Fierro (1872), poema épico de José Hernandez (1834-1886), bastante popular na Argentina, responsável por cristalizar a figura do gaúcho, habitante dos pampas. (n. e.).

[38] Em tradução livre: “— Se alças a crina e as ventas infla/ e o espaço se enche/ de um grande tremor de ouro,/ é porque viste, nua, Anadiômena. (n. e.)

[39] Pudim de leite: no original, budín del cielo [pudim do céu]. (N. T.)

[40] Necochea: balneário da costa da província de Buenos Aires, frequentado pela classe média argentina. (n.t.)

[41] Em tradução livre: “Tua mansão./ Fonte de prata./ Em um rincão/ Pisca uma rata”. (n. t.)

[42] Em tradução livre: “A alegria de amar/ Quis explicar-te./ Não chega a arte”. (n. t.)

[43] Em tradução livre: “Alamedas de sonho/ Vou caminhando,/ Te verei quando?”. (n. t.)

[44]Em tradução livre: “Portadora do pólen, mariposa,/ Em ti fulgura/ A rosa/ Futura”. (n. t.)

[45] Em tradução livre: “Ó noites de Rosario,/ Vosso asfalto urinei/ Com fervor literário”. (n. t.)

[46] Em tradução livre: “Jardim perdido,/ Areia, vento, nada./ Te conheci”. (n. t.)

[47] Em tradução livre: “O senhor don Antonesco/ É gaúcho, mas de outros pagos./ Vida, não tragas agrados,/ Quando fores me deixar”. (n.t.)

[48] Em tradução livre: “Então eu vi as caras pavorosas/ Dos contrários deuses…” (n. t.)

[49] Em tradução livre: “Então eu vi as caras pavorosas/ Dos maiores deuses inimigos,/ Então vi, entre as chamas ominosas/ Afundar toda Ílion. Fomos testemunhas/ Da morte de Troia. Como um carvalho…” (n. t.)

[50] Em tradução livre: “o ínclito louro desfolhou-se em vitórias”. (n.t.)

[51]Texto publicado em Sudamericana, 1940 (1941), pp. 7-15. Coleção Laberinto. 1 A True Relation of the Apparition of one Mrs. Veale, on September 8, 1705, e The Botetham Ghost são pobres em invenção; parecem, muito mais, anedotas contadas ao autor por pessoas que lhe disseram ter visto assombrações, ou — depois de algum tempo — ter visto as pessoas que tinham visto assombrações.

2 The Castle of Otranto deve ser considerado antecessor da pérfida raça de castelos teutônicos, abandonados a uma decrepitude de teias de aranha, de tempestades, de correntes, de mau gosto.

[52]1 O autor fez uma adaptação de seu conto para o teatro. [“Tornasolando el flanco a su sinuoso/ paso va el tigre suave como un verso/ y la ferocidad pule cual terso/ topacio el ojo seco y vigoroso./ Y despereza el músculo alevoso/ de los ijares, lánguido y perverso,/ y se recuesta lento en el disperso/ otoño de las hojas. El reposo…/ El reposo en la selva silenciosa./ La testa chata entre las garras finas/ y el ojo fijo, impávido custodio./ Espía mientras bate con nerviosa/ cola el haz de las férulas vecinas,/ en reprimido acecho… así es mi odio”.] Enrique Banchs: Soneto de La urna (1911).

1 E um é variação do outro.

[53] Texto publicado em Sur, no 86, pp. 76-80, maio 1941, sobre a edição de The Spirit

of Chinese Poetry (Singapura: Kelly & Walsh, 1941, 2 a ed).

[54]No original: “Desnudo reposo en el verde bosque del verano,/ Tengo pereza y no muevo el blanco abanico de plumas…” (n. t.)

[55]1 Nós também poderíamos tentar uma poesia etimológica (certos exercícios de Raymond Roussel e de James Joyce nos desencorajam). Em cada poema haveria vários poemas; cada verso permitiria várias leituras; primeiro, dando às palavras o sentido atual; depois, os sentidos etimológicos.

[56] Na tradução de Bioy Casares: “Azul agua brillante otoño luna/ Sur lago recoger blancos nenúfares/ Flor loto hermosa desea hablar/ Melancolía (vergüenza) matar vasto bote hombre (mujer)”. (n. t.)

[57] Bioy Casares traduz: “Azul es el agua y clara la luna./ En el Lago del Sur/ Él recoge blancas lilas./ Las flores del loto parecen susurrar amor,/ Y entristecen el corazón del botero.” (n. t.)

[58] Bioy Casares traduz: “Claro el Río, tan brillante la luna de Otoño…/ Recogemos en el Lago del Sur nupciales flores blancas./ Las prístinas lilas del agua parecen hablar:/ y tiñen de vergüenza las mejillas de las prostitutas que van en el bote.” (n. t.)

[59] Texto pulicado na revista Sur, no 92, pp. 60-65, maio 1942, sobre O jardim das veredas que se bifurcam (Buenos Aires: Sur, 1941)

[60]1 No prólogo, Borges inclui “Pierre Menard, autor do Quixote” entre os contos fantásticos. A intenção de “Menard” é fantástica, mas também são fantásticos “Tlön” e “A aproximação a Almotásim”. Não vejo razões para incluir um e excluir os outros. Eu o classifico entre as notas críticas porque, evidentemente, é o comentário de uma obra literária irreal.

[61] Texto publicado na revista Sur, no 94, p. 22, jul. 1942.

[62] Texto publicado na revista Sur, no 94 (julho de 1942) sobre a a edição de The Silk Stocking Murders (Londres: Penguin Books, 1941).

[63] Texto publicado na revista Sur, no 95, pp. 80-81, ago. 1942, sobre La litera fantástica (Buenos Aires: Hachette, 1942), de Rudyard Kipling.

[64] Texto publicado na revista Sur, no 105, pp. 85-87, jul. 1943, sobre o livro Etching of a Tormented Age (Londres: p.e.n. Books, 1942). 1 Exceto os romances, “essa forma baixa de literatura” que na China foi tão felizmente pródiga.

[65]1 Devo reconhecer que a afirmação joga uma estranha luz: (a) sobre a idade dos colegiais da China, já que um decreto de 1919 aboliu o estilo clássico para os textos de ensino primário ou (b) sobre a veracidade do senhor Hsiao Chi’en.

[66]1 Citando Chesterton, poderíamos acrescentar: e conseguiu essa clara visão do futuro do socialismo, que é patrimônio dos geólogos.

[67] Texto publicado em Los Anales de Buenos Aires, no 9, p. 6, set. 1946.

[68] Texto publicado em La Nación, 10 jun. 1956, sobre o livro Un Certain sourire (Paris: Julliard, 1956).

[69] “Delectación morosa” é uma alusão ao poema homônimo de Leopoldo Lugones, em Los crepúsculos del jardín (1905). (N. T.)

[70] Texto publicado na revista Sur, no 243, pp. 82-83, nov.-dez. 1956, sobre o livro La caída (Buenos Aires: Losada, 1956).

[71]1 Texto publicado na revista Negro sobre Blanco, no 8, p. 20, nov. 1958.

[72] Texto publicado na revista Destiempo, no 2, p. 3, nov. 1936. Incluído em Luis Greve, muerto (Destiempo, 1937), pp. 59-60.

[73] Em Luis Greve, muerto (Destiempo, 1937), pp. 61-84.

[74] Três páginas manuscritas por Adolfo Bioy Casares, c. 1948, em caderno de 96 folhas, quadriculadas, de 17 x 22 cm, conservado no arquivo do autor. Além de rascunhos deste conto, o caderno contém também um de “As vésperas de Fausto”.

[75] Duas folhas de 21 x 30 cm, manuscritas em ambos os lados, por Adolfo Bioy Casares, c. 1946, conservadas no arquivo do autor.

[76] Cinco folhas de 21 x 27 cm, datilografadas, com anotações manuscritas de Adolfo Bioy Casares, c. 1944, conservadas no arquivo do autor.

[77] Conto antecedente de “O perjúrio da neve” (1944). Duas folhas de 15 x 21 cm, datilografadas, c. 1939, conservadas no arquivo do autor.

[78] Uma página, manuscrita por Adolfo Bioy Casares, c. 1948, ao final de um caderno de doze páginas, pautado, de 17 x 22 cm, conservado no arquivo do autor. O caderno inclui também um rascunho do conto “O ídolo”.

[79] Quatro páginas, manuscritas por Adolfo Bioy Casares, c. 1953, em caderno de 48 folhas de 20 x 26 cm, conservado no arquivo do autor. O resto do caderno contém um rascunho do relato, com data de 17 de maio de 1953, e treze páginas da comédia inédita La isla o Del Amor.

[80] Versão alternativa de “Chave para um amor”. Duas folhas de 20 x 27 cm, datilografadas, c. 1950, conservadas no arquivo do autor.

[81]Uma folha de 21 x 30 cm, manuscrita por Adolfo Bioy Casares em ambos os lados, c. 1955, conservada no arquivo do autor.

[82]Quando o nome citado é apenas “Bioy”, a referência é a Adolfo Bioy, pai do nosso autor. (n.e.)