Tipos de Mentes: Rumo a uma Compreensão da Consciência

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passos foram dados de maneiras sobrepostas e não uniformes por diferentes linhagens -, mas os vários andares da Torre de Gerar e Testar marcam avanços importantes no poder cognitivo, e, uma vez que vejamos em esboço um pouco das características principais de cada estágio, o resto dos passos evolutivos terá mais sentido.

No começo, havia a evolução darwiniana das espécies por seleção natural. Uma grande variedade de organismos candidatos foram gerados às cegas, por processos mais ou menos arbitrários de recombinação e mutação de genes. Estes organismos foram testados na prática e apenas os melhores projetos sobreviveram. Este é o andar térreo da Torre. Chamemos seus habitantes de criaturas darwinianas.

Este processo continuou durante muitos milhões de ciclos, produzindo muitos projetos maravilhosos, tanto de plantas quanto de animais. Finalmente, entre as suas novas criações estavam alguns projetos com a propriedade da plasticidade fenótica: isto é, os organismos candidatos individuais não estavam inteiramente projetados ao nascer; havia elementos de seu projeto que poderiam ser ajustados pelos eventos que ocorriam durante os testes práticos. Alguns desses candidatos, podemos supor, não se deram melhor do que seus primos, as criaturas darwinianas de estrutura rígida, já que não tinham nenhuma maneira de favorecer (selecionando para um bis) as opções comportamentais com as quais estavam equipados com a finalidade de "disputar". Mas outros, podemos supor, tiveram sorte suficiente para serem dotados de "reforçadores" que favoreciam os Movimentos Espertos - isto é, ações que eram melhores para os candidatos do que as ações alternativas disponíveis. Estes indivíduos assim confrontavam o meio ambiente gerando uma variedade de ações, as quais testavam, uma por uma, até que encontrassem uma que funcionasse. Eles detectavam que esta ação funcionava apenas pela obtenção de um sinal positivo ou negativo do meio ambiente, o que ajustava a probabilidade de aquela ação ser reproduzida em outra ocasião. Quaisquer criaturas dotadas com as estruturas erradas - com o reforço positivo e negativo invertido - estariam condenadas, é claro. Apenas aqueles afortunados por nascer com os reforçadores apropriados teriam u ma vantagem. Podemos chamar este subconjunto de criaturas darwinianas de criaturas skinnerianas, já que, como o psicólogo behaviorista B. F. Skinner gostava de chamar a atenção, tal "condicionamento operante" não é apenas análogo à seleção natural darwiniana; ele é uma extensão desta: "Onde o comportamento herdado sai de cena, a capacidade de modificação herdada do processo de condicionamento entra." (1953, página 83)

A revolução cognitiva que emergiu na década de 1970 baniu o behaviorismo da sua posição dominante na psicologia, e desde então tem havido uma tendência a subestimar o poder do condicionamento skinneriano (ou suas variações) de moldar a competência comportamental de organismos, transformando-os em estruturas altamente adaptativas e discernentes. O trabalho florescente sobre redes neurais e "conectividade" na década de

 

1990, porém, demonstrou mais uma vez a muitas vezes surpreendente virtuosidade das redes simples que começaram a vida mais ou menos aleatoriamente interligadas e então tiveram suas conexões ajustadas por um tipo simples de "experiência" - a história do reforço que enfrentam.

A ideia fundamental de deixar o meio ambiente desempenhar um papel cego mas seletivo na moldagem da mente (ou do cérebro, ou do sistema de controle) possui um pedigree mais antigo ainda do que Darwin. Os ancestrais intelectuais dos conexionistas de hoje e behavioristas de ontem foram os associadonistas: filósofos como David Hume, que tentou no século XVIII imaginar como as partes mentais (as quais chamou impressões e ideias) poderiam tornar-se auto-organizantes sem a ajuda de um diretor sabe-tudo de organização. Como um estudante uma vez memoravelmente me disse: "Hume queria que as ideias pensassem por si mesmas". Hume teve palpites maravilhosos sobre como as impressões e ideias podiam unir-se entre si por um processo bastante semelhante ao da ligação química, e então criar os caminhos usuais do hábito na mente, mas estes palpites eram demasiadamente vagos para serem testados. O associacionismo de Hume foi, porém, uma inspiração direta para as famosas experiências de Pavlov sobre o condicionamento do comportamento animal, as quais por sua vez levaram às teorias do condicionamento, um pouco diferentes, de E. L. Thomdike, Skinner e outros behavioristas na psicologia. Alguns desses pesquisadores -Donald Hebb, em particular - tentaram ligar seu behaviorismo mais intimamente com o que era então conhecido sobre o cérebro. Em 1949, Hebb propôs modelos de mecanismos de condicionamento simples que podiam ajustar as conexões entre as células nervosas. Esses mecanismos - agora chamados regras hebbianas de aprendizado - e seus descendentes são os condutores das mudanças no conexionismo, a manifestação mais recente desta tradição.

Associacionismo, behaviorismo, conexionismo - em ordem histórica e alfabética podemos traçar a evolução de modelos de um tipo simples de aprendizado, que poderia muito bem ser chamado aprendizado ABC. Não há dúvida de que a maioria dos animais é capaz de aprendizado ABC; isto é, eles podem chegar a modificar (ou replanejar) seu comportamento nas direções apropriadas como resultado de um processo longo e constante de treinamento ou modelamento pelo meio ambiente. Há agora bons modelos, com vários graus de realismo e detalhe, de como tal processo de condicionamento ou treinamento pode ser, de modo não milagroso, realizado em uma rede de células nervosas.

Para muitas finalidades de preservação da vida (padrão de reconhecimento, discriminação, generalização e controle dinâmico da locomoção, por exemplo), as redes ABC são maravilhosas - eficientes, compactas, robustas no desempenho, tolerantes com as falhas e relativamente fáceis de reprojetar no caminho. Além do mais, essas redes enfatizam vividamente o ponto de vista de Skinner de que faz pouca diferença onde traçamos a linha entre o desbastamento e a modelagem por seleção natural que é geneticamente transmitida para a prole (a fiação com que você nasceu), e o desbastamento e a modelagem que acontecem posteriormente no indivíduo (a reestruturação com que você termina, como resultado da experiência ou treinamento). A natureza e a criação se misturam sem solução de continuidade. Existem, porém, alguns truques cognitivos que estas redes ABC ainda não foram treinadas para realizar, e - uma crítica mais reveladora - outros que muito claramente não são o resultado de treinamento. Alguns animais parecem ser capazes de "aprendizado em uma dose"; eles podem perceber certas coisas sem ter de passar pelo árduo processo de tentativa e erro no mundo cruel que é a marca de todo aprendizado ABC.

O condicionamento skinneriano é uma coisa boa desde que você não seja morto por um dos seus erros anteriores. Um sistema melhor envolve a pré-seleção entre todos os comportamentos possíveis ou ações, de modo que os movimentos verdadeiramente estúpidos são descartados antes de serem arriscados na "vida real". Nós, seres humanos, somos criaturas capazes deste refinamento particular, mas não estamos sozinhos. Podemos chamar os que se beneficiam deste terceiro andar na Torre de criaturas popperianas, já que, como o filósofo Sir Karl Popper uma vez refinadamente colocou, este reforço do projeto "permite que nossas hipóteses morram em nosso lugar". Ao contrário das criaturas meramente skinnerianas, muitas das quais sobrevivem apenas porque executam os primeiros movimentos com sorte, as criaturas popperianas sobrevivem porque são suficientemente espertas para executar primeiro movimentos que são melhores·do que os movimentos ao acaso. É claro que elas têm apenas sorte de serem espertas, mas isto é melhor do que ser apenas sortudas.

Como esta pré-seleção de agentes popperianos deve ser feita? Deve existir um filtro, e qualquer filtro desses deve em suma ser algum tipo de ambiente interno, no qual as tentativas podem ser seguramente executadas - alguma coisa interna estruturada de tal maneira que as ações substitutas que ele favorece são muito frequentemente as próprias ações que o mundo real também abençoaria se estas fossem de fato realizadas. Em resumo, o meio interno, seja qual for, deve conter muita informação a respeito do meio externo e suas regularidades. Nada mais (exceto a mágica) poderia tornar a pré-seleção algo valioso de ser possuído. (Poderíamos sempre jogar uma moeda ou consultar um oráculo, mas isto não seria um avanço sobre o método cego do erro e tentativa - a menos que a moeda ou o oráculo seja sistematicamente alterado por alguém ou por algo que possua informações verdadeiras sobre o mundo.)

A beleza da ideia de Popper está exemplificada no desenvolvimento recente de simuladores de voos realistas utilizados para treinar pilotos de avião. Em um mundo simulado, os pilotos podem aprender os movimentos que devem executar em cada crise, sem jamais arriscar suas vidas (ou os aviões muito caros). Como exemplos do truque popperiano, porém, os simuladores de voo são enganadores em um ponto: eles reproduzem o mundo real muito literalmente. Devemos ser muito cuidadosos para não pensar no meio interno de uma criatura popperiana como simplesmente uma réplica do mundo externo, com todas as contingências físicas daquele mundo reproduzidas. Nesse miraculoso mundo de brinquedo, o pequeno forno quente em sua imaginação estaria suficientemente aquecido para na verdade queimar o pequeno dedo que em sua imaginação você colocou dentro dele! Nada deste tipo precisa ser suposto. A informação a respeito do efeito de colocar um dedo dentro do forno deve estar lá, e deve