Terapia assistida por animais e o desenvolvimento psicomotor
Capítulo 4 - Estudos internacionais sobre TAA
Capítulo 4 - Estudos internacionais
sobre TAA
O presente capítulo trata sobre os artigos internacionais pesquisados sobre TAA no período de 1973 a 2007, agrupados por temas.
O procedimento adotado foi o seguinte: inicialmente foi feito um levantamento das publicações científicas relacionadas à TAA e vínculo homem-animal, no período de 1973 a 2007. As bases de dados foram consultadas entre janeiro de 2007 e janeiro de 2009, sendo elas: Scielo, Medline, Pubmed, Google acadêmico, livros e revistas, tanto na forma impressa quanto eletrônica. Foi executada uma busca da literatura nacional e internacional utilizando as palavras-chave, em português e inglês: animal assisted therapy (terapia assistida por animais), vínculo homem-animal de estimação (bonding human-pet), pet therapy (pet terapia), terapia facilitada por animais (FTP).
Para levantamento e análise dos dados, foi utilizado o método de leitura científica que, segundo Cervo & Bervian (2002), obedece aos seguintes critérios:
• Visão sincrética – leitura de reconhecimento, com o objetivo
de localizar as fontes e verificar se a obra consultada
interessava à pesquisa e, posteriormente, fazer a leitura
seletiva para localizar as informações de acordo com os
propósitos do estudo. Nesta fase, um dos critérios de seleção
foi verificar se as referências continham resumo, introdução,
método, discussão e conclusão.
• Visão analítica – compreende a leitura crítica dos textos
selecionados, acompanhado de reflexão na busca dos
significados e na escolha das ideias principais, de forma que
possibilite a obtenção de respostas ao problema de pesquisa.
• Visão sintética – constitui a leitura interpretativa.
Foi feita também uma análise baseada nos achados de Siegel (1993) para verificar se houve ou não mudanças na forma de se fazer pesquisa na área de TAA, desde essa época, com proprietários e intervenção.
Constatou-se que, após a análise dos artigos internacionais (AI), foram encontrados 42 relacionados à área com diferentes abordagens. Em seguida, os estudos foram agrupados por temas, a saber:
• ensaios teóricos sobre o vínculo homem-animal
• vínculo idosos-animais
• vínculo paciente cardíaco-animal
• percepção e atitude de jovens em relação aos animais
• benefícios do vínculo homem-animal
• vínculo pessoas com necessidades especiais-animais
• autoconceito vínculo homem-animal
• internação hospitalar vínculo homem-animal
• estresse vínculo homem-animal
• suporte emocional e animais
• reações fisiológicas na interação homem-animal
• influência do animal nas demências
• paciente com câncer e TAA
• paciente terminal e TAA
• dor e TAA
• sistema prisional e animais
• desenvolvimento infantil e animais
• momentos de crise e vínculos com animais
• vínculo criança com necessidade especial e animal
A seguir, serão realizadas considerações sobre os estudos pertinentes a cada tema.
Tema: ensaios teóricos sobre o vínculo homem-
animal
O artigo de Ainsworth (1973) descreve que o vínculo homem-animal é similar ao vínculo mãe-bebê, pois há um vínculo emocional que ultrapassa o espaço e o tempo e que tem o poder de afetar o desenvolvimento humano.
Levinson (1982) e Kellert & Westervelt (1983) argumentaram que a relação positiva entre humanos e animais contribui para o desenvolvimento humano. Ressaltaram que há poucas evidências empíricas para clarear seus efeitos no autoconceito adulto.
Beck & Katcher (1984) afirmam que as pesquisas até então eram embasadas em observações e estudos. Não havia experimentos delineados. Elas não demonstravam o efeito terapêutico dos animais. A partir dessa constatação, tem início com valor científico em vários países, com grupo controle, número de sujeitos significativos, controle de variáveis, entre outras.
Kidd & Kidd (1989) investigaram se ocorriam atitudes de afeição em adultos diante da presença ou não de animais na infância. Donos de animais são mais afeitos ao animal que aqueles que não possuem; adultos que tiveram animais quando criança ou adolescente são mais afeitos do que os que nunca tiveram animais ou quando tiveram depois de adultos; as mulheres são mais afeitas do que os homens, e os solteiros, mais afeitos que os casados.
Siegel (1993), em seu artigo, aborda vários aspectos relacionados ao vínculo homem-animal. Afirma que até então há poucas pesquisas empíricas. De acordo com a literatura pesquisada, esta mostra que os estudos são divididos em: 1) ocorrências naturais com proprietários de animais; e 2) estudos em que os animais são introduzidos como uma forma de intervenção. Relata que as pesquisas do primeiro grupo são em menor número, mas tendem a ser mais consistentes metodologicamente e são realizadas com pessoas mais velhas (nos EUA, há 26 milhões de americanos acima de 65 anos de idade que não estão hospitalizados ou em asilos. São pessoas que vivem sozinhas e possuem animais). As do segundo grupo são executadas com indivíduos que se encontram em instituições como asilos, hospitais psiquiátricos e prisões. Na época, o termo utilizado para descrever a intervenção com animais era pet facilitated therapy (PFT). Relata que devido às várias formas de intervenção e como são conduzidas, as vantagens e desvantagens dessa terapia não ficam claras. Mostra que a maioria da literatura sobre PFT relata conclusões baseadas em impressões clínicas. A maioria dos achados está presente em conferências, mas não fazem parte de uma revisão com observação atenta e intensa. Os estudos não incluem grupo controle e não mostram detalhes sobre como foram executados. Informam apenas os resultados, ou seja, não utilizam os critérios exigidos para uma pesquisa científica. Os sucessos "dramáticos" da PFT são frequentemente citados, mas não são dadas considerações sobre o número de participantes em quem a terapia pode não ter sido efetiva. Siegel ressalta também que a maioria dos trabalhos executados não inclui na amostragem pessoas que não tenham afeição por animais (Siegel, 1993).
Tema: vínculo idosos-animais
Considerado um dos primeiros trabalhos sobre o vínculo homem-animal, o texto de Mugford & M'Comisk (1974) utilizou pela primeira vez o termo social lubricant em estudo no qual animais de estimação eram frequentemente usados como ponto focal em conversas de pessoas idosas com seus familiares e amigos. Deram a pessoas idosas que moravam sozinhas um pássaro ou uma planta, e verificaram que ter um pássaro estava associado a receber mais visitas.
Ory & Goldberg (1983) verificaram que idosas que moram sozinhas e possuem animais relatam se sentirem muito afeiçoadas a seus animais e se consideram felizes, ao contrário de idosas que não se sentiam afeiçoadas aos animais, e se diziam infelizes.
Kaiser et al. (2002) compararam os comportamentos pró-sociais de idosos de um asilo quanto à visita de uma pessoa feliz e de um cão. As sessões tiveram duração de cinco minutos durante três semanas, sendo observados comportamentos não verbais (balanceio das mãos, sorriso, dar tapinhas, movimentos de aproximação, virar a cabeça para ver a visita, olhar, beijar e movimentos de comando para aproximação) e verbais. O comportamento pró-social foi examinado para determinar se eles eram consistentes com a preferência de escolha. Foram selecionados 20 idosos: 10 preencheram o termo de consentimento livre e esclarecido e 10 não quiseram participar, dos quais 5 não puderam participar devido a problemas de saúde, por estarem dormindo no momento da visita ou outros. Eles não podiam ter algum tipo de demência e precisavam ficar sentados por pelo menos 10 minutos. As sessões aconteceram uma vez por semana e tiveram duração de 5 minutos durante 3 semanas, foram gravadas, uma das pesquisadoras conduziu os cães e quatro observaram as sessões. Foram observados comportamentos não verbais e verbais. Verificaram que o balanceio das mãos foi executado apenas uma vez, fato que não foi incluído na análise final. Todos os participantes tinham tendência a dar mais tapinhas nos cães (86 versus 1) do que na pessoa feliz. Eles se movimentaram para se aproximar das visitas humanas semelhantemente aos cães (24 versus 28). Os idosos realizaram 159 comportamentos pró-sociais dentro das categorias estabelecidas para os cães em relação a 72 para as pessoas. Foi feita uma análise sem a categoria dar tapinhas e os resultados foram semelhantes (103 versus 109). Quanto às preferências, 3 não tiveram preferência (gostaram de ambas as visitas), 1 preferiu o cão e 1, a pessoa feliz. Todos os participantes deram mais tapinhas nos cães do que nas pessoas, mas o idoso que mais fez esse movimento não escolheu o cão como preferido. Ele não teve preferência. O comportamento de sorrir também foi executado com mais frequência pelos idosos em relação aos cães, mas não foi possível contabilizar os números, pois não apareceu nas gravações. Dessa forma, os autores concluem que os comportamentos pró-sociais foram semelhantes para ambas as visitas, o que permite a alusão de que a visita do cão é benéfica ao idoso, de modo semelhante à da pessoa. Com uma exceção, os idosos quiseram "dar tapinhas" com mais frequência nos cães do que nas pessoas, apenas um idoso fez esse movimento na visita humana. Esta discrepância pode ter ocorrido, pois é mais aceitável socialmente fazer esse comportamento com cães do que com pessoas e para satisfazer a necessidade de toque, pois traz conforto, necessidade que pode ser mais fácil de se obter com os cães. O cão provê a necessidade de tocar e ser tocado. Não puderam constatar qual o melhor do ponto de vista dos idosos, mas concluíram que a visita do cão é benéfica, semelhantemente à da pessoa.
Tema: vínculo paciente cardíaco-animal
Como se pode notar, os estudos nesta área estão iniciando, sendo que outro estudo considerado pioneiro na área foi realizado por Friedman, Katcher, Lynch & Thomas (1980). Os autores investigaram a relação entre o tempo de vida de pessoas que foram submetidas à cirurgia cardíaca e o fato de terem animais ou não. A pesquisa indicou que as pessoas que possuíam animais viveram por mais tempo em relação às que não possuíam, sugerindo uma correlação de maior sobrevida e vínculo com animais. Esse estudo foi realizado com pessoas hospitalizadas depois de terem ataque cardíaco. Percebeu-se que 94% dos pacientes que eram donos de animais de estimação viveram por mais de um ano, comparados com 72% de pacientes que não tinham animais. Ser dono de algum animal está correlacionado com uma maior sobrevida depois de algum problema de saúde (Friedmann, Katcher, Lynch & Thomas, 1980).
Tema: percepção e atitude de jovens em relação
aos animais
Estudo feito por Lockwood (1983) com adolescentes, no qual tinham de expressar julgamentos sobre cenas que continham pessoas que estavam com ou sem animais e dizer quais delas eram mais felizes, amigáveis, mais relaxadas, menos vulneráveis e menos perigosas. As cenas mais escolhidas foram as que tinham o animal.
Bjerke, Odegargstuen & Kaltenborn (1998) analisaram 562 pessoas de 9 a 15 anos de idade sobre suas atitudes diante de animais de acordo com a tipologia – moralista, ecologista, naturalista, negativista, autoritária. Os resultados demonstraram que a maioria é humanista (interesse e afeição por animais, principalmente por animais de estimação). Meninas mais velhas são moralistas (argumentam sobre o que é certo e errado no tratamento aos animais, com forte oposição à exploração e crueldade) e negativistas (evitam animais com indiferença, medo e aversão), e os meninos mais velhos são naturalistas (interesse e afeição pela vida selvagem e ao ar livre) e autoritários (interesse na dominação e no controle dos animais, principalmente em situações esportivas).
Tema: benefícios do vínculo homem-animal
Messent (1984) observou diretamente pessoas com ou sem cães passeando em parques e constatou que a presença de cães estava associada a um significante aumento no número de saudações e cumprimentos com verbalizações.
Okoniewski & Zivan (1985) verificaram que o vínculo homem-animal melhora a depressão e diminui sentimentos de solidão, criando um ambiente de aceitação e amor.
Akiyama, Holtzman & Britz (1986) relataram que idosas não proprietárias de animais tinham mais frequentemente dores de cabeça, constipação, dificuldade de engolir, medos persistentes e pânicos, e usavam mais medicação psicotrópica em relação às donas de animais.
Baun, Oetting & Gergstrom (1991) argumentam que atividades como fazer o paciente acariciar, pentear e jogar bola para o cachorro são ótimos exercícios de coordenação de movimentos, ajudam a controlar o estresse, diminuem a pressão arterial e reduzem os riscos de problemas cardíacos
Tema: vínculo pessoas com necessidades
especiais-animais
Eddy, Hart & Boltz (1987) fizeram uma investigação para verificar se pessoas em cadeiras de rodas com cães recebem mais frequentemente reconhecimento social de estranhos que pessoas em cadeiras de rodas sem cães. As sessões foram observadas e os comportamentos dos pedestres em área pública (shopping, supermercados, lojas e campus universitário) registrados como sorriso, indícios de conversa, toque, olhar de aversão, não olhar e sem resposta. Os resultados indicaram que houve maior incidência de sorrisos e conversas quando os cães estavam presentes. As conversas eram centradas a respeito do cão. Casos de não olhar e olhar de aversão ocorreu com mais participantes do grupo sem cães do que com o grupo com cães. Em entrevista após a observação, os participantes do grupo sem cães relataram que se sentiram invisíveis em público. Os autores concluíram que o serviço de cães pode facilitar a interação social de pessoas em cadeiras de rodas, ajudar a diminuir a rejeição social e diminuir a solidão dessas pessoas que, muitas vezes, são vulneráveis e isoladas.
Um dos primeiros trabalhos que investigaram a relação TAA e pessoas com necessidades especiais foi o de Allen & Blascovich (1996). Verificaram a validade do serviço de cães para pessoas com quadro de deficiência severa e crônica na área motora e cognitiva como atrofia muscular, esclerose múltipla, traumatismo craniano, afasia, quadriplegia, problemas com atenção e memória e que necessitavam de cadeira de rodas. Os autores decidiram investigar esse fato devido à grande necessidade em desenvolver a independência dessas pessoas, pois necessitam de familiares, amigos ou cuidadores para receberem assistência e, muitas vezes, não há compreensão de suas necessidades. Os pesquisadores relataram também que essas pessoas têm níveis baixos de autoestima e níveis altos de depressão devido a atitudes negativas, estereótipos e estigmatização da sociedade. Os cães podem suprir necessidades sociais e pessoais, como abrir e fechar porta, de se vestir, procurar e pegar objetos, puxar a cadeira de rodas, ajudar a fazer compras, salvar pessoas em caso de incêndio ou emergência, entre outras. Neste estudo, participaram da pesquisa indivíduos que tinham interesse no serviço de cães e necessitavam da assistência de outras pessoas em vários aspectos. Assim, os participantes foram unidos de acordo com idade, gênero, estado civil, raça, natureza e severidade das deficiências. Formaram-se 24 pares (= 48 pessoas) separados em grupo controle (lista de espera) e grupo experimental. O grupo experimental recebeu treinamento pelo serviço de cães depois de um mês do início do estudo, e o grupo controle, após 13 meses. As variáveis dependentes foram bem-estar psicológico, controle interno, integração com a comunidade, frequência na escola e emprego por meio período, autoestima, horas de assistência pagas e não pagas. A coleta de dados ocorreu a cada 6 meses por um período de 2 anos. Os participantes responderam questionários a respeito de dados demográficos, dados psicológicos e informações sobre a assistência em cada coleta. Foram utilizados instrumentos como escalas para medir controle interno, autoestima, etc. Houve mudanças significativas em todos do grupo experimental, comparados com os do grupo controle, antes da inserção dos cães para este grupo e aconteceram mudanças significativas em todos os participantes dos dois grupos depois da inserção dos cães para o grupo controle. Psicologicamente, todos os participantes mostraram mudanças substanciais em autoestima, controle interno e bem-estar psicológico em seis meses após receberem o serviço de cães. Socialmente, todos os participantes mostraram mudanças similares na integração com a comunidade. Demograficamente, todos os participantes mostraram aumento da frequência na escola e/ou no emprego por meio período. Economicamente, todos os participantes mostraram grande diminuição no número de horas de assistência paga ou não. Não houve mudança significativa na variável de estado civil. Os autores concluem que o serviço de cães pode ser altamente benéfico e potencialmente efetivo para a independência de pessoas com deficiências físicas.
No estudo de Bergman (2000) foi demonstrado resultado positivo em pacientes que possuíam paralisia total ou parcial do corpo com a ajuda dos animais, os quais despertaram a vontade de retomar a vida e ajudaram na depressão, recuperação da fala e movimentos, constituindo uma motivação para o tratamento.
Tema: autoconceito vínculo homem-animal
Poresky et al. (1988) verificaram uma ligação entre a idade que a criança tem seu primeiro animal de estimação mais importante e a influência no autoconceito adulto. Os adultos com níveis de autoconceito maiores são os que tiveram animais de estimação com a idade abaixo de 6 anos ou acima de 10 anos, comparados com os que tiveram os animais com a idade entre 6 e 10 anos de idade.
Poresky (1997) executou um estudo com 394 estudantes para determinar a influência de animais de estimação no autoconceito de adultos. O autor verificou que não houve mudanças significativas em relação a sexo e tipo de companhia animal; também constatou que foram interações muito significativas. Os resultados demonstram que a interação desses adultos quando crianças com seus animais e a influência no autoconceito adulto são relações complexas que muitas vezes estudos experimentais não são capazes de registrar.
Tema: internação hospitalar vínculo homem-
animal
Fraser (1990) relatou aumento na interação social e auxílio no enfrentamento de doenças após observar os pacientes de um hospital expondo que o animal trouxe conforto, amor incondicional, oportunidade de distração e aceitação no ambiente hospitalar.
Tema: estresse vínculo homem-animal
Siegel (1990) verificou que donos de animais precisam ir menos a médicos num período de um ano do que os que não possuem. Constatou que os animais parecem ajudar seus proprietários em momentos de estresse. O número de eventos estressantes estava associado com o aumento de visitas médicas pelos participantes que não possuiam animais. O mesmo não ocorreu com os proprietários.
Allen et al. (1991) investigaram a reação de 45 mulheres em uma situação estressante e a influência de suportes sociais como amigas e cães. Nesse experimento, executaram procedimentos laboratoriais para medir o estresse em uma situação de desafio-aritmética mental. Incluíram também a pesquisa de campo (casa das participantes) para saber a diferença do estresse em ambos os locais. Tentaram eliminar variáveis que em outros estudos não estavam claros como forma adequada de medir o estresse, o local e animais utilizados (animais conhecidos das participantes). Para escolher as participantes foram selecionadas as seguintes categorias: donas de cães, não fumantes, portadoras de declaração de plena saúde e aquelas que não tomavam nenhum tipo de medicação e que se classificavam como "afeiçoadas aos animais". Para medir o estresse foram avaliadas medidas fisiológicas como pulso, pressão sanguínea e pele. As participantes eram instruídas a sentar-se e descansar por 10 minutos enquanto os instrumentos eram calibrados. Os suportes sociais cães e amigas ficavam a uma distância estabelecida do participante e não podiam tocar, afagar ou falar com a mesma. As participantes, quando foram acompanhadas pelos cães, tiveram reações fisiológicas menores para estresse quando comparadas à presença da amiga. Aparentemente, as participantes sentiram-se menos ameaçadas psicologicamente com a companhia dos cães. Na presença de amigas, exibiram reações fisiológicas maiores relacionadas ao estresse e performance reduzida nas respostas de aritmética.
Raveis et al. (1993) verificaram que a presença de animais de companhia (principalmente cães e gatos) pode trazer benefícios em situações de estresse, como quando uma pessoa está experienciando doença grave com seu cônjuge.
Investigando a influência de animais de estimação, amigos e companheiro de matrimônio nas reações cardiovasculares para estresse psicológico e físico, Allen, Blascovich & Mendes (2002) fizeram dois estudos: 1) com gatos; 2) com cães, usando métodos e procedimentos idênticos para ambos. Os participantes receberam suporte social em diversas situações: a) sozinho; b) com animal (quando eram donos de animais)/amigo (quando não eram donos de animais); c) com companheiro; d) com companheiro e animal/ amigo. Participaram 120 pessoas casadas (60 homens e 60 mulheres), com idade média de 41,5 anos. Todos eram saudáveis, tinham pressão sanguínea normal e nenhum tomava medicação para o coração. Metade dos participantes tinha um bicho de estimação, e a outra metade não tinha há pelo menos 5 anos. Para estes participantes foram selecionados amigos próximos de mesmo sexo. O experimento foi feito na casa dos participantes devido à dificuldade de os animais entrarem em hospitais e laboratórios das universidades e também porque os experimentadores acreditam que o lar é o ambiente apropriado para se fazer uma pesquisa a respeito de suporte social. Os instrumentos utilizados foram: questionário para avaliar as atitudes dos animais; inventário de relações próximas; escala para medir hostilidade; lista de suporte interpessoal, inventário multidimensional de agressividade; e questionário de dados demográficos. Para as medidas fisiológicas foram investigados os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea. Para os comportamentos foram medidos os erros e acertos durante o teste de matemática. Antes de iniciar a intervenção, foram medidas as taxas cardíacas e pressão sanguínea como linha de base. Os animais ficavam livres no local do experimento e o amigo/companheiro ficava sentado a uma distância predeterminada do participante e estes podiam dar suporte durante o teste como quisessem. Não foi observada diferença significativa nos resultados dos dois estudos: gatos e cães. Não houve diferença significante no grupo de donos de animais quanto à idade, educação e ausência de crianças em casa. Os donos de animais apresentaram maiores índices no teste de relações próximas do que os que não possuíam animais. As mulheres que tinham animais demonstraram ter menos reações agressivas e mais suporte social comparadas àquelas que não tinham. Durante o teste mental de aritmética, os donos de animais exibiram menores taxas de batimentos cardíacos e de pressão comparadas com o outro grupo. Percebeu-se que a presença do companheiro resultou em melhores resultados que nas outras condições. Não houve diferença no grupo dos que não tinham animais nas diferentes situações de suporte. No grupo dos donos, a presença do companheiro com o animal resultou em reações mais significantes do que apenas com o animal, e foi menos significante quando apenas com o companheiro. Donos de animias apresentaram menores taxas de pressão arterial em relação aos que não possuíam. A presença de animais ou animais e companheiro ajudou a diminuir significantemente os batimentos cardíacos quando comparado à presença somente do companheiro. Os donos reagiram ao teste mais rapidamente do que os não donos. Na condição sozinha, foi mais demorada que nas outras situações, e com os animais foi mais rápido que nas outras situações. Assim, os autores verificaram que os donos de animais retornam aos níveis da linha de base mais rapidamente. Os animais podem ajudar a diminuir o estresse e, também, diminuir a percepção de estresse. Tema: suporte emocional e animais
Barker & Dawson (1998) verificaram que a TAA contribuiu na redução dos níveis de ansiedade em pacientes com diferentes diagnósticos psiquiátricos divididos em categorias: depressão; bipolar; esquizofrenia; uso de substâncias; e outras. Foram executadas duas etapas, uma após a outra: terapia assistida por animais (participação do paciente, cão-terapeuta e dono do cão executando atividades que abordaram temas a respeito do cão, interação cão-paciente e foram ensinados comandos de obediência) e atividades de recreação (foram abordados os temas "como gastar o tempo de lazer" e "como aumentar a qualidade dos recursos de lazer na comunidade", e foram feitas atividades artísticas e com música). As atividades de recreação ajudaram a reduzir os níveis de ansiedade apenas nos pacientes da categoria depressão e bipolar.
Triebenbacher (1998) analisou 94 meninos e 80 meninas da pré-escola para verificar se as crianças usam os animais como objetos transicionais e se este contribui para o bem-estar emocional das mesmas. Verificou que 70% eram donas de animais. Elas responderam questões sobre percepção da amizade entre eles e os animais; atividades executadas com os animais; como um comunica amor para o outro aspectos sobre como os animais propiciam amor, segurança e suporte emocional. Elas veem seus animais como amigos especiais, importantes membros da família e que propiciam interação social, afeição e suporte emocional. Concluíram que os animais têm a função de objetos transicionais, pois as crianças indicaram claramente que a melhor forma de demonstrar amor é pela afeição, e eles trazem bem-estar emocional.
Barker, Pandurangi & Best (2003), para determinar se a TAA ajuda na redução do medo, ansiedade e depressão em pacientes psiquiátricos antes da terapia eletroconvulsiva, compararam 15 minutos de sessão de TAA com 15 minutos de sessão de revista. Os resultados demonstraram que a TAA pode ser um caminho no tratamento para diminuir o medo (diminuição de 37%) e a ansiedade (diminuição de 18%). A TAA não demonstrou ser eficaz para a depressão.
Tema: reações fisiológicas na interação homem-
animal
Devido à necessidade de compreender quais são os mecanismos fisiológicos da interação com animais, Odendaal (1999) verificou que, depois de 15 minutos de uma interação positiva, há mudanças positivas nas betaendorfinas, prolactina, dopamina e oxitocina.
Tema: influência do animal nas demências
Kanamori et al. (2001) verificaram a influência da TAA em idosos com demência em um hospital dia. Foram executadas seis sessões, duas vezes por semana. Os participantes foram separados em dois grupos (controle e experimental). O grupo experimental foi formado por sete participantes com idade média de 79 anos, os quais já haviam tido experiências anteriores com animais e gostavam de animais – intervenção de TAA. O grupo controle foi constituído por 20 idosos com média de idade de 83 anos e não tiveram TAA. Nos dois grupos, os participantes apresentaram funcionalidades física e cognitiva semelhantes e, a partir desses dados, foram feitas linhas de base. Foi aplicado o teste minimental antes e depois da TAA para os grupos experimental e controle. Foi executada uma entrevista com familiares. Foi analisado o estresse endócrino por meio de exame da saliva dos pacientes antes e depois da intervenção. Verificou-se que houve diminuição no nível de estresse após TAA, mas os autores questionam se os resultados foram alcançados devido à TAA ou a outras intervenções no hospital.
Edwards & Beck (2002) investigaram a influência da TAA na nutrição em pacientes com Alzheimer. Verificaram que a doença de Alzheimer está aumentando assustadoramente e métodos para prevenção e tratamentos desenvolvidos são, muitas vezes, ineficazes. O baixo peso que esses indivíduos apresentam em razão da doença aumenta a severidade do quadro e a progressão da doença. A perda de peso pode ser causada pelo aumento no gasto de energia devido a agitação, atividades repetitivas, andar constante e perambulação. Participaram do estudo 62 idosos com idade média de 80 anos, divididos em grupo controle e experimental. No grupo controle foi inserida a figura de um oceano no ambiente de alimentação e atividades, e no grupo experimental foi inserido um aquário com peixes. Foi feita uma linha de base antes de se iniciar a intefrvenção com as variáveis dependentes – massa corporal e peso da alimentação diária. Não houve diferença nas variáveis antes e depois da introdução da figura para o grupo controle. Para o grupo experimental houve aumento significativo das variáveis dependentes.
Tema: paciente com câncer e TAA
Johnson et al. (2003) verificaram que pacientes com câncer se utilizam de diversas técnicas consideradas alternativas (quando usam este procedimento no lugar do convencional) ou complementares (combinação com o tratamento convencional) para diminuir os efeitos da doença e do tratamento, serem ativos no tratamento e no processo de cura e ter uma melhor qualidade de vida. A interação homem-animal seria um meio para alcançar esses objetivos, pois pode ajudar na distração, focar no positivo e como suporte social, que são conteúdos utilizados pelos pacientes. Assim, participaram do estudo 30 pessoas com idade entre 27 e 75 anos, hospitalizadas para tratamento de câncer, separadas em grupos que receberam 15 minutos de sessão com a presença de um cão, um amigo (instruído a manter conversação descontraída, com eventos corriqueiros, sem discussão a respeito da condição do paciente, terapia, prognóstico, religião, filosofia, política ou tópicos relacionados à saúde em geral) ou leitura em silêncio de revista (selecionada pelos pesquisadores e sem conteúdos sobre câncer, saúde, religião, autoajuda, técnicas alternativas, etc.). Desses 30 participantes, 27 moravam em casa própria, 18 eram casados, 6 moravam sozinhos, 6 com outras pessoas e 17 eram donos de animais. No final da sessão, os participantes responderam a um questionário com perguntas abertas: o que acharam relevante na sessão, se recomendavam ou não uma sessão similar para outras pessoas, o que a sessão ajudou (de que forma) ou não, entre outras. As respostas foram mais positivas para as sessões com cães e amigos do que para a leitura. Os participantes consideraram os cães e amigos como contribuintes de ajuda para o tratamento. O grupo com cães deu respostas mais positivas em comparação aos outros grupos e a maioria dos indivíduos respondeu que os animais ajudaram o tratamento a ser mais fácil e a se sentir melhor. Os participantes afirmaram que os cães são como confidentes e são amigos, querem conversar com outros a respeito dos cães, ter a visita em suas casas e querem lembrar dessa sessão quando saírem do hospital, o que não ocorreu com o grupo de amigos. Os cães deram conforto, alegria e energia em relação aos amigos. O grupo com revista viu as sessões como positivas, mas sendo algo para passar o tempo. Os autores relatam algumas observações: número pequeno de participantes, o que não consideram significativo. Deve-se explorar mais essa técnica como alternativa ou complementar ao tratamento do câncer, pois ainda não está claro que contribuições ela pode trazer comparando-a com outras técnicas como a musicoterapia, a hipnose e a massagem.
Tema: paciente terminal e TAA
Geisler (2004) faz uma avaliação sobre a TAA a partir de histórias de alguns pacientes e conclui que animais de companhia podem ajudar a melhorar a qualidade de vida de pessoas em estado terminal. Esses animais oferecem contribuições específicas para os cuidados no "final da vida", como facilitar a comunicação, revisão da vida e fé. O autor coloca em tópicos pontos importantes para encorajar o uso de animais de companhia em hospitais, como: incluir histórias de animais na entrevista inicial – essa atitude pode ajudar o paciente a aceitar a visita do mesmo; oferecer a visita do animal como parte do programa; incluir o animal na facilitação da comunicação no estágio terminal, o que permite à pessoa conversar sobre assuntos importantes, e que muitas vezes não se sente à vontade com familiares e amigos.
Tema: dor e TAA
Sobo, Eng & Kassity-Krich (2006) exploraram o efeito da TAA no manejo da dor em um hospital pediátrico. Participaram 25 pessoas com idade entre 5 e 18 anos. Os pesquisadores verificaram a importância desta pesquisa, pois muitas vezes as crianças, mesmo medicadas, continuam a sofrer dores de moderadas a severas no pós-operatório. Vários órgãos nos Estados Unidos estão incentivando as instituições a desenvolverem métodos para avaliar a dor (que é subjetiva) e intervenções eficazes. Foi feita entrevista e aplicação de escala para avaliar a percepção física e emocional da dor pelas crianças, antes e depois da intervenção e houve uma reflexão dos participantes sobre a experiência de TAA após a intervenção. As crianças participantes não poderiam ter alergia a animais. Participou um cão da raça old west highland white terrier, fêmea, e seu dono (este só conduzia o cão, não interagia com o participante). Nas intervenções, os participantes decidiam que tipo de interação gostariam de ter com o cão: passiva (o cão sentaria ou dormiria com a criança), menor interação (o cão faz truques), e alta interação (faz atividades com o cão, como passear e brincar). A TAA trouxe diminuição na percepção da dor física e emocional dos participantes. Os cães proporcionaram alegria, interação, divertimento, lembrança de casa, companhia, calma e melhora da dor. Os relatos demonstraram diferentes visões, sendo que o mais relatado foi que o cão proporcionou distração da dor e da situação hospitalar, alegria (para os que tiveram um contato passivo), divertimento e entretenimento (contato com atividades). Os pesquisadores argumentam que, mesmo sendo uma amostra pequena, os resultados confirmam os benefícios encontrados na literatura e demonstram que a TAA pode ser utilizada em conjunto com outras técnicas para aliviar a dor.
Tema: sistema prisional e animais Furst (2006) fez um estudo de revisão sobre programas com animais em prisões. Verificou que as pesquisas empíricas nessa área são escassas. O trabalho com animais nas prisões está sendo executado na maioria dos estados americanos; o animal mais usado ainda é o cão (o que está contribuindo para diminuir os animais soltos nas cidades); é executado mais frequentemente nas prisões masculinas e esses trabalhos começaram a se estabelecer depois de 2000. Algumas pesquisas demonstraram que houve diminuição no sentimento de isolamento e frustração, melhora de autoestima, estresse e comportamentos violentos. Muitos dos presos não retornaram ao sistema prisional depois de cumprida a pena.
Tema: desenvolvimento infantil e animais
Melson (1990) demonstra a importância da natureza e dos animais no desenvolvimento das crianças, principalmente para o desenvolvimento do cuidado ao outro. Experiências de cuidar e proteger seres vivos podem promover sentimentos de autoeficácia e percepção de vínculo positivo. Possuir ou interagir com um animal pode ajudar meninos a desenvolver o cuidado e a proteção a um ser vivo, pois muitas vezes eles não tem essas experiências, ao contrário das meninas. Animais e plantas dependem de pessoas para o seu desenvolvimento, senão morrem. Isto é primordial para um ambiente familiar estruturado e uma sociedade sã.
Vidovic, Stetic & Bratko (1999) investigaram as características socioemocionais de crianças que têm animais e crianças que não têm. Participaram 425 meninas e 401 meninos. As variáveis foram: vínculo, orientação pró-social, empatia, percepção do clima familiar, ansiedade e isolamento. Demonstraram que efeitos significativos ocorrem em relação a empatia, orientação pró-social e vínculo com os donos. As crianças que tinham altos índices de vínculo com os animais percebiam o clima familiar significantemente melhor que crianças com pouco vínculo.
A Menzies Incorporated (2003) constata que a TAA pode ser efetiva para muitas crianças e adolescentes que cresceram em ambientes hostis (negligência, abuso, rejeição), e verifica vantagens desse trabalho executado em fazendas, pois pode possibilitar variedade de animais, plantas e atividades e, ainda, contribuir para a interação entre as pessoas.
Thigpen, Ellis & Smith (2005) descrevem o histórico, as limitações e pesquisas sobre AAA e TAA. Verificam que agrupar animais ao tratamento de crianças com desordens emocionais e comportamentais pode ajudar a aumentar as habilidades intelectuais.
Tema: momentos de crise e vínculos com
animais
Hoff & Bergler (2001) verificaram que o cão é uma influência positiva para crianças que passaram por situação de divórcio dos pais. As crianças relataram que o cão é uma companhia indispensável em momentos de crise; é um amigo em que pode confiar e dizer problemas; uma companhia que propicia atenção; é uma importante ajuda quando há preocupações, pois distrai com brincadeiras; ajuda em momentos de solidão.
Tema: vínculo criança com necessidade especial
e animal
Martin & Farnum (2002) fizeram um estudo com 10 crianças com idade mental de 2 a 6 anos e diagnóstico de: Asperger, autista, sem diagnóstico específico. Executaram 45 sessões individuais três vezes por semana, e todas realizaram atividades em três condições: a) com bola; b) com o cachorro de pelúcia; e c) com o cão. As sessões tinham duração de 15 minutos e eram gravadas. Foram avaliadas duas categorias de comportamentos: comportamento gestual (responder questões com a cabeça, olhar para o experimentador, para o objeto, tocar, etc.) e comportamento verbal (responder questões com sim, não, murmúrios, chorar, sorrir, repetição, etc.). A interação com cães parece ter trazido benefícios positivos: as crianças sorriam mais, brincavam e houve aumento na atenção. Engajavam-se mais nas conversas sobre cães. Conversavam menos sobre tópicos do protocolo do que nas outras situações, o que apoia o experimento: os animais tiveram a função de manter o interesse e o foco das crianças. Olhavam menos ao redor, focavam mais o cão e iniciavam conversas.
O Quadro 1 apresenta uma síntese dos artigos encontrados sobre pesquisas envolvendo a TAA em ordem cronológica compreendendo o período de 1973 a 2006.
Quadro 1 Apresentação da caracterização dos artigos
internacionais.