Octavia: Tragedia em 5 Actos
Poppéa.
Escuta-me!... Não é para teu mal que Octavia volta a Roma; será antes em seu damno esse regresso.
POPPÉA.
Talvez o seja para o teu. No emtanto ouve: Octavia e eu não pudemos viver juntas, nem um só momento, nem no mesmo palacio, nem na mesma cidade. Volte pois, a Roma a mulher que elevou Néro ao throno do mundo; volte para d'ahi expelli-lo. É por tua causa que me afflijo e não por mim; eu estou prompta a voltar para junto do meu fiel Othon; amou-me tanto!... deve amar-me ainda; e podesse eu recompensar tão constante affeição! Mas, não, no coração de Poppéa não cabem dois amores, nem quer ella um coração partido, não quer partilhar com uma odiada rival o teu amor. Não me seduzio o esplendor do throno, mas tu sómente. Ah! ainda me seduz; o amor que tanta ventura me dava, não era o do poderoso senhor do mundo, mais sim o do meu querido Néro; se me tirares agora uma parte dessa affeição, se eu não reinar como unica soberana, então nada quererei, cederei tudo. Ah! misera, que não possa eu arrancar de meu coração a tua imagem tão facilmente como o fazes commigo!
NÉRO.
Eu te amo, Poppéa, bem o sabes; prova-o tudo quanto por ti tenho feito e o que ainda tenciono fazer; mas tu...
POPPÉA.
O que queres que eu faça? Poderei viver vendo a teu lado essa mulher que odeio? Poderei deixar de pensar em ti? Oh! indigna! que não póde, não sabe, não quer amar a Néro e ousa fingir que o ama!
NÉRO.