Tipos de Mentes: Rumo a uma Compreensão da Consciência

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TIPOS DE MENTES

Rumo a uma compreensão da consciência

Daniel C. Dennett

Tradução

ALEXANDRE TORT

Revisão técnica

MARCUS PINTO

 

1997

 

EDITORA ROCCO LTDA.

Rio de Janeiro – RJ

OceanofPDF.com

Sumário

Prefácio

1 - Que tipos de mentes existem?

Conhecendo sua própria mente

Nós, os que temos mentes, nós, os que damos importância

Palavras e mentes

O problema das mentes que não se comunicam

2 -Intencionalidade: a abordagem dos sistemas intencionais

Simples começos: o nascimento da ação

Adotando a postura intencional

O objetivo mal dirigido da precisão proposicional

Intencionalidade original e derivada

3 - O corpo e suas mentes

Da sensitividade à senciência?

Os meios e as mensagens

"Meu corpo tem uma mente própria!"

4 - Como a intencionalidade entrou em cena

A torre de gerar e testar

A busca da senciência: um relatório sobre os avanços

Da fototaxia à metafísica

5 - A criação do pensamento

(Des)pensando os psicólogos naturais

Fazendo coisas sobre as quais pensar

Falando com nós mesmos

6 - Nossas mentes e outras mentes

Nossa consciência, suas mentes

Dor e sofrimento: o que é importante

Leituras adicionais

Bibliografia

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Prefácio

Sou um filósofo, não um cientista, e nós filósofos somos melhores em formular perguntas do que respostas. Não estou começando por insultar a mim e a minha disciplina, a despeito das primeiras impressões. Encontrar melhores perguntas para formular, e romper velhos hábitos e tradições de formulá-las, é uma parte muito difícil do projeto humano de compreender a nós mesmos e ao mundo. Os filósofos podem dar uma excelente contribuição a esta investigação, explorando seus talentos profissionalmente aguçados como críticos, desde que mantenham uma mente aberta e se abstenham de tentar responder a todas as perguntas a partir de primeiros princípios "óbvios''. Há muitas maneiras diferentes de formular perguntas sobre diferentes tipos de mentes e a minha maneira - a maneira que apresentarei neste livro - muda quase diariamente, tornando -se refinada e acrescida, corrigida e revisada, à medida que aprendo sobre novas descobertas, novas teorias e novos problemas. Introduzirei o conjunto de hipóteses fundamentais que determinam o meu ponto de vista e lhe darei um padrão estável e reconhecível, mas as partes mais excitantes deste caminho são as margens mutáveis do padrão, que é onde a ação se desenrola. O principal objetivo deste livro é apresentar as perguntas que estou formulando agora - e algumas delas provavelmente não levarão a lugar algum, fique o leitor ciente. Mas a minha maneira de formular questões tem um registro muito bom ao longo dos anos, evoluindo bem suavemente para incorporar novas descobertas, algumas das quais foram provocadas por minhas perguntas anteriores. Outros filósofos apresentaram maneiras antagônicas de formular questões sobre mentes, mas a mais influente destas maneiras, a despeito de sua atração inicial, leva a auto-contradições, paradoxos ou paredes impenetráveis de mistério, como demonstrarei. Portanto é com confiança que recomendo meus atuais candidatos a boas perguntas.

Nossas mentes são tecidos complexos, criados com muitas fibras diferentes e que incorporam muitos padrões diferentes.

Alguns desses elementos são tão antigos quanto a própria vida e outros tão novos quanto a tecnologia de hoje. Nossas mentes são exatamente como as mentes de outros animais em muitos aspectos e completamente diferentes em outros . Uma perspectiva evolutiva pode ajudar-nos a ver como e por que esses elementos das mentes chegaram às formas que possuem hoje, mas nada de uma corrida em linha reta através do tempo, "dos micróbios até o homem", que revele o momento da incorporação de cada componente novo. Portanto, no que se segue terei de andar para lá e para cá entre mentes simples e complexas, indo e vindo repetidamente, até que finalmente cheguemos a algo que é reconhecivelmente uma mente humana. Então poderemos olhar para trás, mais uma vez, para examinar as diferenças encontradas e avaliar algumas de suas implicações.

As primeiras versões deste livro foram apresentadas nas Agnes Cuming Lectures no University College, Dublin, e nas minhas palestras públicas como Erskine Fellow na Canterbury University, Christchurch, Nova Zelândia, em maio e junho de 1995. Quero agradecer ao corpo docente e aos estudantes dessas instituições, cujas discussões construti vas ajudaram a tornar a versão final quase irreconhecivelmente diferente, e (espero) melhor. Quero agradecer também a Marc Hauser, Alva Noe, Wei Cui, Shannon Densmore, Tom Schuman, Pascal Buckley, Jerry Lyons, Sara Lippincott e aos meus estudantes do curso "Linguagem e mente" em Tufts, que leram e criticaram vigorosamente a penúltima versão.

Tufts University 20 de dezembro de 1995

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