Octavia: Tragedia em 5 Actos
Néro.
Poderoso senhor, por cujo amor só vivo! Porque sempre pensativo foges para longe de mim, e me deixas entregue a crueis angustias? Pois que, não será possivel que esta minha affeição te dê alguns momentos de alegria?
NÉRO.
É justamente o teu amor que me affasta de ti algumas vezes, Poppéa, nada mais. Soffri longo tempo, venci muitas difficuldades antes de conquistar teu coração; agora devo esforçar-me por conserva-lo; bem sabes que ate á custa do proprio throno quero que sejas sempre minha.
POPPÉA.
E quem poderá tirar-me de teu poder se não tu mesmo? A tua vontade, um gesto teu dão a lei em Roma. Em troca do meu amor deste-me o teu; podes tirar-m'o, é certo, mas eu não sobrevivirei a tamanha perda.
NÉRO.
Quem poderá separar-me de ti? Nem o proprio céo! Entretanto appareceu entre o povo criminosa agitação, ainda não acalmada: ousão censurar as minhas affeições, e vejo-me obrigado a prevenir...
POPPÉA.
E que te importa a grita do povo?
NÉRO.