Sete Anos no Tibet

Heinrich Harrer · Capítulo 1 de 8

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Sete Anos no Tibet

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Heinrich Harrer

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Sete Anos no Tibete

TRADUÇÃO JOÃO MAGALHÃES MONTEIRO

REVISÃO TÉCNICA

OGYEN KUNZANG CHÕLING ESCOLA DO BUDISMO

TIBETANO NYINGMA, LISBOA

 

ASA

LITERATURA

 

Título Original

Siebemjahre in Tibet

© 1997, Professor Heinrich Harrer

Publicado originalmente em 1953

10 a edição

2 ã edição nesta colecção: Junho de 2006

ISBN 972-41-2912-8

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ÍNDICE

Mensagem 7

Introdução de Peter Fleming 9

Prefácio 15

1. Internamento 19

2. Fuga 43

3. No Tibete 63

4. A Aldeia da Felicidade 87

5. A caminho 111

6. A pior jornada 135

7. A Cidade Proibida 165

8. Águas calmas 185

9. Asilo concedido 213

 

1. A vida em Lassa —1 231

2. A vida em Lassa — II 257

3. Uma tentativa de golpe de Estado 283

4. Ao serviço do governo 295

5. O Tibete prepara-se para complicações 323

6. Tutor do Dalai Lama 347

7. A invasão do Tibete 367

8. Deixo o Tibete 383

Epílogo 401

O DALAI LAMA

MENSAGEM

Heinrich Harrer e eu conhecemo-nos porque ele e o meu irmão mais velho,

Lobsang Samten, se tinham tornado bons amigos. Convidei-o um dia para minha casa com o pretexto de que poderia ajudar-me a trabalhar no gerador para o meu projector de filmes. Rapidamente nos tornámos amigos.

Agora, ao envelhecermos, recordamos esses dias felizes que passámos

juntos num país feliz. Harrer era uma das poucas pessoas que viviam em Lassa nos anos do crepúsculo da liberdade tibetana, e que pôde fotografar pessoas e cenas de todos os estratos sociais. Essas fotografias constituem hoje um testemunho precioso do Tibete tal como era, e estou contente que estejam em exposição, de maneira a que outros possam testemunhar o que foi a nossa felicidade.

É um sinal da verdadeira amizade o facto de esta não se modificar,

aconteça o que acontecer. Desde o momento em que nos conhecemos, conservámos a amizade e aju-dar-nos-emos até ao fim das nossas vidas. Harrer sempre foi um grande amigo do Tibete. O seu maior contributo para a causa, o seu livro Sete Anos no Tibete, apresentou o meu país a centenas de milhar de pessoas. Até hoje, ele continua activo na luta pelo direito dos tibetanos à liberdade e nós estamos-lhe agradecidos por isso.

 

INTRODUÇÃO

Para os britânicos, e, de facto, acho que para todos os europeus, o Tibete tem exercido um particular e crescente fascínio durante os últimos cinquenta anos. Em 1904, Younghusband invadiu Lassa e subjugou o Tibete, numa campanha cujas dificuldades administrativas, bem como a combinação de audácia e humanismo com que foi conduzida, dificilmente encontram equiparação nos anais da guerra. A persistente intransigência dos tibetanos em relação a uma fronteira imperial foi o motivo da nossa incursão. Recebemos o mais cavalheiresco dos tratamentos e sobre o remoto e misterioso planalto um véu novamente desceu. Durante algum tempo, este planalto foi retratado em nítido e trabalhoso relevo pelas expedições que a custo trilhavam os desfiladeiros, elaborados pelo punhado de correspondentes que acompanhavam Younghusband.

Este véu espesso não se desvaneceu com o passar dos anos. No fim do

século xix a Europa assestou os olhos na Ásia. O desafio geográfico africano tinha sido ultrapassado no seu essencial e, exceptuando a Africa do Sul, afigurava-se que os problemas políticos desse continente só podiam ser resolvidos nas chancelarias das capitais europeias. Em contrapartida, na Ásia estavam em movimento forças exóticas e imponderáveis. As conquistas da Rússia na Ásia Central tinham cumprido uma primeira fase das suas ambições territoriais; nas mentes de Lorde Curzon e de Kipling, as tentativas russas de explorar e reconhecer a barreira montanhosa que separava os seus exércitos da índia provocaram apreensões que se revelaram desproporcionadas.

Mas a Ásia entrou novamente na liça. Enquanto Young-husband utilizava a

artilharia — pela primeira e, até à data, última vez na História, a 5200 metros acima do nível do mar — e derrotava os tibetanos, por seu lado os japoneses, com modos muito menos contemplativos, derrotavam os russos na Manchúria. E apenas três anos antes, durante a Rebelião dos Boxers, uma expedição internacional tinha levantado o cerco ao Bairro das Legações em Pequim.

Na altura, o Tibete não fez mais do que fizera até aí para satisfazer a

curiosidade europeia sobre a Ásia. Continuou progressivamente a estimulá-la, sem nunca realmente lhe corresponder. Numa ocasião, quatro rapazes tibetanos (nas páginas seguintes o leitor irá conhecer o único sobrevivente de uma comovente experiência que os tibetanos nunca mais ousaram repetir) foram enviados para receberem educação em Rugby; e até 1950, aquando da invasão pelas forças comunistas chinesas, os jovens oriundos da classe alta iam frequentemente estudar para a índia, aprendendo (entre outras coisas) a língua inglesa. A Europa teria recebido com prazer os tibetanos, da mesma forma hospitaleira com que tem recebido viajantes e estudantes de outros países asiáticos, só que — em termos gerais — enquanto a Europa quer a todo o custo ir ao Tibete, o Tibete nunca manifestou o mínimo desejo de ir à Europa.

 

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