Octavia: Tragedia em 5 Actos

Vittorio Alfieri · Capítulo 50 de 68

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Octavia: Tragedia em 5 Actos

Néro.

Bem sei que o teu coração inabalavel persiste em seus projectos de vingança; os meios, porém, são duvidosos, e no emtanto continuas exposto a multiplicadas affrontas. Ouviste as palavras insensatas e injuriosas de Seneca; bem vês que...

 

NÉRO.

Aterrado?... eu?

 

POPPÉA.

Sim, por minha causa. Deixa que suba ao throno aquella a quem o povo quer ver no throno, já que é o povo o arbitro de teu coração. Empunhe embora Octavia o sceptro, que importa? mas que partilhe de novo o teu leito, que possua de novo o teu amor! oh! quanto sou desgraçada!... Só assim poderás ter paz e segurança.

 

NÉRO.

Cede ás supplicas do esposo, ou respeita as ordens de teu senhor. Para a immensa cólera que ferve em meu coração, para a grande vingança que quero tomar, os meios, bem o sei, são por demais lentos, mas a lentidão não prejudica a vingança.

 

POPPÉA.

Crê-me, para que te salves, para que ganhes tempo cumpre que eu parta; só a minha ausencia póde ser util neste momento. Queres que me forcem a partir, emquanto que agora o posso fazer voluntariamente? O povo ameaça obrigar-me a isso, e é esta a menos terrivel de suas ameaças; pretende dar a Octavia novo esposo e que este com ella reine.

 

É