Pensar Outra Vez: Filosofia, Valor e Verdade

Desidério Murcho · Capítulo 15 de 15

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Pensar Outra Vez: Filosofia, Valor e Verdade

Referências e leituras

 

Para se ter uma boa ideia do que é a filosofia pode-se começar por ler Os Problemas da Filosofia, de Bertrand Russell (Coimbra: Almedina, 2001) e Pense: Uma Introdução à Filosofia, de Simon Blackburn (Lisboa: Gradiva, 2001). A História Concisa da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny (Lisboa: Temas e Debates, 1999) apresenta com clareza as principais ideias e argumentos dos filósofos clássicos, de Tales de Mileto a Wittgenstein. O Dicionário de Filosofia, de Simon Blackburn (Lisboa: Gradiva, 1997), é uma boa obra de consulta actualizada e muito abrangente.

Na posse dos instrumentos dados pelas obras anteriores, o leitor pode aventurar-se na leitura de algumas das mais influentes obras da tradição filosófica: Meditações sobre a Filosofia Primeira, de René Descartes (Coimbra: Almedina, 1992), Investigação sobre o Entendimento Humano, de David Hume (Lisboa: INCM, 2002), Fédon, de Platão (Coimbra: Minerva, 2001) e os Prolegómenos a Toda a Metafísica Futura, de Kant (Lisboa: Edições 70, 2003). Há evidentemente muitas mais, mas estas oferecem bons pontos de partida.

 

1. Matrix, cepticismo e o valor da realidade

A secção «Philosophy & the Matrix» do site oficial do filme Matrix, é um caso raro de um casamento feliz entre a cultura popular e a cultura académica — neste caso, a filosofia. Aqui, podemos ler vários ensaios de alguns filósofos destacados, que exploram vários aspectos do filme. O ensaio mais relevante é o de David Chalmers («The Matrix and Metaphysics»), que explora algumas ideias semelhantes às aqui defendidas.

Platão apresenta a famosa alegoria da caverna no Livro III de A República (Lisboa: Gulbenkian, 2001). Descartes apresenta o génio maligno e o argumento do cogito nas Meditações sobre a Filosofia Primeira (Coimbra: Almedina, 1992). Um argumento semelhante ao do cogito de Descartes tinha já sido apresentado séculos antes por Santo Agostinho, na obra Contra os Académicos (Coimbra: Atlântida, 1957).

Hilary Putnam apresenta no capítulo «Cérebros numa Cuba», do livro Razão, Verdade e História (Lisboa: Dom Quixote, 1992), as suas ideias fundamentais sobre o tema. O comentário de Donald Davidson sobre a analogia entre o céptico e a fábula da raposa e das uvas encontra-se no artigo «Indeterminism and Antirealism», incluído no seu Subjective, Intersubjective, Objective (Oxford: Oxford University Press, 2001). Thomas Kuhn introduz a confusão contemporânea sobre paradigmas em The Structure of Scientific Revolutions (Chicago: Chicago University Press, 1962).

Costuma-se atribuir a John Locke a teoria do véu da percepção, devido à sua teoria das ideias, presente no Ensaio sobre o Entendimento Humano (Lisboa: Gulbenkian, 1999, 2 vols.). Contudo, Locke nunca se compromete claramente com tal doutrina e os especialistas disputam se ele alguma vez acreditou em tal coisa. O idealismo de Berkeley é claramente apresentado e defendido no Tratado do Conhecimento Humano (Lisboa: INCM, 2000). O fenomenismo de Immanuel Kant é apresentado na Crítica da Razão Pura (Lisboa: Gulbenkian, 1997) e na versão popular da mesma, mais legível e sintética: Prolegómenos a Toda a Metafísica Futura (Lisboa: Edições 70, 2003). Fernando Pessoa foi muito influenciado pelo fenomenismo kantiano e pelos argumentos cépticos de Berkeley; a sua maravilhosa expressão sobre o mundo exterior ser como um actor num palco encontra-se no Livro do Desassossego (pág. 291 da edição do Círculo de Leitores).

Robert Nozick apresenta o argumento anti-utilitarista na secção «The Experience Machine» do capítulo «Moral Constraints and the State» do livro Anarchy, State and Utopia (Oxford: Blackwell, 1974). Thomas Nagel usa a ideia de «olhar por cima do nosso ombro» no capítulo «O Sentido da Vida» do livro Que Quer Dizer Tudo Isto? (Lisboa: Gradiva, 1995); o desenvolvimento das suas ideias sobre o conflito entre a perspectiva subjectiva e a perspectiva objectiva encontra-se no artigo «The Absurd», reimpresso no seu livro Mortal Questions (Cambridge: Cambridge University Press, 1991), e no capítulo «Birth, Death and the Meaning of Life», do seu livro The View From Nowhere (Oxford: Oxford University Press, 1989).

 

2. Sísifo e o sentido da vida

Thaddeus Metz apresenta uma panorâmica obrigatória da bibliografia especializada sobre o problema do sentido da vida, publicada entre 1980 e o final do século passado: «Recent Work on the Meaning of Life» (Ethics 112, 2002).

O livro de Albert Camus tem por título O Mito de Sísifo: Ensaio Sobre o Absurdo (Lisboa: Livros do Brasil, 2002). Os capítulos «Morte» e «O Sentido da Vida», do livro Que Quer Dizer Tudo Isto?, de Thomas Nagel (Lisboa: Gradiva, 1995), apresentam algumas ideias centrais. Robert Nozick discute o problema em «Philosophy and the Meaning of Life», no livro Philosophical Explanations (Oxford: Oxford University Press, 1981). David Wiggins procura refutar o subjectivismo no capítulo «Truth, Invention and the Meaning of Life» do livro Needs, Values, Truth (Oxford: Clarendon Press, 1987). Peter Singer discute brevemente o tema na secção «Porquê Agir Moralmente?» do livro Ética Prática (Lisboa: Gradiva, 2000), e apresenta a sua perspectiva desenvolvidamente no livro Como Havemos de Viver? A Ética Numa Época de Individualismo (Lisboa: Dinalivro, no prelo).

A citação de Schopenhauer foi retirada de «On the Vanity of Existence», que se encontra na antologia The Meaning of Life, org. por E. D. Klemke (Oxford: Oxford University Press, 2000). O artigo «The Meaning of Life», de Kurt Baier, encontra-se na mesma antologia, assim como um excerto da obra My Confession, de Leão Tolstoi, e o artigo «The Meaning of Life», de Richard Taylor. Outra antologia essencial é Life and Meaning: A Reader, org. por Oswald Hanfling (Oxford: Blackwell, 1987).

A ideia de que o sentido emerge quando há uma entrega activa a finalidades com valor é defendida por Susan Wolf no influente artigo «Happiness and Meaning: Two Aspects of the Good Life» (Social Philosophy & Policy 14, 1997). A carta de Epicuro encontra-se em Epicurus, The Extant Remains, edição de Cyril Bailey (Nova Iorque: Georg Olms Verlag, 1970). As ideias pessimistas de Thomas Nagel são defendidas em «Death» e «The Absurd», no livro Mortal Questions (Cambridge: Cambridge University Press, 1979), e em «Birth, Death, and the Meaning of Life», do livro The View From Nowhere (Oxford: Oxford University Press, 1986).

 

3. Ciência e bruxaria

Em O Rio Que Saía do Éden (Lisboa: Temas & Debates, 2002) Richard Dawkins convida quem defende que a ciência é uma construção social a atirar-se da janela. Um dos clássicos de Karl Popper é Conjecturas e Refutações (Coimbra: Almedina, 2003). O clássico de Thomas Kuhné The Structure of Scientific Revolutions (Chicago: Chicago University Press, 1962). Susan Haack intervém no debate sobre a construção social das ciências com verve e mestria inigualáveis em Defending Science — Within Reason: Between Scientism and Cynicism (Amherst: Prometheus Books, 2003). Michael Ruse apresenta no primeiro capítulo de O Mistério de Todos os Mistérios (Vila Nova de Famalicão: Quasi, 2002) um sumário útil das ideias de Popper e Kuhn; o resto do livro é uma útil história do desenvolvimento da biologia moderna.

Entre nós, a «guerra das ciências» começou quando António Manuel Baptista leu um trabalho de um colega cientista: Um Discurso sobre as Ciências, de Boaventura de Sousa Santos (Lisboa: Afrontamento, 1999). O estranho resultado foi O Discurso Pós-Moderno Contra a Ciência: Obscurantismo e Irresponsabilidade (Lisboa: Gradiva, 2002). Uma reacção mais informada e reflectida às ideias de Boaventura de Sousa Santos foi a de Jorge Dias de Deus, Da Crítica da Ciência à Negação da Ciência (Lisboa: Gradiva, 2003). O melhor artigo sobre o chamado «embuste de Sokal» foi publicado por Paul Boghossian na revista Disputatio (n. o 2, 1997): «O que o Embuste de Sokal nos Deve Ensinar». O livro de Alan Sokal e Jean Bricmont, Imposturas Intelectuais (Lisboa: Gradiva, 1999), é uma obra séria e cuidadosamente argumentada. O prefácio de Jorge Buescu ao seu maravilhoso livro O Mistério do Bilhete de Identidade e Outras Histórias (Lisboa: Gradiva, 2001) esclarece aspectos fundamentais para o debate. O capítulo «Argumentos de Autoridade», do meu livro O Lugar da Lógica na Filosofia (Lisboa: Plátano, 2003), esclarece a natureza deste tipo de argumentos.

Abundam os bons livros de divulgação científica que explicam correctamente a teoria da relatividade de Einstein. Cosmos (Lisboa: Gradiva, 1996), de Carl Sagan, é um clássico, e oferece uma imagem correcta da ciência. Um dos mais recentes é Mais Rápido do que a Luz, de João Magueijo (Lisboa: Gradiva, 2003). O teorema de Gödel é explicado de forma muito simples em Mente, Homem e Máquina, de Paul T. Sagal (Lisboa: Gradiva, 1996) e em Gödel’s Proof, de Ernest Nagel e James R. Newman (Londres: Routledge, 1993). Um artigo sofisticado e clássico é o de Michael Dummett, «O Significado Filosófico do Teorema de Gödel», incluído no volume org. por M. S. Lourenço, O Teorema de Gödel e a Hipótese do Contínuo (Lisboa: Gulbenkian, 1979).

O debate mais recente sobre o entendimento da filosofia como uma das «humanidades» foi despoletado pelo ensaio «Philosophy as a Humanistic Discipline» (Philosophy, 75, 2000), de Bernard Williams. A reacção mais iluminante foi a de Sven Ove Hansson, «Philosophy as a Unifying Discipline» (Theoria, Vol. LXVII/2, 2001). Em A Última Palavra (Lisboa: Gradiva, 1999), Thomas Nagel apresenta uma visão alargada da racionalidade e da objectividade. No final da Introdução de Pense: Uma Introdução à Filosofia (Lisboa: Gradiva, 2001), Simon Blackburn evidencia os problemas das «políticas da identidade». O Sol, o Genoma e a Internet, de Freeman J. Dyson (Lisboa: Temas & Debates, 2000), mostra que a ciência é uma aliada da humanidade, e não uma inimiga, mas argumenta igualmente que precisa de ser dirigida por uma ética sólida.

 

4. Subjectivismo e antropocentrismo

Os fragmentos mais significativos que nos chegaram da obra de Heraclito estão reunidos, com explicações históricas e fragmentos de muitos outros pré-socráticos em Os Filósofos Pré-socráticos, de G. S. Kirk, J. E. Raven e M. Schofield (Lisboa: Gulbenkian, 1994). Em A Última Palavra (Lisboa: Gradiva, 1999) Thomas Nagel apresenta vários argumentos contra o perspectivismo em várias áreas: linguagem, lógica, ciência e ética.

O comentário de Hume de que nada há de irracional em preferir a morte de estranhos num continente distante ao incómodo de mexer um dedo encontra-se em «Of the Influencing Motives of the Will», Treatise of Human Nature, liv. II, parte III, sec. III (Oxford, 1740) — a INCM publicou em 2002 uma tradução desta obra: Tratado do Conhecimento Humano. No que respeita ao subjectivismo moral, o argumento da diversidade de culturas humanas é dissecado por Christopher W. Gowans na introdução ao volume por si organizado: Moral Disagreements: Classic and Contemporary Readings (Londres: Routledge, 2000). O subjectivismo ético é o tema da colectânea Ethical Theory 1: The Question of Objectivity (Oxford: Oxford University Press, 1998), org. por James Rachels.

A Filha de Galileu, de Dava Sobel (Lisboa: Temas e Debates, 2002) conta de forma vívida a história de Galileu e do seu conflito com a igreja. Daniel Dennett, em A Ideia Perigosa de Darwin (Lisboa: Temas e Debates, 2001), explora as consequências filosóficas das ideias de Darwin, em particular o facto de ser um rude golpe contra o antropocentrismo. Susan Haack apresenta e critica o Novo Cinismo em Manifesto of a Passionate Moderate: Unfashionable Essays (Chicago: University of Chicago Press, 1998).

No Teeteto, Platão distingue a crença do conhecimento. Há várias edições estrangeiras acessíveis; entre nós, a INCM anuncia para breve uma edição sob a direcção de José Trindade Santos. A teoria da indução de Hume é apresentada na Investigação sobre o Entendimento Humano (Lisboa: INCM, 2002), secções IV e V. Thomas Kuhn apresenta o seu relativismo cognitivo em The Structure of Scientific Revolutions (Chicago: Chicago University Press, 1962) e Feyerabend o seu em Contra o Método (Lisboa: Relógio d’Água, 1993).

 

5: Zen e a arte de manutenção da filosofia

O título deste ensaio é uma paródia a Zen and the Art of Motorcycle Maintenance, de Robert M. Pirsig (várias edições), um livro com mais sucesso do que merece. Os comentários de Robert Nozick sobre explicações e demonstrações encontram-se no seu livro Philosophical Explanations (Oxford: Clarendon Press, 1981), pp. 4-24. G. E. R. Lloyd, The Revolutions of Wisdom (Berkeley e Londres: University of California Press, 1989), é citado por Charles Freeman em The Closing of the Western Mind (Londres: Pimlico, 2003), uma excelente história das resistências à racionalidade na Europa.

Sobre a importância do pensamento crítico, em filosofia e em tudo o resto, veja-se a Introdução de Simon Blackburn a Pense: Uma Introdução à Filosofia (Lisboa: Gradiva, 2001). Um Mundo Infestado de Demónios, de Carl Sagan (Lisboa: Gradiva, 1997), é uma crítica cerrada à falta de pensamento crítico nas pseudociências. A Arte de Argumentar, de Anthony Weston (Lisboa: Gradiva, 1996), apresenta de forma lúcida alguns elementos centrais do pensamento crítico. O artigo «Racionalidade e Realismo: O que está em Causa?», de John R. Searle (Disputatio, 7, 1999), discute a importância da racionalidade e da verdade para uma concepção correcta de universidade.

 

6. Necessidade e anti-realismo

Moral Disagreements: Classic and Contemporary Readings, org. por Cristopher W. Gowans (Londres: Routledge, 2000), permite comparar alguns aspectos do cepticismo de Sexto Empírico com o de Montaigne. A exótica injunção de Hume para deitar à fogueira tudo o que não for matemática ou ciência empírica encontra-se no último parágrafo de Investigação sobre o Entendimento Humano (Lisboa: INCM, 2002). A perspectiva de Kant sobre a metafísica encontra-se mais claramente articulada na sua obra de divulgação Prolegómenos a Toda a Metafísica Futura (Lisboa: Edições 70, 2003). As diatribes de Carnap contra o que ele chamava «metafísica» podem encontrar-se no artigo «The Elimination of Metaphysics Through Logical Analysis of Language», impresso na colectânea Logical Positivism (Westport: Greenwood Press, 1978), organizada por A. J. Ayer. Uma resposta cabal ao cepticismo positivista e kantiano quanto à possibilidade da metafísica encontra-se em The Possibility of Metaphysics: Substance, Identity, and Time, de Jonathan Lowe (Oxford: Clarendon Press, 1998). Uma boa introdução geral às ideias de Leibniz, Espinosa e Hegel encontra-se na História Concisa da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny (Lisboa: Temas & Debates, 1999).

A posição de Hume quanto às conexões necessárias e a sua estranha teoria do hábito encontram-se nas secções IV, V e VII da Investigação. As posições de Quine sobre a modalidade encontram-se sobretudo no Cap. 8 de From a Logical Point of View (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1961) e nas páginas 195-200 de Word & Object (Cambridge, Mass.: MIT Press, 1960). Em Essencialismo Naturalizado: Aspectos da metafísica da modalidade (Coimbra: Angelus Novus, 2002) apresento e procuro refutar a teoria do hábito de Hume, assim como os argumentos convencionalistas de Quine sobre a modalidade. Ricardo Santos procura refutar as minhas ideias em «As Modalidades e um Essencialismo Pouco Naturalista» (Cadernos de Filosofia, 13, 2003). Joseph Melia apresenta uma boa introdução ao estudo da modalidade em Modality (Londres: Acumen, 2003), e tem um capítulo que apresenta a refutação canónica das estranhas ideias de Quine quanto à modalidade.

A filosofia contemporânea da modalidade baseia-se nas ideias apresentadas por Saul Kripke em «Identity and Necessity», reimpresso em Naming, Necessity and Natural Kinds, org. por Stephen P. Schwartz (Ítaca e Londres, 1977), e em Naming and Necessity (Oxford: Blackwell, 1980); por Hilary Putnam em «The Meaning of “Meaning”», reimpresso no seu Mind, Language and Reality: Philosophical papers Vol. 2 (Cambridge: Cambridge University Press, 1975); e por Alvin Plantinga, The Nature of Necessity (Oxford: Clarendon Press, 1974).

 

7. Epistemologia da argumentação

Lógica: Um Curso Introdutório, de W. H. Newton-Smith (Lisboa: Gradiva, 1998) é uma excelente introdução curta à lógica formal elementar. Lógica, de Graham Priest (Lisboa: Temas e Debates, 2002), apresenta vários problemas em aberto da lógica.

O Lugar da Lógica na Filosofia, de Desidério Murcho (Lisboa: Plátano, 2003), dirige-se a professores e estudantes, esclarecendo vários aspectos da lógica formal e informal. A Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, org. por João Branquinho e Desidério Murcho (Lisboa: Gradiva, 2001) abrange vários temas centrais da lógica formal.

O Desenvolvimento da Lógica, de W. Kneale e M. Kneale (Lisboa: Gulbenkian, 1991), é uma boa história da lógica formal. O artigo «Informal Logic», de Leo Groarke, The Stanford Encyclopedia of Philosophy, org. por

Edward N. Zalta (http://plato.stanford.edu) é informativo. Informal Logic (Cambridge: Cambridge University Press, 1989), de Douglas Walton, é uma boa introdução a alguns aspectos da lógica informal. Logical Forms: An Introduction to Philosophical Logic, de Mark Sainsbury (Oxford: Blackwell, 2000) aborda brevemente o problema dos argumentos válidos circulares.

8. Filosofia, lógica e democracia

Peter Singer descreve a censura de que foi vítima no apêndice «Ser Silenciado na Alemanha» do livro Ética Prática (Lisboa: Gradiva, 2000). O capítulo «O Lugar da Liberdade», do livro Introdução à Filosofia Política, de Jonathan Wolff (Lisboa: Gradiva, 2004), é uma boa introdução ao problema da liberdade em filosofia política. O capítulo «Citizenship Theory» do livro Contemporary Political Philosophy: An Introduction, de Will Kymlicka (Oxford: Oxford University Press, 2002) apresenta e discute as teorias da cidadania.

A Arte de Argumentar, de Anthony Weston (Lisboa: Gradiva, 1996) é uma boa introdução prática à lógica informal. Informal Logic: A Handbook for Critical Argumentation, de Douglas Walton (Cambridge: Cambridge University Press, 1999) apresenta vários aspectos centrais da lógica informal.

 

9 e 10: Vegetarianismo ético minimalista e a protecção dos animais não humanos

Animal Rights: A Very Short Introduction, de David DeGrazia (Oxford: Oxford University Press, 2002) é uma leitura introdutória informativa e equilibrada. Elementos de Filosofia Moral, de James Rachels (Lisboa: Gradiva, 2004) é uma excelente introdução geral à ética.

De Peter Singer há em português a Libertação Animal (Porto: Via Óptima, 2000) e a Ética Prática (Lisboa: Gradiva, 2000), caps. 3-5. Ethics in Practice: An anthology, org. por Hugh LaFollette (Oxford: Blackwell, 2002), contém os artigos «The Case for Animal Rights», de Tom Regan, e «The Moral Community», de Michael Allen Fox. As ideias de David Oderberg são defendidas no capítulo «Animals» do seu livro Applied Ethics: A Non-Consequentialist Approach (Oxford: Blackwell, 2000). A Companion to Ethics, org. por Peter Singer (Oxford: Blackwell, 1993) é uma obra de consulta fundamental.

 

11. Russell e a filosofia Bertrand Russell: The Spirit of Solitude (Londres: Vintage, 1997) e Bertrand Russell: The Ghost of Madness (Londres: Jonathan Cape, 2000), de Ray Monk, é a biografia mais recente de Russell. Apesar de o autor ter feito tudo para denegrir o biografado, não o conseguiu, como nota Thomas Nagel em «Bertrand Russell: A Public Life», no seu livro Concealment and Exposure & Other Essays (Oxford: Oxford University Press, 2002). Bertrand Russell: A Very Short Introduction, de A. C. Grayling (Oxford: Oxford University Press, 2002) apresenta com lucidez as ideias centrais de Russell. An Introduction to Philosophical Logic, também de A. C. Grayling (Oxford: Blackwell, 2001), apresenta os aspectos centrais da área.

Os Problemas da Filosofia, de Bertrand Russell (Coimbra: Almedina, 2001), é uma das melhores introduções à filosofia. A História da Filosofia Ocidental e a sua Conexão Política e Social Desde os Tempos Primitivos até Hoje, de Bertrand Russell (Lisboa: Círculo de Leitores, 1977), é uma das suas obras mais lidas, assim como Why I am not a Christian, reeditada recentemente com um prefácio de Simon Blackburn (Londres: Routledge, 2004).

Da sua bibliografia especializada destaca-se «On Denoting», originalmente publicado na revista Mind, em 1905, e reimpresso hoje em várias colectâneas de filosofia da linguagem; Introduction to Mathematical Philosophy (reedição, Londres: Routledge, 1993); The Theory of Knowledge (Londres: Routledge, 1992); e The Philosophy of Logical Atomism (reedição, Chicago e LaSalle: Open Court, 1985).

Há uma tradução portuguesa de Fundamentos da Aritmética, de Gottlob Frege (Lisboa: Imprensa Nacional, 1992).

 

12. A morte da filosofia

A referência do livro citado de Thomas Baldwin é Contemporary Philosophy: Philosophy in English since 1945 (Oxford: Oxford University Press, 2001). A colectânea Analytic Philosophy: An Anthology, org. por A.P. Martinich e David Sosa (Oxford: Blackwell, 2001) contém o artigo «On Denoting», de Russell, e a contestação de Strawson, «On Referring», assim como «Is Justified True Belief Knowledge?», de Edmund Gettier. The Future of Philosophy, org. por Brian Leiter (Oxford: Oxford University Press, 2004), contém o artigo citado de Williamson. O artigo «Pela Filosofia Analítica», de François Recanati (Crítica: Revista de Pensamento Contemporâneo, 10, Maio de 1993) esclarece de forma correcta alguns dos aspectos da filosofia analítica.

Os dois volumes de Scott Soames, Philosophical Analysis in the Twentieth Century (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2003, 2 vols.), são de leitura fundamental para compreender parte importante da filosofia do séc. XX, e alguns dos filósofos mais importantes deste período: Moore, Russell, Wittgenstein, o positivismo lógico, Quine, Ryle, Strawson, Hare, Malcom, Austin, Grice, Davidson e Kripke.

As Investigações Filosóficas, de Wittgenstein, foram traduzidas por M. S. Lourenço (Lisboa: Gulbenkian, 1995). The Linguistic Turn: Essays in Philosophical Method, org. por Richard Rorty (Chicago: University of Chicago Press, 1967), é a antologia referida no texto. Entre nós, estão publicadas duas obras de Rorty: Contingência, Ironia e Solidariedade (Lisboa: Editorial Presença, 1994) e A Filosofia e o Espelho da Natureza (Lisboa: Dom Quixote, 1988).

Contemporary Political Philosophy: An Introduction, de Will Kymlicka (Oxford: Oxford University Press, 2002), exibe os últimos desenvolvimentos da filosofia analítica nesta área. A obra Ética Prática, de Peter Singer (Lisboa: Gradiva, 2000), mostra que a filosofia analítica não é só linguagem e lógica; o mesmo se pode dizer da obra Será que Deus Existe?, de Richard Swinburne (Lisboa: Gradiva, 1998), e de O Significado das Coisas, de A. C. Grayling (Lisboa: Gradiva, 2003).

 

13. O tempo e a filosofia

Duas boas introduções à metafísica contemporânea, com capítulos sobre o tempo, são as seguintes: Metaphysics: A Contemporary Introduction, de Michael J. Loux (Londres: Routledge, 2001), e A Survey of Metaphysics, de Jonathan Lowe (Oxford: Oxford University Press, 2002). Das muitas antologias dedicadas à metafísica contemporânea destaca-se Metaphysics: Contemporary Readings, org. por Steven D. Hales (Belmont, CA: Wadsworth, 1999). Uma resposta cabal ao cepticismo positivista e kantiano quanto à possibilidade da metafísica encontra-se em The Possibility of Metaphysics: Substance, Identity, and Time, de Jonathan Lowe (Oxford: Clarendon Press, 1998).

O ensaio clássico de McTaggart, «The Unreality of Time», foi reimpresso na colectânea organizada por Robin Le Poidevin e Murray McBeath, The Philosophy of Time (Oxford: Oxford University Press, 1993). Michael Dummett defendeu as ideias de McTaggart no ensaio «A Defence of McTaggart’s Proof of the Unreality of Time», reimpresso no seu livro Truth and Other Enigmas (Londres: Duckworth, 1978).

O ensaio de David Lewis, «Survival and Identity» (1976), foi reimpresso no seu livro Philosophical Papers: Vol. 1 (Oxford: Oxford University Press, 1983). O tema é também abordado em The Plurality of Worlds (Oxford: Blackwell, 1986).

O ensaio de Sydney Shoemaker, «Time Without Change», foi originalmente publicado em Journal of Philosophy 66: 363–81, e reimpresso no seu livro Identity, Cause and Mind: Philosophical Essays (Oxford: Clarendon Press, 2003).

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