Octavia: Tragedia em 5 Actos

Vittorio Alfieri · Capítulo 43 de 68

Páginas do PDF

Octavia: Tragedia em 5 Actos

Poppéa.

Eu te ouço. O que tens a dizer-me?

 

SENECA.

Que breve perderás a affeição de Néro, se o povo continuar a odiar-te. Digo-te a verdade; bem sabes que conheço Néro, os Romanos, o seculo em que vivemos e a ti mesma, Poppéa.

 

POPPÉA.

Conheces tudo, mas não te conheces a ti.

 

SENECA.

Quando me virem morrer, saberão que eu bem me conhecia. Ouve-me no emtanto, ouve-me, eu te peço. Desejando com tanto ardor a morte de Octavia, preparas a tua propria.

Os Romanos só a ti attribuem as desgraças de Octavia e seu desterro; se uma nova infamia, se um castigo mais barbaro lhe fôr imposto, tu serás ainda aos olhos do povo a unica culpada.

É por isto que cresce o odio já grande que lhe inspiras, e suas murmurações tornão-se cada vez mais violentas. O povo amotinou-se, e ainda não foi dispersado; demos porém que o seja; não poderá elle amanhã reerguer-se mais terrivel? Poppéa, treme por ti mesma; Néro sacrificará tudo á propria segurança. Pequenos obstaculos muitas vezes estimulão o amor, mas um obstaculo invencivel bem depressa o faz calar em um coração incapaz de nobres sentimentos. Não te illudas: Néro présa mais o seu throno do que o teu amor, e desgraçada de ti se Roma o obrigar a escolher entre os dous.