Terapia assistida por animais e o desenvolvimento psicomotor
Capítulo 3 - Terapia assistida por animais
Capítulo 3 - Terapia assistida por
animais
A TAA é reconhecida cientificamente em vários países, como Estados Unidos, Canadá e França. A terminologia correta e oficial é Animal Assisted Therapy, de acordo com a Delta Society (órgão que regulamenta os programas com animais nos Estados Unidos). Esta nomenclatura está sendo utilizada devido às confusões que os termos usados anteriormente desencadearam, como pet terapia, zooterapia, entre outros. A Delta Society dividiu o trabalho com animais em dois programas: a) Atividade Assistida por Animais (AAA), que propõe entretenimento, recreação, distração, motivação, informação e melhora da qualidade de vida, porém não tem a preocupação de uma análise dos pacientes, histórico, perfil e avaliação dos resultados; e b) Terapia Assistida por Animais (TAA), que é realizada por profissionais da área da saúde e é documentada e avaliada de forma a desenvolver e melhorar os funcionamentos físico, social, emocional e cognitivo das pessoas envolvidas no processo. Esta apresenta objetivos claros e dirigidos, com critérios estabelecidos, sendo o animal parte integral do processo de tratamento.
Em várias civilizações, os animais foram representados como seres supremos e poderosos, evidenciando a importância dos mesmos para o homem. Um túmulo em Israel, de 12 mil anos, foi encontrado com o corpo de uma mulher e um cão, demonstrando assim que o cão passou a ocupar diferentes significados e funções para o ser humano (Davis & Valla, 1978). Estudos indicam que os animais começaram a ser inseridos nos procedimentos de cura desde o século IX a.C. Asklepios, Deus grego da saúde, estendia seu poder para cães sagrados, que lambiam pessoas cegas para que pudessem voltar a enxergar.
Na Idade Média, as pessoas carregavam cães para prevenção da loucura. No século IX, na Bélgica, pacientes com diferentes deficiências eram transferidos para fazendas que inseriam os animais nos tratamentos. Em 1944, nos Estados Unidos, a Cruz Vermelha promoveu o primeiro programa com animais, onde os pacientes eram encorajados a interagirem com os diferentes tipos de animais (Dotti, 2005). No Brasil, o primeiro registro de trabalho envolvendo animais foi com a Dra. Nise da Silveira, realizado na década de 1950 no hospital psiquiátrico Engenho de Dentro. A obra de Dra. Nise não era reconhecida como um todo e o trabalho com os animais era uma de suas maiores dificuldades naquele local, encerrando este trabalho na década de 1960 (Dotti, 2005).
Autores demonstram que após a década de 1990, os estudos começam a apresentar rigor metodológico e científico, o que contribui para a compreensão do tema. Contudo, verifica-se que muitos deles tentam investigar os benefícios dos animais para o ser humano sem a participação e o direcionamento dos profissionais envolvidos. Conforme Siegel (1993), ainda há poucas pesquisas empíricas, o que demonstra que os estudos estão divididos em: a) ocorrências naturais com donos de animais; e b) estudos em que os animais são introduzidos como uma forma de intervenção. Relata ainda que devido às várias formas de intervenção e como são conduzidas, as vantagens e desvantagens desta terapia não ficam claras.
Atualmente, há no Brasil um grande número de reportagens escritas e faladas mostrando os benefícios dos animais para o homem e, muitas vezes, elas se baseiam em pesquisas internacionais e em programas de atendimentos executados aqui no país. Esses programas são realizados em sua maioria em instituições para idosos e crianças e em hospitais, escolas e universidades. Mas, diferentemente do que acontece em outros países, há a necessidade de mais pesquisas nesta área. Verifica-se que os profissionais relatam várias contribuições e benefícios baseados em dados observacionais.
Assim, muitas pesquisas trazem um importante dado: frequentemente estão sendo feitas intervenções com animais para se alcançar benefícios para o ser humano, mas raramente estão sendo feitas com um rigor metodológico e sendo publicadas. Fato que também ocorreu em outros países, como afirmam Beck & Katcher (1984). Eles relatam que as pesquisas, até então, eram embasadas em observações e estudos. Não havia experimentos delineados. Elas não demonstravam o efeito terapêutico advindo da utilização dos animais com pessoas. A partir dessa constatação, começa a realização de pesquisas com valor científico em vários países, com grupo controle, número de sujeitos significativos, controle de variáveis, entre outras.
Algumas pesquisas buscaram um rigor, porém há a necessidade de aprofundamento científico, pois há falta de dados de metodologia e procedimentos que foram executados.